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O espírito no cosmos, no ser humano e em Deus

26/05/2012

 

Vivemos numa época, particularmente, anêmica de espírito. A cultura do consumo afogou o espírito na materialidade opaca. E sem espírito perdemos o que há de melhor em nós: a comunicação livre, a cooperação solidária, a compaixão amorosa, o amor sensível e a sensibilidade cordial pelo outro lado de todas as coisas, de onde nos vem mensagens de beleza, de grandeza, de admiração, de respeito, de veneração e de transcedência.

Neste domingo, dia de Pentecostes, os cristão celebram a irrupção do Espírito sobre amentrontados seguidores de Jesus. Transformou-os em corajos mensageiros de sua mensagem libertadora, alcançando-nos a nós até os dias de hoje. Nesta oportunidade, cabe uma reflexão sobre o espírito em minúsculo e sobre o Espírito em maiúsculo.

O espírito: primeiro no universo depois em nós

Somos, singularmente, portadores de grande energia. É  o espírito em nós. O espírito, na perspectiva da nova cosmologia, é tão ancestral quanto o cosmos. Espírito é aquela capacidade que os seres, mesmo os mais originários, como os hádrions, os topquarks, os prótons e os átomos de se relacionarem, trocarem informações e de criarem redes de inter-retro-conexões, responsáveis pela unidade complexa do todo. É próprio do espírito criar unidades cada vez mais altas e elegantes.

O espírito, primeiramente, está no mundo, somente depois está em nós. Entre o espírito de uma árvore e nós a diferença não é de princípio. Ambos são portadores de espírito. A diferença reside no modo de sua realização. Em nós seres humanos, o espírito aparece como aucoconsciência e liberdade.

Espírito humano é aquele momento da consciência em que ela se sente parte de um todo maior, capta a totalidade e a unidade e se dá conta de que um fio liga e re-liga todas as coisas, fazendo que sejam um cosmos e não um caos. Como se relaciona com o Todo, o espírito em nós nos faz sermos um projeto infinito, uma abertura total, ao outro, ao mundo e a Deus.

A vida, a consciência e o espírito pertencem, portanto, ao quadro geral das coisas, ao universo, mais concretamente, à nossa galáxia, à Via-Láctea, ao sistema solar e ao planeta Terra. Para que tivessem surgido, foi preciso uma calibragem refinadíssima de todos os elementos, especialmente, das assim chamadas constantes da natureza (velocidade da luz, as quatro energias fundamentais, a carga dos elétrons, as radiações atômicas, a curvatura do espaço-tempo entre outras). Se assim não fosse não estaríamos aqui escrevendo sobre isso.

Refiro apenas um dado do último livro do astrofísico e matemático Stephen Hawing “Uma nova história do tempo”(2005):”Se a carga elétrica do elétron tivesse sido ligeiramente diferente, teria rompido o equilíbrio da força eletromagnética e gravitacional nas estrelas e, ou elas teriam sido incapazes de queimar o hidrogênio e o hélio, ou então não teriam explodido. De uma maneira ou de outra a vida não poderia existir”(p.120). A vida pertence,pois, ao quadro geral.

O princípio andrópico fraco e forte

Para conferir alguma compreensão a esta refinada combinação de fatores se criou a expressão “princípio andrópico” (que tem a ver com o homem). Por ele se procura responder a esta pergunta que naturalmente colocamos: por que as coisas são como são? A resposta só pode ser: se fosse diferente nós não estaríamos aqui. Respondendo assim não cairíamos no famoso antropocentrismo que afirma: as coisas só têm sentido quando ordenadas ao ser humano, feito centro de tudo, rei e rainha do universo?

Há esse risco. Por isso os cosmólogos distinguem o princípio andrópico forte e fraco. O forte diz: as condições iniciais e as constantes cosmológicas se organizaram de tal forma que, num dado momento da evolução, a vida e a inteligência deveriam necessariamente surgir. Esta compreensão favoreceria a centralidade do ser humano. O princípio andrópico fraco é mais cauteloso e afirma: as precondições iniciais e cosmológicas se articularam de tal forma que a vida e a inteligência poderiam surgir. Essa formulação deixa aberto o caminho da evolução que demais a mais é regida pelo princípio da indeterminação de Heisenberg e pela autopoiesis de Maturana-Varela.

Mas olhando para trás, nos bilhões de anos, constatamos que de fato assim ocorreu: há 3,8 bilhões de anos surgiu a vida e há uns quatro  milhões de anos, a inteligência. Nisso não vai uma defesa do “desenho inteligente” ou  da mão da Providência divina. Apenas que o universo não é absurdo. Ele vem carregado de propósito. Há uma seta do tempo apontando para frente. Como afirmou o astrofísico e cosmólogo Feeman Dyson:”parece que o universo, de alguma maneira, sabia que um dia nós iríamos chegar” e preparou tudo para que pudéssemos ser acolhidos e fazer o nosso caminho de ascensão no processo evolucionário.

O universo autoconsciente

O grande matemático e físico quântico Amit Goswami, que muito vem ao Brasil,  sustenta a tese de que o universo é autoconsciente (O universo autoconsciente, Record 2002). No ser humano ele conhece uma emergência singular, pela qual o próprio universo através de nós se vê a si mesmo, contempla sua majestática grandeza e chega a uma certa culminância.

Cabe ainda considerar que o cosmos está em gênese, se autoconstruindo e em expansão contínua. Cada ser mostra uma propensão inata a irromper, crescer e irradiar. O ser humano também. Apareceu no cenário quando 99,96% de tudo já estava pronto. Ele é expressão do impulso cósmico para formas mais complexas e altas de existência.

Alguns aventam a idéia: mas não seria tudo puro acaso? O acaso não pode ser excluído, como mostrou Jacques Monod no seu livro  O acaso e a necessidade, o que lhe valeu o prêmio Nobel em biologia. Mas ele não explica tudo. Bioquímicos comprovaram que para os aminoácidos e as duas mil enzimas subjacentes à vida pudessem se aproximar, constituir uma cadeia ordenada e formar uma célula viva seriam necessários trilhões e trilhões de anos. Portanto mais tempo do que o universo e a Terra possuem que é de 13,7 bilhões de anos.

Talvez o recurso ao acaso mostre apenas nossa incapacidade de entender ordens superiores e extremamente complexas como a consciência,  a inteligência, o afeto e o  amor. Neste sentido a visão de Pierre Teilhard de Chardin do universo que mais e mais se complexifica e assim permite a emergência da consciência e da percepção de um ponto Ómega da evolução na direção do qual estamos viajando, seja mais adequada para expressar a dinâmica mesma do universo.

Não seria melhor  calarmos reverentes e respeitosos diante do mistério da existência e do sentido do universo?

Depois destas reflexões já estamos habilitados a abordar a dimensão teológica do espírito como  Espírito Criador.

O Espírito Criador e a cosmogênese

Como não podia deixar de ser, Deus também é incluido na dimensão do espírito. E por excelência. Está presente na primeira página da Bíblia quando se narra a criação do céu e da terra. Diz-se que sobre o touwabohu, isto é, sobre o caos, melhor, sobre as águas primitivas “soprava um ruah (um vento, uma energia) impetuoso” (Gn 1,2). Daquele caos tirou todas as ordens: os seres inanimados, os animados e o ser humano. A este, tirado do pó como todos os demais, Deus “soprou-lhe nas narinas o ruah de vida, o espírito, e ele tornou-se um ser vivo”(Gn 2,7). É no capítulo 37 de Ezequiel que irrompe, de forma insuperavelmente plástica, a força vital do espírito. Quando este vem, os ossos ressequidos ganham carne e se transformam em vida.

Também as expressões mais altas do ser humano são atribuidos à presença do espírito nele, como a sabedoria e a fortaleza (Is 11,2), a riqueza de idéias (Jo 32,28), o senso artístico (Ex 28,3), o desejo ardente de ver Deus e o sentimento de culpa e a consequente penitência (Ex 35,21; Jr 51,1; Esd 1,1; Es 26,9; Sl 34,19; Ez 11,19; 18,31).

Deus “tem” espírito

Esta força criadora e vivificadora é eminentemente possuida por Deus. As Escrituras falam com frequência do espírito de Deus (ruah Elohim). Ele é dado a Sansão para ter força portentosa (Jz 14,6; 19,15), aos profestas para terem coragem de denunciar em nome dos pobres da Terra as injustiças que padecem, para enfrentar o rei, os poderosos e anunciar-lhes o juizo de Deus.

Especialmente no judaismo inter-testamentário se esperava para os fins dos tempos a efusão do espírito sobre toda a criatura (Jl 2,28-32; At 2, 17-21). O Messias será “forte no espírito” e virá dotado de todos os dons do espírito (Is 11,1ss).

É neste contexto do judaismo tardio que surge a tendência de personificar o espírito. Ele continua sendo uma qualidade da natureza, do ser humano e de Deus. Mas sua ação na história é tão densa que começa a ganhar autonomia. Assim se diz, por exemplo, que “o espírito exorta, se aflige, grita, se alegra, consola, respousa sobre alguém, purifica, santifica e enche o unverso”. Jamais se pensa nele como criatura, mas algo do mundo de Deus que, quando se manifesta na vida e na história, tudo transforma.

O Espírito é Deus

A compreensão começou a mudar quando se cunhou uma expressão decisivia:”espírito de santidade” ou “espírito santo”. Esta formulação guarda certa ambiguidade, pois pode-se dizer espírito santo para se evitar dizer o nome de Deus (coisa que  os judeus até hoje, por respeito, evitam) como pode-se significar o próprio Deus. “Santo” para a mentalidade hebraica, é o nome por excelência de Deus o que equivale dizer na compreensão grega Deus como  transcendente, distinto de todo e qualquer ser da criação.

Em resumo podemos afirmar: pela palavra espírito (ruah) aplicado a Deus (Deus “tem” espírito, Deus envia o seu espírito, o espírito de Deus) os judeus expressavam a seguinte experiência: Deus não está atado a nada; irrompe onde quer; confunde planos humanos; mostra uma força à qual ninguém pode resistir; revela uma sabedoria que torna estultície todo o nosso saber. Assim Deus se mostrou aos líderes políticos, aos profetas, aos sábios, ao povo, especialmente, em momentos de crise nacional (Jz 6,33; 11, 29; 1 Sam 11,6).

Assim como é dado ao rei para que governe com sabedoria e prudência, no caso o rei Davi (1 Sam 16,13) será dado também ao servo sofredor, destituido de toda pompa e grandiloquência (Is 42,1) Em Is 61,1 se diz explicitamente:”o espírito de Javé está sobre mim porque Javé me ungiu… para anunciar a libertação dos cativos e a boa-nova para os pobres”, texto que Jesus aplicará a si na sua primeira aparição na sinagoga de Nazaré (Lc 4, 17-21). Por fim, o espírito de Deus não sinaliza apenas sua ação inovadora no mundo, mas aponta para o próprio ser de Deus. O espírito é Deus. E Deus é  Espírito. Como Deus é santo, o Espírito será  o Espírito Santo.

O Espírito Santo penetra tudo, abarca tudo, está para além de qualquer limitação. “Para onde irei para estar longe de teu Espírito? Aonde fugirei para estar longe de tua face? Se eu escalar os céus, ai estás, se me colocar no abismo, também ai estás”(Sl 139,7) Até o mal não está fora de seu alcance. Tudo o que tem a ver com mutação, ruptura, vida e novidade tem a ver com o espírito. O Espírito Santo está tão unido à história que ela de profana se transforma em história santa e sagrada.

O Espírito num mundo sem espírito e em degradação

Hoje sentimos a urgência da irrupção do Espírito Santo como na primeira manhã da criação.  A Carta da Terra, face à crise mundial ecológica, com energias negativas que nos podem arrastar ao abismo, afirma:”Como nunca antes da história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal…Temos ainda muito que aprender  a partir da busca conjunta por verdade e sabedoria (final).

Cabe ao Espírito iluminar nossa mente e transformar nosso coração. Se fizermos esta conversão dificilmente escaparemos das ameaças que pesam sobre o sistema-vida e sistema-Terra. Cabe ao Espírito a capaciadade de transformar o caos destrutivo em caos criativo, como operou no primeiro momento do big bang. Ele pode transformar a tragédia possível numa crise acrisoladora que nos permite dar um salto de qualidade rumo a uma nova ordem, mais alta, mais humana, mas cordial, mais amorosa e mais espiritual. O universo, a Terra e cada um de nós somos templos do Espírito. Ele não permitirá que seja desmantelado e destruido.

Importa suplicar ao Espírito: Vem, Espírito Criador! Renove a face da Terra, aqueça nossos corações e rasgue um horizonte de sentido e de esperança para a nossa realidade humana desumanizada.

Leonardo Boff é coteólogo, um dos redatores da Carta da Terra e escritor.

 

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20 Comentários leave one →
  1. Alexandre E. S. Visconti permalink
    26/05/2012 20:42

    O princípio antrópico forte nos coloca no centro da criação, pois afirma que se as constantes fundamentais do cosmos fossem ligeiramente diferentes, nós não poderíamos exisitir. E isto é uma verdade, então, o unverso existiria para produzir, em última instância. a vida e os seres cosncientes que observam o universo. Já o princípio antropico fraco tenta nos reduzir de novo a um mero acaso, pois afirma que existem milhares, bilhões, de outros universos e o nosso, por acaso, está perfeitamente regulado para produzir a vida e nos produzir.
    Mas, ocorre que nem sabemos qual o final deste universo apenas conhecido de 200 bilhões de galáxias, quanto mais afirmar que existem outros bilhões de universos para nos reduzir novamente a um simples acaso. Além disso, segundo a função de onda da mecânica quântica, a matéria não pode existir num universo sem observadores. Conclui-se, entao, que não somos um mero acaso, pelo contrário, o universo não existe apenas para que grandes rochas girem em torno de estrelas; a coisa é muito mais complicada do que isto.

    “Acaso, foi apenas o pseudônimo que Deus usou quando não quis assinar”
    (Anatole France)

  2. 26/05/2012 22:21

    Obrigado Leo, pela boa palavra que alivia a dor e nos traz a liberdade do amor. Sim, quero ardor aceso para um novo começo!!! Vem Espirito Cordial! O primeiro dever do amor é escutar em alegria feliz! Abração com ardor de Amigo, Everaldo Paixão. Aceso em faisca de Deus!!!

  3. Marcelo Camargo permalink
    26/05/2012 23:14

    Caríssimo Leonardo Boff Paz e Bem.
    Realmente tudo o que fala é profundo, e de uma profundidade imensa! Tão profundo que não entendo o que realmente quer dizer, ou por assim dizer, o que deseja com isso.
    O que entendo é o que esta ao alcance de meu limitado entender e mesmo dentro desta vasta limitação que me assola algo eu sei. Sei que nada sou sem a verdade que habita nos corações dáqueles que não são deuses!
    Paz e Bem Caríssimo Irmão.

  4. 27/05/2012 20:28

    muito boa a materia, a humanidade esta perdida exatamente por isso a falta da valorização
    da espiritualidade, mas creio que ja estamos mais conscientes, que queiramos ou não sera cumprida a evolução.

  5. Maria do Carmo permalink
    28/05/2012 8:43

    “Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual.
    Somos seres espirituais passando por uma experiência humana ”
    (Teilhard de Chardin)

    Querido Leonardo, sua bênção.

    Sua linguagem inicial não me é estranha por haver lido Teilhard de Chardin e ” A obra do Artista”, de Frei Betto. Embora sem entender em profundidade, pois nesta matéria sou “analfabeta funcional”(que não entende o que lê). Ponderando-se ainda que nossa formação religiosa catequética inicial” fundamentalista” nos coloca o evolucionismo como “heresia”.
    Haja vista o Pe. Teilhard ter suas obras censuradas e morrer no anonimato (exilado). Mas como ninguém pode deter o Espírito Santo de Deus,seus livros foram preservados das ” chamas” por seus familiares e amigos e agora estão sendo lidos “livremente”. Para mim, ele é um santo que não precisa de canonização.
    Formidável este modo de distinguir “espírito” e “Espírito Santo”!
    O sr. revela muito equilíbrio e bom senso; tem o dom de simplificar o que é complexo (pelo menos para a minha profunda ignorância que necessita sobremaneira do dom do entendimento).
    ” O Espírito Santo está tão unido à história que ela de profana se transforma em história santa e sagrada” .
    Que nossa Igreja possa abrir-se à ação deste Espírito Santo que simplifica todas as coisas para que Ele possa capacitá-la para o amor incondicional com a plenitude de seus dons.
    ” Só o amor dá sentido a todas as coisas” (Sta. Teresinha)
    Bendito seja Deus nos seus dons, irmãzinho querido!
    Muito agradeço ao Bom Deus por tê-lo colocado em meu caminho.O sr. está me ajudando a ser mais madura e mais de Deus. É por isso que acredito na existência dos “anjos”.
    Abraço com carinho e união nas orações.

  6. isaquegc permalink
    28/05/2012 15:26

    Belo artigo! Há erros de digitação, outros de otrogafia, mas o conteúdo é grandioso.

    O que será um coteólogo?

    • 17/06/2012 21:25

      Caro Isaque!

      Em seu comentário também há erros; o primeiro erro é de grafia e não de ortografia, pois se fosse ortografia a palavra por si só estaria correta, o segundo é de digitação ou otorgrafia. Onde se lê otorgrafia em seu texto, leia-se ortografia.

      Quanto à palavra coteólogo:
      Co – significa: O que faz ou produz algo juntamente com outro(s).
      Teólogo – significa: aquele que estuda, escreve e é perito em Teologia.
      O Maior dos teólogos católicos da Idade Média foi São Tomás.

      O verdadeiro sábio, não é o que mais escreve; é o que muito lê.

      Isaque! Que o Universo mantenha o brilho da Luz que nos permeia.

      Ary Souza – Ser Espiritual

  7. 28/05/2012 20:26

    Leonardo Boff
    Como teólogo, você é o melhor do Mundo. Parabéns pela excelente exposição. Obrigado.
    odeciomendesrocha philosopher

  8. Jose Severiano Lopes de Queiroz Neto permalink
    29/05/2012 21:22

    Caro Leonardo Boff

    Tenho uma frase para servir como um intróito ao assunto :

    Keep your mind WIDE open !

    Embora o princípio antrópico “confere alguma compreensão a esta refinada combinação de fatores que se criou a expressão “princípio andrópico” (que tem a ver com o homem)”, ainda se coloca o homem como a criação máxima (de forma velada). O universo é tão imenso, que com toda certeza existem outros seres neste mesmo universo, totalmente diferentes de nós, inclusive quanto à biologia, morfologia e nível de inteligencia, a ponto de que se entrassem em contato conosco nos olhariam como nós olhamos às formigas.
    Não teriam como trocar qualquer conhecimento que possuissem, pois, com certeza não os entenderiamos. Tudo que os mesmos fizessem nos pareceriam como mágica ou “divino”. Não precisariamos ir muito longe, bastaria vestir uma roupa de astronauta e surgir no meio de uma tribo de índios do alto Xingú, não aculturada, de repente.
    Para concluir, particularmente, não vejo nenhuma INTELIGÊNCIA em se inventar e produzir armas, com o simples intuito de matar ou seja lá o que for.
    Nosso amontoado de “seres humanos” (pois só podem ser chamados assim), cujo surgimento corresponde a um piscar de olhos na história deste mesmo universo, ainda não saiu nem de dentro da casca do ovo. A maioria de nós é incapaz de ver um palmo à frente de seu nariz, ainda somos trogloditas só com uma pequena diferença, aumentamos a nossa capacidade de autodestruição e de tudo que nos cerca.

    Abraços

    José Severiano

  9. Jose Severiano Lopes de Queiroz Neto permalink
    29/05/2012 21:41

    Mais um adendo ao dito acima :

    Para muitos posso parecer cínico, ou pessimista, ou gnóstico, ou o que quiser pensar, não importa. Mas por outro lado posso lhe dar uma visão, não sei se particular, do modo que vejo a tudo, Leio o bastante sobre física quântica e sei que você sabe do princípio do “entanglement”, e levaria a extremos este conceito e te diria que aquela senhora “Madeleine Albright” que cito em algum lugar é na verdade uma extensão de mim mesmo ou de você, só que da nossa parte podre. (sim temos nossa parte podre)
    Citei também em algum momento a frase da etnia Sioux, que disse :
    “Dentro de mim co-habitam dois lobos, um feroz e um manso. Preponderá aquele que eu alimentar.”
    Quanta sabedoria para alguém chamado de SELVAGEM ???

    Abraços

    José Severiano

  10. Jose Severiano Lopes de Queiroz Neto permalink
    29/05/2012 22:34

    Saiba Leonardo Boff, faz um bom tempo que cheguei à conclusão de que a ditadura embora me tenha prejudicado de várias maneiras me proporcionou uma oportunidade sumamente valiosa : a liberdade de pensar.
    Embora não tenha conseguido terminar nenhum curso superior, consegui obter a liberdade e não engessamento do meu modo de pensar. Isso me permite ou me outorga o direito de ver todos os lados, o bom e o mau.

    Abraços

    Jose Severiano

  11. gab permalink
    29/05/2012 22:36

    é lindo ver o relativismo vindo de alguém religioso. isso é sabedoria

  12. Gustavo permalink
    02/06/2012 8:57

    Amém!

  13. Julio permalink
    03/06/2012 11:59

    Tenho esperança, como você disse no texto, de que essa grande crise pela qual passamos hoje seja um processo de acrisolamento, rumo a algo melhor, já que cremos que o Senhor está no controle de todas as coisas. E, como você também disse, Ele não permitiria que sua criação fosse destruída. O propósito final da criação é sua redenção! Mas isso não nos deixa apáticos, mas nos conduz à ação, pois somos chamados por Ele a sermos guardiães de nossa Casa Comum, a Terra.

    Belíssimo texto, Leonardo!
    Abraços!

  14. 18/06/2012 21:09

    Caro Isaque!
    Em seu comentário também há erros; o primeiro erro é de grafia e não de ortografia, pois se fosse ortografia a palavra por si só estaria correta, o segundo é de digitação ou otorgrafia. Onde se lê otorgrafia em seu texto, leia-se ortografia.

    Quanto à palavra coteólogo:
    Co – significa: O que faz ou produz algo juntamente com outro(s).
    Teólogo – significa: aquele que estuda, escreve e é perito em Teologia.
    O Maior dos teólogos católicos da Idade Média foi São Tomás.

    Sou um ser que também comete erros, levando em consideração que; quem mais acerta é aquele que erra, como este agora.

    Isaque e Leonardo Boff! Que o Universo mantenha o brilho da Luz que nos permeia.

    Ary Souza – Ser Espiritual

  15. 20/09/2012 15:43

    Belissimo testo, li como se fosse poema inspirado pelo próprio espirito de Deus, e que emociona e nos faz pensar, e o pensamento e a emoção evolui para a vontade e da vontade para a ação, ação esta que me move a escrever minha visão sobre este assunto.E como contribuição gostaria de dizer que o amor é a manifestação do espirito de Deus,e no plano humano ele se manisfesta de varias formas, como:gentileza,carinho,afeto, boa ação desapegada ou seja sem esperar nada em troca, porque o amor ja se manifestou e voçê foi o meio e como tal santificou-se. Quando os seres iluminados, cria condições para que nossa humanidade e nossa espiritualidade se manifeste e evolua para Deus. Com soluções ecologicas que permitam que a saúde física mental e espiritual das pessoas possam ganhar um salto quântico de qualidade, para que finalmente muitos possam ingressar brevemente para a iluminação. obrigado! e desejo a todos bons desafios que nos possam transformar para níveis evolutivos mais altos.

  16. 17/12/2012 19:56

    great and educative content, thanks for being so important for the education. lista de emails lista de emails lista de emails lista de emails lista de emails

  17. 30/05/2013 20:30

    NA MINHA OPINIÃO A IDEIA DE COSMOS FOI O PENSAMENTO HUMANO CERTEIRO DE CRIAR A EXISTENCIA SEM DEUS.

  18. Ary Souza permalink
    02/08/2013 9:30

    ” O Espírito de Deus não é ideia do homem! O Espírito do homem é ideia de Deus.

  19. Antonio Calumby Filho permalink
    24/11/2013 11:31

    Me vejo aqui uma formiga e meio a cabêças tâo brilhantes , mais de acordo com o sr boof “esse nelsinho ia adorar” Deus se manifesta rompendo tudo e qualquer coisa incluindo aminha falta de conhecimento na causa , por isso me atrevo a dizer que esta muito perto a comsiencia e formação de novos tempos

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