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“Morreu um anjinho! Mais feliz que ele é aquele que nunca nasceu!”

15/04/2015

FREI JOSÉ ALAMIRO ANDRADE SILVA e um franciscano, colega de estudos, que desde sempre decidiu trabalhar nas comunidades pobres das grandes periferias, especialmente em São Paulo. Vive como com os pobres. Associou esta sua inserção com um sério compromisso com a questão ecológica que tenta explicá-la ao povo com palavras inteligíveis e induzindo comportamentos amigos da vida. Publico aqui seu testemunho vivo da condição dos operários explorados e dos “anjinhos” que morrem e  que vão diretos para o céu. Mas uma velhinha, cheia de expeirência de vida comenta,  como tantos no passado, que referi no meu artigo a propósito do  suicídio do co-piloto:”Este é feliz porque morreu anjinho! Mais feliz que ele é aquele que nunca nasceu!” Essa mulher deve ter sofrido muito para preferir a morte à vida dura a que os pobres são condenados. O texto-testemunho de Frei Alamiro nos faz refletir sobre a condição humana dentro de nossa cultura capitalista,  insensível à dor e ao cansaço da vida dura do trabalhador, talvez um terceirizado: Lboff

****************

Prezado confrade Leonardo, paz e bem!

Agradeço muito sua reflexão sobre o SUICÍDIO DO CO-PILOTO… publicado recentemente.

1 – Nos 30 anos que vivi na cidade de São Paulo tive um contato diuturno com esta realidade de empresas em livre e desenfreada concorrência exigindo cada vez mais produção de seus empregados. “Ônibus – Trabalho e Cama!” é perfeitamente válido para os “peões” e para os mais graduados na empresa seria “Carro – engarrafamento – Trabalho – Cama”. Para os dois casos fica uma pergunta “O que fazer com o fim de semana?” Esporte e lazer! É o ópio que não existia nos tempos de Marx, pois a Igreja preenchia este espaço.
E o sentido da vida? de todo este trabalho? do esporte e do lazer?

2 – Um dia fui rezar com uma família de favelados que perderam seu recém nascido. Morreu um anjinho! Lá escutei de dona Alexandrina, velha e sofrida cearense sobrevivendo em São Paulo:”Este é feliz porque morreu anjinho! Mais feliz é aquele que nunca nasceu”.

Leonardo, mais uma vez agradeço e continue escrevendo. Você consegue dizer com clareza e com bases acadêmicas o que o povão trabalhador experiencia todos os dias.

Seu confrade  Frei Alamiro.

12 Comentários leave one →
  1. 15/04/2015 14:27

    Republicou isso em TEM CAROÇO NESSE ANGU….

  2. Jose Francisco Medeiros permalink
    15/04/2015 16:12

    Date: Wed, 15 Apr 2015 17:20:22 +0000 To: medeiroscnl@hotmail.com

  3. Maria Bonfim Beserra permalink
    15/04/2015 16:53

    Amo ler seus artigos para eu eles são de

  4. Wilma Yépez Vargas permalink
    15/04/2015 18:41

    Dr. Boff, o senhor sempre sabio,filósofo e filantropo. Com imensa admiraçâo de uma equatoriana.

    • Wilma Yépez Vargas permalink
      15/04/2015 18:47

      Please Note: What is wrong with my comentary ?. The traduction in espanish is:” DR. BOFF, USTED SIEMPRE, SABIO, FILÓSOFO Y FILÁNTROPO. CON INMENSA ADMIRACIÓN DE UNA ECUATORIANA. PLEASE I DO NOT UNDERSTAND WHAT DO YOU MEAN ???

  5. 15/04/2015 20:18

    Meu caro Leonardo
    Emocionante e triste a história do anjo e daqueles que nem nascem.
    Desculpe o tom intimista, mas o admiro desde há muito. Desde sua luta pela teologia da libertação contra os conservadores daquela utopia chamada vaticano. Venho de uma família muito católica e meus pais, minha mãe hoje falecida, meu querido pai, embaixador aposentado com seus 101 anos, desde muito cedo nos ensinaram e criaram dentro da religião católica. E sou grato a eles por isso, não pelo catolicismo, que hoje não sou, mas pincipalmente pelo enorme amor que sempre pautou a nossa vida e educação. Eu desde cedo não gostava das missas e tenho hoje uma opinião própria sobre o que é ser cristão e sobre Deus. É um papo longo fruto de muitas reflexões. Meu pai e minha mãe nos obrigavam a assistir a missas e eu sempre tive enorme vergonha de não gostar desse mantra e cerimonias que eu não via como não vejo de nenhuma utilidade e prazer. Tive uma conversa com meu pai lá pelos 12 anos de existência e perguntei com enorme coragem e destemor porque a religião católica era a melhor e porque tinha que assistir a missas. Porque Deus era único e porque essas certezas todas como arco do melhor. Meu pai foi um sábio. Ele me disse calma lá. Todas as opiniões e as certezas sobre Deus e a religião católica são minhas. Se perguntas é porque já estas preparado para entender. Tu terás que criar e entender as tuas certezas com o tempo. Calma la. Irás criar as tuas certezas e as tuas crenças. Nós apenas te amamos e ensinamos o que acreditamos. Mas não impomos nada. Aquilo foi uma revelação assombrosa. Pronto. Podia não gostar da missa sem ter vergonha ou sentimento de culpa e ter a minha própria crença do meu deus. Sem problema e sem culpa. E com muito amor. E assim criei a minha crença em Deus e em tudo na minha vida. Sem culpa. Amando a todos.
    É triste a declaração desta brava cearense pobre e humilde. Não devemos ser juízes de nada nesta vida. Devemos apenas acreditar no amor e na crença que existe alguma coisa de melhor e mais nobre nas nossas vidas de seres humanos. Por pior que seja o presente. E imagino o sofrimento e angustia desta senhora. Mas vida que segue. Eu prefiro o otimismo e a crença que somos seres especiais nesta vida.
    Um grande beijo e siga com seus belos textos e sua luta por um Brasil melhor e mais justo. Como este nobre governo tem nos mostrado que é possível. Vamos continuar acreditando no nosso povo humilde e pobre deste nosso enorme e adorado Brasil
    Luis Alcazar

  6. Regina Assunta permalink
    15/04/2015 21:32

    Tá difícil pra caramba ser pobre. Pobre só serve para ser pesquisado.É tanta gente querendo pesquisar seus hábitos e costumes e poucos querendo ajudar, pobre só tem valor na hora do voto, é tanta dentadura, promessa, enganação, depois vemos os anjinhos subindo para o céu e os demônios se defendendo na terra. A angustia e tristeza de ver tantos jovens e crianças morrendo é muito grande. “Viva a pacificação! viva esse mundo Complexo!”

  7. gaetano ciliento permalink
    16/04/2015 4:20

    Bellissimo articolo fratello Leonardo. Posso chiederti un piccolo favore? Oggi sarà ordinato sacerdote un seminarista della mia diocesi di Trani Italia, che collabora con un fidei donum anche no Maranhao. Questo ragazzo di 39 anni è un malato terminale, morirà fra qualche mese. Frequenta il terzo anno di seminario. Suo desiderio è essere padre. Il Papa ha detto che può essere ordinato e dopo una lunga telefonata ha chiesto di benedirlo quando oggi sarà prete. Ti stimo molto e ti chiedo solo una piccola preghiera per questa persona. Conosco la força da oraçao. Questa persona dice che la malattia che sta vivendo è un dono di Dio per i più poveri. La sua lotta per un mondo più giusto la sta facendo dal suo letto di malattia e di morte. Ma crede nella resurrezione. Per questo,ancora una volta ti chiedo di pregare per lui. Un grande abraço irmao.

    • 16/04/2015 19:58

      Caro Gaetano,
      voglio mostrare la mia solidarità a questo amalato terminale. Lui partecipa della passione di Gesù che secondo Pascal soffre fino alla fine del mondo insieme con tutti che soffrano oggi. Ordinato prete serà ancora più forte la sua imitazione del Gesù risorto pero che deve ancora completare la sua rissurrezione insiene a gli altri, suoi fratelli e sorelle que non hanno ancora partecipato di questo mistero.Vivere la malatia così è altamente dignitoso e proprio un segno del vero espirito evangelico.
      Con le mie umili preghiere dinanzi al Signore: Leonardo Boff

  8. gaetano ciliento permalink
    16/04/2015 4:22

    Obrigado

  9. Rosane Rezende permalink
    16/04/2015 11:53

    Sensibilidade socioambiental. Delicadeza.

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