Skip to content

As ameaças da Grande Transformação (II)

26/07/2014

 

Analisamos no artigo anterior, as ameaças que nos traz a transformação da economia de mercado em sociedade de mercado com a dupla injustiça que acarreta: a social e a ecológica. Agora quermos nos deter em sua incidência no âmbito da ecologia tomada em sua mais vasta acepção, no ambiental, social, mental e integral.

Constatmos um fato singular: na medida em que crescem os danos à natureza que afetam mais e mais as sociedades e a qualidade de vida, cresce simultaneamente a consciência de que, na ordem de 90%, taisdanos se tributam à atividade irresponsável e irracional dos seres humanos,mais especificamente, àquelas elites de poder econômico, político, cultural e mediático que se constituem em grandecorporações multilaterais e que assumiram por sua conta os rumos do mundo. Temos, com urgência, fazer alguma coisa que interrompa este percurso para o precipício. Como adverte a Carta da Terra: “ou fazemos uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscamos a nossa destruição e a da diversidade da vida”(Preâmbulo).

A questão ecológica, especialmente após o Relatório do Clube de Roma em 1972 sob o título “Os Limites do Crescimento” tornou-se tema central da política, das preocupações da comunidade científica mundial e dos grupos mais despertos e preocupados pelo nosso futuro comum.

O foco das questões se deslocou: do crescimento/desenvolvimento sustentável (impossível dentro da economia de mercado livre) para a sustentação de toda a vida. Primeiro há que se garantir a sustentabilidade do planeta Terra, de seus ecossistemas, das condições naturais que possibilitam a continuidade da vida. Somente garantidas estas pré-condições, se pode falar em sociedades sustentáveis e em desenvolvimento sustentável ou de qualquer outra atividade que queira se apresentar com este qualificativo.

A visão dos astronautas reforçou a nova consciência. De suas naves espaciais ou da Lua se deram conta de que Terra e a Humanidade formam uma única entidade. Elas não estão separadas nem juxtapostas. A Humanidade é uma expressão da Terra, a sua porção consciente, inteligente e responsável pela preservação das condições da continuiade da vida. Em nome desta consciência e desta urgência, surgiu o princípio responsabilidade (Hans Jonas), o princípio cuidado (Boff e outros), o princípio sustentabilidade (Relatório Brundland), o princípio interdependência, o princípio cooperação (Heisenberg/Wilson/Swimme/Morin/Capra)e o princípio prevenção/precaução (Carta do Rio de Janeiro de 1992 da ONU), oprincípio compaixão (Schoppenhauer/Dalai Lama) e o princípio Terra (Lovelock e Evo Morales).

A reflexão ecológica se complexificou. Não se pode reduzi-la apenas à preservação do meio ambiente. A totalidade do sistema mundo está em jogo. Assim surgiu uma ecologia ambiental que tem como meta a qualidade de vida; uma ecologia social que visa um modo sustentável de vida e uma sobriedade compartida (produção, distribuição, consumo e tratamento dos dejetos); uma ecologia mental que se propõe erradicar preconceitos e visões de mundo, hostis à vida e formular un novo design civilizatório, à base de princípios e de valores para uma nova forma de habitar a Casa Comum; e por fim uma ecologia integral que se dá conta que a Terra é parte de um universo em evolução e que devemos viver em harmonia com o Todo, uno, complexo e perpassado de energias que sustentam a vitalidade da Terra e carregado de propósito.

Criou-se destarte uma grelha teórica, capazde orientar o pensamento e as práticas amigáveis à vida. Então se torna evidente que a ecologia mais que uma técnica de gerenciamento de bens e serviços escassos representa uma arte, uma nova forma de relacionamento com a vida, a natureza e a Terra e a descoberta da missão do ser humano no processo cosmogênico e no conjunto dos seres: cuidar e preservar.

Por todas as partes do mundo, surgiram movimentos, instituições, organismos, ONGs, centro de pesquisa, cada qual com sua singularidade: quem se preocupa com as florestas, quem com os oceanos, quem com a preservação da biodiversidade, quem com as espécies em extinção, quem com os ecossistemas tão diversos, quem com as águas e os solos, quem com as sementes e a produção orgânica. Dentre todos estes movimentos cabe enfatizar o Greenpeace pela persistência e coragem de enfrentar, sob riscos, aqueles que ameaçam a vida e o equilíbrio da Mãe Terra.

A própria ONU criou uma série de instituições que visam acompanhar o estado da Terra. As principais são o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), a FAO (Organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura), a OMS (Organização Mundial para a Saúde), aConvenção sobre a Biodiversidade e especialmente o IPPC (Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas) entre outras tantas.

Esta Grande Transformação da consciência opera uma complicada travessia, necessária para fundar um novo paradigma, capaz de transformar a eventual tragédia ecológico-social numa crise de passagem que nos permitirá um salto de qualidade rumo a um patamar mais alto de relação amistosa, harmoniosa e cooperativa entre Terra e Humanidade. Se não assumirmos esta tarefa o futuro comum estará ameaçado.

Leonardo Boff escreveu com Jürgen Moltmann, Há esperança para a criação ameaçada? Vozes 2014.

 
Este email está limpo de vírus e malwares porque a proteção do avast! Antivírus está ativa.

 

As ameaças da Grande Transformação(I)

26/07/2014

A Grande Transformação consiste na passagem de uma economia de mercado para uma sociedade de mercado. Ou em outra formulação: de uma sociedade com comercado para uma sociedade só de mercado. Mercado sempre existiu na história da humanidade, mas nunca uma sociedade só de mercado. Quer dizer, uma sociedade que coloca a economia como o eixo estruturador único de toda a vida social, submetendo a ela a política e anulando a ética. Tudo é vendável, até o sagrado.

Não se trata de qualquer tipo de mercado. É o mercado que se rege pela competição e não pela cooperação. O que conta é o benefício econômico individual ou corporativo e não o bem comum de toda uma sociedade. Geralmente este benefício é alcaçado às custas da devastação da natureza e da gestação perversa de desigualdades sociais. Nesse sentido a tese de Thomas Piketty em O capital no século XXI é irrefutável.

O mercado deve ser livre, portanto, recusa controles e vê o Estado como seu grande empecilho, cuja missão, sabemos, é ordenar com leis e normas a sociedade, também o campo econômico e coordenar a busca comum do bem comum. A Grande Transformação postula um Estado mínimo, limitado praticamente às questões ligadas à infra-estrutura da sociedade, ao fisco, mantido o mais baixo possível e à segurança.Tudo o mais deve ser buscado no mercado, pagando.

O gênio da mercantilização de tudo penetrou em todos os setores da sociedade: a saúde, a educação, o esporte, o mundo das artes e do entretenimeno e até grupos importantes das religiões e das igrejas. Estas incorporaram a lógica do mercado: a criação de uma massa enorme de consumidores de bens simbólicos, igrejas pobres em espírito, mas ricas em meios de fazer dinheiro. Não raro no mesmo complexo funciona um templo e junto a ele um shopping. Enfim, se trata sempre da mesma coisa: auferir rendas seja com bens materiais seja com bens “espirituais”.

Quem estudou em detalhe este processo avassalador foi um historiador da economia, o húngaro-norte-americano Karl Polanyi (1886-1964). Ele cunhou a expressão A Grande Transformação, título do livro escrito antes do final da Segunda Guerra Mundia em 1944. No seu tempo a obra não mereceu especial atenção. Hoje, quando suas teses se vem mais e mais confirmadas, tornou-se leitura obrigatória para todos os que se propõem entender o que está ocorrendo no campo da economia com repercusão em todos os âmbitos da atividade humana, não excluida a religiosa. Desconfia-se que o próprio Papa Francisco tenha se inspirado en Polaniy para criticar a atual mercantilização de tudo, até do ser humano e órgãos.

Essa forma de organizar a sociedade ao redor dos interesses econômicos do mercado cindiu a humanidade de cima a baixo: um fosso enorme se criou entre os poucos ricos e os muitos pobres. Gestou-se uma espantosa injustiça social com multidões feitas descartáveis, consideradas óleo gasto, não mais interessante para o mercado: produzem irrisoriamente e consomem quase nada.

Simultaneamente a Grande Transformação da sociedade em mercado criou também uma iníqua injustiça ecológica. No afã de acumular, foram explorados de forma predatória bens e serviços da natureza, devastando inteiros ecossistemas, contaminando os solos, as águas, os ares e os alimentos, sem qualquer outra consideração ética, social ou sanitária.

Um projeto desta natureza, de acumulação ilimitada, não é suportado por um planeta limitado, pequeno, velho e doente. Eis que surgiu um problema sistêmico, do qual os economistas deste tipo de economia, raramente se referem: foram atingidos os limites fisico-químicos-ecológicos do planeta Terra. Tal fato dificulta senão impede a reprodução do sistema que precisa de uma Terra, repleta de “recursos” (bens e serviços ou ‘bondades’ na lingugem dos indígenas).

A continuar por esse rumo, poderemos experimentar, como já o estamos experimentando, reações violentas da Terra. Como é um Ente vivo que se autoregula, reage para manter seu equilíbrio afetado através de eventos extremos, terremotos, tsunamis, tufões e uma completa desregulação dos climas.

Essa Transformação, por sua lógica interna, está se tornando biocida, ecocida e geocida. Destrói sistematicamente as bases que sustentam a vida. A vida corre risco e a espécie humana pode, seja pelas armas de destruição em massa existentes seja pelo caos ecológico, desaparecer da face da Terra. Seria a consequência de nossa irresponsabilidade e da total falta de cuidado por tudo o que existe e vive.

Leonardo Boff escreveu Proteger a Terra-cuidar da vida: como escapar do fim do mundo, Record 2010.

 

 

El humor como expresión de salud psíquica y espiritual

25/07/2014

Todos los seres vivos superiores poseen un acentuado sentido lúdico. Basta observa a los gatos y los perros de nuestras casas. Pero el humor es propio sólo de los seres humanos. El humor nunca fue considerado un tema «serio» por la reflexión teológica, aunque es sabido que se encuentra presente en todas las personas santas y místicas, que son los únicos cristianos verdaderamente serios. En la filosofía y en el psicoanálisis tuvo mejor suerte.

Humor no es sinónimo de chiste, pues puede haber chiste sin humor y humor sin chiste. El chiste es irrepetible; repetido, pierde su gracia. La historieta llena de humor conserva siempre su gracia y nos gusta oírla muchas veces.

El humor sólo puede ser entendido a partir de la profundidad del ser humano. Su característica es ser un proyecto infinito, portador de inagotables deseos, utopías, sueños y fantasías. Tal dato existencial hace que haya siempre un desajuste entre el deseo y la realidad, entre lo soñado y su concretización. Ninguna institución, religión, Estado ni ley consiguen encuadrar totalmente al ser humano, aunque para encuadrarlo exista justamente cierto tipo de orden. Pero él desborda estas determinaciones. De ahí la importancia de la violación de lo prohibido para la vivencia de la libertad y para que surjan cosas nuevas. Y esto en el arte, en la literatura y también en la religión.

Cuando nos damos cuenta de esta diferencia entre la ley y la realidad ―véase por ejemplo, la esdrújula moral católica sobre la prohibición de usar el condón en estos tiempos en que abunda el sida― surge el sentido del humor. Dan ganas de reír, pues tiene todo tan poco buen sentido y es tanto hablar en pleno desierto, ya que nadie escucha ni observa, que sólo puede provocarnos humor. Esas personas viven en la LUNA, no en la Tierra.

En el humor se vive el sentimiento de alivio del peso de las limitaciones y del placer de verlas relativas y sin la importancia que ellas mismas se dan. Por un momento, la persona se siente libre de los superegos castradores, de las imposiciones que nos exige la situación y realiza una experiencia de libertad, como una forma de plasmar su tiempo, dar sentido a lo que está haciendo y construir algo nuevo. Detrás del humor existe la creatividad, propia del ser humano. Por más limitaciones naturales y sociales que haya, siempre hay espacio para crear algo nuevo. Si no fuese así, no habría genios en la ciencia, en el arte y en el pensamiento. Inicialmente son tenidos por «locos», excéntricos, anormales.

Mucho tiempo después, una nueva mirada descubre la genialidad de un van Gogh, la creatividad fantástica de Bach, casi desapercibidas en su tiempo. Se dice de Jesús que los suyos vinieron a llevárselo, pues decían “está loco” (Mc 3,21). De San Francisco se dijo lo mismo: es un «pazzus», un loco, cosa que él aceptaba como expresión de la voluntad de Dios. Y era un santo lleno de humor y alegría hasta el punto de llamarlo «el fraile siempre alegre».

En palabras más pedestres: el humor es señal de que nos es imposible definir al ser humano dentro de un cuadro establecido. En su ser más profundo y verdadero es un creador y un ser libre.

Por eso puede sonreír y mirar con humor los sistemas que lo quieren aprisionar en categorías establecidas. Y el ridículo que constatamos en señores serios (por ejemplo, profesores, jueces, directores de escuela y hasta monseñores) que quieren, solemnemente y con aires de una autoridad superior cuasi divina, hacer a los otros ciegos y sumisos, o que obedezcan cual ovejas a sus órdenes. Eso también causa humor.

Estaba en lo cierto aquel filósofo (Th. Lersch Philosophie des Humors, Múnich 1953, 26) que escribió: «La esencia secreta del humor reside en la fuerza de la actitud religiosa, pues el humor ve las cosas humanas y divinas en su insuficiencia delante de Dios». Desde la seriedad de Dios, el ser humano sonríe de las seriedades humanas con pretensión de ser absolutamente verdaderas y serias. Son nada delante de Dios. Y existe también toda una tradición teológica que nos viene de los Padres de la Iglesia Ortodoxa que hablan del Deus Ludens (Dios lúdico), pues creó el mundo como un juego para su propio entretenimiento. Y lo hizo sabiamente, uniendo humor con seriedad.

Quien vive centrado en Dios tiene motivos para cultivar el humor. Relativiza las seriedades terrenas, hasta los propios defectos y es un ser libre de preocupaciones. Santo Thomas Moro, condenado a la guillotina, cultivó el humor hasta el final: pedía a los verdugos que le cortasen el cuello pero que no le tocasen la larga barba blanca. San Lorenzo sonría con humor a los verdugos que lo asaban en la parrilla y los invitaba a darle la vuelta porque un lado ya estaba bien cocido, o san Ignacio de Antioquia, anciano obispo de la primera Iglesia, que suplicaba a los leones que viniesen a devorarlo para pasar más rápidamente a la felicidad eterna.

Conservar esta serenidad, vivir en estado de humor y comprenderlo a partir de las insuficiencias humanas es una gracia que todos debemos buscar y pedir a Dios.

Traducción de Mª José Gavito Milano

Ritus und Spiel: in Vergessenheit geratene Dinge

24/07/2014

Während der Wochen der Fußball-WM erlebten wir Momente voller Riten, Zelebrationen und Symbole. Die Eröffnungsfeier war eine Abfolge von Riten und Symbole, die mit Fußball in Verbindung standen, vor allem bei der Vorstellung der Teams und beim Singen der Nationalhymnen. Eine von Zelebrationen geprägte Atmosphäre erfüllte die Innenstädte, schmückte die Straßen und Fenster der Häuser.

Es geht uns hier um das Thema Riten und Zelebrationen, deren humane und soziale Bedeutung nicht immer bedacht wird und die oftmals in Vergessenheit gerät. Erst einmal gibt es ohne Riten keine Zelebration, denn eine Zelebration bewegt sich in der symbolischen Welt der Riten und Symbole. In einer Zelebration essen und trinken wir nicht deswegen, um unseren Hunger oder Durst zu stillen. Dafür essen wir zu Hause oder im Restaurant. Vielmehr symbolisiert dieses Mahl die Freundschaft und die Freude über das Zusammensein und darüber, gemeinsam an einem Ereignis, wie z. B. einem Fußballspiel, teilzunehmen. Wenn in einer Zelebration gesungen wird, geht es nicht um die Darbietung von musikalischer Kunst, sondern um eine rituelle Ausdrucksweise von Begeisterung und existentieller Erleichterung. Und wie wir feiern und trinken, wenn unser Lieblings-Team ein Spiel oder eine Meisterschaft gewinnt!

„Was ist ein Ritus?“, fragte der Kleine Prinz den Fuchs, den er im berühmten gleichnamigen Buch von Antoine de Saint-Exupéry gefangen hatte. Und der Fuchs gab zur Antwort: „Es ist etwas in Vergessenheit Geratenes. Es ist das, was einen Tag vom andern unterscheidet, eine Stunde von den andern Stunden. Es gibt zum Beispiel einen Brauch bei meinen Jägern. Sie tanzen am Donnerstag mit den Mädchen des Dorfes. Daher ist der Donnerstag der wunderbare Tag. Ich gehe bis zum Weinberg spazieren. Wenn die Jäger irgendwann einmal zum Tanze gingen, wären die Tage alle gleich und ich hätte niemals Ferien” (S. 27).

Ein Ritus ist das, was eine Zelebration von anderen Tagen unterscheiden lässt. Doch er gewinnt nur an Ausdruckskraft, wenn es Vorbereitung und innere Teilnahme gibt, wie dies vor einem Fußballspiel zwischen zwei berühmten Teams der Fall ist. Aus diesem Grund rät der Fuchs dem Kleinen Prinzen: „Es wäre besser gewesen, du wärst zur selben Stunde wiedergekommen. Wenn du zum Beispiel um vier Uhr nachmittags kommst, kann ich um drei Uhr anfangen, glücklich zu sein … Wenn du aber irgendwann kommst, kann ich nie wissen, wann mein Herz da sein soll … Es muss feste Bräuche geben.” (S. 71)

Nur mit dem Ritus kann es eine Zelebration geben, denn dann verliert alles seine natürliche Konsistenz und nimmt zutiefst menschliche symbolische Werte an. Dinge verlieren ihre Aktualität (sind nutzlos), um ihre wahre Bedeutung zurückzugewinnen. Der Klang der Schritte würde den Fuchs niemals erschrecken, er wäre wie Musik, die ihm die Nähe des Kleinen Prinzen ankündigt. Die Weizenfelder erinnern ihn nicht an Brot (Aktualität), sondern an die blonden Haare des Kleinen Prinzen (Bedeutung).

Abgesehen von der zuvor genannten Bedeutung ist die Präsenz eines Ritus‘ im Allgemeinen vor allem in religiösen Zelebrationen stark spürbar, wie z. B. an Hochzeiten oder Priesterweihen. Der Ritus bringt die Bedeutung der Dinge besser zum Ausdruck als die Sprache es vermag, die „voller Missverständnisse“ ist, wie der Fuchs sagt. Deshalb ist ein Ritus dann besonders ausdrucksvoll, wenn er aus der Tiefe unseres Seins kommt, aus unseren tiefsten Archetypen, wo sich unsere persönliche Identität befindet.

Jeder Mensch, selbst die säkularste und rationalste Person, ist im Sinne ritueller und symbolischer Ausdrucksweise mythisch. Menschen, die ihr innerstes Selbst, ihre Freude, ihre Traurigkeit, ihre Leidenschaft oder ihre Liebe zum Ausdruck bringen möchten, bedienen sich nicht kalter Konzepte, sondern Metaphern oder Lebensgeschichten, die wahre Mythen sind. Durch sie kommt das Mysterium der persönlichen Lebensreise jeder Person zum Vorschein, ohne dass ihm Gewalt angetan würde. Riten und Zelebrationen verlangen immer nach Ernsthaftigkeit und nach Konzentration.

Alles, was wir zum Thema Riten besprachen, hat viel mit dem Spiel zu tun. Ich denke dabei nicht an das Spiel, das zu einem Beruf und zu großem internationalen Business geworden ist wie Fußball u. a. Das ist eher Sport als ein Akt des Spiels. Spiel, wie man es im Volk vorfindet, auf improvisierten Plätzen oder am Strand, hat keinen praktischen Nutzen, ist aber Träger von tiefer Bedeutung als Ausdruck von Lebensfreude und der Freude, gemeinsam eine schöne Zeit zu verbringen.

Es gibt eine alte Tradition der zwei Schwesterkirchen, der lateinischen und der griechischen, die von Deus ludens, Homo ludens und sogar von Ecclesia ludens spricht (vom spielerischen Gott, dem spielerischen Menschen und der spielerischen Kirche). Sie sahen die Schöpfung als ein großes Spiel einer spielerischen Gottheit: Gott warf von einer Seite die Sterne, von der anderen Seite die Sonne, darunter die Planeten und, voller Zärtlichkeit, die Erde in der genau passenden Distanz zur der Sonne, sodass es auf ihr Leben geben kann. Die Schöpfung ist eine Art alles umfassende Fröhlichkeit Gottes, ein Theatrum Gloriae Dei (ein Theater der Ehre Gottes).

In einem schönen Gedicht des großen Theologen der Griechisch Orthodoxen Kirche, dem Hl. Gregor von Nazianz (330-390) heißt es: „Der erhabene Logos spielt, indem er den ganzen Kosmos aus purem Vergnügen und auf jede erdenkliche Weise mit den unterschiedlichsten Bildern ziert.“ In der Tat ist das Spiel das Werk der kreativen Fantasie, wie man es bei Kindern sieht: Es drückt zwanglose Freiheit aus, indem es eine Welt ohne praktischen Nutzen schafft, frei von Profit und persönlichen Vorteilen. Einer der besten Theologen des 20. Jahrhunderts, der Bruder eines weiteren berühmten Theologen, der mein Professor in Deutschland war, Karl Rahner, empfahl dringend: „Da Gott vere ludens (wahrhaft spielerisch) ist, müssen alle vere ludens sein“.

Aus diesen Überlegungen geht hervor, dass unser Leben auf der Erde unbeschwert und angstfrei sein könnte, insbesondere wenn es durch die heitere Gegenwart Gottes in Seiner Schöpfung verwandelt wird. Also brauchen wir uns nicht zu fürchten. Es ist die Angst, die uns der Freiheit beraubt. Das Gegenteil von Glaube ist nicht so sehr Atheismus als vielmehr Angst, vor allem die Angst vor Einsamkeit. Glauben zu haben, mehr noch als einer Sammlung von Glaubenswahrheiten anzuhängen, heißt glücklich zu sein, sich in der Hand Gottes geborgen zu fühlen und in der Lage zu sein, vor dem Göttlichen wie ein Kind zu leben, das in völliger Hingabe spielt.

übersetzt von Bettina Gold-Hartnack

Rites and play: things very much forgotten

23/07/2014

In the weeks of the Soccer World Cup we are experiencing moments full of rites, celebrations and symbols. The opening ceremony was a sequence of rites and symbols linked to soccer, principally the presentation of the teams, and the singing of the national anthem. An environment of celebration filled the cities, adorning the streets and the windows of the houses.

Here we tackle the theme of rites and celebrations, whose human and social meaning not always is thought about, and often is forgotten. First, without rite there is no celebration, because a celebration moves within the symbolic world of rites and symbols. We eat and drink in a celebration not to satisfy hunger or thirst. For that, we eat at home or in a restaurant. Rather, it symbolizes the friendship and joy of the encounter and of participating together in an event such as a soccer match. Singing in a celebration is not intended as a display of music as art, but as a ritual expression of exuberance and existential relief. And how we celebrate and drink when our favorite team wins a match or the championship!

«What is a rite?» the Little Prince asked the fox who had captured him in the famous book by Antoine de Saint Exupery of the same title. And the fox responded: «it is something very much forgotten, it is what makes some days different from the others, one hour different from the others. There is a rite among those who hunt me, they go to dance with the girls of the town on Thursdays, and therefore, Thursday is a marvelous day! I can stroll up to the vineyard. If the hunters danced on just any day, all the days would be the same and I would have no rest» (p.27).

A rite is, then, what makes a celebration different from other days. But it only gains expressive strength if there is preparation and inner anticipation, as occurs before a soccer match between two famous teams. This is why the fox advises the Little Prince: «it would be better if you always came at the same time, if you would come, say, at 4 in the afternoon; at three I would already start to be happy… but if you were to come at any old time, I would never know how to prepare my heart. The rite is necessary» (p.71).

Only with the rite will there be celebration, because then everything loses its natural consistency, taking on a profoundly human symbolic value. Things lose their actuality (are useless), in order to gain their true meaning. The sound of footsteps would never scare away the fox, they are like music that portends the proximity of the Little Prince. The wheat fields do not remind him of bread (actuality) but of the golden locks of the Little Prince (meaning).

Besides in the afore mentioned events, the presence of rite is generally strong in religious celebrations (marriage, for example, or priestly ordination). The rite expresses the meaning of things better than language, which, as the fox comments, «is full of misunderstandings». Therefore a rite is particularly expressive when it comes from the depths of our beings, from our deepest archetypes, where our personal identity is found.

Every human being, including the most secular and rational, is mythical, in the sense of ritual and symbolic expression. Humans who want to express their inner selves, their joy, their sadness, their passion, or their love, do not use cold concepts, but metaphors or life stories, that are the true myths. Through them, the mystery of the personal journey of each one emerges without violating it. Rites and celebrations always demand seriousness and concentration.

Everything we speak of about rites also has much to do with play. I am not thinking of the play that has become a profession and big international business, such as soccer and others. They are more sports than acts of play. Play, as it occurs in popular environments, on an improvised site or on the beach, has no practical utility, but it carries profound meaning as an expression of the joy of being, and of having a good time together.

There is an old tradition of the two sister Churches, the Latin and the Greek, that references Deus ludens, homo ludens and even eccclesia ludens (playful God, man and church). They saw creation as a great game of a playful Divinity: God launched from one side the stars, from the other the Sun, below, the planets and, with tenderness, the Earth, at just the right distance from the Sun, so that she may have life. Creation is a kind of all embracing happiness of God, a theatrum gloriae Dei (a theater of the glory of God).

In a beautiful poem the great theologian of the Greek Orthodox Church, Saint Gregory of Nazianzus (c.330-c.390), says: «The sublime Logos plays, adorning the whole cosmos, for pure pleasure and in every way with the most varied images». In effect, play is a work of creative fantasy, as children show: it expresses a freedom without coercion, creating a world without practical end, free from profit and individual advantages. One of the finest theologians of the XX century, the brother of another eminent theologian, who was my professor in Germany, Karl Rahner, strongly recommended that «because God is vere ludens (truly playful) everyone must also be veres ludens».

These considerations show how our existence here on Earth could be serene and without anguish, especially when it is transformed by the jovial presence of God in His creation. So we do not have to be afraid. What takes away freedom is fear. The opposite of faith is not so much atheism as fear, especially fear of solitude. To have faith, more than to adhere to a series of truths, is to be happy, feeling oneself in the palm of the hand of God, and being able to live before the Divine like a child who plays with utter abandon.

Free translation from the Spanish sent by
Melina Alfaro, alfaro_melina@yahoo.com.ar,
done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

Festeggiare è affermare la bontà della vita

23/07/2014

Il tema della festa è un fenomeno che ha sfidato grandi nomi del pensiero come R. Caillois, J. Pieper, Harvey Cox, J. M oltmann e Nietsche stesso. È che la festa rivela quello che c’è un ancora di mitico in noi, frammezzo alla prevalenza della fredda razionalità. Quando si è giocata la Coppa, nei mesi di giugno e luglio del corrente anno 2014, han fatto irruzione grandi festeggiamenti , in tutte le classi sociali, autentiche celebrazioni. Anche dopo l’umiliante sconfitta del Brasile, nella partita contro la Germania, non sono cessate. In costa Rica, pur non essendo campioni del mondo, ci hanno fatto vedere un Calcio eccellente e perfino il presidente è sceso in piazza a festeggiare. Idem, in Colombia. La festa fa dimenticare gli insuccessi, sospende il terribile quotidiano e il tempo degli orologi. È come se, per un momento, partecipassimo all’eternità, visto che durante la festa non ci accorgiamo del tempo che passa.

La festa, in sé, è libera da interessi e finalità anche se sono previste feste per fare affari, che si trasformano spesso in bevute, mangiate e vendita di prodotti. Ma nella festa-festa, tutti stanno insieme per imparare o insegnare qualcosa gli uni algi alri, contenti di trovarsi lì, uno accanto all’altro mangiando e bevendo in amicizia e concordia. La festa riconcilia tutte le cose, e ci lascia con la saudade del paradiso delle delizie, saudade che non si è mai spenta. Platone sentenziava giustamente: “Gli dei hanno inventato le feste per riposarsi un po’ ”. La festa non è solo un giorno degli uomini, ma anche “uno dei giorni che il Signore ha fatto” , come dice il Salmo 117,24.

Effettivamente, se la vita è una camminata impegnativa, abbiamo a volte bisogno, dobbiamo fermarci per prender fiato e, confortati, seguitare.

La festa pare un regalo che ormai non dipende più da noi, e che non possiamo manipolare. Si può preparare, la festa, ma la festosità, vale a dire, lo spirito della festa, nasce spontaneo. Nessuno lo può prevedere e nemmeno produrre, assolutamente. L’unica cosa che possiamo fare è prepararci interiormente e esteririomente, e accoglierla.

Appartiene alla festa di tipo sociale, (Matrimoni, anniversari) il vestito della festa, le bellurie, la musica e perfino la danza. Da dove nasce l’allegria della festa? Nietzsche è stato quello che forse ha meglio formulato la risposta, “Per rallegrarsi di qualcosa, per poter festeggiare sul serio, è necessario dire a tutte le cose: benvenute”. Dunque per poter festeggiare sul serio, dobbiamo affermare positivamente la totalità delle cose: “Se potremo dire ‘sì’,avremo detto contemporan eamente sì’ non solo a noi stessi ma alla totalità dell’esistenza”(Der Willer zur Macht, libro IV; Zucht und Zuchtigung, n. 212).

Questo, sì, soggiace alle nostre decisioni quotidiane, sul posto di lavoro, con le nostre preoccupazioni per la famiglia, nella convivenza con i nostri colleghi di lavoro. La festa è il tempo forte in cui il senso segreto della vita è vissuto addirittura in modo inconscio. Dalla festa usciamo ancora più forti per affrontare le esigenze della vita.

In gran parte, la grandezza di una religione, cristiana o no, risiede nella sua capacità di festeggiare i suoi santi e maestri, i tempi sacri, le tappe fondamentali Nella festa cessano le interrogazioni del cuore e il praticante celebra l’allegria della sua fede con i fratelli e le sorelle che condividono le sue stesse convinzioni, ascoltano la stessa Parola sacra e si sentono vicinissimi a Dio.

Vivendo così la festa religiosa percepiamo come sia equivoco il discorso che in modo sensazionale annuncia la mote di Dio (Frohliche Wissenchaft III, aforismo 343 e 125).

Per il fatto che abbiamo smarrito la giovialità, gran parte della nostra cultura non sa festeggiare. Conosce certo gli ambienti frivoli, mangiate e bevute in eccesso, linguaggio grossolano e feste organizzate come commercio, dove c’è quasi tutto tranne allegria e giovialità.

La festa dev’essere preparata e soltanto dopo celebrata. Senza questa disposizione interiore corre il rischio di perder il suo senso alimentatore della vita dura che viviamo. Al giorno d’oggi viviamo in mezzo a feste. Ma poiché non sappiamo né prepararci e nemmno prepararle, ne usciamo vuoti o sazi, mentre il suo significato era di ricaricarci con un signficato superiore, per portare avanti la vita sempre in assetto di sfida e, per i più, travagliata.

Traduzione di Romano Baraglia

 

 

 

 

Festejar es afirmar la bondad de la vida

23/07/2014

El tema de la fiesta es un fenómeno que ha desafiado a grandes nombres del pensamiento como R. Caillois, J. Pieper, H. Cox, J. Motmann y al propio F. Nietzsche. Y es que la fiesta revela lo que todavía hay de mítico en nosotros en medio de la fría racionalidad. Cuando se realizó la Copa del Mundo en Brasil en junio y julio del presente año, se hicieron grandes fiestas en todas las clases sociales, verdaderas celebraciones. Incluso después de la humillante derrota de Brasil frente a Alemania, las fiestas no decayeron. En Costa Rica, que no fue campeona del mundo, pero mostró excelente fútbol, hasta el presidente salió a la calle a celebrar. No fue diferente en Colombia. La fiesta hace olvidar los fracasos, suspende la terrible cotidianidad y el tiempo de los relojes. Es como si, por un momento, participásemos de la eternidad, pues en la fiesta no percibimos el tiempo que pasa.

La fiesta en sí está libre de intereses y finalidades, aunque haya fiestas de negocios donde la fiesta se transforma en beber, comer y negociar. Pero en la fiesta que es fiesta, todos están juntos no para aprender o enseñar algo unos a otros, sino para alegrarse, para estar ahí, uno para el otro comiendo y bebiendo en amistad y concordia. La fiesta reconcilia todas las cosas y nos devuelve la saudade del paraíso de las delicias, que nunca se perdió totalmente. Platón sentenciaba con razón: «los dioses hicieron las fiestas para que pudiésemos respirar un poco». La fiesta no es solo un día de los hombres sino también «un día que el Señor hizo» como dice el Salmo 117,24. Efectivamente, si la vida es un caminar trabajoso, necesitamos a veces parar para respirar y, renovados, seguir adelante.

La fiesta es como un regalo que no depende ya de nosotros y que no podemos manipular. Se puede preparar la fiesta, pero la festividad, es decir, el espíritu de la fiesta, surge gratuitamente. Nadie la puede prever ni simplemente producir. Solamente podemos prepararnos interior y exteriormente y acogerla.

A la fiesta más social (bodas, aniversario) pertenecen la ropa festiva, el adorno, la música y el baile. ¿De dónde brota la alegría de la fiesta? Tal vez Nietszche encontró la mejor manera de formularlo: «para alegrarse de alguna cosa, hay que dar la bienvenida a todas las cosas». Por tanto, para poder festejar de verdad necesitamos afirmar positivamente la totalidad de las cosas: «Si podemos decir sí a un único momento entonces habremos dicho sí no sólo a nosotros mismos sino a la totalidad de la existencia (Der Wille zur Macht, libro IV: Zucht und Züchtigung, n.102).

Ese sí subyace a nuestra decisiones cotidianas, en nuestro trabajo, en la preocupación por la familia, en la convivencia con los colegas. La fiesta es el tiempo fuerte en el cual el sentido secreto de la vida es vivido incluso inconscientemente. De la fiesta salimos más fuertes para enfrentarnos a las exigencias de la vida.

La grandeza de una religión, cristiana o no, reside en gran parte en su capacidad de celebrar y de festejar a sus santos y maestros, los tiempos sagrados, las fechas fundacionales. En las fiesta cesan los interrogantes del corazón y el practicante celebra la alegría de su fe en compañía de hermanos y hermanas que comparten sus mismas convicciones, oyen la misma palabra sagrada y se sienten próximos a Dios.

Viviendo de esta forma la fiesta religiosa, percibimos cuan equivocado es el discurso que sensacionalistamente anuncia la muerte de Dios. Se trata de un trágico síntoma de una sociedad saturada de bienes materiales, que asiste lentamente no a la muerte de Dios, sino a la muerte del hombre que perdió la capacidad de llorar, de alegrarse por la bondad de la vida, por el nacer do sol, por la caricia entre dos enamorados.

Nuevamente volvemos a Nietzsche que entendió mucho de la verdad esencial del Dios vivo, sepultado bajo tantos elementos envejecidos de nuestra cultura religiosa y de la rigidez de la ortodoxia de las iglesias: «la pérdida de la jovialidad, es decir, de la gracia divina (jovialidad viene de Jupter, Jovis) es la consecuencia fundamental de la muerte de Dios» (Fröhliche Wissenschaft III, aforismo 343 y 125).

Por haber perdido la jovialidad, gran parte de nuestra cultura no sabe festejar. Conoce la frivolidad, los excesos de comer y beber, las palabrotas groseras, y las fiestas montadas como comercio, en las cuales hay de todo menos alegría y jovialidad.

La fiesta tiene que ser preparada y solamente después celebrada. Sin esta disposición interior corre el riesgo de perder su sentido alimentador de la vida que llevamos. Hoy en día vivimos en fiestas. Pero por no saber prepararnos ni prepararlas, salimos de ellas vacíos o saturados cuando el valor de las mismas era llenarnos de un sentido mayor para llevar adelante la vida, siempre desafiante y para la mayoría, trabajosa.

traducción de M. J. Gavito Milano

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 396.658 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: