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Trump e Hillary entre o ruim e o pior

10/11/2016

Em todo o mundo estão se fazendo as mais desencontradas análises sobre o significado da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA com os mais diferentes titulares.

O mais significativo para mim foi o do senador chileno Alejandro Navarro: “Triunfo de Donald Trump es un castigo a los gobiernos del establishment”.

O senador faz uma crítica mais geral, válida também para nós, que governos progressista chegando ao poder, acabam, sob pressão da macroeconomia globlizada, fazendo políticas claramente neoliberais com prejuízo para as classes mais vulneráveis.

Parece-me justa a interpretação de Navarro: “o castigo aos governos do establishment, reside no fato de que a população se cansou de entregar-lhe o poder a quem somente oferece mais do mesmo. O eleitores optaram por Donald Trump, que embora represente o pior da cultura yankee, também soube representar o fastio dos setores precarizados com o neoliberalismo, a globalização e os empregos precarizados”( http://www.navarro.cl/sename). Ora, foram estes que maiormente votaram nele e o ajudaram na vitória.

Afirma mais o senador, coisa que poucos acreditam:”não devemos esquecer que nos Estados Unidos, supostamente o país mais rico, poderoso e influente do planeta, vivem 45 milhões de pessoas em situação de pobreza ou próximo a ela, que diariamente comem graças ao ticket de alimentação que o governo entrega aos operarios brancos e aos filhos de imigrantes que tendem a rejeitar a chegada de novos imigrantes por temer que sua posição privlegiada corra risco”.

Se Trump representa o pior, o ruim é revelado por Hillary. Não são poucos os analistas dentro dos EUA que chamavam a atenção para 0 risco da eleição de Hillary Clinton para a Presidência. Cito um entre outros, Jeffrey Sachs, considerado um dos maiores especialistas mundiais sobre a relação entre economia, pobreza e desigualdade social. É professor da Universidade da Columbia e publicou um artigo que reproduzi no meu blog de 8/02/2016. Aí elencou os muitos desastres da política de Hillary quando era Secretária de Estado.

Leva como título:”Hillary is the Candidate of the War Machine”: Traduzindo: “Hillary é a candidata da máquina de guerra”. A primeira frase resume um longo arrazoado:” Não há dúvida de que Hillary é a cadadidata de Wall Street; mais perigoso ainda é que ela é a candidata do complexo militar-industrial; ela apoiou cada guerra solicitada pelo estado de segurança americano, comandado pelos militares e pela CIA”.

Embora democrata ela é, segundo Sachs, uma fervorosa neocon. Incentivou as guerras contra o Iraque, todas as do norte da África e contra a Síria. Achou hilariante declarar sobre Kadafi:”We came, we saw, he died”(viemos, vimos e ele moreu”). Ainda como Secretária de Estado tentou reinaugurar a Guera Fria com a Rússia, a propósito da conquista da Criméia e da guerra na Ucrânia. O balanço final que Sachs faz das ações desastradas de Hillary como Secretária de Estado é devastador:”por qualquer razão que tomarmos, ela bateu o recorde dos desastres” (www.JeffDSachs.com).

Tudo isso não nos admira, como o demonstrou com análises minuciosas Moniz Bandeira em seu recente livro, denunciatório:”A desordem mundial:o espectro da total dominação”(Leya 2016) onde estuda a violência do império norte-americano. Obama, à exceção da relações com Cuba, continuou com a mesma lógica belicosa de Busch. Até foi pior, diria, um verdadeiro criminoso de guerra, pois por sua estrita ordem pessoal mandou atacar com drones e aviões não pilotados as lideranças árabes, exterminando grande parte delas (p.476-477).

Com a vitória de Trump, cujo enigma cabe ainda decifrar, nos libertamos de uma liderança belicosa, a de Hillary, que como política de Estado havia escolhido a violência militar como forma resolver os problemas sociais mundiais.

Não sabemos que mundo teremos daqui por diante sob a presidência de Trump. Oxalá seja menos belicoso e desdiga na prática as medidas duras prometidas contra imigrandes, mexicanos e muçulmanos.

Leonardo Boff é articulista do JB on line e escritor.

11 Comentários leave one →
  1. 10/11/2016 18:40

    Não se iludam!
    Ambos, Hilary ou Trump, eram farinha do mesmo saco!
    Ambos respondem às mesmas corporações que controlam o mundo, não só os EUA!
    Mas, se a turminha da GBOBO Gboebbells é mesmo contra, então este cretino vencedor pode até ser melhor do que a outra vagabunda; rs rs rs.
    Há uma globalização sim, sob o comando da tal corporo-cracia sobra a qual já escrevi há alguns anos, por exemplo este de 2013:

    Arrependimento nenhum, nunca ou sempre
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2013/06/13/arrependimento-nenhum-nunca-ou-sempre/

  2. 10/11/2016 18:43

    Republicou isso em Paulosisinno's Bloge comentado:
    Do Leonardo Boff: “Em todo o mundo estão se fazendo as mais desencontradas análises sobre o significado da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA com os mais diferentes titulares.
    O mais significativo para mim foi o do senador chileno Alejandro Navarro: “Triunfo de Donald Trump es un castigo a los gobiernos del establishment”.
    O senador faz uma crítica mais geral, válida também para nós, que governos progressistas chegando ao poder, acabam, sob pressão da macroeconomia globalizada, fazendo políticas claramente neoliberais com prejuízo para as classes mais vulneráveis.
    Parece-me justa a interpretação de Navarro: “o castigo aos governos do establishment, reside no fato de que a população se cansou de entregar-lhe o poder a quem somente oferece mais do mesmo. O eleitores optaram por Donald Trump, que embora represente o pior da cultura yankee, também soube representar o fastio dos setores precarizados com o neoliberalismo, a globalização e os empregos precarizados”.” (continua; clique no link aqui para ler o texto inteiro)

  3. Ivanovitch Medina permalink
    10/11/2016 18:46

    #GreveGeral #AcordaBrasil #OGolpeÉContraVocê

  4. adenir balmant permalink
    10/11/2016 19:11

    PATO DONALD DE BICO ABERTO NA POLÍTICA
    “Primeiro de tudo eu sou protestante. Eu sou presbiteriano.
    Eu tenho orgulho disso”, disse Trump.
    O protestantismo professado nos Estados Unidos é um protestantismo de terceira classe. Muito do pensamento protestante foi deixado de lado e/ou alterado. Principalmente a COMUNHÃO que foi alterada pelo apego ao capitalismo que privilegia o
    individualismo. Como salienta Max Weber na ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO. A Independência dos EUA declarou o DIREITO INALIENÁVEL em sua base. No século passado trocou o WAY OF LIFE pelo WAY DEATH. O amor pela morte no lugar do I LOVE YOU. Billy Graham nos últimos tempos tentou a aproximação com países socialistas, assim como, alguns protestantes americanos que lutam contra preconceitos enraizados na cultura norte-americana que levam religiões e seitas americanas ao radicalismo e sacrilégio. O uso de templos para a prática divisionista é sacrilégio. Os templos são PARA TODOS POVOS na LEI PERFEITA DE CRISTO NO EVANGELHO.
    Para a prática do bem, promoção da paz na casa comum é a torcida de todas pessoas de boa vontade e bom senso que o Donald Trump presbiteriano não seja PRECONCEITUOSO, mas um simpático PATO DONALD que cative a amizade da geração sofrida e desiludida do mundo atual. Um PATO no poder mundial tem caminho aberto para novas práticas. Que elas contribuam para as MELHORAS deste mundo doente e combalido por práticas destrutivas.

  5. 10/11/2016 19:19

    DEUS É ANDRÓGINO
    Deus para ser perfeito tem que ser uma totalidade masculina e feminina.
    Em todo o Universo interagem esta duas forças evolutivas como princípio primeiro.
    O homem como a sua imagem e semelhança é também andrógino.
    Mas não a androginia de Platão no seu livro Banquete (ou do amor), onde haviam três seres rebeldes: masculino-masculino, feminino-feminino e o masculino-feminino. Esses seres eram muito rebeldes, foram ao Olimpo desafiar os deuses.Zeus não gostou e os partiu ao meio, jogando nos quatro cantos mundo somente a metade de cada andrógino.
    E eles ainda buscam sua cara metade. Isto é uma apologia ao homossexualismo. Mas Platão tinha suas razões sociais para falar do amor desta maneira. Na antiga Grécia tinham muitas guerras e os soldados não podiam levar suas esposas. Passavam meses longe de casa, mas levavam seus mancebos. A homossexualidade na grécia antiga era pedagógica, sem conflitos sociais e individuais.
    Uso andrógino não como Platão, mas andrógino como sinônimo de metamorfose. De algo não definido. De todo o comportamento para além do Patriarcado e do Matriarcado.
    O ethos baseado no Mito de Édipo-rei de Sófocles chegou ao seu fim.
    odéciomendesrocha

  6. Marcos Antonio Ferraz permalink
    10/11/2016 20:55

    “Obama, à exceção da relações com Cuba,…” Não professor, o embargo continua e Guantánamo também.

  7. 10/11/2016 21:14

    A falência HUMANA em face da exclusão deDeus -Amor, e do endeusamento do dinheiro é alarmante. Oro ininterruptamente pela conversão e santificação da HUMANIDADE!

  8. Raimunda permalink
    10/11/2016 22:53

    A forte liderança de Hitler e desilusão do povo, fez acontecer todo aquele sofrimento na Alemanha, segunda guerra mundial. Ele também não era politico era apenas um líder.

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