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Frei Betto: vote Brasil em 2018

07/10/2017

Estamos todos perplexos, sem saber para onde vai o país com um presidente com 97% de rejeição e uma grande desmorlização do Parlamento, com um número grande de deputados e senadores acusados ou denunciados por corrupção.Apesar disso, devemos pensar no Brasil e em seu povo que está sofrendo sob medidas que ferem direitos conquistados há décadas por muito sacrfício. Não podemos perder a esperança e deixar de crer na resiliênica, resistência e capacidade de invenção dos movimentos sociais e dos cidadãos preocupados com o  futuro comum. Esse artigo de Frei Betto é um chamado a assumir a causa Brasil e votar em quem se compromete com o país e seus bens para que não sejam alienados para estrangeiros, pondo em risco o bem-estar geral. Lboff

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Já que tudo indica que Temer permanece à frente do governo até dezembro de 2018, dado que a sua base aliada no Congresso decidiu obstruir a Justiça, fica a pergunta: quem eleger para sucedê-lo?

Pesquisas eleitorais que já tiveram início destacam uma dúzia de prováveis candidatos. E os eleitores reagem de diferentes formas. Há os que já decidiram não votar. É a turma do Partido Ninguém Presta. Atitude meramente emocional. Quem tem nojo de política é governado por quem não tem. E tudo que os maus políticos querem é que viremos as costas à política para dar a eles carta branca.

Há os que votarão no próprio umbigo em defesa de seus interesses corporativos, como os eleitores da bancada do B: boi, bala, bola, bancos e Bíblia. Esses escolherão candidatos afinados com o latifúndio, o desmatamento da Amazônia, o extermínio dos indígenas, o mercado financeiro, a homofobia, a privatização do patrimônio público e o Estado mínimo.

Um contingente de eleitores votará em quem seu mestre mandar. É o rebanho eleitoral, versão pós-moderna do coronelismo, agora substituído por padres e pastores, figuras midiáticas e chefes de organizações criminosas.

Há ainda o eleitor que se deixará levar pela propaganda eleitoral. Votará em quem lhe parecer mais simpático, sem sequer conhecer os projetos políticos do candidato. É aquela empatia olho no olho que não vê mente, coração e bolsos…

E há os que votarão em candidatos progressistas, ou naqueles que assim se apresentarão nos palanques, na esperança de resgatar os direitos cassados pela atual reforma trabalhista e corrigir os desmandos do governo Temer, para que o país volte a crescer e ampliar seus programas sociais.

Ora, devemos votar no Brasil que sonhamos para as futuras gerações. Isso significa priorizar programas e projetos, e não candidatos. Um país no qual coincidam democracia política e democracia econômica. De que vale o sufrágio universal se não repartimos o pão?

Votar no Brasil que requer profundas reformas estruturais, como a tributária, com impostos progressivos; a agrária, com o fim do latifúndio e do trabalho escravo; a política e a judiciária. Brasil que promova os direitos das populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Brasil de democracia participativa e no qual o Estado seja o principal indutor do desenvolvimento, com distribuição de riqueza e preservação ambiental.

Fora disso, tudo ficará como dantes no quartel de Abrantes. Ou pior.

Votar é importante, mas não suficiente. Porque no Brasil tradicionalmente nós votamos e o poder econômico elege. Em 2018, porém, será a primeira eleição para o Congresso e a presidência da República na qual as empresas não poderão financiar campanhas políticas, como faziam as que estão denunciadas pela Lava Jato. Isso não significa que o caixa dois será extinto. Seria muita ingenuidade pensar que políticos que se lixam para a ética não haverão de encontrar formas de obter dinheiro ilegal.

Por isso, é um erro jogar nas eleições todas as fichas da nossa esperança em um Brasil melhor. O mais importante é investir no empoderamento popular. Reforçar os movimentos sociais e sindicais, intensificar o trabalho de formação política e consciência crítica, dilatar os espaços de pressão, reivindicação e mobilização. Só conseguiremos mudanças significativas se vierem de baixo para cima.

Frei Betto é escritor, autor de “Reinventar a vida” (Vozes), entre outros livros.

 

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10 Comentários leave one →
  1. 07/10/2017 21:15

    Excelentes as considerações do Frei Betto. Pessoas com as estruturas humanas de um Frei Betto , Prof. L. Boff são pouquíssimas.

  2. Antonio Costa Netto permalink
    08/10/2017 9:56

    Excelente análise! Citou e não frisou que existe o grupo dos religiosos (se são realmente???) que através do seu poder religioso fazem seus fiéis votarem em seus representantes, criando este grupo com interesses não esclarecidos!?!

  3. 08/10/2017 15:51

    Republicou isso em Zefacilitador.

  4. joão permalink
    08/10/2017 16:32

    FREI BETO EM QUEM CONFIAR? SÓ SE DOS CÈUS VINHER UM GOVERNO E SIM ELE VIRÁ, PORQUE AQUI DA TERRA NENHUM HUMANO PODERÁ POR ORDEM E JUSTIÇA, ENQUANTO ESTIVERMOS MANIPULADOS POR UM SISTEMA ENGANOSO E ESMAGADOR.

  5. Guilherme Machado permalink
    08/10/2017 16:48

    Opinião de pilantras que usufruem de religião não merecem credibilidade, principalmente porque nada fazem para o bem da sociedade. Crápulas sem escrúpulos. O Brasil sabe bem o que quer. Chau vagabundos. Vão, finalmente, ter que trabalhar. O Batistti também vai com vocês. Beijos.

  6. 08/10/2017 19:33

    Republicou isso em Paulosisinno's Bloge comentado:
    Compartilhando do Leonardo Boff: “Estamos todos perplexos, sem saber para onde vai o país com um presidente com 97% de rejeição e uma grande desmoralização do Parlamento, com um número grande de deputados e senadores acusados ou denunciados por corrupção. Apesar disso, devemos pensar no Brasil e em seu povo, que está sofrendo sob medidas que ferem direitos conquistados há décadas com muito sacrifício. Não podemos perder a esperança e deixar de crer na resiliência, resistência e capacidade de invenção dos movimentos sociais e dos cidadãos preocupados com o futuro comum.
    Esse artigo de Frei Betto é um chamado a assumir a causa Brasil, e votar em quem se compromete com o país e seus bens, para que não sejam alienados para estrangeiros, pondo em risco o bem-estar geral.”

  7. Ana Maria permalink
    08/10/2017 22:52

    Excelente artigo de Frei Betto. A expressão- chave “empoderamento popular”. Como fazer isso no âmbito da Igreja, que mantém a maioria do povo, que nela busca pertencimento, se não contextualizar os Evangelhos nos problemas do contexto econômico, social, político e ideológico do “Naquele tempo Jesus” e nos dias atuais. E as igrejas são os maiores partidos políticos e ideológicos. Parabéns, Frei Betto, pelos seus livros de 2017: “Ofício de escrever” e “PARÁBOLAS DE JESUS: ética e valores universais”.

  8. adenir permalink
    16/10/2017 8:30

    Um dos companheiros de Lula narrou para a UOL o que se lê abaixo:
    ” O ex-presidente foi preso em 19 de abril de 1980, acusado de ser o principal “agitador” das greves, que não eram aceitas pela ditadura que governava o país. Djalma Bom, um dos diretores do sindicato na época, também foi detido e ficou 31 dias com Lula na mesma cela.
    Ele elege uma cena daquele mês como a mais difícil da vida do amigo, momento mais complicado do que o vivido hoje: “Lula estava no beliche em cima da minha. Ele abaixou, com lágrimas nos olhos e disse: ‘Djalma, minha mãe morreu”, conta.

    Casuarina – Senhora Liberdade (Feat. Wilson Moreira) (DVD MTV Apresenta: Casua

  9. adenir permalink
    16/10/2017 8:46

    MEMÓRIA FAZ PARTE DA HISTÓRIA

    Um dos companheiros de Lula narrou para a UOL o que se lê abaixo:
    ” O ex-presidente foi preso em 19 de abril de 1980, acusado de ser o principal “agitador” das greves, que não eram aceitas pela ditadura que governava o país. Djalma Bom, um dos diretores do sindicato na época, também foi detido e ficou 31 dias com Lula na mesma cela.
    Ele elege uma cena daquele mês como a mais difícil da vida do amigo, momento mais complicado do que o vivido hoje: “Lula estava no beliche em cima da minha. Ele abaixou, com lágrimas nos olhos e disse: ‘Djalma, minha mãe morreu”, conta.

  10. 17/10/2017 12:15

    “Política é uma maneira nobre e exigente de servir ao próximo!” (Papa Paulo VII ). “Não ao que é ilícito e injusto!” (Frei Betto ) “Amar ou amar!” (Santa Teresa d’Ávila ).

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