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Que caminhos seguir nesta crise planetária ?

08/08/2014

Já disse neste espaço que o j0rnalista e pesquisador Washington Novaes é uma das pessoas mais lúcidas e bem informadas sobre a situação de nosso planeta e sobre os riscos que corremos. Ele fornece os dados mais recentes. É importante. Mas não é o decisivo Ele nos leva a pensar e nos suscita o sentido da corresponsilidade coletiva sobre o nosso problemático futuro c0mum. A grande maioria da humanidade, espeicialmente, aqueles que estão em lugares de decisão fazem ouvidos moucos, pois tais dados são anti-sistémicos, obrigam-nos a pensar e a agir diferente. É tudo o que não querem. Preferem os negócios  as usual. Quase nada  fazem, como nos tempos de Noé. Oxalá não sejamos apanhados por uma surpresa que a Terra possa nos estar preparando para dar-nos uma amarga lição: ou mudam ou então escolham o caminho do precipício inevitável. Leiamos este texto como uma meditação sobre o cuidado que devemos alimentar pela vida, pela Mãe Terra e por cada ser vivo, especialmente, os humanos mais ultrajados, condenados e ofendidos. Lboff

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É um susto ler a notícia (BBC News, 22/10) de que a experiente, cautelosa secretária-executiva da Convenção do Clima (ONU), Christiana Figueres, ao ser entrevistada pela rede de televisão BBC, perdeu o controle e desabou em pranto incontido após afirmar que a falta de acordo global para conter emissões que contribuem para mudanças climáticas “está condenando as futuras gerações antes mesmo que elas nasçam”. E isso, a seu ver, “é absolutamente injusto e imoral”. Se nem uma diplomata no mais alto nível consegue ocultar a emoção e cai no choro, que pensarão os cidadãos no mundo todo ? – ainda que ela diga não perder a esperança num acordo global (em Paris, 2015) para conter emissões , porque estamos “nos movendo lentamente, mas na direção certa “.

A entrevista aconteceu poucos dias depois de 800 mil pessoas haverem sido retiradas de suas casas no Estado indiano de Odisha, ameaçadas por um ciclone ( “The New York Times”, 13/10). E de esse mesmo jornal haver publicado (ESTADO, 15/10) que um quarto dos seres humanos (mais de 1,5 bilhão de pessoas) está “em risco”, principalmente a população de países “à beira do Golfo de Bengala”, na Ásia (incluindo Índia, Bangladesh, Sri Lanka, Mianmar, Tailândia, Malásia e Sumatra), por causa dos chamados “eventos climáticos”. Mas, como disse a secretária-executiva Figueres, as negociações caminham – quando caminham – muito lentamente.

E no ano passado, segundo a Agência Internacional de Energia, o financiamento de projetos que reduzam emissões não passaram de 60% do que a Convenção do Clima considera o mínimo necessário para conter o aumento da temperatura em 2 graus Celsius. Até 2020 seriam indispensáveis US$5 trilhões. E ao longo de mais tempo só o setor de energia precisará investir US$19 trilhões.

E nós, por aqui ? Diz o cientista José V. Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), um dos mais informados sobre clima – foi um dos autores do Quinto Relatório de Avaliação do Painel do Clima (IPCC) -, que nos últimos cinco anos o Brasil assumiu “um padrão de poluidor de Primeiro Mundo” (O Eco, 10/10). O desmatamento caiu e a causa maior das emissões está na queima de combustíveis fósseis, especialmente por veículos. Mas a agricultura, a indústria e termoelétricas, principalmente, também contribuem.

E o Grupo de Trabalho sobre Clima, do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais, em ofício ao Senado, alerta que o processo de revisão do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, coordenado pela Casa Civil da Presidência, “encontra-se completamente prejudicado e fadado a um grande insucesso”. A boa notícia é de que o cientista Carlos Nobre, também do INPE e do Ministério de Ciência e Tecnologia, foi convidado a integrar o Painel de Alto Nível para Sustentabilidade Global, que assessora o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (FP, 17/10). Quem sabe de lá não conseguirá influenciar nossos padrões governamentais na área do clima ?

Não é só nessa área que se sucedem notícias preocupantes em âmbito mundial. Estudo do Crédit Suisse (Ethos, 24/10), um dos maiores grupos financeiros internacionais, diz que o nível de concentração de renda é espantoso, já que 0,7% da população global (menos de 50 milhões de pessoas) detém 41% da riqueza mundial total, que é de US$241 trilhões (ficam com US$98,7 trilhões). Se a riqueza mundial fosse dividida igualmente, seriam US$51,6 mil para cada pessoa. Mas o Brasil está no grupo de países com renda média entre 5 e 25 mil dólares. A Austrália é o país com riqueza mais bem distribuida (219 mil dólares per capita), E os Estados Unidos, com o maior produto interno bruto, “têm um dos maiores índices de pobreza e desigualdade do mundo”.

O quadro é ainda mais forte quando se foca a questão dos alimentos. Mark Bittman, do jornal The New York Times (O Estado de S. Paulo, 22/10), depois de relembrar que quase um bilhão de pessoas passa fome, acentua que produzimos calorias suficientes para todas (2,7 mil diárias para cada), mas um terço serve para alimentar animais, 5% são usados na produção de biombustíveis e “um terço é desperdiçado ao longo da cadeia alimentar”. Se aproximarmos os olhos da África, vamos ver que só no Congo (antigo Zaire), “em quase duas décadas, os confrontos no leste do país deixaram cerca de 6 milhões mortos” (equivalentes a mais de metade da população da cidade de São Paulo), no “mais sangrento confronto” desde a segunda guerra mundial (ESTADO, 20/10).

Principalmente entre etnias como tutsis e hutus, que, deslocadas pelos antigos colonizadores (que buscavam minérios), hoje se matam na disputa por áreas mais favoráveis em termos de recursos naturais, principalmente água e terra para plantar. Mas não adianta só ficarmos inconformados. É preciso propor e obrigar legisladores, em todos os níveis, a aprovar regras, padrões, adequados para tudo. E criar ônus financeiros para quem desrespeitá-los. Nos licenciamentos urbanos, por exemplo, de forma a evitar “ilhas de calor”, adensamentos do tráfego, aumento da poluição do ar e seus custos na vida das pessoas e na área de saúde.

Na imposição de critérios rígidos para evitar a poluição do ar, detectar os donos de veículos infratores na inspeção veicular obrigatória, puni-los. Impedir a remoção de biomas e fragmentos de vegetação que levem a aumentos de temperatura, mudanças do clima. Coibir formatos e dimensões inadequados na agropecuária. Também nas emissões de poluentes industriais. Na área da energia, obrigando governos, empreendedores, geradores e distribuidores de energia e cidadãos a seguir um modelo de eficiência energética e redução acentuada de poluentes. Impedindo a deposição de esgotos sem tratamento nos recursos hídricos. Eliminando lixões. Etc. etc.

Não há tempo a perder. Já temos problemas até com lixo espacial. E vamos começar a buscar recursos em outros corpos celestes.

Publicado primeiramente em O Estado de São Paulo no di 1/8/2014

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8 Comentários leave one →
  1. joe vassallo permalink
    09/08/2014 2:52

    can please put them in English

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  2. 09/08/2014 9:05

    Fala-se de poluição, falta de acordos e desmatamento, mas, não se fala daqueles que “brincam” de serem Deuses, manipulando o clima com HAARP e usando os chemtrails.
    Mesmo que aconteça acordo em 2015, a Terra ainda corre perigo.

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  3. 09/08/2014 18:25

    excelente reflexão.

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  4. 09/08/2014 19:44

    O VERDADEIRO E MAIOR DE TODOS OS ABORTOS. A PRINCIPAL REVOLUÇÃO VIRÁ DO PRÓPRIO HOMEM, QUANDO NOS CINCO CONTINENTES, UMA QUANTIDADE MAIOR DE SERES HUMANOS TIVEREM CONHECIMENTO E HARMONIA COM A NATUREZA, AÍ SIM PERCEBEREMOS NUM GRAU MAIOR, O QUANTO ESTAMOS FORA DA ORDEM MUNDIAL, DA NATUREZA COMO UM TODO, JÁ HÁ ALGUNS SÉCULOS!…

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  5. simone sarmento lima permalink
    10/08/2014 8:46

    Excelente texto! Quanto mais texto fizer, melhor, nessa linha de pensamento, usando como chamada, os dois últimos parágrafos.
    Se os governantes do mundo tivessem consciência a favor do habitat em que vivem, com certeza, a vida seria mais saudável. Esse é o momento de se ter uma nova visão da realidade do planeta como um todo, que permita que novas forças que se encontram no ar, em mutação, possam se expandir socialmente, ecologicamente.
    A nossa casa, nossa menor núcleo é a primeira medida para nossa reformulação em todos os sentidos – a nossa base.À medida que reformulamos a nossa casa, fazendo limpeza, arrumando e alargando os espaços e as consciências, colocando energias, e despoluindo pensamentos e atitudes (tarefa nada fácil,é aprendizado contínuo) a favor de si mesmo e do outro; entendendo, que o direito que eu tenho, o outro, também tem, as relações humanas e as relações como um todo na vida, não ficariam em falta; as riquezas da Terra se manteriam, menos doenças, menos conflitos.
    Acredito que isso será o futuro. Afinal, a Era de Aquarius só está começando.

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  6. 20/08/2014 21:06

    Conciliar modernidade com crescente taxa de natalidade é para deuses não para Homens.

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  7. 09/09/2014 9:13

    Republicou isso em DVH Advogadose comentado:
    P refletir

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  8. 13/06/2018 11:54

    NOS CAMINHOS DA EVOLUÇÃO: TRANSFORMAÇÃO PLANETÁRIA

    VIVA JESUS!

    Boa-noite! queridos irmãos.

    O nosso planeta está em processo de mudança e isso nos levou a pensar em alguns aspectos desse processo.
    Estudando Kardec temos a pergunta que ele fez aos Espíritos sobre os elementos gerais do universo:
    [1] Há então dois elementos gerais no Universo: a matéria e o espírito?
    (Espírito): – “Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o espírito não o fosse. Está colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que não apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá”.
    Numa análise superficial sobre a estrutura da matéria, poderíamos pensar um pouco sobre fluido cósmico universal e, juntamente com a mão do Criador, que provavelmente deram origem às partículas elementares, ainda desconhecidas pelo homem, para então gerar o que chamamos de partículas subatômicas. Da junção dessas partículas subatômicas formaram-se os átomos, e dos átomos as moléculas, e por fim delas a matéria bruta que deu forma e estrutura a tudo que conhecemos.
    Segundo o Bioquímico Russo Oparin, a vida na Terra teria começado através de reações químicas sob uma atmosfera propícia para tal:
    “Na atmosfera primitiva do nosso planeta, existiriam metano, amônia, hidrogênio e vapor de água. Sob altas temperaturas, em presença de centelhas elétricas e raios ultravioletas, tais gases teriam se combinado, originando aminoácidos, que ficavam flutuando na atmosfera. Com a saturação de umidade da atmosfera, começaram a ocorrer as chuvas. Os aminoácidos eram arrastados para o solo. Submetidos a aquecimento prolongado, os aminoácidos combinavam-se uns com os outros, formando proteínas”.
    O início da vida na Terra ainda requer muito estudo, mas sabemos que toda essa evolução sempre foi conduzida pelos Espíritos superiores partindo dessas proteínas, aminoácidos e toda a estrutura física da Terra para que ocorresse o início da vida.
    Assim, partindo do momento que a vida se instalou na Terra estagiando em diferentes formas de vida, por milhões de anos, como nos ensinam os Espíritos superiores através de Kardec, chegou-se ao homem atual aqui na Terra.
    Nesse processo de evolução herdamos dos nossos antepassados, os símios, e do homem primitivo, todas as nossas aptidões, tais como a luta pela sobrevivência, o egoísmo na busca do melhor para nós, a violência para manter as nossas conquistas e toda forma de sentimentos que foram agregados ao nosso ser durante esses milhões de anos.
    Claro que isso nos leva a pensar que o Criador jamais plantaria no nosso ser características que, depois de milhares de anos, seriam combatidas por Ele mesmo numa reação de oposição às suas próprias leis, como a Lei Mosaica, e também algumas estruturas religiosas que teimam em criar o “Pecado Original”. Precisamos entender essas nossas características primitivas como ferramentas da própria evolução através da descoberta, passo a passo, do nosso eu mais profundo que é o Espírito imortal.
    Em um dado momento desperta no homem primitivo a razão que vai passo a passo desenvolver a consciência de si e do mundo à sua volta.
    Necessários milhares de anos para iniciar o desenvolvimento das emoções inferiores e, em seguida, as emoções superiores para chegar aos nossos sentimentos mais nobres.
    Com o advento do nosso Mestre Maior, Jesus, vamos iniciar então a jornada para trabalhar esses sentimentos, agora mais nobres em comparação aos sentidos primitivos, rumo a uma nova fase que nos espera, que seria o homem do terceiro milênio. Vivemos ainda hoje sob a luta das expiações e provas, ainda como um processo muito eficaz de aprendizagem e mudanças íntimas.
    Aparece então Kardec juntamente com os Espíritos, nos convidando a uma fé raciocinada para aliar razão e sentimento, que a ciência oficial ainda não consegue aceitar plenamente. Os Espíritos vêm nos ensinar tudo que Jesus nos trouxe há 2000 anos numa ótica atual e frente a frente com a razão, como nos ensina o mestre de Lion, para aprendermos a confrontar nosso intelecto com os nossos mais profundos sentimentos e ações.
    Na atualidade temos a benfeitora Joanna de Ângelis que nos convida a uma introspecção profunda em nosso ser numa busca incessante de conhecer nossa psique aliada ao espírito imortal. Para a realização dessas mudanças, em função do complexo que é o nosso ser. Ela nos mostra que tudo parte do Espírito, passando pelo perispírito e os diversos “corpos espirituais “ainda pouco conhecidos pelos estudiosos da Doutrina Espírita, e chegando ao corpo físico para interagir com o mundo físico. Nesse corpo físico carregamos todo esse potencial para através das sucessivas reencarnações chegarmos ao ser integral, completo e realizado.
    Quando Joanna nos ensina que:
    [2] “A consciência adquirida – a perfeita identificação do conhecimento e do fazer, do saber e do amar – faculta a ampliação das próprias possibilidades para penetrar em dimensões metafísicas”, podemos ver o quanto a proposta de Kardec se faz presente dentro da nossa evolução nos aspectos do conhecimento, com o sentimento maior que é amar para nos tornar capazes de uma vida plena, e a preparação interior para esse novo milênio.
    A Terra está passando por uma transformação de planeta de expiações e provas para um planeta de regeneração e isso está provocando muita agitação e distúrbios como ocorre em toda e qualquer mudança.
    Percebemos que estão ocorrendo mudanças em todos os níveis, sejam elas mudanças físicas, estruturais, comportamentais, e acima de tudo morais. Conflitos de todos os níveis podemos ver a todos os momentos, mas isso não é o fim, como afirmam alguns, mas sim o começo de uma nova era.
    Precisamos ficar firmes, atentos para não cairmos em nossos desequilíbrios, não nos deixando levar pela onda de pessimismo que assola as pessoas nessa hora. Precisamos hoje, mais do que nunca, sentir e viver os ensinos de Jesus. A hora é agora, pois o momento chegou. A luta hoje é de dentro para fora, orar, amar, trabalhar e seguir em frente.
    A evolução da Humanidade chegou a um ponto que não dá mais para retroceder, estacionar e questionar se devemos ou não prosseguir. As vozes do Além nos convidam a reflexões mais profundas de nosso ser, mudanças nas nossas atitudes e a nos conhecer mais a cada dia, procurando viver o amor ao próximo como nos pede o nosso Mestre Jesus.

    Bibliografia:
    [1] O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
    [2] O ser consciente, de Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Franco.

    Wagner Ideali

    Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/psicologia-espiritismo/nos-caminhos-da-evolucao-transformacao-planetaria/#ixzz4fYdatLz5

    Curtido por 1 pessoa

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