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O Tempo da Grande Transformação e da Corrupção Geral

18/01/2014

Normalmente as sociedade se assentam sobre o seguinte tripé: na economia que garante a base material da vida  humana para que seja boa e decente; na política pela qual se distribui o poder e se montam as instituições que fazem funcionar a convivência social; a ética que estabelece os valores e normas que regem os comportamentos humanos para que haja justiça e paz e que se resolvam os conflitos sem recurso à violência. Geralmente a ética vem acompanhada por uma aura espiritual que responde pelo sentido último da vida e do universo, exigências sempre presentes na agenda humana.
Estas instâncias se entrelaçam numa sociedade funcional, mas sempre nesta ordem: a economia obedece a política e a política se submete àética.

Mas a partir da revolução industrial no século XIX, precisamente, a partir de 1834, a economia começou na Inglaterra a se descolar da política e a soterrar a ética. Surgiu uma economia de mercado de forma que todo o sistema econômico fosse dirigido e controlado  apenas pelo mercado livre de qualquer controle  ou de um limite ético.

A marca registrada deste mercado não é a cooperação mas a competição, que vai além da economia e impregna todas a relaçõe humanas. Mais ainda criou-se, no dizer de Karl Polanyi, ”um  novo credo totalmente materialista que acreditava que todos os problemas poderiam ser resolvidos por uma quantidade ilimitda de bens materiais”(A Grande Transformação, Campus 2000, p. 58). Esse credo é ainda hoje assumido com fervor religioso pela maioria doseconomistas do sistema imperante e, em geral, pelas políticas públicas.

A  partir de agora, a  economia funcionará como o único eixo articulador de todas as instâncias sociais. Tudo passará pela economia, concretamente, pelo PIB. Quem estudou em detalhe esse processo foi o filósofo e historiador da economia já referido, Karl Polanyi (1866-1964),  de ascendência húngara e judia e mais tarde convertido ao cristianismo de vertente calvinista. Nascido em Viena, atuou na Inglaterra e depois, sob a pressão macarthista, entre o Toronto no   Canadá e a Universidade de Columbia nos USA. Ele demonstrou que “em vez de a economia estar embutida nas relações sociais, são as relações sociais que estão embutidas no sistema econômico”(p. 77). Então ocorreu o que ele chamou A Grande Transformação: de uma economia de mercado se passou a uma sociedade de mercado.

Em consequência nasceu um novo sistema social, nunca anteshavido, onde a sociedade não existe, apenas os indivíduos competindo entre si, coisa que Reagan e Thatscher irão repetir à saciedade. Tudo mudou pois tudo, tudo mesmo, vira mercadoria. Qualquer bem será levado ao mercado para ser negociado em vista do lucro individual: produtos naturais, manufaturados, coisas sagradas ligadas diretamente à vida como água potável, sementes, solos, órgãos humanos. Polanyi não deixa de anotar que tudo isso é “contrário à substância humana e natural das socidades”. Mas foi o que triunfou especialmente no após-guerra. O mercado é “um elemento útil, mas subordinado à uma comunidade democrática” diz Polanyi. O pensador está na base  da “democracia econômica”.

Aqui  cabe recordar as palavras proféticas de Karl Marx em 1847 Na miséria da filosofia: ”Chegou, enfim, um tempo em que tudo o que os homens haviam considerado inalienável se tornou objeto de troca, de tráfico e podia vender-se. O tempo em que as próprias coisas que até então eram co-participadas mas jamais trocadas; dadas, mas jamais vendidas; adquiridas mas jamais compradas – virtude, amor, opinião, ciência, consciência etc –em que tudo passou para o comércio. O tempo da corrupção geral, da venalidade universal ou, para falar em termos de economia política, o tempo em que qualquer coisa, moral ou física, uma vez tornada valor venal é levada ao mercado para receber um preço, no  seu mais justo valor”..

Os efeitos socioambientais desastrosos dessa mercantilização de tudo, os estamos sentindo hoje pelo caos ecológico da Terra. Temos que repensar o lugar da economia no conjunto da vida humana, especialmente face aos limites da Terra. O individualismo mais feroz, a acumulação obsessiva e ilimitada  enfraquece aqueles valores sem os quais nenhuma sociedade pode se considerar humana: a cooperação, o cuidado de uns para com os outros, o amor e a veneração pela Mãe Terra e a escuta da consciência que nos incita  para bem de todos.

Quando uma sociedade se entorpeceu como a nossa e por seu crasso materialismo se fez incapaz de sentir o outro como outro, somente enquanto eventual produtor e consumidor, ela está cavando seu próprio abismo. O que disse Chomski há dias na Grécia (22/12/2013) vale como um alerta:”aqueles que lideram a corrida para o precipício são as sociedades mais ricas e poderosas, com vantagens incomparáveis como os USA e o Canadá. Esta é a louca racionalidade da ‘democracia capitalista’ realmente existente.”

Agora cabe a retorção ao There is no Alternative (TINA): Não há alternativa: ou mudamos ou pereceremos porque os nossos bens materiais não nos salvarão. É o preço letal por termos entregue nosso destino à ditadura da economia transformada num “deus salvador” de todos os problemas.

Com o economista e educadorMarcos Arruda escrevemos Globalização:desafios socioeconômicos, éticos e educacionais,Vozes 2001.

32 Comentários leave one →
  1. Vanderlei permalink
    18/01/2014 8:42

    Eis aí o grande desafio, Leonardo! Como descobrir, no meio dessa parafernália com a qual convivemos, a profundidade de todas as coisas?!

  2. 18/01/2014 8:42

    como sempre, muito bem escrito e esclarecedor. Uma questão me apareceu: esta também foi a epoca em que se intensificou a escravidão! o ser humano é mercadoria. Todas estas estapas também aparecem na historia mais remota mas não nesta globalização que vivemos hoje. Abraços

  3. Manoel Mendonça permalink
    18/01/2014 9:18

    O Sr. poderia nos dizer em que época e nações aconteceram essa justiça social? Assim teríamos uma ideia real para podermos fazer a analogia.

  4. Enedina Pierdoná permalink
    18/01/2014 9:34

    O que resta, o que sobra para a grande maioria da humanidade empobrecida e entregue a receber apenas a migalhas para sobreviver?

  5. giustina zanato permalink
    18/01/2014 10:17

    tudo que se pode dizer é che o económico engloba a nossa vida e parece que somente ele manda en nós…vamos pensar aos pássaros do céus…

  6. LARA FABIANA MOREIRA permalink
    18/01/2014 10:57

    Obrigada mestre!!
    Este texto me emocionou bastante.
    Grata,
    Lara Fabiana

  7. 18/01/2014 12:14

    Republicou isso em wanderleifgomes.

  8. 18/01/2014 13:04

    Um discurso que deve ser levado, compartilhado pelos quatro contos do universo. Uma análise profunda exposta de maneira simples e sábia, como é sempre esperado deste pensador, da nossa sociedade e em defesa da preservação de nosso planeta.

  9. Maria do Rocio Macedo permalink
    18/01/2014 13:15

    Há coisas que ainda comentamos por pura teimosia ou pela emergencial necessidade do despertar de nós, animais humanos. É claro que as palavras ecoam no imenso vazio existência que o animal humano vive; entretanto, poucos, pouquíssimos estão sinceramente engajados na ideia de mudança mas – por onde começar? Como dar inicio, realmente, a um Grande Movimento de Salvação do Sistema Vida-Planeta Terra? A mídia capitalista/neoliberal poderia ajudar mas não o quer pois é totalmente comandada pelo Sistema. O tempo, para esse tipo de ação, está se esvaindo na loucura, cada vez maior do Mercado com reflexos pesadíssimos na vida de toda e qualquer sociedade.
    Difícil, não é Leonardo?

    • 19/01/2014 1:15

      Maria
      Se não podemos mudar o mundo sempre podemos mudar esse pedaço de mundo que sou eu mesmo. Precisamos fazer as revoluções moleculares, começando com a gente mesmo. O bem que fazemos não fica restrito a nós, ele circula pelas redes de energia vital reforçando a outros que estão no mesmo esforço
      lboff

  10. Cirineu da Luz permalink
    18/01/2014 14:19

    Parabéns Leonardo Boff! Tu tens sutileza e perspicácia aguçadíssimas para um bom escrever. E também um dos poucos que questiona tal modelo de economia que imperra no mundo.

  11. Adriane permalink
    18/01/2014 15:44

    Excelente texto!

  12. Ana Clissy permalink
    18/01/2014 16:11

    Maravilhoso!!

  13. 18/01/2014 20:53

    E qual deve ser o novo rumo?

  14. Júlio Cezar permalink
    18/01/2014 23:38

    Não haverá vencedores.

  15. 19/01/2014 8:39

    NÃO SE ESQUEÇA DE PAGAR O GALO A ASCLÉPIO…SOMOS INTERDEPENDENTES. NÃO É O DINHEIRO A RAIZ DE TODOS OS MALES , MAS O AMOR AO DINHEIRO. ROLEZINHO AO MERCADO É MASSA E MASSA É MELHOR GIRAR EM SI MESMA.

  16. 19/01/2014 10:46

    Reblogueó esto en PASO A LA UTOPÍA.

  17. 19/01/2014 12:16

    Simplesmente maravilhoso poder desfrutar e compreender a capacidade de um mestre ao descrever analisando com real sabedoria o que seja a economia hoje na vida e para a vida das criaturas.

  18. Felipe Cristovão permalink
    19/01/2014 13:05

    Parabéns Boff! Eu diria em termos bíblicos: “Voz do que clama no deserto árido dos dias atuais…”.

  19. Lancelot permalink
    19/01/2014 13:58

    Leonardp, suas palavras são bonitas, mas analisando com mais profundidade tornam-se vãs à medida que fazem apologia ao comunismo, sistema política que já se mostrou extremamente pior que o capitalismo (este pelo menos tem a meritocracia). Temo o dia em que ao invés de citar Marx, cite Stálin, Guevara, Castro ou o ditadorzinho da Coréia do Norte. Creio que não fará isso, então qual é a solução? Retroceder ao comunismo ou melhorar o capitalismo. Lembro que antes do advento da industrialização a humanidade vivia bem pior que na atualidade, e isso aconteceu por milhares de anos. Em duas centenas de anos o capitalismo deveria curar todas as mazelas do mundo? Sem apelar para a doutrina socialista, você tem alguma sugestão para melhorar este capitalismo que tanto escraviza? Lembro que no Brasil temos no poder um partido de ideologia comunista e o que de fato melhorou? Saudações a todos.

    • 20/01/2014 18:36

      Lancelto,
      Acho que vc deve limpar um pouco os seus olhos. Não fiz apologia nenhuma ao socialismo real, mas analiticamente ele reduziu a desigualdade,coisa que o Papa João Paulo II sempre acentuou, que não deveriíamos perder esse valor conquistado pelo socialismo. Mas ele sacrificou a liberdade. Admira-me pelos elogios que faz do capitalismo. Ele armou uma máquina de morte com armas quimicas, biologicas e nucleares que pode nos exterminar a todos por 25 formas diferentes. Talvez só vc escape pelo seu fervor. É um sistema anti-vida e vc acha que ele é ainda bom. Olhe em volta e veja o que faz com a Grecia, a Italia, Portugual e Espanha? Está levando centenas ao sucicidio por desespero. Há momentos em que não vale a argumentação. Apenas a compaixão.
      lboff

      • 20/01/2014 22:30

        MEUS CAROS AMIGOS
        O LEONARDO NÃO FAZ APOLOGIA AO SOCIALISMO, NEM REPUDIA O CAPITALISMO, MAS BUSCA ENTRE AMBOS SISTEMAS UMA NOVA ALTERNATIVA QUE NA PRÁTICA EVITE OS SEUS ERROS. O SEU FOCO É O SER HUMANO E O SEU HABITAT, FUNDAMENTANDO UMA REALIDADE QUE SEJA MAIS JUSTA, EQUILIBRADA E PRINCIPALMENTE ESPIRITUALIZADA. EU ESTOU CONVENCIDO DE SUA RAZÃO EM PROPOR ALTERNATIVAS, PORQUE DE FATO CHEGAMOS AO LIMITE DE TEMPO DOS SISTEMAS VIGENTES, POIS NÃO CONSEGUIRAM TORNAR O MUNDO EFETIVAMENTE MELHOR PARA TODOS, APESAR DE TODA SUA RIQUEZA.
        QUE SURJA ALGO NOVO E QUE VENHAM OS DESAFIOS. TIRAR A FAMÍLIA SARNEY DO PODER NO MARANHÃO É UM DELES.
        ABRAÇOS
        CAUBI IRAM

      • 21/01/2014 1:15

        Iram
        Vc interpretou muito bem minha intenção e também o texto que a expressa.
        Muito obrigado
        lboff

      • Lancelot permalink
        23/01/2014 18:55

        Boa Tarde Leonardo,
        Sei que muitas vezes não conseguimos sintetizar as idéias e colocá-las no papel, e vejo nas suas palavras ótimas intenções, pois tenho certeza que és um homem íntegro, honesto, de alto nível intelectual e quero dizer que o admiro por isso, caso contrário não estaria aqui debatendo contigo.
        Dito isso quero deixar claro que não sou a favor do capitalismo selvagem, explorador, o do ganho desenfreado, o capitalismo que escraviza. Penso que deva existir um limite, que existam agencias reguladoras, leis fortes para coibir os excessos, justiça social, respeito pelas instituições e que estas sejam o reflexo de uma sociedade humana, justa e democrática. O texto, no meu entender, fez apologia ao sistema socialista, contudo na sua resposta entendi o tipo de socialismo a que se referiu: mais justiça social e menos excessos do capitalismo. E nisso concordo contigo inteiramente.
        Não tenho fervor pelo capitalismo, por isso acho que eu não escaparia caso o Obama resolvesse apertar o botão vermelho dos mísseis nucleares, mas lembro que isso não é uma prerrogativa apenas dos países capitalistas, China e Coréia do Norte também possuem a bomba, para não falar da antiga União Soviética que durante o período da guerra fria tanto ameaçou esse nosso planeta frágil.
        Sobre os países europeus que estão sofrendo por problemas econômicos, penso que seja por problemas relacionados ao capitalismo, sim. Se isso tudo aconteceu por reflexos das falcatruas com o Subprime americano, é porque faltou regulamentação adequada por parte dos dirigentes. Isso ainda é um grande problema relacionado ao capitalismo, existe liberdade para roubar à vontade quando se busca o lucro pelo lucro. Por outro lado existe também a meritocracia, que premia aqueles que são mais produtivos, eficientes, criativos. A França é presidida por um socialista, e o que melhorou desde então, naquele país? Muitos franceses já estão pedindo um governo de direita. Note bem: Os franceses!!!
        Por fim, não vejo que Cuba, a Venezuela ou a Coréia do Norte sejam exemplos de países com justiça social. Muito menos a extinta URSS, veja o atraso que eles produziram na Europa enquanto o muro de Berlim estava de pé.
        Muitas mais mortes foram provocadas pelos comunistas ao longo da história
        do que qualquer outro regime. Stálin matou mais que Adolf Hitler!

        Desculpe, sei que o capitalismo não produz o melhor dos mundos, mas por certo não será o socialismo que o produzirá.
        Aos seres humanos que vivem sob esse regime horrendo, minha compaixão.
        A você minha argumentação e um abraço fraterno.

  20. cesar a giometti permalink
    19/01/2014 19:29

    Texto excepcional, claro e incisivo… Muita gente vai achar que é besteira, por não é capaz de entender o que aqui está colocado, pensando ser um texto engajado. Engajado, não com a política ou a economia, mas, sim, com a vida e a sua continuidade nesse planeta hoje em desequilíbrio…

  21. Nancy Soares de Lima. permalink
    19/01/2014 22:15

    Não sei como chegar ate vc, meu nome e nancy , sou filha de um grande amigo seu,ele já não estar mais aqui com agente, estar no reino de deus, seu nome Jose NILO,nunca vou me esquecer o que vc por ele foi uma pessoa muito boa, te admiro muito ….

    • 20/01/2014 18:28

      Nancy
      Foi bom saber de vc e lembrar do Nilo, o profeta popular, missionário, pobre e amigo dos pobres.O livrinho que escreveu e que publiqudi pela Vozes, foi lido em muitas escolas.E irritou o Card. Dom Eugênio que tinha medo de pobre que pensa e que fala como o Nilo que o peitou algumas vezes.
      meu e-mail é: contato@leonardoboff.com
      abraço a vc e a sua familia.

  22. Geraldina Maria Bof permalink
    27/01/2014 2:40

    Leonardo, não sei qual nosso grau de parentesco. Sei q seus antepassados enfrentaram as mesmas situações, tanto na vinda da Itália, para cá e nas mesmas circunstâncias após ter chegado cada um no destino esperado, que foi uma decepção; pois todos achavam que a vida nesse nosso país, seria mais fácil, que na Itália naquela época. Foi tudo muito difícil, sei que as mulheres, choravam para voltar, mas seus maridos enfrentaram tudo, e venceram com coragem, como muitas outras famílias<<<<>>>>> Acompanho sempre suas entrevistas nas tvs, sempre que fico sabendo o dia. Eu te admiro muitíssimo pela sua extraordinária inteligência. Imagino eu, que se no planeta terra, tivéssemos pelo menos, um terço da população, com essa teologia, do qual você tem, em relação ao ser humano e ao planeta terra, que pede socorro com urgência, certamente, eu acreditaria num mundo, feliz ,atualmente, e um futuro esplendido para nossos filhos, netos, bisnetos, como você bem sabe que somos muitos membros, como também todos nossos irmãos que vivem debaixo do sol dessa linda terra, Brasil. Vivemos de esperanças, que não será de ninguém, pois tudo pertence a poucos. Então perguntamos, sempre a mesma coisa: Quando? Não sabemos…Mas o importante acontece, você Leonardo, tem a coragem que a maioria dos estudiosos não enxergam, ou se fazem cegos, surdos e mudos. Eu confio no poder de DEUS; que tudo pode, então tuas palavras Leonardo Bof, não serão em vão, continue assim, o bem vencerá. Bom dia!

    • 28/01/2014 1:28

      Geraldina,
      Possivelmente somos parentes. Os meus vieram de Seren del Grappa perto de Feltre. Apoio sua visão das coisas e seus bons sentimentos.
      lboff

  23. Geraldina Maria Bof permalink
    29/01/2014 0:37

    Obrigada Leonardo Boff. Meu avô também veio de lá, daquela região, ainda existe o sobrado em que ele morava. Tenho um primo irmão que esteve lá, e me disse que ainda existe até muitas ferramentas de trabalho dentro do casarão. Então com certeza somos parentes, só não sei ainda o nome de meu bizavô Bof. Meu avô imigrou pr o E.Santo, ele mais um irmão.
    Geraldina Maria Bof

  24. André Lacerda permalink
    29/01/2014 13:41

    Gostei do texto, em especial, da parte que fala da ordem “ideal”, onde a “economia obedece à política e a política se submete à ética” e, da interpretação de Karl Polanyi acerca da transformação social a partir da submissão às leis do mercado. Todavia, gostaria de tocar em dois pontos que considero importantes Um diz respeito à ética que, de acordo com o texto, teria sido colocado em segundo plano – ou no fundo do poço – a partir do século XIX. Mas, e o que dizer da ética do período mercantilista escravocrata? Ou do período da caça às bruxas, promovida pela igreja medieval? Bem, talvez, se rebobinarmos toda a história humana, iremos perceber que a ética sempre esteve associada a um conjunto de valores erigidos por um determinado grupo social, e que seu relativismo escapa, muitas vezes, ao juízo do bem e do mal.
    O segundo ponto diz respeito ao último parágrafo, que sentencia “não há alternativa: ou mudamos ou pereceremos (…)”. Pois, bem, é isso aí. Mas, como em momentos anteriores, pode ser que nem todos morrerão, pois aqueles que criam o caos são os mesmos que vendem as armas, que criam a guerra, que incentivam a destruição, que promovem as perseguições, os julgamentos e as intervenções. E depois da terra arrasada, normalmente, vendem a sua reconstrução e soerguem uma nova paz à luz de uma nova ética. Mórbido.
    Por outro lado, o mundo alcançou um estágio diferente daqueles que antecederam os conflitos bélicos do século XX, pois agora, mesmo com todas as diferenças e antagonismos, somos um mundo mais uno, mais conhecedor de outras realidades. E daí qualquer prognóstico me parece ainda muito arriscado.

  25. mauro tadeu permalink
    27/07/2014 7:53

    O mundo jaz no maligno.

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