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Consolidar a revolução democrática e pacífica votando Dilma

20/10/2014

A presente campanha presidencial em segundo turno coloca em jogo algo fundamental na história brasileira: a nossa primeira revolução popular, democrática e pacífica conquistada no voto, com a chegada de Lula à Presidência. Não ocorreu apenas a alternância do poder mas uma alternância de classe social. Um representante dos “lascados” e sempre colocados à mergem chegou ao mais alto cargo da nação como fruto do PT, de aliados e de grande articulação de movimentos sociais e sindicais e continuado por Dilma Rousseff.

Como afirmava o notável historiador José Honório Rodrigues em seu Conciliação e Reforma no Brasil (1965):”os interesses do povo foram descuidados pela liderança; daí as lutas, as rebeldias, a história cruenta, o compromisso e a conciliação; revolução no sentido de transformação da estrutura econômica, do regime de terras, da mudança de relações sociais, nunca tivemos; o grande sucesso da história do Brasil é o seu povo e a grande decepção é a sua liderança”. Continua José Honório:”as vitórias do povo são objetivas e incontestáveis;…o Brasil deve ao povo a unidade política, a integração territorial, a mestiçagem, a tolerância racial, a homogeneidade religiosa, a integração psico-social, a sensibilidade nacional muito viva que exige um abrasileiramento das próprias contribuições estrangeiras” (p.121-122).

Com Lula e Dilma se inaugurou esta revolução que é ainda inacabada mas que deve ser consolidada e aprofundada. Oxalá nessa eleição ela não seja malbaratada pela vitória de quem representa a velha política oligárquica mais interessada no crescimento econômico, no mercado e articulada com a macroeconomia globalizada do que no destino daqueles milhões que foram tirados da pobreza pelas políticas republicanas e foram feitos sujeitos sociais participativos na sociedade.

Daí ser importante que Dilma vença para garantir, consolidar e enriquecer com um novo ciclo de transformações essa revolução inaugural.
Nos primórdios da colonização o cronista oficial Pero Vaz de Caminha escreveu que aqui “em se plantando tudo dá”. Os cinco séculos de história ainda à luz do paradigma europeu mostraram o acerto de tal afirmação. Aqui tudo pode dar e deu para ser a mesa posta para as fomes do mundo inteiro. Por que não irá dar certo um projeto-Brasil novo, democrático, social, popular, ecológico, ecumênico e espiritual?

O povo brasileiro se habituou a “enfrentar a vida” e conseguir tudo “na luta”, quer dizer, com dificuldade e muito trabalho. Por que não irá “enfrentar” também esse grande e derradeiro desafio colocado em seu caminho? Como não conquistá-lo “na garra”, com a consciência solidária, com a organização, com a vontade de empoderar-se para garantir o poder de estado, já por 12 anos, a fim de dar-lhe o verdadeiro sentido de fazer as mudanças necessárias, primeiramente para os mais esquecidos e a partir deles, a todos, conferindo-lhes sustentabilidade e garntindo-lhes um futuro bom para o país.

Esse caminho já foi traçado, embora falte muito ainda para ser completado. Por duas vezes o novo chegou lá, no poder central. Escasseiam cada vez mais os instrumentos com os quais as elites dominantes querem retornar ao poder com aqule projeto neoliberal que quebrou os países centrais e que lançou cem milhões no desemprego na Europa e nos USA.

Sentimo-nos representados nos versos do cantador: “Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra/ a marca de sangue de seus mortos/ e a certeza de luta de seus vivos”(A saga da Amazônia de Vital Faria). Essa luta, esperamos, será vitoriosa. O pais florescerá no fulgor de seu povo multicolorido como nossas paisagens que enchem nossos olhos de encantamento. Valem as palavras de líderes sindicais nos dias sombrios do submetimento:

“Podem cortar uma, duas e todas as flores. Mas não poderão impedir a chegada da primavera”. A primavera já vai avançada. Junto com o sol primaveril queremos celebrar a vitória da maioria do povo, reelegendo Dilma Rousseff.

Se não puder ocorrer agora, oxalá ocorra, fica o desafio para o futuro. O que deve ser, tem força e chegará o dia, bendito dia, em que irá triunfar.

Elections in light of the anti-people history

19/10/2014

There is nothing better than viewing the present elections in light of the Brazilian history of tension between the elites and the people. I will avail myself of the contribution of a serious historian, educated in Rome, Louvain, and in the USP of Sao Paulo, father Jose Oscar Beozzo, one of the most brilliant minds of our clergy.

Says Beozzo: «the basic question in our society is the right of the marginalized to life, which is always threatened by the abysmal inequality of access to life’s necessities and by the meager opportunities open to the great majority of the lower strata.

As Caio Prado Junior teaches us, our unequal society rests on four pillars that are hard to dislodge: a) that ownership of the land is concentrated in the hands of the few, such that there is no “free” or “available” land for those who work it, or for those who were its original owners, the indigenous peoples; b) the predominance of monoculture; c) that production is focused on the foreign market (sugar, tobacco, cotton, coffee, cocoa, and now soy); d) the regime of slave labor.

Independence from Portugal did not alter any of those pillars. Those who at that time dreamed of a different Brazil proposed a change from ownership of large tracts, to ownership of small plots, in the hands of those who worked the land; from monoculture to polyculture, from production for the international market to production geared towards local consumption and supply for the domestic market; from slave labor to free family work. This could be done in small regions peripheral to tropical monocultures, in the Gaucha and Catarinense mountain ranges, with German, Italian and Polish colonists, in a more democratic form of property ownership.

The large slave owners were strongly opposed to all those measures, and they crushed by fire and sword the popular uprisings that in any way looked towards democratization of the economy, politics, and above all, of labor relations. Suffice it to recall some of those revolts: the insurrections of the Males slaves in Bahia, the Balayada in Maranhao, the Cabanagem in the Amazon, the Playera revolt in Pernambuco, and the Farroupilha in the South.

The Revolution of the 30, with its nationalist tendencies, moved, if only partially, the country’s axis from foreign markets towards the domestic; from a model of agrarian exports towards one of substitution of imports; from the dominance of the coffee exporting elites of the Minas/Sao Paulo pact towards new leaders in the zones of production for the domestic market, such as those of rice and jerky of Rio Grande del Sur; from the restricted vote to the “universal” vote (except for the illiterate, still the great majority of adults at that time), from the exclusively male vote to women’s suffrage; from labor relations dictated only by the power of the masters towards regulation, at least in the industrial sphere, with the creation of the Secretary of Labor and of labor laws focused on the working class.The unavoidable dominance of the landowners within their properties could not be touched by labor regulations, which only occurred after 1964 with the Rural Labor Statute.

Getulio established a policy of appeasement between the classes, and of “cooperation” between capital and labor, the workers and the captains of industry, aimed at industrialization and the defense of national interests.

In the current electoral campaign, certain media have created the slogan: “Out PT”. They seek to end the dictatorship of the PT and to restore the “dictatorship of the financial market”. What really bothers them? Corruption and the “mensalon”?

As I see it, what bothers them are the democratizing measures, notwithstanding all their limitations, such as the Pro-Uni, the quotas in the universities for students coming from public schools rather than from particular colleges; the quotas for those whose grandparents came from the warehouses of slavery; agrarian reform, still inadequate to the task; the demarcation and official sanctioning of continuous areas of Yanomami land, opposed by a half dozen rice producers, backed by agro-business and a unanimous chorus of landowners, and all the social programs such as Bolsa Familiar, Light for all, My House, my Life, More Doctors, and more.

These critics never were annoyed when the State paid the tuition of young students from rich families whose children received a good education in private schools, making it easier for them to access free education in the public universities, which deepened the inequality of opportunity. For courses of medicine, those studies cost the state from six to seven thousand reales a month. Those families never protested the “handouts” given the rich, which they considered to be their “right” based on their merit, rather than a pure, and scandalous, privilege. They are the same doctors who refuse to practice in the interior of the country, or the favelas that lack even a single physician.

Those who raise their voices, saying that everything is going bad in the country, in spite of improvements in the minimum wage, the creation of millions of jobs, the widening of social policies geared to the poorest, the creation of More Physicians, oppose the policies of the PT that seek to assure citizens’ rights, to widen the democratization of society, to struggle against privilege and above all, to put some limits (insufficient in my point of view) on profits and the dictatorship of financial capital and of the “market”.

This is the reason for my vote for another project of country, that attends to the demands always denied to the great majorities. For that reason, I voted for Dilma in the first round and will do so again in the second, with respect for the other options».

I join in this interpretation, and in the vote for Dilma Rousseff.

Free translation from the Spanish sent by
Melina Alfaro, volar@fibertel.com.ar,
done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

Consolidare la rivoluzione democratica votando Dilma Rousseff

19/10/2014

La presente campagna presidenziale del secondo turno mette in gioco qualcosa di fondamentale nella storia del Brasile: la nostra prima rivoluzione popolare, democratica e pacifica, conquistata votando e scegliendo Lula come presidente. Non c’è stata soltanto un’alternanza di potere, ma un’alternanza di classe sociale. Un rappresentante dei disgraziati sempre emarginati è arrivato alla più alta carica della nazione come frutto del PT e alleati e di una grande articolazione di movimenti sociali e sindacali. Lavoro continuato da Dilma Rousseff.

Come affermava il noto storico José Honorio Rodrigues in “Conciliaçao” e in “Reforma do Brasil” (1965): “Gli’nteressi del popolo erano stati trascurati dai capi; da ciò lotte, ribellioni e storia cruenta, compromesso e conciliazione; rivoluzione nel senso di trasformazione della struttura economica del regime delle terre, dei cambiamenti nelle relazioni sociali, cose mai viste prima da noi; il grande successo della storia del Brasile è il suo popolo e la grande delusione, i suoi capi”. Continua José Honorio: “Le vittorie, sono oggettive e incontestabili; il Brasile deve al popolo unità politica e integrazione territoriale, meticciamento e tolleranza razziale, omogeneità religiosa, integrazione psicosociale e sensibilità nazionale molto viva, che esige una brasilianizzazione da parte dei contributi stranieri (121-122).

Co Lula e Dilma è stata naugurata una rivoluzione che ancora non è rifinita ma che deve essere consolidata e approfondita. Voglia il cielo che queste elezioni non siano siano imbarazzo e

Voglia il cielo che queste elezioni non siano sprecate con la vittoria di chi rappresenta la vecchia politica oligarchica, più interessata alla crescita economica, al mercato e articolata con la macroeconomia globalizzata più che col destino di milioni che tirati fuori dalla povertà dalle politiche repubblicane e sono diventati soggetti sociali partecipativi della società.

Da questo si vede che è importante che Dilma vinca per garantire, consolidare e arricchire con un nuovo ciclo di trasformazioni questa rivoluzione inaugurale.

Nei primordi della colonizzazione, il cronista ufficiale Pero Vaz de Caminha scrisse che qui “Qualunque cosa semini, attecchisce”. I cinque secoli della storia ancora alla luce del paradigma europeo hanno mostrato la correttezza di tale affermazione. Qui tutto può crescere e ha portato il Brasile a diventare la tavola apparecchiata per sodisfare la fame del mondo intero. E perché che non dovrebbe andar bene un progetto-Brasile nuovo, democratico, sociale, popolare, ecologico, ecumenico e spirituale?

Il popolo brasiliano si è abituato ad “affrontare la vita” per ottenere tutto “con la lotta”, cioè con difficoltà e molto lavoro. Perché non dovrebbe affrontare anche questa grande sfida estrema frapposta nel suo sentiero? Come non conquistarlo “con i denti e unghie”, con la coscienza solidale, con l’organizzazione, con la volontà di arrivare al potere per garantire il potere dello Stato, già per 12 anni al fine di dargli un vero senso e per fare i cambiamenti necessari soprattutto per i più dimenticati e a partire da questi a tutti dando loro un sostegno e garantendo loro un futuro buono per il paese.

Questo cammino è già stato tracciato anche se manca molto per essere completato. Per due volte il ‘nuovo’ è entrato nella stanza dei bottoni. Scarseggiano sempre più gli strumenti con i quali le élites dominanti vogliono tornare al potere con quel progetto neoliberale che ha spezzato i paesi centrali e che ha buttato in braccio alla disoccupazione 100 milioni di disoccupati in Europa e negli Stati Uniti.

Noi ci sentiamo rappresentati nei versi del cantante: “Cantante è solo solo chi porta in petto il profumo e il colore della sua terra, il marchio di sangue dei suoi morti e la certezza della lotta dei vivi” (Saga dell’Amazzonia, di Vital Faria). Questa lotta, noi lo speriamo, sarà vittoriosa. Il paese fiorirà nel fulgore del suo popolo multicolore, con i nostri paesaggi che riempiono i nostri occhi incantati. Ma, valgono le parole dei leader sindacali nei giorni oscuri della sottomissione. “Possono tagliare uno, due, tutti i fiori, ma non potranno impedire l’arrivo della primavera”.

La primavera è vicina. Insieme al sole primaverile vogliamo celebrare la vittoria della maggioranza del popolo, rieleggendo, Dilma Rousseff.

Se non avviene adesso, rimane la sfida del futuro. Quello che deve essere, è forte e arriverà un giorno, giorno benedetto, giorno di trionfo.

Traduzione di Romano Baraglia

Consolidar la revolución democrática votando a Dilma

19/10/2014

La presente campaña presidencial en la segunda vuelta pone en juego algo fundamental en la historia brasilera: nuestra primera revolución popular, democrática y pacífica, conquistada por el voto, con la llegada de Lula a la Presidencia. No fue solamente una alternancia del poder sino una alternancia de clase social. Un representante de los empobrecidos y siempre colocados al margen llegó al más alto cargo de la nación como fruto delPT, de aliados y de la gran articulación de movimientos sociales y sindicales, y ha sido continuado por Dilma Rousseff.

Como afirmaba el notable historiador José Honório Rodrigues en su Conciliación y Reforma en Brasil (1965): «los intereses del pueblo fueron descuidados por los dirigentes; de ahí las luchas, las rebeldías, la historia cruenta, el compromiso y la conciliación; revolución en el sentido de transformación de la estructura económica, del régimen de tierras, de cambio de relaciones sociales, nunca hemos tenido; el gran éxito de la historia de Brasil es su pueblo y la gran decepción sus dirigentes». Continúa José Honório: «las victorias del pueblo son objetivas e indiscutibles;… Brasil debe al pueblo la unidad política, la integración territorial, el mestizaje, la tolerancia racial, la homogeneidad religiosa, la integración psicosocial, la sensibilidad nacional muy viva que exige un abrasileramiento de las propias contribuciones extranjeras» (p.121-122).

Con Lula y Dilma se inauguró esta revolución, que está todavía inacabada, pero que debe ser consolidada y profundizada. Ojalá en estas elecciones no sean malgastadas por la victoria de quien representa la vieja política oligárquica más interesada en el crecimiento económico, en el mercado y articulada con la macroeconomía globalizada, que en el destino de millones de personas sacados de la pobreza por las políticas republicanas y hechos sujetos sociales participativos en la sociedad.

Por eso es importante que gane Dilma, para garantizar, consolidar y enriquecer con un nuevo ciclo de transformaciones esa revolución inaugural.
En los inicios de la colonización el cronista oficial Pero Vaz de Caminha escribió que aquí «todo lo que se planta da». Los cinco siglos de historia todavía a la luz todavía del paradigma europeo mostraron el acierto de tal afirmación. Aquí todo puede dar y dio para ser la mesa puesta para las hambres del mundo entero. ¿Por qué no iba a funcionar un proyecto-Brasil nuevo, democrático, social, popular, ecológico, ecuménico y espiritual?
El pueblo brasilero se habituó a «hacer frente a la vida» y a conseguir todo «en la lucha», es decir, con dificultad y mucho trabajo. ¿Por qué no va a hacer también frente a este gran y último desafío puesto en su camino? Cómo no conquistarlo «con garra», con conciencia solidaria, con organización, con deseo de empoderarse para garantizar el poder del estado, ya tras 12 años, a fin de darle el verdadero sentido de hacer los cambios necesarios, primeramente para los más olvidados y desde ellos a todos, dándoles sostenibilidad y garantizándoles un futuro bueno para el país.

Ese camino ya ha sido trazado, aunque falte todavía mucho para que esté terminado. Dos veces llegó lo nuevo allí, al poder central. Escasean cada vez más los instrumentos con los cuales las élites dominantes quieren volver al poder con aquel proyecto neoliberal que arruinó a los países centrales y lanzó cien millones de personas al desempleo en Europa y Estados Unidos.

Nos sentimos representados en los versos del cantor: «Solo es cantor quien trae en el pecho el olor y el color de su tierra/ la marca de sangre de sus muertos/y la certeza de la lucha de sus vivos» (La saga de la Amazonia, de Vital Faria). Esa lucha, esperamos, será victoriosa. El país florecerá en el fulgor de su pueblo multicolor como nuestros paisajes que encantan nuestros ojos. Valen estas palabras de unos líderes sindicales en los días sombríos del sometimiento:

«Pueden cortar una, dos y todas las flores, pero no podrán impedir la llegada de la primavera».

La primavera está ya avanzada. Junto con al sol primaveral queremos celebrar la victoria de la mayoría del pueblo, reeligiendo a Dilma Rousseff.
Si no pudiera ser ahora, quedaría el desafío para el futuro. Lo que debe ser, tiene fuerza y llegará el día, bendito día, en que va a triunfar.

Traducción de Mª José Gavito Milano

Voto contra o retrocesso: Maria Rita Kehl

18/10/2014

Maria Rita Kehl psicanalista e escritora, mulher de extraordinária inteligência, sempre sensível às questões éticas, pertence à Comissão da Verdade. Publicamos aqui seu artigo aparecido na Folha de São Paulo como aparece abaixo. Seu voto é urdido de razões e argumentos e de um profundo sentido ético. Que ele possa iluminar aqueles que ainda buscam uma decisão fundada em boas razões. LBoff
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Voto em Dilma porque me envergonha a desigualdade social. Como pudemos viver em um país rico onde parte da população passava fome?

A presidenta Dilma Rousseff criou a Comissão Nacional da Verdade (CNV). Em maio de 2012, a primeira presidenta do Brasil, ex-presa política torturada, conseguiu aprovar no Congresso a criação da CNV. Entre os países latino-americanos que sofreram ditaduras, fomos o último a criar uma comissão da verdade.
Antes tarde do que nunca. Ainda que os militares remanescentes do estado de exceção não cooperem com nossas investigações. Ainda que adeptos da linha-dura, hoje na reserva, recusem “colaborar com o inimigo” (todos nós) –e não revelem o paradeiro dos cerca de 150 desaparecidos políticos (sem contar indígenas e camponeses).

Ainda assim, o trabalho da CNV representa um avanço efetivo na consolidação da nossa democracia.
Avanço que exige, ainda, a erradicação da continuada prática de violência de agentes do Estado contra cidadãos detidos. A presidenta criou o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, que começará a atuar para coibir os maus tratos a pessoas detidas em presídios, delegacias e hospitais psiquiátricos.
Nosso atraso em termos de direitos humanos, além de envergonhar o país, multiplica a insegurança na sociedade inteira. Já se comprovou que a violência da criminalidade no Brasil é diretamente proporcional à violência das PMs e de outros agentes de segurança contra os cidadãos.

Voto em Dilma Rousseff porque tenho vergonha de nossa desigualdade social. Nunca compreendi como se podia viver com tranquilidade em um país rico onde parte da população passava fome. Problema que, aliás, foi reconhecido como extinto em função dos programas sociais dos governos Lula e Dilma. Iniciados por FHC, sim, mas por que, então, eleitores do PSDB ainda desqualificam o programa Bolsa Família como “Bolsa Esmola”?

Não faltam notícias sobre municípios onde a entrada dessa renda mínima impulsionou a economia local nem sobre cidadãos que cancelaram sua inscrição para recebimento da bolsa tão logo conseguiram ganhar o suficiente para seu sustento.

Depois das gestões Lula e Dilma, a vulnerabilidade dos mais pobres diminuiu em função da expansão de seus direitos. Voto pela continuação do Bolsa Família, do programa Luz para Todos, do Minha Casa, Minha Vida, maior programa de habitação popular já criado no Brasil. Voto também por uma política econômica que, em tempos de crise do capitalismo internacional, preservou o valor dos salários e o pleno emprego.
Os governos de Lula e de Dilma impulsionaram o acesso dos jovens às universidades no país e no exterior. Proporcionaram atendimento médico gratuito em cidades afastadas dos grandes centros.

Suponho que a maioria da classe médica tenha se envergonhado das vaias contra os cubanos contratados com transparência pelo Ministério da Saúde. Afinal, os brasileiros sempre acharam chique a importação de tecnologia. Ninguém vaiou a participação da Alstom, hoje suspeita de corrupção, nas obras de ampliação do Metrô de São Paulo.

Por fim, voto em Dilma pela continuação do combate à corrupção em todos os níveis, inclusive os que atingem setores de seu governo. Desde o governo Lula, a Polícia Federal investiga com transparência crimes de colarinho branco, sem poupar autoridades, empresários e ministros. Melhor o risco de penas injustas, como no caso de alguns mensaleiros, do que a impunidade.

Do outro lado: onde foram parar as investigações de corrupção no Metrô paulista, no mensalão mineiro, as denúncias sobre o aeroporto em Cláudio (MG) e o helicóptero dos Perrella que transportava cocaína?
Por que os paulistas não foram informados, até a reeleição do governador Alckmin, da calamidade pública na gestão da água que, desde 2012, era mantida em segredo entre governo e acionistas da Sabesp?
Sei que a erradicação da corrupção depende da independência dos meios de comunicação. Voto na candidata que não tem a grande mídia a seu favor.

MARIA RITA KEHL, 62, psicanalista, é integrante da Comissão Nacional da Verdade. É autora de “O Tempo e o Cão – A Atualidade das Depressões” (Boitempo) e de “Ressentimento” (Casa do Psicólogo)
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.brhttp://www.folha.com/tendencias

Über Abtreibung – für die Liebe zum Leben

18/10/2014

Man kann sich kaum vorstellen, dass manche Menschen Abtreibung um ihrer selbst willen verteidigen. Abtreibung beinhaltet die Auslöschung von Leben oder das Eingreifen in einen vitalen Prozess, der in menschliches Leben kulminiert. Ich persönlich bin gegen Abtreibung, denn ich liebe das Leben in all seinen Phasen und all seinen Formen.

Das verstellt mir jedoch nicht den Blick auf eine makabre Realität, die wir nicht ignorieren dürfen und die sowohl den gesunden Menschenverstand als auch die staatlichen Stellen herausfordert. Jedes Jahr werden in Brasilien fast 800 000 illegale Abtreibungen durchgeführt. Alle zwei Tage stirbt eine Frau an den Folgen einer unsauber ausgeführten, illegalen Abtreibung.

Dieser Tatsache müssen wir begegnen, und zwar nicht mit Polizei, sondern mit einer verantwortungsvollen staatlichen Gesundheitspolitik und einem realistischen Sinn für Vernunft. Eine Haltung, die nur das Leben im Embryo kompromisslos verteidigt, nicht aber dieselbe Haltung in Bezug auf die Tausende von Kindern einnimmt, die verlassen im Elend leben und ohne Essen oder Liebe durch die Straßen unserer Städte ziehen, erachte ich als heuchlerisch. Leben muss man in all seinen Formen und Altersstufen lieben und nicht nur in seinem ersten Erwachen im Mutterleib. Es obliegt dem Staat und der ganzen Gesellschaft, für die Bedingungen zu sorgen, sodass Frauen im Allgemeinen keiner Abtreibung bedürfen.

Auf den Stufen der Kathedrale von Fortaleza stand ich selbst einer ausgehungerten Mutter bei, die bettelte und ihr Kind mit dem Blut ihrer Brust nährte. Sie war wie eine Ikone des Pelikans. Ich war perplex und voller Mitgefühl und nahm sie mit zum Haus des Kardinals Dom Aloisio Lorscheider, wo wir ihr halfen, so gut wir konnten. Aus solchen Gründen geschehen Abtreibungen, die stets schmerzhaft sind und die Seele der Mutter zutiefst belasten. Ich möchte erzählen, was Leon Bonaventure, der berühmte Psychoanalytiker aus der Schule C. G. Jungs, schrieb und was in seiner Einleitung zu einem Buch einer anderen Jungschen Psychoanalytikerin, der Italienerin Eva Pattis Zoja, mit dem Titel „Abtreibung, Verlorenes und Erneuerung: Paradoxon auf der Suche nach der Identität“ (Aborto, perdita e rinnovamento. Un paradosso nella ricerci di identità, Moretti & Vitali, 2013) aufgeführt war.

Leon Bonaventure berichtet mit der Feinsinnigkeit eines hervorragenden Psychoanalytikers, für den Spiritualität eine Quelle der Integration und eine Heilkunst für die Wunden der Seele darstellt:

“Ein Priester nahm einer Frau die Beichte ab, die zuvor abgetrieben hatte. Nachdem er ihrem Bekenntnis zugehört hatte, fragte der Priester: „Welchen Namen gabst du deinem Kind?“ Die Frau war überrascht und schwieg für eine Weile, denn sie hatte ihrem Kind keinen Namen gegeben.

“So”, sagte der Priester, “werden wir deinem Kind einen Namen geben, und wenn du einverstanden bist, werden wir es taufen.” Die Frau nickte bejahend, und so führten sie die symbolische Handlung aus.

Anschließend stellte der Priester einige Überlegungen über das Mysterium des Lebens an: “Leben existiert – sagte er -, das ans Tageslicht kommt, um auf Erden gelebt zu werden, sagen wir für 10, 50 oder 100 Jahre. Andere Leben werden nie das Sonnenlicht zu sehen bekommen. Im katholischen liturgischen Kalender wird am 28. Dezember der Tag der Unschuldigen Kinder begangen, der Neugeborenen, die grundlos sterben mussten, als das Göttliche Kind in Bethlehem zur Welt kam. Möge dieser Tag auch der Gedenktag deines Kindes sein.“

Und weiterhin sagte er: “In der christlichen Geburtstradition ist die Geburt eines Kindes immer ein Geschenk Gottes, ein Segen. In früheren Zeiten war es üblich, zum Tempel zu gehen und das Kind Gott darzubringen. Es ist nie zu spät, dein Kind Gott darzubringen.“

Der Priester schloss mit den Worten: “Als Mensch kann ich dich nicht verurteilen. Wenn du dich gegen das Leben versündigt hast, kann nur der Gott des Lebens dich mit dem Leben versöhnen. Gehe in Frieden. Und lebe.“ (S. 9).

Papst Franziskus empfiehlt stets Barmherzigkeit, Verständnis und Zärtlichkeit im Verhältnis zwischen Priestern und Gläubigen. Dieser Priester lebte vorausschauend diese zutiefst menschlichen Werte, die auch der historische Jesus von Nazareth bezeugte. Mögen diese Werte auch andere Priester zu einer solchen Menschlichkeit inspirieren.

übeersetzt von Bettina Gold-Hartnack

Las elecciones en Brasil a la luz de la historia anti-pueblo

18/10/2014

Nada mejor que leer las actuales elecciones a la luz de la historia brasilera con la tensión entre las élites y el pueblo. Voy a valerme de la contribución de un historiador serio con formación en Roma, en Lovaina y en la USP de São Paulo, el padre José Oscar Beozzo, una de las inteligencias más brillantes de nuestro clero.

Dice Beozzo: «la cuestión de fondo en nuestra sociedad es la del derecho de los pequeños a la vida, amenazada siempre por la abismal desigualdad de acceso a los medios de vida y por las exiguas oportunidades abiertas a las grandes mayorías del piso de abajo.

Como nos enseña Caio Prado Júnior, nuestra desigual formación social reposa sobre cuatro pilares difíciles de remover: a) la gran propiedad de la tierra concentrada en las manos de unos pocos, de tal modo que no haya tierra “libre” y “disponible” para quien la trabaja o para quienes fueron sus dueños originarios, los pueblos indígenas; b) el predominio de la monocultura; c) la producción enfocada al mercado externo (azúcar, tabaco, algodón, café, cacao y hoy soja); d) el régimen de trabajo esclavo.

La independencia de Portugal no alteró ninguno de esos pilares. Los que en aquella época soñaron con un Brasil diferente proponían el cambio de la gran propiedad por la pequeña propiedad en manos de quien la trabajaba; de la monocultura por la policultura, de la producción para el mercado internacional por otra dirigida al autoconsumo y al abastecimiento del mercado interno; del trabajo esclavo por el trabajo familiar libre. Esto pudo darse en pequeñas regiones periféricas a las monoculturas tropicales, en la sierra gaucha y catarinense, con colonos alemanes, italianos, polacos, en una propiedad más democratizada.

Hubo una oposición general de los grandes propietarios esclavistas a cualquiera de esas medidas y fueron eliminados a sangre y fuego los levantamientos populares que apuntaban a cualquier medida democratizadora en la economía, en la política y sobre todo en las relaciones laborales. Basta recordar algunas de esas revueltas: la insurrección de los esclavos Malês en Bahía, la Balayada en Maranhão, la Cabanagem en la Amazonia, la revolución Playera en Pernambuco, la Farroupilha en el Sur.

La revolución del 30, con su rasgo nacionalista, desplazó aunque parcialmente el eje del país del mercado externo hacia el interno; del modelo agrario exportador al de sustitución de importaciones; del dominio de las élites exportadoras de café del pacto Minas/São Paulo hacia nuevos líderes de las zonas de producción para el mercado interno, como las de arroz y charque de Rio Grande del Sur; del voto restringido al voto “universal” (menos para los analfabetos, en aquella época todavía mayoría entre los adultos), del voto exclusivamente masculino al voto femenino; de las relaciones de trabajo dictadas solamente por el poder de los patrones a su regulación, por lo menos en la esfera industrial, con la creación del Ministerio de Trabajo y de las leyes del trabajo enfocadas hacia la clase obrera. No se consiguió tocar el dominio insoslayable de los propietarios de tierra en la regulación del trabajo dentro de sus propiedades, lo cual ocurrirá sólo después de 1964, con el Estatuto del Trabajador Rural.

Getulio implantó una política corporativista de apaciguamiento entre las clases y de “cooperación” entre capital y trabajo, entre los obreros y los capitanes de la industria en torno a un proyecto de industrialización y de defensa de los intereses nacionales.

En esta campaña electoral ciertos medios de comunicación han creado el eslogan: “Fuera PT”. Se busca acabar con la dictadura del PT para instaurar la “dictadura del mercado financiero”. ¿Qué es lo que molesta realmente? ¿La corrupción y el “mensalón”?

A mi modo de ver, lo que incomoda, pese a todos sus límites, son las medidas democratizadoras como la Pro-Uni, los cupos en las universidades para los estudiantes venidos de la escuela pública y no de los colegios particulares; los cupos para aquellos cuyos abuelos vinieron de la esclavitud; la reforma agraria, mucho menor todavía de lo que sería necesario; la demarcación y la homologación en área continua de la tierra Yanomami contra media docena de arroceros apoyados por el coro unánime de los latifundistas y del agronegocio, así como todos los programas sociales de Bolsa Familia, Luz para todos, Mi Casa, mi Vida, Más Médicos y de ahí por delante.

Nunca molestó a estos críticos que el Estado pagase los estudios a jóvenes estudiantes de familias ricas que dieron a sus hijos una buena educación en escuelas particulares, lo que les franqueó el acceso a la enseñanza gratuita en las universidades públicas, profundizando la desigualdad de oportunidades. Esos estudios cuestan mensualmente al Estado en los cursos de Medicina de seis a siete mil reales. Nunca protestaron esas familias contra esa “bolsa-limosna” dada a los ricos, considerada como un “derecho” debido a sus méritos y no como un puro y escandaloso privilegio. Son los mismos que se niegan a ejercer de médicos en el interior y en las periferias que no disponen ni de un solo medico.

Los que suben el tono diciendo que en el país todo va mal, que pese a la mejora del salario mínimo, la creación de millones de empleos, la ampliación de las políticas sociales dirigida a los más pobres, la creación de Más Médicos, se posicionan en contra de las políticas del PT que pretenden asegurar derechos ciudadanos, ampliar la democratización de la sociedad, combatir privilegios y sobre todo poner un poco de freno (insuficiente a mi modo de ver) a la ganancia y a la dictadura del capital financiero y del “mercado”.

Esta es la razón de mi voto para otro proyecto de país, que atienda las demandas siempre negadas a las grandes mayorías. Por eso, voté a Dilma en la primera vuelta y lo volveré a hacer en la segunda, respetando otras opciones». jbeozzo@terra.com.br
Me asocio a esta interpretación, también en el voto a Dilma Rousseff.

Traducción de Mª José Gavito Milano

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