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A crise brasileira parte da crise global

05/06/2018

Não se pode analisar o Brasil só a partir do Brasil. Nenhum país está fora das conexões internacionais, nem a fechada Coréia Norte, que a planetização inevitavelmente criou. Ademais nosso país é a sexta economia do mundo, coisa que desperta a cobiça das grande corporações que querem vir para cá, não para ajudar no nosso desenvolvimento com inclusão, mas para poder acumular mais e mais, dada a extenção de nosso mercado interno e da superabundância de commodities e de bens e serviços naturais, cada vez mais necessarios para sustentar o consumismo dos países opulentos.

Três nomes devem ser lembrados, pois configuraram o quadro atual da economia e da política mundial. O primeiro é sem dúvida Karl Polaniy que já em 1944 notou “A grande Transformação” que ocorria no mundo. De uma economia de mercado estávamos passando para uma sociedade de mercado. Vale dizer, tudo é comercializável, até as coisas mais sagradas. Com tudo podemos lucrar, coisa que Marx em sua Miséria da Filosofia chamou de a grande corrupção e de a venalidade geral. Até órgãos humanos, a verdade, a consciência, o saber se transformaram em meios de ganho. Tudo é feito na lógica do capital que é a concorrência e não a solidariedade, o que faz as socedades se esgarçarem em lutas ferrenhas entre as empresas.

Outros dois nomes cabem ser citados: Margareth Tachter e Ronald Reagan. Como consequência da erosão do socialismo real, entrou, vitorioso, o capitalismo agora sem peias, impostas antes pela contenção feita pelo modo de produção socialista. Agora o capitalismo pôde viver tranquilo sua lógica individualista, acumuladora e consumista. Tatscher era consequente ao afirmar que a sociedade não existe. Existem indivíduos que lutam por si contra todos. Reagan sustentou a total liberdade do mercado, a diminuição do Estado e o processo de privatização dos bens nacionais. Era o triunfo do neliberalismo. Antes com o liberalismo, para usar uma metáfora, a mesa estava posta. Os endinheirados ocupavam os primeiros lugares e se serviam à tripa forra. Os demais encontravam seu lugar em alguma canto da mesa. Mas estavam à mesa. Com o neoliberalismo a mesa está posta. Mas somente podem participar quem tem condições de pagar. Os demais disputam os lugares ao pé da mesa com os cães, comendo restos.

Esta política neoliberal implantada no mundo inteiro, deu livre curso às grandes corporações de poderem acumular o mais que podem. O lema de Wall Street era e continua sendo:greed is good (a ganância é boa). Tal vontade de acumulação fez com que um pequeno número de pessoas controlassem grande parte da riqueza mundial, gestando um mar de pobres, miseráveis e famelicos. Como a cultura do capital não conhece a compaixão nem a solidariedade e somente a competição e a supremacia do mais forte, criou-se um mundo com um nível de barbárie raramente alcançado na história.

Do meu ponto de vista, o capitalismo como modo de produção e sua ideologia política o neoliberalismo atingiram o seu fim, num duplo sentido. Lograram seu fim, vale dizer, alcançaram o seu fim-objetivo: a suprema acumulação. E o seu fim como término e desaparecimento. Não porque o queiramos, mas porque a Terra limitada em bens e serviços, grande parte não renováveis, não aguenta um projeto ilimitado rumo ao infinito do futuro. A Terra mesma tornará esse projeto impossível. Ou ele muda de modo de produção e de consumo ou será condenado a desaparecer. Como não possui um sentido de pertença e trata a natureza como mera coisa a ser explorada incontrolavelmente, seguirá um caminho sem retorno, pondo em risco o sistema-vida e a própria Casa Comum que poderá se tornar inabitável.

Ora, no transfundo teórico de nossos neoliberais brasileiros, os que deram o golpe e elaboraram “A Ponte para o Futuro” (para o fracasso) vem imbuídos, sem o mínimo de consciência e de crítica, desse sonho mau neoliberal. Querem um Brasil só para eles, ou uma provincia secundária, agregada e dependente do grande Império do Capital. Eis a nossa ruína e a nossa desgraça. Eles prolongam a dependência e a logica colonial.

Um país que mal e mal estava dando os primeiros passoa rumo a sua refundação, sobre outras bases, valores e princípios, com os olhos abertos e as mãos operosas em políticas de desenvolvimento humano com inclusão social foi desvergonhadamente abortado. Aqui reside a nossa verdadeira crise que perpassa todas as instâncias.

Mas o que deve ser tem força. Ainda assim cremos e esperamos que superaremos essa travessia dolorossísima para as grandes maiorias, em fim, para todos. Iremos ainda brilhar. Cantou o poeta em tempos sombrios como o nosso: “faz escuro mas eu canto”. Eu imitando-o digo:”em meio às incertezas, ainda sonhamos e esse sonho é bom e antecipa uma realidade benfazeja”.

Leonardo Boff é filósofo e teologo e escreveu:Brasi: concluir a refundação ou prolongar a dependência, Vozes 2018.

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4 Comentários leave one →
  1. 06/06/2018 0:01

    É dececionante perceber que a humanidade criada e amada por Deus em sua maioria , o ignora, não o consideram. Criados por Amor e pelo Amor, amam as coisas e usam as pessoas. Jesus coloca em poucas palavras tudo em seus devidos lugares:”Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Marcos 12,17).Paguemos os impostos governamentais para o benefício social, sejamos fiéis a Deus, que é fiel, amando-O acima de todos e de tudo e, ao próximo como a nós mesmos!

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  2. adriano permalink
    06/06/2018 16:22

    O capitalismo é igual a estórinha da chapeuzinho vermelho, ou seja, não sei quem é mais mau, o lobo ou a mãe e a vovozinha da chapeuzinho vermelho que embrenharam-na numa empreitada para cruzar a floresta. A chapeuzinho vermelho somos nos, de um lado o livre comércio e do outros os investidores, e nós no meio. Dizem até que o lobo tinha um caso com a vovó, mas a mãe da chapeuzinho vermelho também tinha um caso, o que elas não queriam era a menor por perto, para poderem fazer suas estripulias;

    Ora, o capitalismo puro é uma utopia, assim também como é o socialismo, pois teve início com a Revolução Industrial, sendo a transição para novos processos de manufatura no período entre 1760 a algum momento entre 1820 e 1840. Esta transformação incluiu a transição de métodos de produção artesanais para a produção por máquinas, a fabricação de novos produtos químicos, novos processos de produção de ferro, maior eficiência da energia da água, o uso crescente da energia a vapor e o desenvolvimento das máquinas-ferramentas, além da substituição da madeira e de outros biocombustíveis pelo carvão. A revolução teve início na Inglaterra e em poucas décadas se espalhou para a Europa Ocidental e os Estados Unidos.

    Já o capitalismo impuro teve início com Nathan Rothschild, membro da poderosíssima família de banqueiros, monta em 20 de junho de 1815 aquele que se tornou conhecido como o “Golpe da Bolsa de Londres”. A operação lhe permitiu apoderar-se do mercado de capitais e mesmo do Bank of England, nas vésperas da conclusão da batalha de Waterloo, que opôs o general britânico Duque de Wellington a Napoleão Bonaparte. Rothschild, valendo-se de informações privilegiadas enviadas por seu espião em Waterloo, soube antes de todos – antes mesmo do próprio Wellington – que a Inglaterra havia vencido aquela batalha. A bolsa de Londres estava numa expectativa terrível, aguardado o resultado da batalha. Se a França ganhasse, os papéis despencariam abruptamente. Se a Inglaterra vencesse subiriam à estratosfera.
    Rothschild, no entanto, deu instruções a seus agentes para divulgar que a batalha tinha sido perdida. Correu para a bolsa com um ar triste e abatido. Todos o seguiam com o olhar. Subitamente, ele começou a vender. A interpretação só poderia ser uma: Napoleão ganhara. Em poucos minutos, todos vendiam freneticamente. Os preços caíram em flecha.

    Os Rothschild comandam por laranjas o FED, o banco cental americano, que é na verdade uma instituição privada. Eles são a mais poderosa família dos Illuminati, Bieldeberg ou judeus sionistas, enfim, escolham a classificação que quiserem.

    Na internet tem MUITA bobagem postada sobre esse assunto, mas muita informação verdadeira e valiosa.

    Eu poderia postar dezenas de links aqui sobre o assunto, mas, ficarei só com alguns:

    http://www.libertyforlife.com/banking/federal_reserve_bank.html

    – Kennedy: decreto fechando o FED (não é atoa que foi assassinado): http://www.libertyforlife.com/banking/kennedy-set-aside-fed.htm

    – Resumo de quem são os Bielderbergs, e seus objetivos: http://www.youtube.com/watch?v=JV3_tAz_Dcw

    – Entenda a realidade dos problemas economicos atuais mundiais: http://www.youtube.com/watch?v=rQow0Fhua1A&feature=player_embedded e http://www.infowars.com/63259/

    – Protocolos dos Sábios de Sião (muitos dizem que é uma fasrsa – devem ser os mesmos que afirmavam bomba de destruição em massa no Iraque): http://www.radioislam.org/protocols/indexpo.htm

    – Parecer OFICIAL da união européia sobre HAARP: http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+REPORT+

    Por fim, acho que igualdade não é igual à liberdade, a propósito, liberdade só sem tem com escravidão (escravidão das leis – para todos – O contrato Social), portanto, não há uma igualdade universal, porém uma igualdade em direitos sociais, ai sim se chegaria próximo ao um socialismo puro, porém, o estado não suporta mais nem a sí mesmo, bem, essa é a imagem que o próprio capitalismo quer dar a sociedade, para assim convertê-lo num estado minoritário, privatizando seus potenciais estratégicos.

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  3. Flávio Alves de Sousa permalink
    06/06/2018 18:10

    Travessia difícil! Espero que muito em breve jogaremos uma “pá de cal” por cima desse sistema. Que venha um novo socialismo com uma economia planificada e voltada para as necessidades do povo e não para o lucro e a acumulação. Não acredito na possibilidade de reformar o capitalismo, torna-lo mais humano e justo. Na verdade precisamos construir esse novo socialismo e isso requer de nós algumas mudanças no âmbito da subjetividade, na esfera espiritual e etc…

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