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Quão “cordial” é o povo brasileiro?

31/10/2014

Dizer que o brasileiro é um “homem cordial” vem do escritor Ribeiro Couto, expressão generalizada por Sérgio Buarque de Holanda em seu conhecido livro: “Raizes do Brasil” de 1936 que lhe dedica o inteiro capítulo Vº. Mas esclarece, contrariando Cassiano Ricardo que entendia a “cordialidade”como bondade e a polidez, que “nossa forma ordinária de convívio social é no fundo, justamente o contrário da polidez”(da 21ª edição de 1989 p. 107). Sergio Buarque assume a cordialidade no sentido estritamente etimológico: vem de coração. O brasileiro se orienta muito mais pelo coração do que pela razão. Do coração podem provir o amor e o ódio. Bem diz o autor:”a inimizade bem pode ser tão cordial como a amizade, visto que uma e outra nascem do coração”(p.107).

Escrevo tudo isso para entender os sentimentos “cordiais” que irromperam na campanha presidencial de 2014. Houve por uma parte declarações de entusiasmo e de amor até ao fanatismo para os dois candidatos e por outra, de ódios profundos, expressões chulas por parte de ambas as partes do eleitorado. Verificou-se o que Buarque de Holanda escreveu: a falta de polidez no nosso convívio social.

Talvez em nenhuma campanha anterior se expressaram os gestos “cordiais” dos brasileiros no sentido de amor e ódio contidos nesta palavra. Quem seguiu as redes sociais, se deu conta dos níveis baixíssimos de polidez, de desrespeito mútuo e até falta de sentido democrático como convivência com as diferenças. Essa falta de respeito repercutiu também nos debates entre os candidatos, transmitidos pela TV. Por exemplo, que um dos candidatos chame a Presidenta do país de “leviana e mentirosa” se inscreve dentro desta lógica “cordial”, embora revele grande falta de respeito diante da dignidade do mais alto cargo da nação.

Para entender melhor esta nossa “cordialidade” cabe referir duas heranças que oneram nossa cidadania: a colonização e a escravidão. A colonização produziu em nós o sentimento de submissão, tendo que assumir as formas políticas, a lingua, a religião e os hábitos do colonizador português. Em consequência criou-se a Casa Grande e a Senzala. Como bem o mostrou Gilberto Freyre não se trata de instituições sociais exteriores. Elas foram internalizadas na forma de um dualismo perverso: de um lado os senhor que tudo possui e manda e do outro o servo que pouco tem e obedece ou também a hierarquização social que se revela pela divisão entre ricos e pobres. Essa estrutura subsiste na cabeça das pessoas e se tornou um código de interpretação da realidade e aparece claramente nas formas como as pessoas se tratam nas redes sociais.

Outra tradição muito perversa foi a escravidão. Cabe recordar que houve uma época, entre 1817-1818, em que mais da metade do Brasil era composta de escravos (50,6%). Hoje cerca de 60% possui algo em seu sangue de escravos afro-descendentes. O catecismo que os padres ensinavam aos escravos era “paciência, resignação e obediência”; aos escravocratas se ensinava “moderação e benevolência” coisa que, de fato, pouco se praticava.

A escravidão foi internalizada na forma de discriminação e preconceito contra o negro que devia sempre servir. Pagar o salário é entendido por muitos ainda como uma caridade e não um dever, porque os escravos antes faziam tudo de graça e, imaginam que devem continuar assim. Pois desta forma se tratam, em muitos casos, os empregados e empregadas domésticas ou os peões de fazendas. Ouvi de um amigo da Bahia que escutou uma senhora, moradora de um condomínio de alta classe dizer:”os pobres já recebem a bolsa-família e além disso creem que têm direitos”. Eis a mentalidade da Casa Grande.

As consequências destas duas tradições estão no inconsciente coletivo brasileiro em termos, não tanto de conflito de classe (que também existe) mas antes de conflitos de status social. Diz-se que o negro é preguiçoso quando sabemos que foi ele quem construiu quase tudo que temos em nossas cidades. O nordestino é ignorante, porque vive no semi-árido sob pesados constrangimentos ambientais, quando é um povo altamente criativo, desperto e trabalhador. Do nordeste nos vêm grandes escritores, poetas, atores e atrizes. No Brasil de hoje é a região que mais cresce economicamente na ordem de 2-3%, portanto, acima da média nacional. Mas os preconceitos os castigam à inferioridade.

Todas essas contradições de nossa “cordialidade” apareceram nos twitters, facebooks e outras redes sociais. Somos seres contraditórios em demasia.

Acrescento ainda um argumento de ordem antropológico-filosófica para compreender a irrupção dos amores e ódios nesta campanha eleitoral. Trata-se da ambiguidade fontal da condição humana. Cada um possui a sua dimensão de luz e de sombra, de sim-bólica (que une) e de dia-bólica (que divide). Os modernos falam que somos simultaneamente dementes e sapientes (Morin), quer dizer, pessoas de racionalidade e bondade e ao mesmo tempo de irraconalidade e maldade. A tradição cristã fala que somos simultaneamente santos e pecadores. Na feliz expressão de Santo Agostinho: cada um é Adão, cada um é Cristo, vale dizer, cada um é cheio de limitações e vícios e ao mesmo tempo é portador de virtudes e de uma dimensão divina. Esta situação não é um defeito mas uma característica da condition humaine. Cada um deve saber equilibrar estas duas forças e na melhor das hipóteses, dar primazia às dimensões de luz sobre as de sombras, as de Cristo sobre as do velho Adão.

Nestes meses de campanha eleitoral se mostrou quem somos por dentro, “cordiais” mas no duplo sentido: cheios de raiva e de indignação e ao mesmo tempo de exaltação positiva e de militância séria e auto-controlada.

Não devemos nem rir nem chorar, mas procurar entender. Mas não é suficiente entender; urge buscar formas civilizadas da “cordialidade” na qual predomine a vontade de cooperação em vista do bem comum, se respeite o legítimo espaço de uma oposição inteligente e se acolham as diferentes opções políticas. O Brasil precisa se unir para que todos juntos enfrentemos os graves problemas internos e externos (guerras de grande devastação e a grave crise no sistema-Terra e no sistema-vida), num projeto por todos assumido para que se crie o que se chamou de o Brasil como a “Terra da boa Esperança”(Ignacy Sachs).

Leonardo Boff escreveu “O despertar da águia: o dia-bólico e o sim-bólico na consstrução da realidade”, Vozes, Petrópolis 1998.

El clamor de los indígenas que todavía necesitamos oír

30/10/2014

La causa indígena nunca ha sido resuelta en Brasil. A todas horas se oye sobre invasiones de tierras indígenas para dar lugar al agronegocio. La homologación de sus tierras es aplazada. Y hay asesinatos y suicidios misteriosos entre los guaraníes.

No obstante, ha habido algunos avances que toca reconocer, como la demarcación y homologación en área continua de la tierra Yanomami contra la presión de media docena de arroceros, apoyados por el latifundio en pro del agronegocio; la devolución de la tierra indígena xavante Marãiwatsédé en la Prelatura de São Felix do Araguaia, de donde habían sido arrancados a la fuerza hace 40 años. No ocurrió lo mismo con la tierra de los Guaraní Kaiowá, Guyraroka, pues el Supremo Tribunal Federal (STF) con los votos de los ministros Celso Mello y Carmen Lúcia rechazó el voto de relator del proceso al ministro Ricardo Lewandoski. En ningún momento se consulto a la comunidad y el latifundista que las ocupó adquirió el derecho sobre doce mil hectáreas de las tierras tradicionales.

Casos como estos son frecuentes, por más que la Funai y el CIMI (Centro indigenista misionero de la Iglesia Católica) se empeñen en su defensa. En este contexto vale la pena recordar el Manifiesto de la Comisión Indígena 500 años (1999) expresando el clamor de 98 diferentes pueblos originarios. Ellos denunciaron con vehemencia:

«Los conquistadores llegaron con hambre de oro y de sangre, empuñando en una mano el arma y en la otra la cruz, para bendecir y recomendar las almas de nuestros antepasados, lo que daría lugar al desarrollo, al cristianismo, a la civilización y a la explotación de las riquezas naturales. Estos factores fueron determinantes en el exterminio de nuestros antepasados…»

«El día 22 de abril de 1500 representa el origen de una larga y dolorosa historia… Afirmamos nuestra divergencia clara y transparente en relación a las conmemoraciones festivas del V centenario, por atentar y no respetar a nuestros antepasados, muertos en defensa de sus hijos, de sus nietos y de las generaciones futuras. Y por negar nuestro derecho a la vida como pueblos culturalmente diferentes…»

«Pretendemos sí, celebrar las conquistas a lo largo de los siglos, llenas de héroes anónimos, que la historia se niega a reconocer. Celebramos sí, las victorias que nos costaron tantas vidas y sufrimientos, y que sin embargo nos trajeron la determinación y la esperanza de un mundo más humano, de solidaridad».

«Celebraremos también el futuro, herederos que somos de un pasado de valoración de la vida, de ideales, de sueños dejados por nuestros antepasados. A pesar de las desigualdades e injusticias, somos conscientes de la importancia de contribuir a la consolidación de una humanidad libre y justa, donde indios, negros y blancos vivan con dignidad» (Jornal do Brasil del 31 de mayo de 1999). En la campaña presidencial nunca se abordó con seriedad esta demanda histórica de los indígenas.

¿Qué podríamos esperar de los portugueses que durante quince siglos recibieron la educación cristiana? Que al ver aquellos bellos cuerpos en la playa, observando curiosamente la llegada de las carabelas, exclamasen: “¡Qué bien! Descubrimos más hermanos y hermanas. Vamos a abrazarlos como miembros de la gran familia de Dios, representantes diferentes del cuerpo místico de Cristo”. Nada de eso ocurrió.

Después del primer encuentro pacífico, lleno de lirismo, descrito en la carta de Pero Vaz de Caminha, todo cambió. Vieron con codicia las riquezas de la tierra. Les hicieron la guerra, llegaron a negarles la humanidad y, a pesar de su inocencia y bondad natural, atestiguadas por todos los primeros misioneros, los consideraron faltos de salvación. Los subyugaron y se bautizaron por miedo.

Algo falló en el proceso de educación y de evangelización por parte de los europeos, especialmente de los españoles y de los portugueses, que impidió que ocurriese verdaderamente un encuentro de personas y de culturas. Lo que hubo fue una pura y simple negación de la alteridad.

El llamado “descubrimiento” equivalió a un encubrimiento y a la supresión del otro de la historia de los pueblos originarios de Brasil y de África. Tampoco significó un “encuentro” de culturas sino una invasión. Lo que realmente ocurrió fue un inmenso desencuentro, un verdadero choque de civilizaciones con el total sometimiento de los negros y de los indígenas más débiles. Hasta hoy ha quedado la marca de este acto fundacional en la forma como discriminamos a los indígenas, no respetando sus tierras sagradas y manteniendo prejuicios contra los afrodescendientes, aquellos que construyeron casi todo Brasil.

Traducción de Mª José Gavito Milano

Per capire la vittoria di Dilma Rousseff, presidente del Brasile

29/10/2014

In questa tornata elettorale presidenziale, brasiliani e brasiliane si sono confrontati come se rappresentassero la scena biblica descritta dal Salmo N° 1: si doveva scegliere tra due vie, una che rappresentava il successo e la felicità possibile, l’altra l’insuccesso e l’infelicità evitabile.

Erano state create tutte le condizioni per una tempesta perfetta con distorsioni e diffamazioni, diffuse nella grande stampa e nei media popolari, soprattutto una rivista che ha offeso gravemente l’etica giornalistica, sociale e personale pubblicando falsità per danneggiare la candidata Dilma Rousseff. Dietro a questa rivista albergano le élites più retrograde che si impegnano a difendere i loro privilegi piuttosto che far partecipare tutti ai diritti personali e sociali.

Davanti a queste avversità la presidente Dilma già passata attraverso le torture nei sotterranei degli organi di repressione della dittatura militare, ha rafforzato la sua identità. È cresciuta nella sua determinazione e ha accumulato energie per affrontare qualsiasi scontro. Si è mostrata come è: una donna coraggiosa e valorosa che trasmette fiducia, virtù fondamentale per un politico. Mostra di essere tutta di un pezzo e non tollera malefatte. Lei genera nell’elettore o elettrice il sentimento di “sentire fermezza”.

La sua vittoria è dovuta in gran parte ai militanti che sono usciti per le strade organizzando grandi manifestazioni. Il popolo ha mostrato di essere maturo nella sua coscienza politica e ha saputo, biblicamente, scegliere la via che gli pareva più indovinata votando Dilma. Lei ha vinto con più del 51%

Il popolo già conosceva le due vie. Una, già praticata per otto anni, ha fatto crescere economicamente il Brasile ma ha trasferito la maggior parte dei benefici a coloro che già li avevano a costo di una stretta salariale, a costo della disoccupazione e della povertà delle grandi masse: politiche ricche per i ricchi e povere per i poveri. Il Brasile era diventato il socio minore e subalterno del grande progetto globale, egemonizzato dai paesi opulenti e militaristi. Ma questo non era il progetto di un paese sovrano consapevole della sua ricchezza umana, culturale, ecologica e degna di un popolo che ha l’orgoglio del suo meticciato, e che si arricchisce con tutte le differenze.

Il popolo aveva percorso anche l’altro cammino quello del successo e della felicità possibile. In questo mantenne il posto centrale. Uno dei suoi figli soppravvissuto dalla grande tribolazione, Luiz Inacio Lula da Silva, che è riuscito con politiche pubbliche, rivolte agli offesi e umiliati della nostra storia a far sì che una porzione di popolo grande quanto l’Argentina intera fosse inclusa nella società moderna. Dilma Rousseff ha portato avanti, approfondito e allargato queste politiche con misure democratizzanti come il PRONATEC, il PRO-UNI, le quote nelle università per gli studenti venuti dalla scuola pubblica e non dai collegi privati; le quote per coloro i cui antenati son venuti dal ventre delle navi negriere , così come tutti, così come altri programmi sociali da BOLSA FAMILIA, LUZ PARA TODOS, MINHA CASA MINHA VIDA, PIU’ MEDICI, tra gli altri.

La questione di fondo del nostro paese è in corso di ricalcolo: garantire a tutti ma specialmente ai poveri l’accesso ai beni della vita, superare la spaventosa disuguaglianza e creare mediante l’educazione opportunità ai piccoli perché possano crescere, svilupparsi e diventare uomini come cittadini attivi.

Questo progetto ha risvegliato il senso di sovranità del Brasile, lo ha proiettato sullo scenario mondiale con una posizione indipendente, che richiedeva un nuovo ordine mondiale, nel quale l’umanità si scoprisse come umanità, e tutti abitanti della stessa casa comune.

La sfida per la presidente Dilma non è soltanto consolidare i programmi riusciti, e correggere i difetti, ma inaugurare un nuovo ciclo di esercizio del potere che significhi un salto di qualità per tutte le sfere della vita sociale. Poco si riuscirà a ottenere se non ci sarà una riforma politica che elimini una volta per tutte le basi della corruzione e che permetta passi avanti della democrazia rappresentativa, con l’incorporamento della democrazia partecipativa, con consigli, pubbliche udienze e consulte ai movimenti sociali e altre istituzioni della società civile. E’ urgente una riforma tributaria perché ci sia più equità e contribuisca al pareggiamento dell’abissale disuguaglianza sociale. Fondamentalmente l’educazione e la salute saranno al centro delle preoccupazioni di questo nuovo ciclo. Un popolo ignorante e malato mai spiccherà un salto per raggiungere un livello più alto di vita. La questione del risanamento di base, della mobilità urbana (l’85% della popolazione vive in città), con un sistema di trasporti minimamente degno; la sicurezza e la lotta contro la criminalità sono imperativi imposti dalla società e che la Presidente si obbligherà ad affrontare.

Lei nei dibattiti ha presentato un ventaglio significativo di trasformazioni. Per la serietà e senso di efficacia che ha sempre mostrato possiamo aver fiducia che avverranno.

Ci sono questioni appena accennate: l’importanza di una riforma agraria moderna che stabilisce il contadino sulla terra con tutti i vantaggi che la scienza ha trovato. E’ importante ancora la demarcazione e l’omologazione delle terre indigene, molte minacciate dall’avanzamento dell’industria agro alimentare.

Per ultima, e forse la maggiore delle sfide che viene dal campo dell’ecologia. Severe minacce sorvolano il futuro della vita e della nostra civiltà, sia per la macchina di morte già creata che potrebbe eliminare varie volte consecutive tutta la vita e le conseguenze disastrose del riscaldamento globale. Se arriverà un riscaldamento catastrofico, come intere Società scientifiche ci mettono in guardia, la vita che noi conosciamo forse non potrà sussistere e gran parte dell’umanità sarà spazzata via. Il Brasile per la sua ricchezza ecologica è fondamentale per l’equilibrio del pianeta crocifisso. Un nuovo governo Dilma potrà andare incontro a questo problema, che è la vita o la morte della nostra specie umana.

Che lo Spirito di sapienza e di cura orienti le difficili decisioni che la presidente Dilma Rousseff dovrà prendere.

Traduzione di Romano Baraglia

Para entender la victoria de Dilma Rousseff, presidenta de Brasil

29/10/2014

En estas elecciones presidenciales, los brasileros y brasileras se confrontaron con una escena bíblica, de la cual habla el salmo número uno: tenían que escoger entre dos caminos: uno que representa el acierto y la felicidad posible y otro, el desacierto y la infelicidad evitable.

Se habían creado todas las condiciones para una perfecta tempestad, con distorsiones y difamaciones difundidas en la gran prensa y en las redes sociales. Una revista en especial ofendió gravemente la ética periodística, social y personal publicando falsedades para perjudicar a la candidata Dilma Rousseff. Detrás de ella se albergan las élites más atrasadas que se empeñan antes en defender sus privilegios que en universalizar los derechos personales y sociales.

Ante estas adversidades, la Presidenta Dilma, que pasó por torturas en las mazmorras de los órganos de represión de la dictadura militar, fortaleció su identidad, creció en determinación y acumuló energías para enfrentarse a cualquier embate. Se mostró como es: una mujer con coraje y valiente. Trasmite confianza, virtud fundamental para un político. Muestra entereza y no tolera las cosas mal hechas. Eso genera en el elector o electora el sentimiento de “sentir firmeza”.

Su victoria se debe en gran parte a la militancia que salió a las calles y organizó grandes manifestaciones. El pueblo mostró que ha madurado en su conciencia política y supo, bíblicamente, escoger el camino que le parecía más acertado votando a Dilma. Ella salió victoriosa con más del 51% de los votos.

El pueblo ya conocía los dos caminos. Uno, ensayado durante ocho años, hizo crecer económicamente a Brasil, pero transfirió la mayor parte de los beneficios a los ya beneficiados, a costa de la represión salarial, del desempleo y de la pobreza de las grandes mayorías. Hacía políticas ricas para los ricos y pobres para los pobres. Brasil se convirtió en un socio menor y subalterno del gran proyecto global, hegemonizado por los países opulentos y militaristas. No era el proyecto de un país soberano, conocedor de sus riquezas humanas, culturales, ecológicas y digno de un pueblo que se enorgullece de su mestizaje y que se enriquece con todas las diferencias.

El pueblo recorrió también otro camino, el del acierto y la felicidad posible. Y en este tuvo un puesto central. Uno de sus hijos, superviviente de la gran tribulación, Luiz Inácio Lula da Silva, consiguió con políticas públicas enfocadas a los humillados y ofendidos de nuestra historia que una población equivalente a toda una Argentina fuese incluida en la sociedad moderna. Dilma Rousseff llevó adelante, profundizó y expandió estas políticas con medidas democratizadoras como el Pronatec, el Pro-Uni, los cupos en las universidades para los estudiantes provenientes de la escuela pública y no de los colegios particulares; cupos para aquellos cuyos abuelos vinieron de las mazmorras de la esclavitud, así como todos los programas sociales de Bolsa Familia, Luz para Todos, Mi Casa, mi Vida, Más Médicos, entre otros.

La cuestión de fondo de nuestro país está siendo planteada: garantizar a todos, pero principalmente a los pobres, el acceso a los bienes de la vida, superar la espantosa desigualdad y crear mediante la educación oportunidades para los pequeños, para que puedan crecer, desarrollarse y humanizarse como ciudadanos activos.

Ese proyecto despertó el sentido de soberanía de Brasil, lo proyectó en el escenario mundial con una posición independiente, reclamando un nuevo orden mundial, en el cual la humanidad se descubra como humanidad que habita la misma Casa Común.

El desafío para la Presidenta Dilma no es sólo consolidar lo que ya ha funcionado y corregir defectos, sino inaugurar un nuevo ciclo de ejercicio del poder que signifique un salto de calidad en todas las esferas de la vida social. Poco se conseguirá si no hay una reforma política que elimine de una vez las bases de la corrupción y permita un avance de la democracia representativa, incorporando democracia participativa, con consejos, audiencias públicas, consulta a los movimientos sociales y a otras instituciones de la sociedad civil. Es urgente una reforma tributaria para que haya más equidad y ayude a disminuir la abismal desigualdad social. Fundamentalmente la educación y la salud estarán en el centro de las preocupaciones de este nuevo ciclo. Un pueblo ignorante y enfermo nunca va a poder dar un salto hacia un mejor nivel de vida. La cuestión del saneamiento básico, de la movilidad urbana (el 85% de la población vive en las ciudades) con transporte mínimamente digno, la seguridad y el combate a la criminalidad son imperativos impuestos por la sociedad, que la Presidenta estará obligada a atender.

Ella presentó en los debates un abanico significativo de transformaciones que propuso. Por la seriedad y sentido de eficacia que siempre mostró, podemos confiar en que se llevarán a cabo.

Hay cuestiones que apenas fueron señaladas en los debates: la importancia de la reforma agraria moderna que fija al campesino en el campo, con todas las ventajas que la ciencia ha proporcionado. Es importante también demarcar y homologar las tierras indígenas, muchas amenazadas por el avance del agronegocio.

Por último y tal vez el mayor de los desafíos nos viene del campo de la ecología. Serias amenazas se ciernen sobre el futuro de la vida y de nuestra civilización, ya sea por la máquina de muerte creada que puede eliminar varias veces toda la vida y por las consecuencias desastrosas del calentamiento global. Si el calentamiento abrupto llegara, como alertan sociedades científicas enteras, la vida que conocemos tal vez no pueda subsistir y gran parte de la humanidad sería letalmente afectada. Brasil, por su riqueza ecológica es fundamental para el equilibrio del planeta crucificado. Un nuevo gobierno Dilma no podrá obviar esta cuestión, de vida o muerte para nuestra especie humana.

Que el Espíritu de sabiduría y de cuidado oriente las decisiones difíciles que la Presidenta Dilma Rousseff deberá tomar.

Traducción de Mª José Gavito Milano

El gran conflicto en el siglo XXI: el acceso al agua potable?

28/10/2014

Publico aquí una charla dada en la Universidad de Rosario, Argentina en 2010 por ocasión de la inauguración de la cátedra del agua. El texto es escrito en portuñol con los debidos errores para los cuales pedimos comprensión de los lectores y lectoras. El problema del agua en São Paulo y también en Rio, pero especialmente en el Semi-arido del Nordeste de Brasil nos obligan a repensar el problema del futuro del agua dulce en este siglo XXI.  Hay el riesgo de grandes conflictos entre los pueblos para garantizar el acceso a los fuentes de agua. Solamente con una gobernabilidad planetaria nos es posible evitar tales conflictos y la muerte de millones y millones de personas: Lboff

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Quiero empezar con una espléndida noticia, talvez la más importante que las Naciones Unidas han proclamado después de la Declaración Universal de los Derechos Humanos. En 21 de júlio de 2010 la ONU en una sesión con todos los representantes de los pueblos, aprobó: “el agua potable y segura y el saneamiento básico constituyen un derecho humano esencial”.

Esta declaración cuya iniciativa partió del Presidente de Bolivia Evo Morales Ayma y apoyada por 35 paises, todos del Sur del mundo, fué aprobada con gran dificultad, por 124 votos en favor, 42 abstenciones y ningún voto contrario. Las naciones ricas como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Rusia, Japón y toda la Comunidad Europea se opusieran duramente, a raiz de los intereses comerciales que sus empresas multinacionales tienen con el mercado del agua.

Esta deliberación decisiva para el futuro de la humanidad y para toda la comunidad de vida, practicmente fué silenciada por los medios de comunicación, por que contradice sus intereses materiales. Es verdad que no es todavia una resolución vinculante con valor jurídico lo que significa que las grandes empresas de privatización del agua continuarán con sus negocios, pero con una diferencia: ahora pueden ser combatidas y denunciadas como violadores de un derecho humano vital.

Tales denúncias cuentan con una legitimación inalienable, sustentada por el organo polîtico mas alto de la humanidad que es la ONU. Una vez establecido este derecho esencial, su destino es imponerse como una realidad que pertenece a todo Estado de Derecho y ofrece a los ciudadanos una fuerza de revindicación que nadie puede poner en cuestión ni negar. Por lo tanto, estamos de cara a un hecho de gran trascendencia para el futuro de todas las formas de vida que necesitan de agua para vivir, incluso la Madre Tierra, llamado el Planeta Azur.

  1. La situación del agua en el mundo

Antes de abordar el tema especifico, quiero presentar unos datos, seguramente, conocidos por muchos, sobre la situación del agua en el mundo.

Hay mucha agua. La Tierra está cubierta en un 70% de agua. Su cantidad permaneció constante en los ultimos 500 millones de años. Existe cerca de 1 mil y 360 millones de km cúbicos de agua en la Tierra. Si por hipótesis, tomáramos toda esta água y la distribuyeramos homogeneamente sobre la superficie terrestre, la Tierra como planeta se quedaria mergullada hasta tres km de profundidad.

Pero 97,5% del agua es salada y solamente 2,5% es agua dulce. Mas de dos tercios de esta agua dulce se halla en los polos, en las glaciares o en los altos de las montañas(69%) y las demas (29,9%) son aguas subterraneas en los acuíferos, 0,9% está en los humedales y 0,3% en los rios y lagos de donde sale el agua accesible al consumo humano. De estes 0,3%, el 70% se destinan a la agricultura, el 20% a la industria, el 10% al consumo domestico y el 5% para desendentación de los animales y otros seres que necesitan de agua.

El acceso es cada vez mas precario a raiz de la creciente desertificación, deflorestación y contaminación de los lagos, de los ríos y de las lluvias acidas. Saneamiento mal hecho, uso de detergentes no biodegradables, utilización abusiva de agro-toxicos contaminan los niveles freáticos; los efluentes industriales lanzados en los ríos producen envenenamiento y muerte a los organismos vivos y ponen en jaque la fragil y compleja cadena de la reproducción de la vida.

No obstante todo esto, el agua sigue abundante en el planeta pero con una muy mala gestión. La renovación de las aguas es de 43 mil km cubicos anuales, mientras el consumo humano es estimado em 5 mil km cubicos al año.

El gran problema es que el agua viene desigualmente distribuida : 60%  se halla solamente en 9 países, mientras 80 otros países enfrentan grave escasez. Poco menos de 1 mil millones de personas consonmen el 86% del agua existente mientras que casi 2 mil millones viven en zonas con escasez de agua y 3 mil millones no tienen agua corriente a menos de 1 km de distancia. El consumo es tambien muy desigual: un africano utiliza 10 litros al dia, un europeo occidental, 150 y un norteamericano 425.

Se prevee que en 2020 seran 3 mil millones con insuficiencia de de agua y 2 mil millones sin saneamiento basico, ocasionando 85% de las enfermedades. Según la FAO presumese que en 2035 cerca de 5 mil millones de personas seran gravemente afectadas por la crisis del agua potable.

Afirma una gran especialista del agua, la canadiense Maude Barlow en su libro Agua: pacto azul (2009):” La población global triplicó en el siglo XX pero el consumo de agua aumentó siete veces. En 2050, quando tendremos 3 mil millones de personas más, necesitaremos de 80% de mas agua solamente para la alimentación. Y no sabemos de donde vendrá esta agua”(p.17).

Brasil comparece como la potencia natural del agua, con 13% de toda agua dulce del mundo con 5,4 trillones de metros cubicos, a pesar de que esté desigualmente distribuida. Lo peor es que 46% de nuestra agua dulce es desperdiciada, lo suficiente para abastecer toda Francia, Belgica, Suiza y el Norte de Italia. Nos hace absolutamente falta de una responsable cultura del agua.

Ninguna cuestión hoy es mas importante que esta del agua. Dependemos menos del desarrollo económico y tecnológico do que de los bienes y servicios naturales básicos que garantizan la vida en sus multiplas formas y consecuentemente nuestro propio futuro. Entre estes bienes el agua es el principal.

El agua se está transformando en un factor de instabilidad planetaria. Puede provocar guerras de gran devastación para abrir camino a las fuentes de agua potable, especialmente en el Oriente Medio, en el Sur de Asia, en Australia y en varios países de Africa.

Por otra parte, puede propiciar gran solidaridad y cooperación entre todos los pueblos. Se hace cada vez mas fuerte el clamor por un pacto social mundial alrededor del tema “agua”.

Como respuesta a este clamor se creó el FAMA – el Forum Alternativo Mundial del Agua – ya en marzo de 2003 en Florencia, Italia. Junto a este intento se piensa crear la Auctoridad Mundial del Agua, una instancia de gobierno, público, cooperativo y solidario a nivel de las grandes cuencas hídricas internacionales buscando una distribución más equitativa del agua según las demandas regionales.

Paralelamente se está urdiendo un Contrato Mundial del Agua. Seria un contrato social mundial ao rededor de lo que efectivamente nos puede unir, ya que nadie puede vivir sin agua. De esta forma, estaria garantizada la cadena de la vida, indisolublemente ligada a la existencia del agua.

Hay que garantizar a todos, al menos 50 litros de agua potable y sana. Este contrato pone una exigencia clara a los Gobiernos y a las empresas de no llevar el agua a los mercados, ni considerarla simplemente com una mercancia.

Hay que incentivar la cooperación de todo tipo para impedir que tantos mueran en consecuencia de la escasez de agua o de aguas maltratadas. Diariamente mueren 6 mil niños y niñas estrctamente de sed. Los medios nada refieren sobre esta tragédia. Pero esto equivale a 10 aviones Boeing que caen diariamente en el Oceano con la muerte de todos los pasajeros. Esto si sería un gran noticia de conmoción mundial. Igualmente se podria evitar que 18 millones de de niños y niñas dejen de frecuentar la escuela por que son obligados a buscar agua a 5-10 km de distancia.

  1. Las crisis estructurales del siglo XXI

Después de esta larga introducción, vamos abordar la problable situación del agua en el siglo XXI. Como será nuestro siglo, es un enigma.

Vale recordar la advertencia del grande historiador Eric Hobsbawn en la ultima frase de su conocido libro La era de los extremos( 1995):”Nuestro mundo corre el riesgo de explosión y de implosión. Tiene que cambiar. No sabemos hacia adonde estamos yendo. Si la humanidad quiere tener um futuro recognocible, no puede ser por la prolongación del pasado o del presente. Si vamos tentar construir el tercer milenio sobre esta base, fracasaremos. El precio de nuestro fracaso, o sea, la alternativa para el cambio de la sociedad, es la oscuridad”(p.562).

Para equilibrar este escenario dramático, cito Jacques Attali, consejero de Mitterand y de Sarkozy en su libro Una breve historia del futuro (2008). El prevee la derrocada del hiperimperio, después la balcanización del mundo con conflictos regionales que demandan la superación de la hiperviolencia y finalmente de cara a la autodestrucción del ser humano vendrá el triunfo, dentro del siglo XXI, de la hiperdemocracia planetaria, con una Tierra hospitalaria para todos los pasajeros de la nave espacial de la vida (p.219).

De todas las formas, veo que nos encontramos dentro de una inmensa crisis de civilización que contiene riesgos pero tambien nuevas oportunidades. Todo va a depender de como vamos a enfrentar tres crisis que me parecen estructurales y que afectarán directamente el agua: la crisis del sistema-Terra, a creciente crisis social mundial y la crisis provocada por el calientamiento global. Para una de estas crisis, unas pocas palabras.

El dia 23 de septiembre de 2008, una semana después de haber estallado la crisis economico-financiera, se constató el ultrapasaje de la Tierra. Este dia fue llamado de The Earth Overshoot Day. (el dia del ultrapasaje de la Tierra). Los datos de los que acompañan el estado del planeta, nos confirman que la Tierra ultrapasó en 30% su capacidad de auto-regeneración. Después de siglos de sistemática explotación de sus bienes y servicios, ya no consigue por si misma, reahacerse. Entró en un proceso de caos que está afectando los principales ecosistemas, disminuyendo la biodiversidad, aumentando la desertificación de tierras cultivables, haciendo desaparecer mananciales a raiz de la creciente deflorestación. Si quisiéramos universalizar el bien estar de los paises ricos para toda la humanidad, necesitaríamos de 3 Tierras iguales a esta que tenemos.

Esto significa que ya no podemos seguir con el sistema de produccion y consumo implantado en todo el mundo, por que la Tierra ya no aguanta. Es un planeta pequeño, viejo y con biens limitados. No soporta un proyecto de crecimiento ilimitado. Ahora empezó el tiempo del mundo finito. Y tenemos que adecuarnos a esta finitud. La gran cuestión ahora no es como salvar el sistema economico-financiero sino como proteger el planeta e salvar la vida amenazada y como la economia puede ayudarnos en esta tarea urgente.

De la crisis social mundial ya conocemos los datos. Es consecuencia de un modo de producción que crea inmensa riqueza, de una parte, a costa de una grande degradación de la naturaleza y de la creación de una perversa injusticia social, por otra. Los 20% mas ricos consomen 82,4% de todas las riquezas de la Tierra mientras los 20% más pobres tienen que contentarse con 1,6% de estas riquezas. La reciente crisis economica-financiera elevó el número de pobres de 860 millones para un mil milón y 20 millones. Dentro de años, dicen los expertos de la FAO, tendremos entre 150-200 millones de refugiados climáticos que van a crear incomensurables problemas políticos.

La crisis del calientamiento global: no estamos yendo al encuentro del calientamiento. Ya estamos dentro de él. La rueda ya empezó a girar y no hay como pararla. Solo podemos disminuirle la velocidad, adaptandonos a la nueva situación y mitigando sus efectos dañinos. Ese calentamiento es más que una fase de la geofisica de la Tierra que siempre existió. En su mayor parte es consecuencia de la actividad humana irresponsable que intentó dominar la naturaleza aplicandole extrema violencia. Con la acumulación de dioxido de carbono ya realizada y el metano que es 23 veces más agresivo que el CO2 la fiebre de la Tierra va a subir 2 grados Celsius. Esto va afectar la biodiversidad y generar los eventos extremos. Si no hacemos lo suficiente de forma coordenada y global, ocurrirá con gran probabilidad el calientamiento abrupto El clima en meados del siglo o hasta antes, puede llegar a 4-6 grados Celsius, como ha advertido la Comunidad Cientifica norteamericana. Con esta temperatura, ninguna forma de vida que hoy conocemos. puede subsistir, incluso la vida humana.

Nunca la humanidad se ha confrontado con tal urgencia que puede significar su desaparecimiento. O superamos el individualismo crónico de nuestra cultura rumbo a la cooperación de todos, o entonces vamos al encuentro de lo peor, del camino ya percorrido por los dinosaurios.

Para superar las tres crisis necesitamos de cambiar de paradigma civilizatorio. Como afirma la Carta de la Tierra, “tenemos que inaugurar un nuevo comienzo con cambios en la mente y en lo corazón”.

Si el paradigma imperante de los ultimos siglos era la dominación, ahora tiene que prevalecer el paradigma del cuidado . El cuidado es una relación amorosa y respectuosa con la Madre Tierra. Cura la heridas pasadas y previne las futuras. La producción se hará, no para la acumulación, sino para la sustentación de toda la vida, respectando los limites de cada ecosistema y los ritmos de la naturaleza, con gran sentido de equidad y de solidaridad para con las futuras generaciones a quienes pertenece tambien la Tierra.

  1. El agua en el siglo XXI

Todas las tres crisis afectan directamente el agua con los datos que hemos referido anteriormente. Talvez el calientamiento global tendrá consecuencias catastroficas sobre su suplimiento a gran parte de la población mundial. Si se produce, como preveen algunos expertos, el cruce entre el calientamiento global y la escasez de agua potable, poderán ocurrir pérdidas graves de consechas necesarias para la alimentación de millones de personas. El hambre aumentará de forma amenazadora.

Con referencia al agua se traba, en este momento, un gran debate que se presenta con los seguientes terminos:

El agua es fuente de vida o fuente de lucro? El agua es un bien natural, vital, común e insubstituible o un recurso hidrico que debe ser tratado como una mercancia?

Aquí se confrontan dos visiones del agua: una ecosistémica y otra mercadológica.

Empezemos por la mercadológica. Ella se inscribe dentro de la lógica de la actual sociedad que ha puesto lo económico como el eje estructurador de toda la vida social esvaciando la política y enviando al limbo la ética. De una economia de mercado hemos pasado hacia una sociedad de mercado, lo que Karl Polaniy llama “la Gran Transformación”. Todo es hecho mercancia y con todo se puede lucrar. El agua es vista como un recurso que, por ser escazo, gana más y más precio.

Se verifica una veloz correra mundial para la privatización del agua. Surgieron “los señores del agua” como las grandes empresas: las francesas Vivendi, Suex-Lyonnaise, la alemana RWE, la inglesa Thames Water y la americana Bechtel y United Utilities. Estan fuertemente presentes con la comercialización de agua mineral, la Nestlé, la Coca-Cola y la Danone. El mercado del agua involucra mas de 100 mil millones de dolares.

La ultima frontera en el proceso de privatización es el agua. Esta privatización obedece a la logica imperial. Sin agua no hay vida. Quien controla el agua, controla la vida. Y quien controla la vida detiene el poder. Pero el agua no puede ser un bien económico como cualquier otro. Está tan conectada con la vida, que es vida. Y la vida no puede ser transformada en mercancia y puesta en la especulación de los mercados. El agua contiene otras dimensiones antropologicas, culturales, simbólicas y espirituales que la hacen preciosa y cargada de valores, que en si, no tienen precio. La vida es más que recurso, es un bien insubsituible.

Por eso se hace urgente la otra visión del agua, la ecosistémica, que afirma el agua como un bien natural, común a toda la biosfera, esencial para la vida de todos los organismos vivos y insubstituible. Hay que considerar el agua dentro del ecosistema general, el sistema-Tierra que es compuesta en gran parte por agua (70%) y después con los sistemas particulares, como de los ríos, de los lagos y de las humedades bien como con el sistema-florestas y el sistema-climas sin los cuales el agua no existe. No es suficiente garantizar la calidad fisico-química del agua, sino su dimensión biológica y antropológica que se inserta dentro de una visión más amplia de la ecologia, como ecologia social, mental y integral.

Aquí nos ayuda enormemente la declaración de la ONU de que el acceso al agua y al saneamiento basico constituye un derecho humano fundamental. Es un arma que disponemos para enfrentar a los “señores del agua” que no visan compartir nada, ni alimentar la cooperación y la compasión hacia los que sufren graves insuficiencias de este bien esencial, sino solo ganar y acumular.

Importa tambien reconocer que las dos visiones, por mas que se contrapongan mantienen cierta relación. El agua es un derecho humano esencial y el poder publico, asociado con organizaciones de la sociedad, debe garantizar el acceso suficiente para todos.

Pero como el agua es un bien escazo y demanda una compleja estructura de captación, conservación, tratamiento y distribución, implica una inegable dimensión económica. Esta, entre tanto, no puede prevalecer sobre la otra, del derecho esencial, al reves, debe facilitar su implementación. Las eventuales ganancias deben estar concordes con la naturaleza común e insubstituible del agua.

  1. Una revolucion del agua

La gravedad de las crisis que se avoluman, estan amenazando la vida humana y de toda la comunidade de vida. Defender el agua es garantizar el derecho a la vida para todos. Para eso se necesita de una verdadera revolución. Talvez la gran revolución del siglo XXI sea la revolución del agua dulce y sana. Como todos somos ecointerdependientes, todos estamos involucrados en esta revolución, caso contrário, destruiremos el futuro común.

Para este propósito, antes de todo, hay que reconocer el agua como património común de la biosfera y de la humanidad y la condición para la permanencia de la Tierra como Gaia, como un superorganismo vivo.

Para que el acceso sea efectivo, se hace urgente articular las sociedades a nivel local, nacional e internacional en la forma de una geosociedad con una corresponsabilidad colectiva. Esta comunidad humana global presupone el despertar de la conciencia etica y espiritual para la cooperacion universal y para el cuidado atento a todo el circuito hidrológico. Este despertar debe perpasar todas las instancias sociales, las comunidades, las escuelas, los medios de comunicación, las artes, las religiones y las instituciones generadores de sentido.Especialmente para las religiones es el agua uno de los simbolos más fuertes y universales de la vida, de la purificación de la vida humana y de la realidad divina que es un fuente de donde brota agua viva para la eternidad del destino humano.

Como paises latinoamericanos que tenemos, por lo general, gran disponibilidad de agua, tenemos que abrirnos a las demandas mundiales de los que necesitan agua. Junto con un Hambre Zero Universal, importa añadir una Sed Zero Universal. Agua es comida, por que no hay alimento que no contenga agua ni asimilación del alimento sin la ayuda del agua. Ambos, comida y agua, significan salud, ciudadania, democracia participativa. Ambas buscan el mismo fin: la vida y la vitalidad de las personas y de todos nuestros compañeros y compañeras de la comuidad de vida terrenal. Aquí está la grande y verdadera revolución posible y necesaria, la revolución del agua. Queremos ser atores en esta revolución y no solamente espectadores y beneficiarios.

Literatura minima

Agudo, P.A., Crisis global del agua: valores y derechos en juego. Cuadernos Cristianismo y Justicia, n. 168, Barcelona 2010.

Ball, P., Life’s matrix: a biography of water, Farrar/Strauss e  Giroux, N.Iork 2000.

Barlow, M., Blue gold –The global water crisis and the  commodification of the world’s water supply, San Francisco, IFG 1999.

Barros, M., O Espírito vem pelas águas, E. Loyola, São Paulo 2003.

Beozzo, J., Agua é vida. Dom de Deus e responsabilidade humana, CESEP/Paulus, São Paulo 2003.

Bougerra, M.L., As batalhas da água. Por um bem comum da  humanidade. Vozes, Petrópolis 2004.

Clarke, R., Wasser. Die politische, wirtschatliche und ökologische  Katasttrophe- und wie sie bewältigt werden kann. Piper, München 1991.

Infanti, L. M., Danos hoy el agua de cada dia. Carta Pastoral, Aysén 2008.

Petrella, R., L’eau, bien commun de l’humanité, Labor et Fides,  Bruxelles 1999.

Petrella, R., O manifesto da água. Argumentos para um contrato mundial, Vozes, Petrópolis, 2002.

Rebouças, A. et alii, Aguas doces no Brasil. Capital ecológico, Uso e Conservação, Escrituras Editora, São Paulo 2002.

Vasey, C., L’eau: source vitale de votre santé. Les méfaits de la déshydrataation, Jouvence, Genève 2002.

 

*Leonardo Boff, teólogo, filósofo y escritor, representante de la Iniciativa Mundial “Carta de la Tierra” y portador del prémio alternativo de la paz 2001 por el Parlamento sueco.   

 

 

 

 

 

 

 

 

El sentido de una bioeconomía o de un ecodesarrollo

28/10/2014

Las actuales elecciones presidenciales han sacado a la luz la cuestión del desarrollo, tema clásico de la macroeconomía globalizada. Temas de absoluta gravedad como las amenazas que pesan sobre la vida y sobre nuestra civilización, que pueden ser destruidas ya sea por la máquina nuclear, química y biológica, o por el calentamiento creciente, eventualmente abrupto, que, como sugieren muchos científicos, destruiría gran parte de la vida que conocemos y podría poner en peligro la propia especie humana, ni siquiera fueron mencionados, bien por ignorancia, bien porque los candidatos se habrían dado cuenta de que tendrían que cambiar todo. Como dice la Carta de la Tierra: «el destino común nos convoca a un nuevo comienzo». Nadie ha tenido ese tipo de osadía, ni siquiera Marina que suscitó – ese es su gran mérito– el paradigma de la sostenibilidad.

Lo que podemos decir con toda certeza es que así como está no podemos continuar. El precio de nuestra supervivencia es un cambio radical en la forma de habitar la Tierra. La propuesta de un ecodesarrollo o de una bioeconomía como nos la presentan Ladislau Dowbor e Ignacy Sachs, entre otros, nos anima a caminar en esa dirección.

Uno de los primeros en ver la relación intrínseca entre economía y biología fue el matemático y economista rumano Nicholas Georgescu Roegen (1906-1994). En contra el pensamiento dominante, este autor, ya en los años 60 del siglo pasado, llamaba la atención sobre la insostenibilidad del crecimiento debido a los límites de los bienes y servicios de la Tierra. Se empezó a hablar de «decrecimiento económico para la sostenibilidad ambiental y la equidad social» (www.degrowth.net). Ese decrecimiento, mejor sería llamarlo “crecimiento”, significa reducir el crecimiento cuantitativo para dar más importancia al cualitativo en el sentido de preservar los bienes y servicios que les serán necesarios a las futuras generaciones. La bioeconomía es en realidad un subsistema del sistema de la naturaleza, siempre limitada, y, por eso, objeto de permanente cuidado por parte del ser humano. La economía debe obedecer y seguir los niveles de preservación y regeneración de la naturaleza (vea las tesis de Roegen en la entrevista de Andrei Cechin en IHU (28/10/2011).

Un modelo semejante, llamado ecodesarrollo y bioeconomía viene siendo propuesto entre otros por el ya mencionado profesor de economía de la PUC-SP Ladislau Dowbor, que piensa en la línea de otro economista, Ignacy Sachs, un polaco, naturalizado francés y brasilero por amor. Vino a Brasil en 1941, trabajó aquí varios años y mantiene actualmente un centro de estudios brasileros en la Universidad de Paris. Es un economista que a partir de 1980 despertó a la cuestión ecológica y es posiblemente el primero que hace sus reflexiones en el contexto del antropoceno. Es decir, en el contexto de la fuerte presión que las actividades humanas hacen sobre los ecosistemas y sobre el planeta Tierra como un todo hasta el punto de hacerle perder su equilibrio sistémico, que se manifiesta por los eventos extremos. El antropoceno inauguraría, entonces, una nueva era geológica, que tendría al ser humano como factor de riesgo global, un peligroso meteoro rasante y avasallador. Sachs tiene en cuenta ese dato nuevo en el discurso ecológico-social.

Los análisis de Dowbor y de Sachs combinan economía, ecología, justicia e inclusión social. De ahí nace un concepto de sostenibilidad posible, dentro todavía de las limitaciones impuestas por el modo de producción predominante, industrialista, consumista, individualista, predador y contaminador.

Ambos están convencidos de que no se alcanzará una sostenibilidad aceptable si no hay una disminución sensible de las desigualdades sociales, incorporación de la ciudadanía como participación popular en el juego democrático, respeto a las diferencias culturales, la introducción de valores éticos de respeto a toda la vida y sin un cuidado permanente del medio ambiente. Cumplidos estos requisitos, se crearían las condiciones de un ecodesarrollo sostenible.

La sostenibilidad exige cierta equidad social, o sea, «nivelación promedio entre países ricos y pobres» y una distribución más o menos homogénea de los costes y los beneficios del desarrollo. Así, por ejemplo, los países más pobres tienen derecho de expandir más su huella ecológica (sus necesidades de tierra, agua, nutrientes y energía) para atender sus demandas, mientras que los más ricos deben reducirla o controlarla. No se trata de asumir la tesis equivocada del decrecimiento, sino de dar otro rumbo al desarrollo, descarbonizando la producción, reduciendo el impacto ambiental y propiciando la vigencia de valores intangibles como la generosidad, la cooperación, la solidaridad y la compasión. Enfáticamente repiten Dowbor y Sachs que la solidaridad es un dato esencial al fenómeno humano y el individualismo cruel que estamos presenciando en los días actuales, expresión de la competencia sin freno y de la ganancia de acumular, significa una excrecencia que destruye los lazos de la convivencia, volviendo a la sociedad fatalmente insostenible.

Es de ellos la hermosa expresión «biocivilización», una civilización que da centralidad a la vida, a la Tierra, a los ecosistemas y a cada persona. De ahí surge, en su bella manera de decir, la «Tierra de la Buena Esperanza» (vea Ecodesarrollo: crecer sin destruir. 1986 y la entrevista en Carta Maior del 29/8/2011).

Esta propuesta nos parece una de la más sensatas y responsables frente los peligros que corre el planeta y el futuro de la especie humana. La propuesta de Dowbor (http://dowbor.org) y de Sachs merece ser considerada pues muestra gran funcionalidad y viabilidad.

Traducción de María José Gavito Milano

RIFONDARE L’ETICA E LA MORALE

27/10/2014

Una delle richieste attualmente più frequenti nei gruppi, nelle scuole, nelle università, nelle imprese, nei seminari è la questione dell’etica. Le sollecitazioni più frequenti che ricevo sono esattamente un invito ad abbordare questi temi.

Cosa particolarmente difficile oggi, dato che non possiamo imporre a tutta l’umanità l’etica elaborata in occidente sulla scia di grandi maestri, come Aristotele, Tommaso d’Aquino , Kant o Habermas. Nei contatti delle culture attraverso la globalizzazione ci troviamo a confronto con altri paradigmi di etica. Come trovare, al di là delle diversità, un consenso etico minimo valido per tutti?

Una possibilità è cercare nella stessa essenza umana, di cui tutti siamo portatori, il suo fondamento: come dobbiamo relazionarci tra noi esseri personali e sociali con la natura e con la Madre Terra? L’etica è di ordine pratico anche se basata su una visione teoricamente ben fondata.

Se non agiremo nei limiti di un consenso minimo in questioni etiche, potremmo causare catastrofi socio-ambientali di magnitudine mai vista prima.

Valida l’osservaziopne dello stimato psicanalista nordamericano Rollo May che scrive. “Nell’attuale confusione di episodi correlati con la ragione e con la tecnica, abbiamo perso di vista e non ci siamo preoccupati dell’essere umano; c’è bisogno di fare un’umile marcia indietro verso la cura ; credo che molte volte solo la cura ci permette di resistere al cinismo e all’apatia che sono malattie psicologiche del nostro tempo”. (Eros e repressao,Vozes,1973 p.318 e tutta la parte 318-340).

Mi sono dedicato intensamente al tema della cura (Saber Cuidar, 1999; O Cuidado necessaro,2013 per la Vozes). Secondo il famoso mito dello schiavo romano Higino sulla cura il dio “Cura” ebbe la felice idea di fare un pupazzo di dimensioni umane. Chiamò Giove perché gli desse la vita. Il che fu fatto. Quando questi volle imporgli il nome, la da Terra saltò su a dire che quel pupazzo era stato fatto con materiale preso da lei e così avrebbe lei la precedenza per dare il nome. Ma non riuscirono a mettersi d’accordo.

Saturno, padre degli dei venne chiamato e lui decise la questione chiamandolo “Homo” che deriva da “humus” , terra fertile e disse al dio “Cura” : “Tu che hai avuto l’idea, tu avrai cura dell’essere umano tutti i giorni della tua vita. Da quello che si vede, la concezione dell’essere umano composto di spirito e corpo non è originaria. Il mito dice:”Cura è stato il primo a formare l’essere umano”.

La cura pertanto è un “a priori” ontologico, mi spiego: “sta all’origine dell’essere umano. Questa origine non va intesa in senso cronologico ma in senso filosofico, come la fonte da cui sgorga in continuazione l’esistenza dell’essere umano”. Abbiamo a che fare con un’energia amorosa che sgorga in continuazione ad ogni istante e in qualsiasi circostanza. Senza la cura l’essere umano sarebbe ancora un pezzo di argilla come un qualsiasi altro pezzo sulla riva del fiume, o uno spirito angelico disincarnato e al di fuori del tempo storico.

Quando si dice che il dio Cura ha modellato per primo l’essere umano, s’intende sottolineare che egli impiegò in questo dedizione, amore, tenerezza, sentimento e cuore. Con ciò assunse la responsabilità di far sì che queste virtù costituissero la natura dell’essere umano, senza le quali perderebbe il suo status uman. La cura deve trasformarsi in sangue e carne della nostra esistenza.

L’universo stesso sta in piedi grazie alla cura. Se nei primi istanti dopo il big bang non avesse avuto una cura specialissima perché le energie fondamentali si equilibrassero adeguatamente non sarebbe nata la materia, le galassie, la Terra e noi stessi. Tutti noi siamo figli e figlie della cura. Se le nostre madri non avessero avuto una cura infinita nell’accoglierci e alimentarci noi non avremmo saputo come lasciare la culla per andare a cercare cibo. Noi saremmo morti in poco tempo.

Tutto quello di cui abbiamo cura noi lo amiamo e tutto quello che amiamo, ne abbiamo cura.

Insieme con la cura nasce la resposabilità, altro principio fondatore dell’etica universale. Essere responsabile è aver cura che le nostre azioni non facciano male né a noi né agli altri, al contrario siano benefiche e promuovano la vita.

Ogni cosa ha bisogno di cura. Caso contrario si deteriora e lentamente sparisce. La cura è la maggior forza che si oppone all’entropia universale: fa sì che le cose durino molto più a lungo.

Essendo noi esseri sociali, non viviamo ma conviviamo, abbiamo bisogno di collaborazione di tutti perché la cura e la responsabilità diventino forze plasmatrici dell’essere umano.

Quando i nostri antenati antropoidi andavano a caccia di cibo, non mangiavano subito come fanno generalmente gli animali. Raccoglievano e portavano al gruppo e condividevano solidarmente. Mangiavano insieme, cominciando dai più piccoli e i più vecchi e dopo tutti gli altri. E’ stata questa cooperaziopne che ci ha permesso di spiccare il salto dall’animalità all’umanità. Quello che era vero ieri è ancora vero oggi. E’ quello che più manca nel mondo che è regolato più dalla competizione che dalla cooperazione. Per questo siamo insensibili davanti alle sofferenze di milioni e milioni di persone e smettiamo di aver cura e di responsabilizzarci nei confronti di un futuro comune, della nostra specie e della vita sul pianeta Terra.

Occorre reinventare questo consenso minimo intorno a questi principi e valori, se vogliamo garantire la nostra soppravivenza e quella della nostra civiltà.

Traduzione di Romano Baraglia

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