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A cultura do capital é anti-vida e anti-felicidade

17/04/2015

A demolição teórica do capistalismo como modo de produção começou com Karl Marx e foi crescendo ao longo de todo o século XX com o surgimento do socialismo e pela escola de Frankfurt. Para realizar seu propósito maior de acumular riqueza de forma ilimitada, o capitalismo agilizou todas as forças produtivas disponíveis. Mas teve como consequência, desde o início, um alto custo: uma perversa desigualdade social. Em termos ético-políticos, signfica injustiça social e produção sistemática de pobreza.

Nos últimos decênios, a sociedade foi se dando conta também de que não vogora apenas uma injustiça social, mas também uma injustiça ecológica: devastação de inteiros ecossitemas, exaustão dos bens naturais, e, no termo, uma crise geral do sistema-vida e do sistema-Terra. As forças produtivas se transformaram em forças destrutivas. Diretamente, o que se busca msmo é dinheiro. Como advertiu o Papa Francisco em excertos já conhecidos da Exortação Apostólica sobre a Ecologia: ”no capitalimo já não é o homem que comanda, mas o dinheiro e o dinheiro vivo. A ganância é a motivação … Um sistema econômico centrado no deus-dinheiro precisa saquear a natureza para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente.”

Agora o capitalismo mostrou sua verdadeira face: temos a ver com um sistema anti-vida humana e anti-vida natural. Ele nos coloca o dilema: ou mudamos ou corremos o risco da nossa própria destruição e parte da biosfera, como alerta a Carta da Terra.

No entanto, ele persiste como o sistema dominante em todo a Terra sob o nome de macro-economia neoliberal de mercado. Em que reside sua permanência e persistência? No meu modo de ver, reside na cultura do capital. Isso é mais que um modo de produção. Enquanto cultura encarna um modo de viver, de pensar, de imaginar, de produzir, de consumir, de se relacionar com a natureza e com os seres humanos, constituíndo um sistema que consegue continuamente se reproduzir, pouco importa em que cultura vier a se instalar. Ele criou uma mentalidade, uma forma de exercer o poder e um código ético. Como enfatizou Fábio Konder Comparato num livro quer merece ser estudado A civlização capitalista (Saraiva, 2014):”o capitalismo é a primeira civilização mundial da história”(p.19). O capitalismo orgulhosamente afirma:”não há outra alternativa (TINA= There is no Alternative).”

Vejamos rapidamente algumas se suas características: finalidade da vida: acumular bens materiais; mediante um crescimento ilimitado, produzido pela exploração sem limites de todos os bens naturais; pela mercantilização de todas as coisas e pela especulação financeira; tudo feito com o menor investimento possível, visando a obter pela eficácia o maior lucro possível dentro do tempo mais curto possível; o motor é a concorrência turbinada pela propaganda comercial; o beneficiado final é o indivíduo; a promessa é a felicidade num contexto de materialismo raso.

Para este propósito se apropia de todo tempo de vida do ser humano, não deixando espaço para a gratuidade, a convivência fraternal entre as pessoas e com a natureza, o amor, a solidariedade, a compaixão e o simples viver como alegria de viver. Como tais realidades não importam para a cultura do capital, como reconheceu o insuspeito mega-especulador George Soros (A crise do Capitalismo, Campus 1999), porque, embora tenham valor, não tem preço nem dão lucro. Mas exatamente são elas que produzem a felicidade possível. Ele destrói as condições daquilo que se propunha: a felicidade. Assim ele não é só como anti-vida mas também anti-felicidade.

Como se depreende, esses ideais não são propriamente os mais dignos para efêmera e única passagem de nossa vida neste pequeno planeta. O ser humano não possui apenas fome de pão e afã de riqueza; é portador de outras tantas fomes como de comunicação, de encantamento, de paixão amorosa, de beleza e arte e de transcendência, entre outras tantas.

Mas por que a cultura do capital se mostra assim tão persistente? Sem maiores mediações diria: porque ela realiza uma das dimensões essenciais da existência humana, embora a elabore de forma distorcida: a necessidade de auto-afirmar-se, de reforaçar seu eu, caso contrário não subsiste e é absorvido pelos outros ou desaparece.

Biólogos e mesmo cosmólogos (citemos apenas um dos maiores deles Brian Swimme) nos ensinam: em todos os seres do universo, especialmente no ser humano, vigoram duas forças que coexistem e se tencionam: a vontade do indivíduo de ser, de persistir e de continuar dentro do processo da vida; para isso tem que se auto-afirmar e fortalecer sua identidade, seu “eu”. A outra força é da integração num todo maior, na espécie, da qual o indivíduvo é um representante, constituido redes e sistemas de relações fora das quais ninguém subsiste.

A primeira força se constela ao redor do eu e do indivíduo e origina o individualismo. A segunda se articula ao redor da espécie, do nós e dá origem ao comunitário e ao societário. O primeiro está na base do capitalismo, o segundo, do socialismo na sua expressão melhor.
Onde reside o gênio do capitalismo? Na exacebação do eu até ao máximo possível, do indivíduo e da auto-afirmação, desdenhando o todo maior, a integração na espécie e o nós. Desta forma desequlibriou toda a existência humana, pelo excesso de uma das forças, ignorando a outra.

Nesse dado natural reside a força de perpetuação da cultura do capital, pois se funda em algo verdadeiro mas concretizado de forma exacerbadamente unilateral e patológica.

Como superar esta situação secular? Fundamentalmente no regate do equilíbrio destas duas forças naturais que compõem a nossa realidade. Talvez seja a democracia sem fim, aquela instituição que faz jus, simultaneamente, ao indivíduo (eu) mas inserido dentro de um todo maior (nós, a sociedade) do qual é parte. Voltaremos ao tema porque não é suficiente fzer a crítica a esta cultura malvada, como a chamava PauloFreire;   importa contrapor-lhe outro tipo de cultura que cultiva a vida e cria espaços para o amor, a cooperação, a criatividade e a transcendência.

Brasil: o terceiro país que mais lixo gera

17/04/2015

WASHINGTON NOVAES volta e meia se faz presente neste espaço pois é um dos jornalistas mais bem informados sobre questões ecológicas daqui e de fora. Neste artigo do dia 17 de abril em O Estado de São Paulo, sob o título Em boa hora o Papa vai entrar em campo, refrindo-se à sua próxima encíclica sobre ecologia aborda com numerosos dados sobre o destino do lixo e dos materiais recicláveis. Hoje o sistema atual de produção o que mais produz são dejetos, lixo e rejeitos  criando um problema grave para a qualidde de vida no planeta, especialmente os resíduos nucleares de altíssima perigosidade. Lboff

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É uma notícia auspiciosa (ESTADO, 5/4, caderno Aliás): o Papa Francisco pretende centrar no tema “meio ambiente e pobreza” sua primeira encíclica, a ser conhecida nas próximas semanas. O documento incluirá também em destaque as mudanças climáticas, junto com considerações sobre a desigualdade econômica no mundo e a afirmação de que “o homem esbofeteou o rosto da natureza”.

Se estivesse vivo, quem se alegraria com a notícia seria D. Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, um dos criadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – cujo processo de beatificação e canonização acaba de ser aberto (ESTADO, 9/4)   e que passou a vida dedicado a ações em favor dos setores mais carentes da sociedade.

No mundo de hoje, a questão não pode passar em branco. Principalmente o que acontece na área dos resíduos, do lixo, onde 15 milhões de pessoas – 4 milhões delas na América Latina – ganham o sustento das famílias trabalhando com a reciclagem de matérias (Banco Mundial, 16/1). Enquanto isso, diz a Agência de Proteção Ambiental norte-americana que no seu país 34 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas a cada ano, são parte dos 5% do lixo mundial gerados naquele país (segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento, os 34 paises mais ricos produzem 50% do lixo total no mundo, que chega a 1,2 bilhão de toneladas anuais (Amazônia.org, 17/1).

Não estamos fora das estatísticas. Há poucos dias o Ministério da Agricultura anunciou (6/4) que vai estimular o consumo de frutas e hortaliças “feias”, que não conseguem mercado, são jogadas fora e daqui por diante poderão ser vendidos diretamente aos consumidores. Segundo estudo da Embrapa, são 30% das frutas e 35% das hortaliças, por causa de embalagens inadequadas, danos no transporte e manuseio, inclusive nas centrais de abastecimento e supermercados. Isso num país que ainda tem, entre beneficiários do Bolsa Família e pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza, cerca de 50 milhões de pessoas.

Somos o terceiro país no mundo (após China e Estados Unidos) que mais lixo gera. Estatísticas falam em 220 milhões de toneladas/dia, em torno de 1,2 quilo diário por pessoa. E os estudos mostram que só 58,% do lixo recolhido têm destinação adequada; 41,7% vão para 1.569 lixões e “aterros controlados” em 3.344 municípios. São Paulo gera 18 mil toneladas diárias de resíduos.

Mas há boas notícias. O Executivo federal vetou artigo na medida provisória que, por decisão do Senado, prorrogava por quatro anos o prazo dos municípios para fechar lixões. Já o município de São Bernardo do Campo informou há pouco tempo que estendeu para todas as residências, em toda a cidade, o processo de coleta seletiva; e que até 2017 chegará a 10% o total da reciclagem. O Ministério do Meio Ambiente e entidades representativas das indústrias produtoras de lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e luz mista fizeram acordo setorial para implantar a logística reversa na área, que permitirá receber de volta os rejeitos e dar-lhes destinação adequada. O sistema começará por cinco Estados (SP,RJ, PR, RS, MG).

Também vale a pena mencionar que no Departamento de Pesquisa da USP em São Carlos, SP, conseguiu-se retirar parte do lixo despejado em esgotos e utilizar na produção de concreto a areia, agora misturada à areia comercial. Além disso, cerca de 15% do que do que surge na limpeza está em plásticos, tecidos, papéis e “até preservativos (ambientebrasil, 23/3).

Já o engenheiro eletrônico e professor Luís Namura conseguiu, com uma equipe de pesquisadores, desenvolver, em laboratórios coligados ao Instituto Tecnológico da Aeronáutic, processo que dissocia a matéria em seus elementos componentes (quebra as moléculas) e, a partir daí, quando essas partículas se reagrupam, formar novos elementos úteis para propósitos humanos. A energia necessária vem do próprio resíduo, que deixa de ser lixo. Os subprodutos são totalmente inertes, formam uma pedra (composto cerâmico), com a consistência da brita, com valor comercial. E subprodutos do processo, como alumínio de embalagens tetrapack, podem ser recuperados. No processo também se pode recuperar energia, com co-geração, a partir dos gases. O processo já foi patenteado.

Em hora de avanços como esses, o Ministério de Minas e Energia consegue aval do Tesouro Nacional para empréstimo de R$3,8 bilhões, destinados a custear um terço das obras da usina nuclear Angra 3 (O Globo, 9/4) e aumentar a produção de energia – e do perigosíssimo lixo nuclear, para o qual não se encontrou ainda solução no mundo (aqui, ele continua a ser armazenado nas próprias usinas). O custo final da usina já dobrou em relação aos cálculos iniciais, está em mais de R$13 bilhões.

Já a Justiça federal embargou acordo da Prefeitura de Tabatinga (AM) com a da cidade de Letícia, Colômbia, que lhe permitiria importar o lixo da última, que não consegue, na temporada de chuvas, transferi-lo para um lixão. A Prefeitura de Tabatinga alega que já exportou seu lixo para Letícia em condições semelhantes.

E, para completar, continuamos mergulhados no drama do cancerígeno amianto, do qual somos o maior exportador (embora ele esteja proibido em mais de 50 paises). O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu que é constitucional a lei estadual que proíbe a extração e exploração do amianto crisotila ou branco (Fernanda Giannasi, 7/4) – embora haja legislação federal (9055/1995) em sentido contrário. No Brasil, são vendidas 150 mil toneladas anuais do produto, principalmente em 160 milhões de telhas, e 1,5 milhão de caixas dágua por ano. E há milhares de casos comprovados de doenças graves provocadas pelo produto.]

E assim vamos, para a frente e para trás, com a geração de resíduos urbanos, segundo a ONU (amazonia.org 12/1), crescendo três vezes mais rapidamente que a população mundial.

Washington Novaes

Estado de São Paulo 17/4/15

“Morreu um anjinho! Mais feliz que ele é aquele que nunca nasceu!”

15/04/2015

FREI JOSÉ ALAMIRO ANDRADE SILVA e um franciscano, colega de estudos, que desde sempre decidiu trabalhar nas comunidades pobres das grandes periferias, especialmente em São Paulo. Vive como com os pobres. Associou esta sua inserção com um sério compromisso com a questão ecológica que tenta explicá-la ao povo com palavras inteligíveis e induzindo comportamentos amigos da vida. Publico aqui seu testemunho vivo da condição dos operários explorados e dos “anjinhos” que morrem e  que vão diretos para o céu. Mas uma velhinha, cheia de expeirência de vida comenta,  como tantos no passado, que referi no meu artigo a propósito do  suicídio do co-piloto:”Este é feliz porque morreu anjinho! Mais feliz que ele é aquele que nunca nasceu!” Essa mulher deve ter sofrido muito para preferir a morte à vida dura a que os pobres são condenados. O texto-testemunho de Frei Alamiro nos faz refletir sobre a condição humana dentro de nossa cultura capitalista,  insensível à dor e ao cansaço da vida dura do trabalhador, talvez um terceirizado: Lboff

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Prezado confrade Leonardo, paz e bem!

Agradeço muito sua reflexão sobre o SUICÍDIO DO CO-PILOTO… publicado recentemente.

1 – Nos 30 anos que vivi na cidade de São Paulo tive um contato diuturno com esta realidade de empresas em livre e desenfreada concorrência exigindo cada vez mais produção de seus empregados. “Ônibus – Trabalho e Cama!” é perfeitamente válido para os “peões” e para os mais graduados na empresa seria “Carro – engarrafamento – Trabalho – Cama”. Para os dois casos fica uma pergunta “O que fazer com o fim de semana?” Esporte e lazer! É o ópio que não existia nos tempos de Marx, pois a Igreja preenchia este espaço.
E o sentido da vida? de todo este trabalho? do esporte e do lazer?

2 – Um dia fui rezar com uma família de favelados que perderam seu recém nascido. Morreu um anjinho! Lá escutei de dona Alexandrina, velha e sofrida cearense sobrevivendo em São Paulo:”Este é feliz porque morreu anjinho! Mais feliz é aquele que nunca nasceu”.

Leonardo, mais uma vez agradeço e continue escrevendo. Você consegue dizer com clareza e com bases acadêmicas o que o povão trabalhador experiencia todos os dias.

Seu confrade  Frei Alamiro.

How to dismantle social hatred

15/04/2015

We are seeing that too much hatred and anger now exists in society, either due to the general situation of dissatisfaction that humanity is experiencing, overwhelmed by a profound crisis of civilization, without anyone who can tell us how to overcome it or where this flight into the darkness will take us. The collective unconscious detects this malady, as Freud described in his famous text, Civilization and its Discontents, (El malestar en la cultura,1929-1930) that, somehow, foresaw the signs of a world war.

Our unrest is unique, and derives from the various victories of Workers Party, PT, with its politics of social inclusion that have benefited 36 million Brazilians and elevated 44 million to the middle class. The historically privileged, the upper class and also the middle class, have been frightened by the slight equality that has been achieved by those who were marginalized. The fact is that on one side there is a dreadful concentration of income and, on the other, social inequality that ranks among the greatest in the world. That inequality, according to Marcio-Pochmann in the second volume of his Atlas da exclusão social no Brasil (Cortez 2014), has significantly lessened over the last ten years, but still it is very profound, a permanent factor in social destabilization.

As Luiz Carlos Bresser Pereira, an excellent economist and social analyst of the PSDB party, noted and described in his dominical column (3/8) of Verissimo, this fact «caused a phenomenon to surge that was never before seen in Brazil: a collective hatred by the upper class and the rich for a party and a president; it is neither concern nor fear, it is hatred…; the class struggle has returned with force, not on the part of the workers, but by the dissatisfied bourgeoisie».

I consider this interpretation to be correct. It corroborates what I wrote in What lies behind the hatred for the PT?, that appeared in two articles in this space. It is the rise of millions of human beings, who used to be economical zeros and who began to acquire dignity and social participation, occupying places that previously were exclusively for the upper classes. This provoked rage and hatred against the poor, the Northerners, the Blacks and the members of the new “middle class”.

The problem now is how to dismantle this hatred. A society that lets itself be carried away by that spirit destroys the minimum bonds of coexistence, without which it can not sustain itself. It runs the risk of breaking the democratic rhythm and inspiring social violence. After our bitter experiences of authoritarianism and the painful conquest of democracy, we must avoid by all possible means the conditions that may cause us to return to the path of uncontrollable or irreversible violence.

In the first place, following the wise suggestion of Bresser Pereira, a new social pact that would go beyond that created by the 1988 Constitution is urgently needed; a pact that would unite businessmen, workers, social movements, the means of communication, political parties and intellectuals, a pact that better distributes the responsibilities for overcoming the present national crisis (that is a global one), and that clearly summons stockholders and the very wealthy, generally alligned with transnational capitalists, to give their share. They must also act like another Simon the Cyrenian, who helped the Master carry the cross.

Not just the music but also the lyrics must be changed. In other words, it is important to think of Brazil more as a nation and less in terms of political parties. We must give centrality to the common good and unite the forces around fundamental values and principles, seeking convergence in diversity, in function of a viable Project-Brazil that reduces inequality, which is another name for social injustice. I think that we have matured enough for this strategy of a collective win-win, and that we will be capable of avoiding the worst and thus not wasting this historic opportunity, which would hold us back even more as we face the global process of social and human development in the planetary phase of humanity.

In the second place, I believe in the transforming force of love, as expressed in the Prayer of Saint Francis: where there is hate, there I bring love. Love here is more than a subjective feeling. It acquires a collective and social form: love of a common cause, love for the people as a whole, especially those most downtrodden by life, love of the nation (we need a healthy nationalism), love as a capacity to listen to the reasoning of the other, love as an opening to dialogue and to interchange.

If we neither find nor listen to the other, how are we going to know what the other thinks and hopes to do? We would then start imagining and projecting distorted visions, nourishing prejudices and destroying the possible bridges that unite the borders.

We need to give more space to our positive “cordiality” (because there is also a negative one) that lets us be more generous, capable of looking ahead and upwards, of leaving behind that which belongs behind, and of not letting resentment feed rage, rage feed hatred and hatred feed violence, such as would destroy coexistence and sacrifice lives.

The Churches, the spiritual paths, the groups of reflection and action, especially the means of communication and all people of good will, can help dismantle this negative burden. And we also count on the integrating force of opposites, the Spirit Creator that traverses history and the personal lives of everyone.

Free translation from the Spanish sent by
Melina Alfaro, alfaro_melina@yahoo.com.ar,
done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

Il suicidio del co-pilota: espressione del nichilismo della cultura?

14/04/2015

Il suicidio premeditato del co-pilota Andreas Lubitz della Germanwings, con a bordo 149 persone, suscita varie interpretazioni. Cè stata sicuramente una componente psicologica di depressione, associata al timore di perdere il posto di lavoro. Ma per arrivare a questa soluzione disperata di porre fine volontariamente alla sua vita trascinando con sé altre 149 persone, implica un qualcosa di molto profondo e misterioso che dobbiamo ad ogni costo tentare di decifrare.

Di fatto, questo timore di perdere il posto di lavoro e vivere schiacciati dalla frustrazione di non poter mai più realizzare i propri sogni, crea in non poche persone, l’ansia; dall’ansia la perdita del senso della vita e da questa perdita la volontà di morire. La crisi della geo-società sta facendo sorgere una specie di “mal-essere nella globalizzazione” replicando il “Mal-essere nella cultura” di Freud.

A causa della crisi, le imprese e i loro dirigenti portano la competitività fino al limite estremo, fissano mete quasi irraggiungibili, infondendo nei lavoratori ansie, paura, e non raramente sindrome di panico. Da loro si pretende tutto: abbandono incondizionato e piena disponibilità, dilacerandone la soggettività e distruggendone le relazioni familiari. Si calcola che in Brasile circa 15 milioni di persone soffrano questo tipo di depressione, legata a sovraccarichi di lavoro.

La ricercatrice Margarida Barreto, medico, specializzata in Salute e Lavoro, ha osservato che nell’anno 2010, in una ricerca su 400 persone, circa un quarto di queste aveva avuto idee suicide a causa dell’eccessivo carico di lavoro. Dice:” E’ necessario considerare il tentativo di togliersi addirittura la vita come una grande denuncia sulle condizioni di lavoro imposte dal neoliberismo negli ultimi decenni”. Sono colpiti sopratutto i bancari del settore finanza, altamente speculativa e orientata alla massimizzazione dei guadagno.

Una ricerca del 2009 fatta dal Professore Marcelo Augusto Finasti Santos , dell’Università di Brasilia, ha appurato che tra il 1996 al 2005, ogni venti ghiorni, un impiegato di banca si suicidava, a causa delle pressioni per gli obiettivi, per l’eccesso di compiti e paura della disoccupazione.

L’Organizzazione Mondiale della Sanità stima che circa tremila persone si suicidano ogni giorno, e molte per causa dell’eccessiva pressione del lavoro. Il Le Monde Diplomatique del mese di novembre 2011 denunciava che tra i motivi degli scioperi di ottobre in Francia, si trovava anche la protesta contro l’accelerazione del ritmo di lavoro inposto dalle fabbriche e causa di nervosismo, irritabilità e ansia. Si rilanciò la frase del 1968 che recitava:”Metro, travail, lit” aggiornandola così: “Metro, lavoro, tomba”. Cioè malattie mortali o suicidio come effetto del supersfruttamento del processo produttivo alla maniera super accelerata nord-americana.

Stimo che, alla fine di tutto, siamo di fronte a spaventose dimensioni nichiliste della nostra cultura. Il termine nichilismo è stato coniato nel 1793, durante la Rivoluzione Francese da Anacharsis Cloots, un franco-tedesco e fu divulgato dagli anarchici russi a partire dal 1830 che dicevano:”Tutto è sbagliato, per questo tutto deve essere distrutto e dobbiamo ricominciare da zero”. Dopo Nietzsche , ritorna il tema del nichilismo, che lui applicava al Cristianesimo che, secondo lui si oppone al mondo della vita. Nel dopo guerra, nel suo seminario su Nietzsche, Heidegger va ancora più lontano affermando, credo in forma esagerata, che tutto l’Occidente, è nichilista perchè ha dimenticato l’Essere a favore dell’ente. L’ente, sempre finito, non può riempire la ricerca di senso dell’essere umano. Alessandre Marques Cabral ha dedicato due volumi al tema:” Nichilismo e Hirofania: Nietzsche e Heidegger” (2015). In settori della post-modernità, il nichilismo si è trasformato in una malattia diffusa del nostro tempo, cioè, tutto è relativo e, in fondo, non vale la pena; la vita è assurda, le grandi narrazioni di senso hanno perso il loro valore, le relazioni sociali si sono liquefatte e vige uno spaventoso vuoto esistenziale.

In questo contesto, vengono riprese tradizioni nichiliste della filosofia occidentale come il mito, citato da Aristotele nel suo Eudemo, dal fauno Sileno che dice:”Non nascere è meglio che nascere e una volta nato, è meglio morire il più presto possibile” . Nella Bibbia stessa risuonano nespressioni nichiliste che nascono dalla percezione delle tragedie della vita. Così dice l’Ecclesiaste:” più felice è colui che nemmeno è arrivato a esistere e non ha visto l’iniquità che si commette sotto il sole” (4,3-4). Il nostro Antero di Quental (+ nel 1860) in una poesia afferma: “Che è sempre peggio essere nati”.

Sospetto che questo malessere generalizzato nella nostra cultura abbia contaminato l’animo del co-pilota Lubitz. Persone che entrano nelle scuole e ammazzano decine di studenti in vari paesi e persino tra di noi nel 2011 a Rio, nella scuola Tasso da Silveira quando un giovane ha ammazzato una decina di studenti, rivelano lo stesso spirito nichilista. Paura diffusa, delusione e frustazioni avevano distrutto in Lubitz l’orizzonte e il senso della vita. Ha voluto trovare nella morte quel senso che gli era stato negato in vita. Ha scelto tragicamente la via del suicidio.

Il suicidio appartiene alla tragedia umana che sempre ci segue. Per questo, è d’obbligo rispettarne il carattere misterioso. Forse è la ricerca disperata di una uscita in un mondo senza uscita personale. Davanti al mistero noi non abbiamo parole, turbati e stupiti, per quanto disastrose possano esserne le conseguenze.

Raccomando il libro di Clodovis Boff O LIVRO DO SENTIDO, vol. I, Paulus, 2014.

Traduzione di Romano e Lidia Baraglia

El suicidio del copiloto: ¿expresión del nihilismo de la cultura?

14/04/2015

El suicidio premeditado del copiloto Andreas Lubitz de la compañía Germanwings, llevando consigo a 149 personas, suscita varias interpretaciones. Seguramente había un componente psicológico de depresión, asociado al miedo de perder el puesto de trabajo. Pero llegar a esta solución desesperada de poner voluntariamente fin a su vida, llevando consigo a otras 149 personas, implica algo muy profundo y misterioso que necesitamos tratar de descifrar de alguna forma.

Actualmente este miedo a perder el empleo y vivir bajo una grave frustración por no poder realizar nunca su sueño lleva a no pocas personas a la angustia, de la angustia a la pérdida del sentido de la vida, y de esta pérdida al deseo de morir. La crisis de la geosociedad está haciendo surgir una especie de “malestar en la globalización” replicando el “malestar en la cultura” de Freud.

A causa de la crisis, las empresas y sus gestores llevan la competitividad hasta un límite extremo, estipulan metas casi inalcanzables, infundiendo en los trabajadores angustias, miedo y, no es raro, síndrome de pánico. Se les exige todo: entrega incondicional y plena disponibilidad, lastimando su subjetividad y destruyendo las relaciones familiares. Se estima que en Brasil cerca de 15 millones de personas sufren este tipo de depresión, ligada a las sobrecargas de trabajo.

La investigadora Margarida Barreto, médica especialista en salud del trabajo, observó, en una investigación llevada a cabo en el año 2010 oyendo a 400 personas, que cerca de la cuarta parte de ellas había tenido ideas suicidas a causa de la excesiva exigencia del trabajo. Continúa ella: «es necesario ver el intento de quitarse la vida como una gran denuncia de las condiciones de trabajo impuestas por el neoliberalismo en las últimas décadas». Resultan especialmente afectados los empleados de banca del sector financiero, altamente especulativo y orientado a la maximización de los lucros.

Una investigación hecha en el 2009 por el profesor Marcelo Augusto Finazzi Santos, de la Universidad de Brasilia, averiguó que entre 1996 y 2005, cada 20 días se suicidaba un empleado de banca a causa de las presiones por metas, exceso de tareas y pavor al desempleo.

La Organización Mundial de la Salud estima que se suicidan cerca de tres mil personas diariamente, muchas de ellas por causa de la abusiva presión del trabajo. Le Monde Diplomatique de noviembre de 2011 denunció que entre los motivos de las huelgas de octubre en Francia se encontraba también la protesta contra el ritmo de trabajo acelerado impuesto por las fábricas causando nervosismo, irritabilidad y ansiedad. Se volvió a lanzar la frase de 1968 que rezaba: “metro, trabajo, cama”, actualizándola ahora como “metro, trabajo, túmulo”. Es decir, enfermedades letales o suicidio como efecto de la superexplotación del proceso productivo al modo ultra acelerado norteamericano.

]Estimo que, en el fondo de todo, estamos frente a aterradoras dimensiones nihilistas de nuestra cultura. El término nihilismo fue introducido en 1793 durante la Revolución Francesa por Anacharsis Cloots, un francoalemán, y fue divulgado por los anarquistas rusos a partir de 1830, que decían: «todo está equivocado, por eso todo tiene que ser destruido, y hay que recomenzar de cero». Después Nietzsche retoma el tema del nihilismo, aplicándolo al cristianismo que, según él, se opone al mundo de la vida. En la posguerra, en su seminario sobre Nietzsche, Heidegger va más lejos al afirmar, creo que de forma exagerada, que todo el Occidente es nihilista porque olvidó el Ser en favor del ente. El ente, siempre finito, no puede llenar la búsqueda de sentido del ser humano. Alexandre Marques Cabral dedicó dos volúmenes al tema: Nihilismo e Hierofanía: Nietzsche y Heidegger (2015) y Clodovis Boff tres volúmes sobre El Sentido (2014). En sectores de la posmodernidad, el nihilismo se transformó en la enfermedad difusa de nuestro tiempo, es decir, todo es relativo y, en el fondo, no vale la pena; la vida es absurda, los grandes relatos de sentido perdieron su valor, las relaciones sociales se licuaron y está en vigor un aterrador vacío existencial.

En este contexto, se retoman tradiciones nihilistas de la filosofía occidental como el mito, citado por Aristóteles en su Eudemo, del fauno Sileno que dice: «no nacer es mejor que nacer y una vez nacido, es mejor morir lo más pronto posible». En la misma Bíblia resuenan expresiones nihilistas que nacen de la percepción de las tragedias de la vida. Así dice el Eclesiastes: «es más feliz quien nunca llegó a existir y no conoció la iniquidad que se comete bajo el sol» (4,3-4). Nuestro Antero de Quental (+1860) en un poema afirma «que siempre el mal peor es haber nacido».

Sospecho que ese malestar generalizado en nuestra cultura, contaminó el alma del copiloto Lubitz. Personas que entran en las escuelas y matan a decenas de estudiantes en varios países y hasta entre nosotros en 2011 en Río en la escuela Tasso da Silveira, cuando un joven mató a más de una decena de alumnos, revelan el mismo espíritu nihilista. Miedo difuso, decepciones y frustraciones destruyeron en Lubitz el horizonte de sentido de la vida. Quiso encontrar en la muerte el sentido que le fue negado en la vida. Escogió trágicamente el camino del suicidio.

El suicidio pertenece a la tragedia humana que siempre nos acompaña. Por eso hay que respetar el carácter misterioso del suicidio. Tal vez sea la búsqueda desesperada de una salida en un mundo sin salida personal. Delante del misterio callamos, pasmados y reverentes, por más desastrosas que puedan ser las consecuencias.

Recomiendo el libro de Clodovis Boff: O livro do sentido, vol I de tres, Paulus 2014.
Traducción de Mª José Gavito Milano

O suicído do co-piloto: expressão do niilismo da cultura pós-moderna?

10/04/2015

O suicídio premeditado do co-piloto Andreas Lubitz daGermanwings levando consigo 149 pessoas, suscita várias interpretações. Havia seguramente um componente psicológico de depressão, associado ao medo de perder o posto de trabalho. Mas para chegar a esta solução desesperada de, ao voluntariamente pôr fim a sua vida, levando consigo outros 149, implica em algo muito profundo e misterioso que precisamos de alguma forma tentar decifrar.

Atualmente este medo de perder o emprego e viver sob uma grave frustração por não poder nunca mais realizar o seu sonho, leva a não poucas pessoas à angústia, da angústia, à perda do sentido de vida, e esta perda, à vontade de morrer. A crise da geosociedade está fazendo surgir uma espécie de “mal-estar na globalização” replicando o “Mal-estar na cultura de Freud.

Por causa da crise, as empresas e seus gestores levam a competitividade até a um limite extremo, estipulam metas quase inalcançáveis, infundindo nos trabalhadores, angústias, medo e, não raro, síndrome de pânico. Cobra-se tudo deles: entrega incondicional e plena disponibilidade, dilacerando sua subjetividade e destruindo as relações familiares. Estima-se que no Brasil cerca de 15 milhões de pessoas sofram este tipo de depressão, ligada às sobrecargas do trabalho.

A pesquisadora Margarida Barreto, médica especialista em saúde do trabalho, observou que no ano de 2010 numa pesquisa ouvindo 400 pessoas, cerca de um quarto delas teve ideias suicidas por causa da excessiva cobrança no trabalho. Continua ela: “é preciso ver a tentativa de tirar a própria vida como uma grande denúncia às condições de trabalho impostas pelo neoliberalismo nas últimas décadas”. Especialmente são afetados os bancários do setor financeiro, altamente especulativo e orientado para a maximalização dos lucros.

Uma pesquisa de 2009 feita pelo professor Marcelo Augusto Finazzi Santos, da Universidade de Brasília, apurou que entre 1996 a 2005, a cada 20 dias, um bancário se suicidava, por causa das pressões por metas, excesso de tarefas e pavor do desemprego.

A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de três mil pessoas se suicidam diariamente, muitas delas por causa da abusiva pressão do trabalho. O Le Monde Diplomatique de novembro de 2011 denunciou que entre os motivos das greves de outubro na França, se achava também o protesto contra o acelerado ritmo de trabalho imposto pelas fábricas causando nervosismo, irritabilidade e ansiedade. Relançou-se a frase de 1968 que rezava: “metrô, trabalho, cama”, atualizando-a agora como “metrô, trabalho, túmulo”. Quer dizer, doenças letais ou o suicídio como efeito da superexploração do processo produtivo no estilo ultra acelerado norte-americano, introduzido na França.

Estimo que, no fundo de tudo, estamos face à aterradoras dimensões niilistas de nossa cultura pós-moderna. O termo, niilismo, surgiu em 1793 durante a Revolução Francesa por Anacharsis Cloots, um alemão-francês e foi divulgado pelos anarquistas russos a partir de 1830 que diziam: “tudo está errado, por isso tudo tem que ser destruído e temos que recomeçar do zero”. Depois Nietzsche retoma o tema do niilismo, aplicando-o ao cristianismo que, segundo ele, se opõe ao mundo da vida. No após guerra, em seu seminário sobre Nietzsche, Heidegger vai mais longe ao afirmar, creio que de forma exagerada, que todo o Ocidente é niilista porque esqueceu o Ser em favor do ente. O ente, sempre finito, não pode preencher a busca de sentido do ser humano. Alexandre Marques Cabral dedicou dois volumes ao tema:”Niilismo e Hirofania: Nietzsche e Heidegger’(2015) e Clodovis Boff três volumes sobre a questão do Sentido e do Niilismo.

Em setores da pós-modernidade, o niilismo se transformou na doença difusa de nosso tempo, quer dizer, tudo é relativo e, no fundo, na vale a pena; a vida é absurda, as grandes narrativas de sentido perderam seu valor, as relações sociais se liquidificaram e vigora um assustador vazio existencial.

Neste contexto, se retomam tradições niilistas da filosofia ocidental como o mito, citado por Aristóteles no seu Eudemo, do fauno Sileno que diz:”não nascer é melhor que nascer e uma vez nascido, é melhor morrer o mais cedo possível”. Na própria Bíblia ressoam expressões niilitas que nascem da percepção das tragédias da vida. Assim diz o Eclesiastes:”mais feliz é quem nem chegou a existir e não viu a iniquidade que se comete sob o sol”(4,3-4). O nosso Antero de Quental (+1860) num poema afirma:”Que sempre o mai pior é ter nascido”.

Suspeito que esse mal-estar generalizado na nossa cultura, contaminou a alma do co-piloto Lubitz. Também pessoas que entram nas escolas e matam dezenas de estudantes em vários países e até entre nós em 2011 no Rio na escola Tasso da Silveira quando um jovem matou mais de umaz dezena de alunos, revelam o mesmo espírito niilista. Medo difuso, decepções e frustrações destruíram em Lubitz o horizonte de sentido da vida. Quis encontrar na morte o sentido que lhe foi negado na vida. Escolheu tragicamente o caminho do suicídio.

O suicído pertence à tragédia humana que sempre nos acompanha. Por isso, cabe respeitar o caráter misterioso do suicídio. Talvez seja a busca desesperada de uma saída num mundo sem saída pessoal. Diante do mistério calamos, pasmados e reverentes, por mais desastrosas que possam ser as consequências.

Recomendo o livro de Clodovis Boff O livro do sentido, vol I de três, Paulus 2014.

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