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O desmonte do sistema de Defesa Nacional

02/01/2017

Precisamos superar o nosso complexo de “vira-latas” e tomarmos consciência da importância geopolítica e estratégica do Brasil no conjunto das nações do mundo. Somos uma das maiores nações em termos geográficos e populacionais. Somos a sétima economia do mundo com um mercado interno de 204 milhóes de brasieiros. Mas mais que tudo, somos um reserva de bens e serviços naturais como nenhum país do mundo possui em termos de terras férteis, de água doce, de florestass úmidas, de biodiverdade e de riqueza populacional pluri-etnica. Tal fato não passa desapercebido pelas potências que se arrogaram o poder de decidir o caminho por onde deve andar o planeta, o sistema-vida e o sistema-Terra. É por isso que nosso país, seu governo, as grandes empresas são vigiadas e espionadas. Ademais somos a grande potência do Atlântico Sul voltada para a África. Para onde irá o Brasil? Que posição tomará face aos problemas mundiais? Fará um caminho próprio, baseado na sua riqueza natural e histórica, influenciando outros países? Estas são as preocupações das potênciais que têm sob seu controle o processo de globalização . Transcrevemos essse artigo para nos alertar da importância que possuimos em termos de defesa de nossa soberania nacional. E também denunciar aqueles grupos e poderes que querem se alinhar a um dos poderes mundiais dominantes renunciando à construção de nosso próprio caminho e de nossa identidade nacional e desta forma dar uma contribuição à inteira humanidade. O estudo foi feito por um economista JOSÉ ALVARO DE LIMA CARDOSO, recomendado pelo nosso maor analista das políticas internacionais LUIS ALBERTO MONIZ BANDEIRA. Recomendo a leitura para melhorar nosso quadro de análise de nossa realidade nacional no contexto global: Lboff

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Nesta altura dos acontecimentos até as pedras sabem que o interesse imperialista nas matérias primas do Brasil (petróleo, minerais, água, biodiversidade da Amazônia) foi um dos carros-chefe do golpe. No entanto, além do interesse econômico imediato – nas matérias-primas e na eliminação de direitos e redução de salários – o golpe tem decisivo componente geopolítico, com cada vez maiores evidências do envolvimento direto das forças de inteligência norte-americanas (CIA, FBI, NSA). Está cada vez melhor documento, por exemplo, o envolvimento da equipe da Lava Jato com estratégias montadas em instituições de inteligência dos EUA.

Ao contrário de 1964, quando a censura e a repressão impediam a circulação de informações, neste golpe, apesar da democracia ter sido restringida, está sendo possível denunciar suas entranhas enquanto ele se desenrola (apesar da blindagem da mídia). Sabemos, por exemplo, da relação de Sérgio Moro com a comunidade de informações dos EUA. Moro fez cursos no Departamento de Estado, dos EUA, em 2007. No ano seguinte fez um programa especial de treinamento na Escola de Direito de Harvard. Em 2009 participou da conferência regional sobre “Illicit Financial Crimes”, promovida pela Embaixada dos Estados Unidos. Foi treinado, segundo o historiador Moniz Bandeira, em ação multi-jurisdicional e práticas de investigação pelos estadunidenses. Inclusive em demonstrações reais, segundo o historiador Moniz Bandeira, de como preparar testemunhas para delação.

Tivemos a informação também, ainda antes do impeachment, que Sérgio Moro, e o procurador-geral da República Rodrigo Janot, atuam em parceria com órgãos dos Estados Unidos contra empresas brasileiras. E que Sergio Moro recentemente autorizou o compartilhamento da delação premiada do ex- diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, com investigadores de Londres em processo contra a Petrobrás. Segundo informações divulgadas na imprensa, Sergio Moro tem autorizados conversas feitas diretamente com cada delator da Lava Jato e o Departamento de Justiça dos EUA, sem passar pelo Estado brasileiro, como prevê a lei. Ou seja, os responsáveis pela operação Lava Jato permitem o acesso a órgãos do Estado norte-americano, a informações sigilosas, que são utilizadas para atacar e processar judicialmente a Petrobrás e outras empresas brasileiras. Como podemos nominar esse tipo de atitude? Como podemos chamar também a prisão do Vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, principal responsável pela conquista da independência na tecnologia do ciclo de combustível, que colocou o Brasil em posição de destaque na matéria, no mundo?

Não foi por acaso que na preparação do golpe, nos últimos anos, foi estimulado no povo brasileiro o complexo de vira-latas e se depreciou de forma sistemática tudo que poderia significar orgulho pelo País ou amor pela pátria. A campanha foi tão eficiente que idiotas saíram nas manifestações pró impeachment vestidos com as cores ou enrolados na bandeira dos EUA. Somente um processo sofisticado de manipulação da população poderia possibilitar o apoio a uma operação entreguista como a Lava Jato, pensada para quebrar a Petrobrás e o seu entorno, que gerou R$ 140 bilhões em prejuízo para a economia, provocando a demissão de milhares de trabalhadores, liquidando com dezenas de projetos na área de energia, indústria naval, infraestrutura e defesa. Recentemente, membros do Ministério Público Federal vieram a público para colocar sob suspeição o programa de construção de 36 caças estratégicos com a Suécia, colocando em dúvida a lisura de um ex-presidente da República e dos militares que participaram do negócio.

O golpe e o entreguismo estão só no começo. No apagar das luzes de 2016, o presidente golpista determinou à Comissão Aeronáutica Brasileira na Europa (CABE) a contratação, com urgência, de serviços de sensoriamento remoto por satélite. O custo de importação do equipamento está estimado em cerca de R$ 300 milhões. Segundo informações da imprensa, os membros da CABE estranharam a ordem, visto que este tipo de serviço para as Forças Armadas, só pode ser realizado por empresas nacionais ou constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no País. Salvo raras exceções.

A ordem, que partiu da Casa Civil, tem graves implicações também no campo da soberania e segurança nacional. Segundo informações, a divisão de licitações e contratos da Aeronáutica classificou como ilegal a determinação, visto que esse tipo de fornecimento tem que ser feito por empresas brasileiras, inscritas no Ministério da Defesa. Os oficiais da Força Aérea, segundo os jornais, estão intrigados com o pedido da Presidência da República, que está se metendo diretamente nesse tipo de assunto, e atropelando regras que, dentre outras coisas, exigem a presença de empresas nacionais no processo. O que pode explicar essa entrega voluntária da vigilância do território brasileiro a empresas estrangeiras, senão entreguismo e subserviência? O que representa, do ponto de vista da segurança e soberania, buscar apoios em outros países, se empresas nacionais sabidamente têm condições de fornecer com excelência esse tipo de serviço? É que este não é um golpe qualquer. A agressão imperialista que o Brasil está sofrendo pode se comparar às guerras contra o Iraque e a Líbia, as técnicas de desestabilização utilizadas são semelhantes.

José Alvaro de Lima Cardoso, economista.

 

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19 Comentários leave one →
  1. Maria Glaucia de Almeida permalink
    02/01/2017 10:22

    O golpe é mais sério do que se imagina. Chega a ser assustador. Principalmente, porque o povo brasileiro continua anestesiado.

  2. 02/01/2017 11:11

    Solo una reflexion: Brasil es el primer país tropical en “desarrollarse”, es decir, copiar una sociedad “del frío” que nunca necesistó…
    Da pena ver como el consumismo (necesario…) de dichas sociedades, modelo una otra sociedad (Brasil…) que nunca necesito del mismo.
    Lo que se llama “depencia cultural”

  3. 02/01/2017 16:00

    Republicou isso em Paulosisinno's Bloge comentado:
    Cpt. do Leonardo Boff​: “Precisamos superar o nosso complexo de “vira-latas” e tomarmos consciência da importância geopolítica e estratégica do Brasil no conjunto das nações do mundo. Somos uma das maiores nações em termos geográficos e populacionais. Somos a sétima economia do mundo com um mercado interno de 204 milhões de brasileiros. Mas mais que tudo, somos uma reserva de bens e serviços naturais como nenhum país do mundo possui em termos de terras férteis, de água doce, de florestas úmidas, de biodiversidade e de riqueza populacional pluri-étnica. Tal fato não passa desapercebido pelas potências que se arrogaram o poder de decidir o caminho por onde deve andar o planeta, o sistema-vida e o sistema-Terra. É por isso que nosso país, seu governo, as grandes empresas são vigiadas e espionadas. Ademais, somos a grande potência do Atlântico Sul voltada para a África. Para onde irá o Brasil? Que posição tomará face aos problemas mundiais? Fará um caminho próprio, baseado na sua riqueza natural e histórica, influenciando outros países? Estas são as preocupações das potências que têm sob seu controle o processo de globalização . Transcrevemos esse artigo para nos alertar da importância que possuímos em termos de defesa de nossa soberania nacional. E também denunciar aqueles grupos e poderes que querem se alinhar a um dos poderes mundiais dominantes, renunciando à construção de nosso próprio caminho e de nossa identidade nacional e desta forma dar uma contribuição à inteira humanidade. O estudo foi feito por um economista JOSÉ ALVARO DE LIMA CARDOSO, recomendado pelo nosso maior analista das políticas internacionais, LUIS ALBERTO MONIZ BANDEIRA. Recomendo a leitura para melhorar nosso quadro de análise de nossa realidade nacional no contexto global”.

  4. Bernard MICHEL permalink
    02/01/2017 16:24

    Era só escutar o discurso que o Chefe-golpista fiz em 21 de setembro 2-016 noConselho das Americas , para saber que ele estava rifando o Brasil ás empresas e bancos norte-americanos (USA e Canada) !! E enquanto essa gangue estiver no poder eles vão fazer exatamente o que disseram , e o que FHC começou , Vender o Brasil !!

  5. 02/01/2017 16:54

    “Deus de toda vida , único Senhor da terra, Pai-Mãe da família humana! Tu nos queres vivendo em irmandade, sem medo e sem violência, sem egoismo e sem corrupção: na justiça, na solidariedade e no amor. Teu é o Reino e a glória para todo o sempre. Amém.” (Dom Pedro Casaldáliga).

  6. 02/01/2017 16:57

    Precisamos amar nosso País , e sermos fiéis a ele!

  7. 02/01/2017 19:43

    Republicou isso em Zefacilitador.

  8. 03/01/2017 11:08

    Republicou isso em TERRA DE TODOS – (TERO DE CXIUJ)e comentado:
    “O golpe e o entreguismo estão só no começo.”

  9. 04/01/2017 5:32

    Gabriel Henrique Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores; e que também não entende de economia; pagou as contas de FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos.

    Lula, o analfabeto, que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos [14 universidades públicas e entendeu mais de 40 campi], e ainda criou o PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade [meio milhão de bolsa para pobres em escolas particulares].
    Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas, elevou o salário mínimo de 64 para mais de 291 dólares [valores de janeiro de 2010], e não quebrou a previdência como queria FHC.
    Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o PIG-Partido da Imprensa Golpista, que entende de tudo, diga que não.
    Lula, que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à liderança mundial de combustíveis renováveis [maior programa de energia alternativa ao petróleo do planeta].
    Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8 [criou o G-20].

    Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu; mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista. Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama, Evo e até o Armadinejad, etc. Bobo que é, cedeu a tudo e a todos.
    Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o primeiro negro no Supremo (desmoralizado por brancos) uma mulher no cargo de primeira ministra e primeira presidente mulher do país.

    Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha (a convite dela) e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.
    Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC; antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora de o Estado investir; hoje o PAC é um amortecedor da crise.

    Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre [como também na linha branca de eletrodomésticos].
    Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais; é respeitado e citado entre as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual [o melhor do mundo para o Le Monde, Times, News Week, Financial Times e outros…].

    Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha empatia e relação direta com George Bush – notada até pela imprensa americana – e agora tem a mesma empatia com Barack Obama.
    Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador;.. é amigo do tal John Sweeny [presidente da AFL-CIO – American Federation Labor-Central Industrial Congres – a central de trabalhadores dos Estados Unidos, que lá sim, é única…] e entra na Casa Branca com credencial de negociador e fala direto com o Tio Sam lá, nos “States”.
    Lula, que não entende de geografia, pois não sabe interpretar um mapa é autor da [maior] mudança geopolítica das Américas [na história].
    Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.

    Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas; faz história e será lembrado por um grande legado, dentro e fora do Brasil.
    Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para dialogar com Israel.
    Lula, que não entende nada de nada;.. é bem melhor que todos os outros antecessores…
    SIMPLESMENTE… O MELHOR PRESIDENTE DO BRASIL DESDE O MARECHAL DEODORO DA FONSECA !

  10. 06/01/2017 18:48

    Até quando vamos permitir esse crime contra a nossa Pátria? Cadê o Poder Judiciário para dar um basta nesse mandalete dos estadunidenses, o tal de Moro?

  11. 28/01/2017 17:09

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      Admiráveis as colocações de Maria Costa sobre a atuação do Presidente Lula. Em 2018 devemos elege-lo para dar continuidade ao bem que o Brasil e a Nação Brasileira merecem. Marízia Lippi.

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