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Alento aos desolados com a Igreja

11/08/2011

Atualmente há muita desolação com referência à Igreja Católica institucional. Verifica-se uma dupla emigração: uma exterior, pessoas que abandonam concretamente a Igreja e outra interior, as que permanecem nela mas não a sentem mais como um lar espiritual. Continuam a crer apesar da Igreja.

E não é para menos. O atual Papa tomou algumas iniciativas radicais que dividiram o corpo eclesial. Assumiu uma rota de confronto com dois importantes episcopados, o alemão e francês, ao introduzir a missa em latim; elaborou uma esdrúxula reconciliação com a Igreja cismática dos seguidores de Lefebvre; esvaziou as principais intuições renovadoras do Concílio Vaticano II, especialmente o ecumenismo, negando, ofensivamente, o título de “Igreja” às demais Igrejas que não sejam a Católica e a Ortodoxa; ainda como Cardeal mostrou-se gravemente leniente com os pedófilos; sua relação para com a AIDs beira os limites da desumanidade. A atual Igreja Católica mergulhou num inverno rigoroso. A base social de apoio ao modelo velhista do atual Papa é constituída por grupos conservadores, mais interessados nas performances mediáticas, na lógica do mercado, do que propor uma mensagem adequada aos graves problemas atuais. Oferecem um “cristianismo-prozac”,apto para anestesiar consciências angustiadas, mas alienado face à humanidade sofredora e às injustiças mundiais e a situação degradada da Terra.

Urge animar estes cristãos em vias de emigração com aquilo que é essencial ao Cristianismo. Seguramente não é a Igreja que não foi objeto da pregação de Jesus. Ele anunciou um sonho, o Reino de Deus, em contraposição com o Reino de César, Reino de Deus que representa uma revolução absoluta das relações desde as individuais até as divinas e cósmicas.

O Cristiansimo compareceu primeiramente na história como movimento e como o caminho de Cristo. Ele é anterior a sua sedimentação nos quatro evangelhos e nas doutrinas. O caráter de caminho espiritual é um tipo de cristianismo que possui seu próprio curso. Geralmente vive à margem e, às vezes, em distância crítica da instituição oficial. Mas nasce e se alimenta do permanente fascínio pela figura e pela mensagem libertária e espiritual de Jesus de Nazaré. Inicialmente tido como “heresia dos Nazarenos” (At 24,5) ou simplesmente “heresia” (At 28,22) no sentido de “grupelho”, o Cristianismo foi lentamente ganhando autonomia até seus seguidores, nos Atos dos Apóstolos (11,36), serem chamados de “cristãos.”

O movimento de Jesus certamente é a força mais vigorosa do Cristianismo, mais que as Igrejas, por não estar enquadrado nas instituições ou aprisionado em doutrinas e dogmas. É composto por todo tipo de gente, das mais variadas culturas e tradições, até por agnósticos e ateus que se deixam tocar pela figura corajosa de Jesus, pelo sonho que anunciou, um Reino de amor e de liberdade, por sua ética de amor incondicional, especialmente aos pobres e aos oprimidos e pela forma como assumiu o drama humano, no meio de humilhações, torturas e da execução na cruz. Apresentou uma imagem de Deus tão íntima e amiga da vida, que é difícil furtar-se a ela até por quem não crê em Deus. Muitos chegam a dizer: “se existe um Deus, este deve ser aquele que traz os traços do Deus de Jesus”.

Esse cristianismo como caminho espiritual é o que realmente conta. No entanto, de movimento, ele muito cedo ganhou a forma de instituição religiosa com vários modos de organização. Em seu seio se elaboraram as várias interpretações da figura de Jesus que se transformaram em doutrinas e foram recolhidas pelos atuais evangelhos. As igrejas, ao assumirem caráter institucional, estabeleceram critérios de pertença e de exclusão, doutrinas como referência identitária e ritos próprios de celebrar. Quem explica tal fenômeno é a sociologia e não a teologia. A instituição sempre vive em tensão com o caminho espiritual. Ótimo quando caminham juntas, mas é raro. O decisivo é, no entanto, o caminho espiritual. Este tem a força de alimentar uma visão espiritual da vida e de animar o sentido da caminhada humana.

O problemátio na Igreja romano-católica é sua pretensão de ser a única verdadeira. O correto é todas as igrejas se reconhecerem mutuamente, pois todas revelam dimensões diferentes e complementares do Nazareno. O importante é que o cristianismo mantenha seu caráter de caminho espiritual. É ele que pode sustentar a tantos cristãos e cristãs face à mediocridade lamentável e à irrelevância histórica em que caiu a Igreja atual.

34 Comentários leave one →
  1. Sandra Neri permalink
    11/08/2011 12:42

    Me senti compreendida, menos culpada por pensar de maneira semelhante. Sou católica e atualmente me encontro nessa opção quase interior,se assim puder ser descrito. O que me leva a ter esperança é que o próprio JESUS e sua menssagem sejam entendidos.Só quero dividi-LO com irmãos de todos os credos sem ser rotulada disso ou daquilo, só quero comungar das palavras DELE, de SEU EVANGELHO.
    Obrigada.

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  2. 11/08/2011 12:42

    Parabéns pela sensata abordagem! Tomara que faça eco…

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  3. 11/08/2011 12:44

    Parabéns pela sensata abordagem! Tomara que seja lida e repassada por muitos…

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  4. Gilson Alves Barbosa permalink
    11/08/2011 13:01

    “Verifica-se uma dupla emigração: uma exterior, pessoas que abandonam concretamente a Igreja e outra interior, as que permanecem nela mas não a sentem mais como um lar espiritual.”

    Mestre L.B. : eu faço parte do segundo grupo. Há muito perdi a crença na Igreja Católica. Se me mantenho ainda partícipe de alguns movimentos da Igreja e mesmo das celebrações litúrgicas, as razões para permanecer são: primeiro, este homem divino chamado Jesus Cristo cuja força me atrai e me faz seguir apesar do desalento. Segundo, o fato de ter tido ainda jovem minha formação religiosa moldada pela Teologia da Libertação. Acredito não fosse isso já teria sucumbido à total descrença. Será que ainda veremos luz no fim do túnel?

    Abraços

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  5. 11/08/2011 13:05

    anestésico msm, só se for, pois não movem uma palha contra o descaso e aos Gritos q ouvimos de todas as partes…

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  6. 11/08/2011 13:18

    Irmão e mestre Leonardo, parabéns pela coragem de mostrar o Caminho, mesmo que para isto seja necessário o confronto institucional. Seja nossa oração que Deus conceda mais humildade e espírito de Cristo na vida das igrejas.
    No amor fraterno do nosso Senhor, André.

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  7. Alexandre E. S. Visconti permalink
    11/08/2011 13:40

    Texto primoroso e irretocável, é o que consigo comentar.

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  8. Antonia Lourdilene dos Santos Mozer. permalink
    11/08/2011 14:51

    para mim a verdadeira Igreja não está em quatro paredes,existe uma so.a Igreja redimida!

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  9. Antonia Lourdilene dos Santos Mozer. permalink
    11/08/2011 14:55

    Para mim a verdadeira Igreja não está entre quatro paredes,ela é unica.a Igreja redimida,incondicionalmente,não depende de estrutura denominacional ,são aqueles que adoram o Pai ,em Espirito e em verdade,é esses que o Pai quer que o adorem.

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  10. Susi B Silva permalink
    12/08/2011 0:44

    Estou contigo ,fui catolica por muito tempo .
    hoje sou Espirita estudo as obras de Alan Kardek e estou muito feliz por ter encontrado esta doutrina,obtive respostas logicas para minhas perguntas.
    Eu ainda continuo amiga dos franciscanos que estão em Belo Horizonte.
    Frei Basílio Frei Mariano….e tantos outros e Te conheci em Petrópolis guando eras professor teologia .bjos MUITA LUZ MUI TAPAZ sua admiradora sempre.Susi

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  11. Rodrigo Manzano permalink
    12/08/2011 15:34

    Leonardo Boff, é sempre um enorme regozijo ler seus artigos. A profundidade com que trata os temas atuais, sejam eles de cunho mais social, sejam de cunho mais eclesial, a amplitude da reflexão trazida pela teologia da libertação nos mostra como a mesma é atualíssima neste mundo que só visa o lucro, e no qual, infelizmente, a própria Igreja institucional imerge e acaba por afundar-se, em seus jogos de poder, mesquinhez e, podemos até dizer, de verdadeira cegueira daqueles que estão }à sua frente. Assusta-nos ver seminaristas e padres que se iludem por essa linha adotada mais recentemente pela Igreja que pouco ou nada traduzem o Evangelho pregado por Jesus de Nazaré. O sopro do Espírito Santo continua sendo impedido de ventilar a mofada e arcaica estrutura da Igreja instituição!

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  12. Nilza Maria permalink
    12/08/2011 17:59

    De início concordo inteiramente com o sr. no que se refere à negatividade da institucionalização e hierarquização que pesa também na estrutura ecesiástica, dificultando e, às vezes até impedindo a vivência cristã pessoal e comunitária, o que dá subsídio à sua crítica. Quanto a mim, tenho muito a agradecer à Igreja Católica pela minha formação como pessoa, assim como sou profundamente agradecida a meus pais pelos valores nos quais fui educada. Como eles, muitas pessoas, dentro e fora da Igreja, me deram o que puderam e do que tinham. Mas chega o momento em que o papel de lei, desempenhado por eles – e que nos ajudou enquanto éramos menores- começa a nos oprimir .Sentimos que precisamos ir além e fazer sózinhos a caminhada final em direção à liberdade e à responsabilidade pessoal (que eu vejo como caminhada espiritual) sem, evidentemente, dispensar os outros, que fazem parte de nós e nos são sempre necessários, principalmente nos confrontos com o diferente, onde melhor se aprende a tolerar, perdoar e amar. Para mim, a pessoa de Cristo é essencial e o coloco à minha frente. A Igreja, boa ou má, como uma mãe, foi instrumento para que eu o conhecesse e chegasse a ele. Reconheço que há outros caminhos de libertação que não passam por aí, respeito-os e também procuro aprender com eles. Aprecio demais seus escritos, admiro seu trabalho e sua luta pela Vida e ao lado dos menos favorecidos pela sociedade. Respeito sua atitude crítica diante dos poderes que incluem a igreja e concordo que, mesmo passando por ela, é preciso superá-la, sem contudo nos esquecermos que a caridade de Cristo, que chega primeiro aos mais pobres, abraça também, e de forma pessoal, os poderosos deste mundo.

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    • 13/08/2011 8:04

      Nilza,
      Acho sua posição sensata e adulta. Aprecia a Igreja mas muito mais a Jesus. E encontrou seu caminho de liberdade sem perder o que herdou. Eu acho que a função da Igreja é criar pessoas como você que não se deixaram infaltilizar nem pelos bons pais que teve, nem pela instituição eclesiástica. O que Jesus queria não era fazer cristãos, mas pessoas mais humanas, generosas, amorosas, ocmpasivas, enfim pessoas das quais Deus mesmo pode se orgulhar. E Jesus não foi cirstão, foi o Filho de Deus e Deus não tem religião porque é Deus e não homem.
      um abraço fraternal
      lboff

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      • Nilza Maria permalink
        13/08/2011 16:35

        Sr. Leonardo,
        estou sensibilizada e agradecida pela sua resposta. O sr. sempre foi uma das pessoas que, sem saber, me ajudou na minha caminhada. Sou psicóloga e minha função é acolher, escutar e compreender; e sou humana, o que significa que também necessito ser acolhida, escutada e compreendida. Jesus, o Filho de Deus, está presente na nossa vida, tanto no getsêmani e no calvário como na transfiguração e pequenas ressurreições de cada dia e, sinto eu, isso sempre tem a ver com o outro que está mais próximo de nós. Hoje o sr. é este próximo que, na verdade, nunca me pareceu distante. Continuo acompanhando seu trabalho e desejo de coração que sua voz seja sempre ouvida por mais e mais pessoas que necessitam de libertação.
        Obrigada e um grande abraço fraterno
        Nilza Maria

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  13. Alexandre E. S. Visconti permalink
    13/08/2011 8:23

    Caro Leonardo,

    Respeito sua crença, mas este é o único senão que leva ao exclusivismo religioso e suscitou tantas perseguições e guerras santas e dificulta o Deus Ecumênico que todos o povos almejam. Antes de ser encarado como Deus, a meu ver, Jesus deve ser encarado como homem e aí reside sua grande força e apelo humano. Os ensinamentos cristãos sempre disseram que Jesus foi tanto homem quanto foi Deus. Bom, para mim, que sou um espiritualista evolucionista, Jesus obviamente foi um homem, um grande mestre e um judeu criado nas tradiçoes judaicas e, certamente, até cicuncizado, muitos se esquecem. Mas, tudo isto só reforça muito a sua identidade humana e, por outro lado, ameniza rivalidades e exclusões.

    Abraço

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  14. 14/08/2011 15:49

    Querido Boff.

    Antes de ontem escrevi o texto abaixo e está relacionado ao que você escreve acima e em outros. Ontem (sábado) um repórter do canal da TV pública de Sergipe me procurou para uma entrevista sobre a teologia da libertação, em razão dele ter tomado conhecimento do seu texto sobre os quarenta anos da teologia da libertação.
    Quero lhe dizer que você é muito especial para mim e para os integrantes do grupo de agentes ligados a CEBS e ao CEBI do qual participo. Você é um dos meus pais espirituais, dentre vários como Marcelo Barros a quem conheço pessoalmente, Frei Betto, Reginaldo Veloso (com quem mantenho relações de amizade) entre outros, O meu primeiro pai espiritual é o bispo D, Adriano Hipólito, bispo de Nova Iguaçu, na época em que eu morei na baixada fluminense.

    “Havia um tempo em que eu era um cristão cheio de dúvidas quanto a existência de Deus, da vida eterna, do céu e outras questões relativas a isso.
    Mas, não deixei de continuar sendo cristão, com esse grau de incredulidade, porque aprendi que havia uma tarefa urgente, independente de se ter religião ou não, o clamor por mais vida e por vida em abundância.
    E é por ter amor a vida que sempre estou ao lado de pessoas que tem fé, mas que não são católicas ou cristãs, ou de pessoas agnósticas ou atéias. Neste caso o que importa é essa insistência em querer uma sociedade mais justa, mais fraterna ou solidária, mesmo que em muitos casos, muitas dessas tentativas tenham entrado em crise ou no limite tenham entrado em colapso, por repetirem alguns erros dos sistemas ou governos que outrora prevaleceu.
    Hoje, talvez em decorrência da idade, pois conforme um frade especializado em psicologia, a partir dos “enta” há uma tendência da fome pelo transcendente se acentuar, o contrario da adolescência e da juventude, tempos em que a fome maior é de prazer por meios sensoriais
    Por fim , ao longo dessa jornada de cristão comprometido com as questões relativas a construção de um novo homem e de uma nova mulher fui percebendo que no fundo o essencial daquilo que Deus nos solicita por meio dos escritos sagrados é relativo ao nosso bem viver.
    Um exemplo interessante são os sete pecados capitais, embora a justificativa de muitos pregadores da fé, seja que se insistirmos nos pensamentos e práticas que dizem respeito aos sete pecados capitais, seremos castigados por Deus, iremos arder no fogo do inferno e etc. fomos percebendo que quem é castigado pelo descumprimento somos nós mesmos. Afinal quem é mesmo responsável por tanto sofrimento e mortes geradas através da exploração pelo trabalho ou por meio das guerras?
    Com isso, eu quero dizer que não é preciso ter fé e nem ser cristão para buscar conhecer a Biblia em profundidade e trazer para o cotidiano o melhor do livro sagrado para o bem viver.
    Quando digo a melhor parte, estou querendo afirmar que tem a pior parte também, pois conforme afirmei em outro texto, a Biblia está carregada de forma direta ou indireta de textos ou imagens que reforçam os preconceitos, a discriminação, a dominação etc.. Por isso, no decorrer da história encontramos diversos tipos de agressões, violências e guerras que encontram na bíblia bases de justificação.
    A guisa de conclusão repito aqui a resposta que dei a um amigo filiado a tradição religiosa inaugurada por Allan Kardec, ao ser indagado sobre aspectos de minha fé. Disse a ele – A minha fé não tem nada de muito misterioso ou secreto. Ela está baseada no principio de que a humanização do homem é o caminho para chegarmos ao divino. O contrário da inversão pregada por muitos religiosos.
    Nestes casos, Deus é buscado como um meio de satisfazer as necessidades humanas mais imediatas como problemas de saúde, emprego, estudo, casamento, solução de débitos financeiros etc.. Se é verdade que este modo de propagar e viver a fé tem bases bíblicas, em compensação é fonte de sustentação para um certo tipo de gente que se utiliza da fé e das carências humanas para acumular luxo, poder e riqueza.
    Bem diferente daquilo que Jesus de Nazaré disse e viveu.”

    O link do texto escrito por mim, do qual faço referência acima, é o seguinte:

    http://www.overmundo.com.br/overblog/tudo-o-que-move-e-sagrado-1

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  15. 15/08/2011 13:38

    No entendimento do teu dizer, que converge ao que também penso sobre a Igreja Católica é que ela já incorre no risco de perder por prender.
    Talvez,na urgência das tantas tarefas que chamou para sí,tenha esquecido o simples fato,igualmente ecumênico de que quem ama,liberta.
    Uma lástima que o somatório dos erros humanos, dos que com tanto sacrifício a construíram,termine por distanciar do que é mais importante, também o próprio sagrado.
    Fraterno abraço,
    ronan

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  16. 20/08/2011 13:03

    Sempre pontual, o Senhor Leonardo é um exemplo de coragem, e de aliança entre racionalidade e fé. Um homem que vive no mundo, porque o mundo é de Deus, as pessoas também, assim como as coisas do mundo.
    Fico muito feliz, e até mesmo emocionado, quando vejo a trajetória desse franciscano de corpo e alma. Tenho certeza que o Grande Francisco tem honra de tê-lo como irmão na fé, e eu me honrarei se um dia, se Deus quiser, eu puder conhecê-lo pessoalmente.

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  17. 20/08/2011 16:41

    Tanto esforço para salvar a Igreja de si mesma. A solução para o cristianismo deveria ser semelhante ao problema da escravidão (que aliás, a própria Igreja endossou): não adianta reforma, mas sim abolição.

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  18. 07/12/2011 15:26

    Caro Leonardo Boff,
    É triste constatar a realidade atual da Igreja Católica Apostólica Romana, sou Católica por tradição de família, mas vivi tempos lindos dentro da Igreja, a era em que a Teologia da Libertação estava com força total através das CEBs… Sou da Diocese de Duque de Caxias/RJ, dos tempos do Bispo Dom. Mauro Morelli… Bons tempos que não voltam mais…
    Atualmente sinto com pesar a regressão cada vez mais crescente da Igreja enquanto Instituição religiosa… Mas mantenho firme o Espírito dos primeiros cristãos, de que a igreja somos nós povo reunido, celebrando nossa fé, partilhando alegrias e tristezas e lutando as vezes sonhando com um mundo mais igualitário e humano. Nossa voz aos poucos está sendo silenciada, mas nosso espírito continua firme e através dele, nossas ações continuam, apesar de mais sutis…
    É ver como utopia nos tempos atuais nossa igreja de forma igualitária e sem a arrogância, prepotência, vaidade e busca pelo poder…
    Obrigada pelo artigo, ele me faz renovar forças e seguir em frente.
    E que Deus nosso Senhor, rogai por todos nós!

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  19. 11/12/2011 9:29

    Em resposta : Certa família retornava, de carro, de seu “week end” preferido : estar na fazenda, com os bichos, com as árvores, com água limpa e comida caseira. O sol já se afundara no horizonte, e as luzes nos postes já se acenderam, quando o veículo que conduzia aquela família entrava no perímetro urbano. Querendo estragar o passeio, um pneu estourou e saiu da roda; encosta-se o carro no meio fio da rua, e procura-se resolver o problema. Era domingo; todas as lojas fechadas e ruas desertas. Que foi e que não foi…que fazer e que não fazer…gerava medo e preocupação; os parafusos da roda haviam soltado e se perdido na estrada. Mãos na cabeça, o condutor do veículo exclamava: “E agora?! Não sei o que fazer nem quem chamar para ver isto!” Certamente que o celular ainda não havia sido inventado… Mas ali ao lado estaria a solução que aquele motorista não enxergava : na soleira da entrada de uma loja, estava um sujeito maltrapilho, barbudo, desgrenhado, com aspecto de ser débil mental; não lhe deram atenção. Mas ele ao ver a angústia dos viajantes, sugeriu : “Moço, o senhor pode colocar o pneu de reserva! Cada roda tem quatro parafusos; o senhor tira um parafuso das três rodas e os coloca naquela de onde os outros caíram. Com três parafusos em cada roda dá perfeitamente para chegar em casa e tomar providências…” Aí, o motorista, admirado, foi ao outro mundo, e exclamou aliviado : “Interessante! Muitas pessoas acham que você é doido!…” “Bem, (respondeu ele) posso ser doido, mas não sou burro!” Cai o pano. = O nosso ex-frei Boff pensa que todo mundo é burro. Se tivesse o atual Papa se aliado ao pensamento boffeniano, dando-lhe razão ao que escreveu e escreve, com toda certeza a sua conversa e posição perante a Igreja e os católicos seria bem diferente. Como não lhe deram ouvidos nem atenção, plantou revolta e dispeito na cabeça e no coração, e do mesmo modo que fizeram muitos apóstatas antes dele, parte para uma batida de frente, só para ver a desgraceira. Que ganhará Boff com isso?!… Que ganharam os que assim agiram?!… Só o Grande Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó o saberá. “Não julgueis para não serdes julgados!” Onety

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  20. Silvio permalink
    12/12/2011 18:27

    Ao Sr. Leonardo Boff e outros ai acima. Tu falas como quem não tem autoridade e os outros a manifestam como aqueles que tem menos autoridade ainda. A divisão da Igreja nasce da escolha do coração dos homens que a querem moldar segundo seus critérios e não os critérios de Deus. Por isso nascem tantas ideologias e denominação neo-pentencostais. Cada um quer uma Igreja para si. Cada um quer um Deus para si. Teus comentários. Sr. Leonardo, merecem ficar somente à margem do que no centro da Igreja. A Teologia da Libertação semeou um verdadeiro cancro dentro da Igreja e por isso ela foi rejeitada. Tu não estás em comunhão e chega a falar que o Reino de Deus é um sonho. Ele não é um sonho, ele é uma Verdade e Verdade que nasce da própria presença de Cristo no meio de nós, sobretudo quando Ele mesmo diz que o Reino está próximo. Como pode estar próximo, ou melhor junto, se for um sonho?. Um sonho, na sua abordagem é algo abstrato, fica na subsconsciência. O Reino é Verdade, Encarnado, concreto e real e por isso a Igreja desejada por Cristo,segundo Mateus já é uma realidade. O Sr, Leonardo cita a seguinte frase “O problemátio na Igreja romano-católica é sua pretensão de ser a única verdadeira”. Ora, Sr. Leonardo, quanta pretensão a sua ao colocar tal afirmativa, não é mesmo? Das mostras de que não conheces nem tampouco as escrituras. Jesus, ao se dirigir aos apóstolos, coloca a Igreja no pronome possessivo singular. Portanto unica. Sim a Igreja Católica Apostólica Romana é unica. As demais nascem, como eu disse, do desejo do coração dos homens. A Católica nasceu do coração do Senhor. A problemática da Igreja, portanto, não é este Sr. Leonardo. A problemática da Igreja é ver que seus filhos a traem como Judas traiu Jesus. Olha que quem ajunta comigo, espalha, nos lembra o Senhor. Tu tens até algum dom para escrever, e consegues convencer um punhado de desavisados e desatentos e caminham somente na superficialidade das coisas. Olho, por exemplo, para tantos Santos da Igreja que entregaram suas vidas e deram seu sangue por ela e olho agora para ti que, com tuas palavras tenta desvaloriza-los. O Sr. seria capaz de fazer o mesmo como fez São Lourenço, por exemplo? Bem, o Sr. pode dizer que os tempos são outros. Será? A quem serves tu, Sr. Leonardo? Tuas colocações me cheiram muito mais uma auto-promoção e muito longe da promoção da Igreja. Ela não precisa disso. Ela é assistida continuamente pelo Espírito Santo apesar de todas as nossas fraquezas e imperfeições. A Igreja só não é mais santa porque nós, seus filhos, não o somos. O Sr. leva seus leitores a pensar que a Igreja tem haver com AIDS, com pedófilos, com a miséria e tantos outros atributos da corrosão humana e se esquece de que, apesar de vivermos neste mar de miséria humana, a Igreja é a unica que nos traz a esperança e o próprio Cristo. O Sr. fala do Ecumenismo como parecendo entender mas não compreende que quem se separou de nós foram os Protestantes, não obstante um grande olhar de amor da Igreja para com eles. Lembre-se Sr. Leonardo de quem protesta, protesta contra alguma coisa e neste caso contra a Igreja de Jesus. Chover no molhado só faz aumentar a enxurrada, mas me permita sugerir ao Sr. que leia uma pouco mais a respeito do Ecumenismo. Sua Santidade Bento XVI é um ungido do Senhor e um Teólogo de primeira grandeza. Basta ler suas encíclicas para saborear as ricas manifestações do Espírito Santo, monstrando-nos que é guia os seus passos. Por fim, Sr. Leonardo creio que é muito tarde para lhe sugerir que suas colocações sejam repensadas e, à luz do Evangelho de Cristo sejam verdadeiramente refletidas. A quem queres servir? Tenho dito.

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    • Alexandre E. S. Visconti permalink
      13/12/2011 6:03

      Sim, quem se separou foram os protestantes, mas o Sr. se esquece dos motivos dessa separação, em tudo, muito parecidos com os motivos de hoje, mantidas, é claro, as proporções cronológicas de época. Hoje existe também uma separação, só que psicológica, é só ler os outros comentários, mas esta pode ser ainda mais grave do que uma cisão real.
      O Sr. sabe quais os segmentos que mais se afastam hoje do catolicismo no Brasil?
      Com base na análise dos resultados dos Censos de 1991 a 2000 e das Pesquisas de Orçamento Familiar de 2003 e 2009, o Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas organizou o documento denominado “Novo mapa das religiões”. De acordo com o estudo, ao longo desses anos, nenhuma variável socioeconômica sofreu tanta alteração quanto a composição religiosa da população brasileira e, entre as principais mudanças, destacam-se a tendência de queda do número de adeptos do catolicismo e o crescimento da população do número de evangélicos e dos sem-religião na população brasileira. Segundo o censo demográfico 2000, os sem-religião no Brasil somam cerca de 12,5 milhões e hoje já devem ser bem mais, pois a tendência é esses números aumentarem cada vez mais devido aos meios de comunicação e a tudo que já foi comentado, inclusive, agora, pelo grande teólogo Leonardo Boff.

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    • 16/12/2011 18:41

      Silvio,
      Seu pensamento é reacionário e sem nenhum sentido ecumênico. Representa a velha visão medieval de que fora da Igreja não há salvação. Não seria ruim vc estudar um pouco mais e saber que na literatura filosófica atual o sonho não é o sonho que vc interpreta mas é o mesmo que um grande projeto, uma utopia, uma mensgem central mobilizadora como a idéia de Reino de Deus em jesus. Veja isso em Ernst Bloch e as repercussões nas teologias católica e evangélica. Sua posição está a um passo do fundamentalismo e, radicalizando, ao terrorismo intelectual. Isso não ajuda a humanidade a crescer e a vc mesmo, para ser mais humano e ter mais compreensão e compaixão dos semelhantes que não pensam como vc.
      Em vez de reclamar que não lhe respondo, procure estudar mais e abra-se a um conhecimento mais contemporâneo.

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  21. Silvio permalink
    13/12/2011 17:48

    Sr Leonardo Boff. Interessante como o sr. não aceita posições contrárias às que coloca neste seu site. Fiz várias indagações e ponderações sobre seu artigo e estas foram fulminadas de seu site. O que se diz moderador não aceitou minhas colocações, prova de que este canal somente serve aos seus interesses ao desta famigerada Teologia da Libertação.

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    • 16/12/2011 18:31

      Silvio,
      Estive por mais de um mes viajando e dando cursos. Praticamente não usei o blog. Apenas para colocar o artigo semanal, obrigatório. Não me nego a responder às pessoas,embora ninguém pode obrigar a ninguém a responder a todos os que me escrevem. Não reduza a TL a uma posição mesquinha. Não é em nome dela que respondo ou não respondo. Recebo mais de 500 e-mail por dia em média. Imagine se devessw responder a todos. Não faria outra coisa. Ate estou pensando em sair de tudo isso para ter um pouco de paz e continuar minha obra escrita.
      Continue escrevendo e criticando, pois é seu direito e muitos irão lê-lo, pois aqui o espaço é aberto. Só se vc pretende um privilégio de ser atendido à diferença de tantos a quem também não respondo.

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      • Silvio permalink
        26/12/2011 5:17

        Sr. Leonardo,
        Fiz as devidas ponderações às suas colocações e de outros ai acima, mas não as vejo mais no seu site. Ou foram realmente fulminadas, ou temos um problema de atualização dos mesmos na página. Resumidamente, no entanto, quero dizer, ou melhor perguntar, qual o serviço que a TL, e apesar da TL, prestou à Igreja? Qual contribuição deu para conter a chamada evasão de fiéis? Qual contribuição deu para aumentar e despertar nos batizados sua missão na Igreja? Qual contribuição deu para fortalecer a unidade na Igreja? Qual foi seu papel no despertar na consciência de que somos uma Igreja única, apostólica, romana, no pronome possessivo singular? Não serviu a TL a projetos humanos e, portanto, afastados na essência da Igreja? Eu já sei as respostas. Gostaria de ouvir as suas para poder confrontá-las.

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      • Alexandre Visconti permalink
        26/12/2011 11:13

        Caro Silvio,

        Desculpe me intrometer, mas não seria a missão da Igreja essencialmente humana em primeiro lugar? Ou seria apenas de administrar sacramentos e a liturgia religiosa? Jesus pregou em algum templo por acaso, ou foram os injustiçados e menos favorecidos, em todos os sentidos, exatamente o seu templo? A beleza da mensagem de Jesus está na sua humanidade e não em angariar adeptos ou construir templos luxuosos, ou ainda, em se colocar hierarquicamente acima de seus semelhantes pelo seu poder, qualquer que seja ele. A TL tentou aproximar os cristãos dos cristãos, dos mais necessitados e dos injustiçados, seguindo exatamente o exemplo de Cristo e, por isso mesmo, foi contra o “status quo” estabelecido, vigente, predominante naquela época.

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  22. Cecília Sena permalink
    29/12/2011 8:46

    A maioria dos jovens que cresceram comigo em grupos e pastorais populares não frequentam mais a Igreja, alguns , como eu, se sentem exatamente como o senhor colocou, somos apaixonados pele mensagem de Jesus e por este motivo continuamos firmes na fé. Mas todos, os que estão fora e dentro da Igreja demonstram seu cristianismo nas atitudes do dia a dia, são médicos, professores, comerciários, artistas…totalmente comprometidos com a causa de Jesus, de ter um mundo mais justo para todos. Fico muito feliz em ver que muitos aqui, compartilham do mesmo desejo e me sinto acalentada e fortalecida pelas palavras de Leonardo. Grande cheiro!!!

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    • Silvio permalink
      29/12/2011 20:50

      Caríssimo Alexandre,
      Vamos lá. É preciso compreender Jesus inteiramente humano e Jesus inteiramente divino. Não se pode separar estas duas naturezas segundo já afirmou Santo Agostinho. A Igreja é portanto uma instituição humana e divina ao mesmo tempo, posto que seu fundador/criador assim o é. Se a Igreja fosse somente humana, teria sucumbido e deteriorado com o tempo. Mas pela promessa Dele “tudo o que ligares na terra será ligado ao céu. Tudo o que desligares será desligado no céu”. Ou ainda “as forças do inferno não prevalecerão contra ela”. Para não me alongar demais nesta abordagem, a conclusão é simples. A missão da Igreja é perpetuar a missão de Jesus até que ele venha. “Quando o perfeito vier, o imperfeito desaparecerá” nos lembra São Paulo. Vejo que você precisa se aprofundar mais nas questões do Sacramento e dos Ritos Litúrgicos. É preciso separar o que seja mero formalismo da essência. Você precisa estudar um pouco mais da história para compreender inclusive o que significava os templos nos tempos antigos. Mas este é assunto longo demais para abordar aqui. Mas veja, por exemplo, a suntuosidade de certos templos pagãos e que se dizem Cristãos. Também já na época de Jesus havia a suntuosidade dos templos. Cuidado para não usar dois pesos e duas medidas. A beleza da mensagem de Jesus está nele mesmo. No seu interior. No seu coração. Tudo o que faz é por amor. Se você não fizer a experiência de Jesus em sua vida, corre o risco de ficar na superfície. É preciso ir mais fundo. Lançar as redes. Parece que você se refere à autoridade hierárquica em seu texto como algo ruim. Me mostre em qual atividade humana não deve haver respeito à hierarquia e autoridade. Por que a Igreja, enquanto da parte humana deveria ser diferente? Não, engano seu. A TL não tentou aproximar cristãos da Igreja, se assim o fosse porque é que eles não permaneceram nela? A TL pregou um Jesus humano somente e se esqueceu de sua divindade. Pregou uma luta de classes disfarçada e mais afastou os cristãos da Igreja Católica do que arrebanhou. Pregou somente o pão material e se esqueceu da palavra. Lembra-se daquela passagem de Jesus na casa de Marta e Maria?? Mas veja, a Igreja não está preocupada com números. Ela está sim preocupada com as conseqüências daqueles que escolheram viver fora dela. Sabe de uma coisa. Sempre achamos que sabemos mais. Sempre achamos que temos mais razão. Sempre achamos que temos mais verdade que os outros. Puro engano. Quando agimos assim ficamos sujeitos ao vento de ideologias e pensamentos que não refletem a verdade absoluta. Veja o que diz São João da Cruz. “Prefiro errar com a Igreja do que ser infiel a ela”. Outros ai se dizem apaixonados pela mensagem de Jesus. Mas como isso é possível?? Façam uma leitura de João, Cap. 6. Ou ainda quando Jesus se volta aos seus e diz. “Vocês também não querem ir embora?” Ao que eles respondem ” a quem iremos nós Senhor. Só tu tens palavra de vida eterna”. Ainda sobre autoridade, Jesus não questiona a autoridade de César quando diz “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. O fato é o seguinte: A TL serviu a um grupo que queria auto-promoção a todo custo e carregou consigo filhos da Igreja. Quando nos colocamos em atitude de humildade e de serviço, ai sim estaremos em comunhão com a Igreja. “Quem não ajunta comigo, espalha” nos lembra o Senhor. É preciso ter coragem para admitir que muitos erraram ao ir pelo caminho da TL. Não só isso, humildade também. Um comentário para a Cecília Sena. A grande maioria dos jovens que cresceram comigo trilham o caminho da Igreja até hoje. Permanecem firmes na fé. E olha que a dureza da vida os provou seriamente com dores e provações. Grandes homens e mulheres que souberam trilhar o caminho da obediência e da humildade. Não se deixaram levar pelos ventos errantes das doutrinas. Muitos são médicos, dentistas, engenheiros, professores da rede pública, professores universitários com Msc e Doc, varredores de rua, operários assalariados, ricos e pobres. Se quiser ainda aumento ainda mais esta lista. Sr. Alexandra, recomendo não só a ti mas a outros que se sentem atraídos pelo pensamento marxista da TL a refletir no que diz BENTO XVI. Coloco aqui somente um trecho entre parênteses (((>>>Neste sentido, amados Irmãos, vale a pena lembrar que em agosto passado, completou 25 anos a Instrução Libertatis nuntius da Congregação da Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, nela sublinhando o perigo que comportava a assunção acrítica, feita por alguns teólogos de teses e metodologias provenientes do marxismo. As suas seqüelas mais ou menos visíveis feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas. Suplico a quantos de algum modo se sentiram atraídos, envolvidos e atingidos no seu íntimo por certos princípios enganadores da teologia da libertação, que se confrontem novamente com a referida Instrução, acolhendo a luz benigna que a mesma oferece de mão estendida; a todos recordo que «a regra suprema da fé [da Igreja] provém efetivamente da unidade que o Espírito estabeleceu entre a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja, numa reciprocidade tal que os três não podem subsistir de maneira independente» (João Paulo II, Enc. Fides et ratio, 55). Que, no âmbito dos entes e comunidades eclesiais, o perdão oferecido e acolhido em nome e por amor da Santíssima Trindade, que adoramos em nossos corações, ponha fim à tribulação da querida Igreja que peregrina nas Terras de Santa Cruz.. <<<)))

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      • Alexandre E. S. Visconti permalink
        30/12/2011 13:22

        Caro Sílvio,

        Pelos seus conhecimentos o Sr. deve ser um religioso, um padre ou semelhante. Não faz mal, só que suas colocações são completamente calcadas nos cânones religiosos e partindo da premissa que Jesus é também Deus e consequentemente, Santo Agostinho um santo. Então, por uma questão até de ética, devo colocar que não considero Jesus também Deus e muito menos Agostinho um santo, pois sou um espiritualista evolucionista. Mas, devo lhe dizer que considero a mensagem de Cristo tanto quanto o Sr., só que, evidentemente, pelo lado humano. Aliás, quanto mais o considerei humano (fui criado no catolicismo) mais o admirei e mais me senti apto a seguir seu exemplo, pois deuses tudo sabem e tudo podem e, longe de mim ousar querer seguir o exemplo de Deus, o Criador do(s) Universo(s).
        Foram exatamente pelos motivos religiosos que o Sr. colocou que a TL não foi aceita pela Igreja, e esta foi mesmo a desculpa, pois que não poderia haver outra, muito pelo contrário – este é o exemplo maior de Cristo – acudir e assistir os mais fracos e necessitados.
        O Brasil ainda tem, segundo censo recente, uns 13 milhões de miseráveis, praticamente a população do Chile, e você sabe onde a Igreja católica mais gasta seu dinheiro, que deve cair do céu? Na manutenção da publicidade nas rádios, TVs e agora também em mega-templos, seguindo os passos dos evangélicos. Vão construir um templo em São Paulo para 100 mil pessoas, o Santuário Mãe de Deus, tão grande quanto a Basílica de São Pedro e a de Aparecida juntas. Fora outros: em Minas, a Catedral Cristo Rei vai abrigar 25 mil pessoas, etc.
        Que eu saiba, Jesus sempre pregou ao ar livre ou em casas simples e não luxuosas e sempre deu o exemplo de simplicidade e não de ostentação e luxo. A única vez que foi ao grande templo dos judeus, “botou pra quebrar”, exatamente porque lá rolava muita grana – imagine se ele visse a grana que rola hoje ???
        Os homens perderam a noção; não quero julgar, mas, no meu tempo, um padre fazia voto de pobreza e castidade a exemplo de Jesus e usava sempre batina e se distinguia na multidão. Hoje, se vestem muito melhor do que eu, usam relógios rolex, bebem do melhor vinho e andam em carrões. O dinheiro é fácil e rola solto, fora “otras cositas más”. Mas, isto eu nem questiono, pois sou contra o celibato, outro absurdo que já deveria ter sido abolido há muito e que sei que prejudica a Igreja, que perde muitas vocações por causa disso (a maioria dos padres do ginásio e colegial de minha época abandonaram a batina para se casar), fora todos os escândalos que pipocam todos os dias na mídia sobre padres e que, apesar da Igreja negar, é obvio que se devem ao problema do celibato, pois ocorrem quase que exclusivamente no catolicismo celibatário.
        Então, para mim, a TL , pelo contrário, foi um sopro de vida na Igreja e poderia até ter mesmo sido a sua absolvição por tantos erros, tantos “pecados” cometidos no passado. Mas, não, não souberam aproveitar o momento e, ao invés de apoiarem incondicionalmente o movimento humano, como dos primeiros cristãos, ficaram presos aos cânones religiosos e rejeitaram o movimento como um todo, até punindo seus autores ou os ameaçando de maiores punições.
        O grande erro do marxismo não está em dividir o pão e sim, no materialismo dialético. Mas, convenhamos, a nossa TL não foi feita por ateus e sim por religiosos, que certamente não eram ateus. Ademais, Max foi um intelectual extraordinário e não deve ser confundido com Lennin ou algum outro que veio depois e aplicou erradamente o comunismo. Qualquer ideologia que mantenha milhões na miséria por muito tempo em benefício das minorias não pode ser considerada saudável, por maior que seja o PIB de uma nação. Aliás, a recente constatação de que passamos o Reino Unido e nos tornamos a 6ª economia do mundo, mas que estamos ainda a léguas da renda per capita deles, nos mostra muito bem o grande contraste do nosso país ao longo de todos esses anos e que bem justificaria uma TL.

        Abraço, Alex

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      • Silvio permalink
        31/12/2011 8:44

        Sr. Alexandre,
        Engano seu. Não sou Padre, nem algo semelhante. Sou formado em engenharia e tenho meu doutorado em uma das melhores universidades deste país na área da tecnologia. Sei separar muito bem o divino, o humano, o tecnológico. Vejo que seus conhecimentos sobre Igreja, religião,miséria, economia, etc. estão totalmente errados. Além do mais você se auto-denomina espiritualista evolucionista, o que é contrário ao próprio Jesus e seus ensinamentos. Você, por uma visão opaca e distorcida, está indo por um caminho que não lhe permite ver além. Vejo que tampouco sabe o que significa ateísmo. Mas tudo bem, ninguém precisa saber tudo mesmo. Com relação às pregações, já que você se concentra no humano, me diga qual era a população ao redor de Jesus naquela época e qual é a população hoje? Quais eram o meios que Jesus empregava e tinha em mãos naquela época e quais são os que se tem hoje? Com relação à economia, PIB, etc. já que você ainda insiste no humano, ao informarem Jesus que eles não tinham mais pão, Jesus disse daí vós mesmos de comer a ele. Como você explicaria esta colocação no sentido humano? Com relação ao Leninismo – Marxismo sugiro você fazer uma revisão histórica nas sociedades que ficaram sob o domínio destas ideologias e me mostrasse uma, ao menos uma, cuja população atingiu o índice de desenvolvimento, liberdade de expressão, etc. Faça também uma viagem no tempo da sociedade brasileira e chegue aos porões daqueles que governaram e ainda governam este país e verás que a pobreza desta nossa sociedade está voltada na Lei do Gerson e outras mazelas mais. Agora, ridículo e falta de total conhecimento seu dos verdadeiros fatos. Por que você está preocupado com celibato e outras atribuições da Igreja já que você se diz espirituralista evolucionista? Não deveria você se preocupar com coisas em que acredita e segue? Olha, vou te dizer que lhe falta mesmo conhecimento. Das escrituras, da historicidade da sociedade, do Canon Religioso e outras “cositas mais”. OK. Me diga onde quer concentrar suas discussões que eu lhe ajudo, mas acho que vou “cobrar” as aulas. Faça um exame de consciência sincero e veja o quanto suas ponderações tendem para outro foco desde o início das discussões neste site. Posso continuar as ponderações para o lado que penderes, sem problema algum. Mas isso me mostra que seu conhecimento é pulverizado e superficial. Se quiser ir fundo, eu vou. Tenho dito.

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