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“Belo Monte: rolo compressor por cima de todos nós” denuncia o bispo Erwin Kräutler do Xingu

03/04/2012

Dom Erwin Kräutler trabalha há dezenas de anos na região do Xingu. Sempre defendeu os indígenas. Sofreu até um atentado que quase o matou. Mas nunca desistiu. Assumiu a causa dos povos da floresta ao redor de Belo Monte. Somos velhos amigos, porque juntos demos palestras em sua terra, a Austria e tomávamos rapé a melhor coisa para não pegar gripe e dormir bem. Ele ainda continua com o o rapé como o Papa Pio X que não passava uma hora sem tomar rapé.

Aqui Dom Erwin elaborou um texto de denúncia, texto veraz de quem vive a tragédia humana e ecológica que signifa Belo Monte. As autoridades não informam a população. Negam e até distorcemos os fatos.
Mas eu prefiro crer nesse homem, austríaco, que assumiu a cidadania brasileira e indígena, que acompanha o povo e corre sempre risco de vida.

Vamos ao testemunho impressionante dele: Lboff
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“Verdade é que um rolo compressor está passando por cima de todos nós. A promessa que Lula pessoalmente me deu no dia 22 de julho de 2009, segurando-me no braço e afirmando “Não vou empurrar este projeto goela abaixo de quem quer que seja” foi pura mentira. Falou assim para “acalmar” o bispo e livrar-se deste incômodo religioso que recebeu em audiência. O governo empurra sim Belo Monte goela abaixo!”, escreve, bispo do Xingu, narrando a visita pastoral, realizada no último mês de março, às comunidades do interior de Porto de Moz.
Segundo Dom Erwin,”o pessoal da Norte Energia é para lá de arrogante. Se o colono não desocupa o seu sitio, a Justiça dá ordem de despejo e manda a polícia em cima do pobre, pois a Norte Energia considera toda a região propriedade sua e os moradores, que lá vivem desde os tempos do bisavô, invasores”.

Há doze dias vivo a bordo do barco “Teresinha”. Estou visitando as comunidades do interior de Porto de Moz. Não há telefone e muito menos existe acesso à Internet. Faz um bem enorme ficar de vez em quando sem essas comodidades. Tem-se a impressão de estar em outro planeta. Mas as pessoas queridas que encontro ao longo da viagem e que há décadas conheço e amo são a prova de que continuo no mesmo planeta Terra e na “minha terra” que é o Xingu.

A primeira vez que singrei as águas dos rios, furos e lagos de Porto de Moz foi em janeiro de 1968. Lembro os antepassados do povo que agora me abraça. Revejo em muitos rostos os traços de seus avós. Antigamente as famílias vieram a remo. Hoje um motor “rabeta” diminui mais o tempo da viagem. Mesmo assim têm que enfrentar, às vezes por horas, um sol escaldante ou chuvas torrenciais.

O encontro comigo,como o bispo, segue sempre o mesmo esquema. Começa com abraços, cantos, poesias, salva de palmas. Um ambiente festivo e descontraído, sem formalidades, etiquetas e protocolos. Sinto-me em casa. “Vós todos sois irmãos” (Mt 23,8). Também o bispo é irmão! É nestas ocasiões que mais me realizo como pastor, no meio dessa gente que amo e que – eu sei disso – também me ama. Todo mundo se conhece. Essa é uma das mais belas características das Comunidades Eclesiais de Base. Não há estranhos.

Faço questão de primeiro ouvir o povo, escutar a sua história, ser informado a respeito de suas esperanças e angústias, avanços e derrotas. São coisas alegres, estórias pitorescas, “causos” que partilham comigo, mas também assuntos tristes, experiências dolorosas.
Sempre me admiro que esse povo, apesar de viver uma vida dura e penosa, nunca perdeu a alegria. Sabe sorrir! Aliás, que sorriso límpido, espontâneo, cativante! Nada postiço, só para agradar o bispo. Falam do salão comunitário que conseguiram construir, da capela que pintaram, das reuniões semanais, do culto dominical e da novena que não deixaram de celebrar. Revelam também problemas familiares. Alguém denuncia a invasão de geleiras para roubar o peixe, até na época da piracema.
“Vem com malhadeiras de malha tão fina que nem alma passa” diz alguém. Outro relata com orgulho experiências que fazem com as Reservas Extrativistas comunitárias, mas reclama do IBAMA que cai em cima deles por causa de uma tartaruga que pegam, enquanto faz vistas grossas diante das geleiras, do escandaloso roubo de madeira, de desmatamentos e outras agressões ao meio-ambiente, como por exemplo Belo Monte. “Aí dá até todas as licenças para acabar com o nosso Xingu”.

Passo, em seguida, do papel de ouvinte para entrevistado. Jovens e adultos me bombardeiam com perguntas de todo tipo. Assuntos internos da comunidade, do setor, da paróquia, mas também da “conjuntura” econômica e política. Em todas as comunidades, a pergunta principal é sobre. Querem saber detalhes, já que o bispo vem de Altamira, do centro do monstruoso projeto.

“Bispo, será que ainda tem jeito de impedir essa desgraça? Ouvimos falar que estão tocando Belo Monte a todo vapor. Dizem que o governo já gastou muito dinheiro e assim certamente não dá mais para parar a obra. Que o Sr. acha?”

O que realmente devo responder a esse povo? Decido “abrir o verbo”, sem meias-palavras: “Verdade é que um rolo compressor está passando por cima de todos nós. A promessa que Lula pessoalmente me deu no dia 22 de julho de 2009, segurando-me no braço e afirmando “Não vou empurrar este projeto goela abaixo de quem quer que seja” foi pura mentira. Falou assim para “acalmar” o bispo e livrar-se deste incômodo religioso que recebeu em audiência. O governo empurra sim Belo Monte goela abaixo!
Altamira virou um caos em todos os sentidos. Nada do prometido saneamento básico, uma das condicionantes do IBAMA para dar licença para iniciar a obra! Não tem leito nos hospitais, não há vaga nas escolas, homicídios na ordem do dia, prostituição a céu aberto no centro da cidade. Os aluguéis de uma casa simples pularam de 300 para 2.000 Reais. Os preços de alimentos triplicaram. O transito é uma calamidade. Acidentes a toda hora”.

“O que mais vou dizer a vocês?
Fui várias vezes “ver” o canteiro de obras, quer dizer, queria ver, porque não me deixaram entrar, mas vi de longe os estragos já irrecuperáveis. Rezei missa com as comunidades ameaçadas de despejo. Os grandes fazendeiros receberam indenizações, mas o coitado do pequeno produtor e agricultor não sabe o que vai ser dele e de sua família. Arrasaram com uma vila inteira: Santo Antônio. O pessoal da Norte Energia é para lá de arrogante. Se o colono não desocupa o seu sitio, a Justiça dá ordem de despejo e manda a polícia em cima do pobre, pois a Norte Energia considera toda a região propriedade sua e os moradores, que lá vivem desde os tempos do bisavô, invasores.”

“E para onde vai toda essa gente?” Me perguntam.
“Pois também eu quero saber. Prometem solução, mas nunca dizem que tipo de solução, onde, quando, de que jeito.”
“E o povo de Altamira?”

“Muita gente está com o coração despedaçado. Até comerciantes e empresários que antes colaram em seus carros adesivos “Queremos Belo Monte” andam hoje cabisbaixos. Quem pode contra a fúria da “Norte Energia”?

Aliás “Norte Energia” é o próprio Governo, antes Lula, agora Dilma. Nunca houve diálogo com o povo daqui, nem com índios, nem com ribeirinhos, nem com o povo da cidade. O governo traiu o povo que o elegeu e ri-se de quem defende os índios, os ribeirinhos, os pobres atingidos pela barragem.

Fala de preço a ser pago pelo progresso. Só que esse preço sacrifica o nosso povo e não as famílias de políticos em Brasília. Um terço de Altamira vai para o fundo e o resto vai ficar à margem de um lago podre, criador de carapanã e causador de dengue e malária”.
“E os índios? É verdade que estão a favor da barragem?”

“Não digo que estão a favor da barrage. Estão a favor dos presentes que recebem. Muitos deles que antes viviam abandonados pelo governo e entregues à própria sorte, hoje têm todas as contas pagas no comércio, recebem cestas básicas e combustível e outros benefícios. O governo que negou aos índios se manifestarem em oitivas previstas em lei, agora se esmera em entupi-los de dinheiro para fechar-lhes a boca. Antigamente enganou-se os índios com espelhos e bugigangas, hoje milhões de reais são injetados nas aldeias para paralisar a luta indígena e cooptar as lideranças. O preço é muito alto. Não se mata mais índio a ferro e fogo. O dinheiro farto é a punhalada traiçoeira no coração das culturas indígenas e de sua organização comunitária.

E o governo afirma em alto e bom som que nenhuma aldeia será alagada. Aldeia será alagada, sim! O que a Norte Energia faz, é cortar a água aos índios e ribeirinhos da Grande Volta do Xingu. E o povo da Volta Grande vive e sobrevive da pesca. E tem mais. O que vai acontecer com uma aldeia a poucos quilômetros do canteiro de obras onde trabalham milhares de homens? É muito triste! Dá dó!”

“E nós? Como é que nós vamos ficar, nós que moramos abaixo da futura barragem? Ou, como essa gente de Brasília fala, ‘à jusante’?”
“Bem, vocês sabem o que acontece se fazem uma tapagem no igarapé. Acima da tapagem, o que acontece?”
“O igarapé alaga a terra firme!”
“E abaixo da tapagem?”
“Ora, o igarapé seca!”
“Pois é. O Xingu abaixo da barragem vai baixar de nível e os igarapés e afluentes também. Há trechos em que o Amazonas vai entrar no leito do Xingu e nossos peixes que não se dão com a água barrenta do Amazonas vão morrer.”

Por um bom tempo o povo ficou apenas me olhando e não me fez mais nenhuma pergunta. E eu comecei a pensar:

Tudo é matéria prima para fazer negócios. Tudo vira mercadoria a ser explorada, ser comprada e vendida, exportada e consumida! Por isso os homens derrubam e queimam a floresta, represam e sacrificam os rios, assassinam os animais da mata, envenenam as plantas e os pássaros.
Os homens perderam o coração. Tornaram-se insensíveis, brutos, cruéis. Decidiram matar a vida.

Boca do Rio Maxipanã, São Pedro, março de 2012

Fonte: IHU 03/03/2012

21 Comentários leave one →
  1. 03/04/2012 20:47

    Leonardo Boff
    Gostei de seu novo posicionamento político diante dos problemas do mundo. Seja oposicionista e não partidário.
    Bem que valeu a pena minhas “grosserias” para com você.
    Meus parabéns.
    odeciomendesrocha philosopher

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  2. RomeroMarcius permalink
    03/04/2012 22:38

    Até o Lula e a Dilma nesta?
    É o preço das alianças e conchavos do PT para chegar ao Poder, né?
    Triste! Muito triste!

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  3. 04/04/2012 1:34

    Nossa! Que soco no estômago levei agora. Nunca me interessei por esse assunto, mas vendo o relato de um homem que há décadas vive nessa realidade é de tirar da mente qualquer dúvida sobre sua verdade. Vou espalhar essa mensagem nas minhas redes sociais!

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  4. 04/04/2012 7:07

    Sempre foi assim, em nome do progresso. Mais de 70% de nossa energia vem das hidrelétricas – é uma energia dita limpa, dizem, mas nem tanto assim. Além de todos os problemas mencionados, a biomassa vegetal fatalmente inundada num determinado momento se torna anaeróbica e gera metano. Fora isto, as desocupações e alterações ambientais que fatalmente ocorrem em toda região e entorno, uma mexida e tanto nos ecossistemas. Enquanto não desviarmos o dinheiro do petróleo para desenvolvermos fontes verdadeiramente limpas de energia – eólica, solar, marés e quicá nuclear, estaremos marcando passo, pois a corrida agora é outra.

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  5. Roberto Belleza permalink
    04/04/2012 10:05

    É a perversa lógica do capitalismo. A postura de Dom Erwin é a do pastor que caminha com seu rebanho e não acima dele. Não se omite. Voz profética, que denuncia, apesar dos riscos e ameaças. Compromisso evangélico hoje, infelizmente, tão raro no episcopado.
    E como nos fortalece saber que ainda existem pastores assim, com a coragem dos que não desistem nunca.
    Que a CNBB também se faça presente. Belo Monte é uma questão nacional. O respeito aos que vivem na região há anos é algo inquestionável. Que eles sejam ouvidos e que a vida, em todos os sentidos, seja acima de tudo preservada.

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  6. Júlio Resende Duarte permalink
    04/04/2012 10:44

    Bom dia Leonardo.

    Os indígenas do Xingu poderiam reenviar a Carta do chefe Seatle para o Governo. O erro se repete 150 anos depois.

    abr

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  7. 04/04/2012 11:03

    Es triste ver como tanto a gran escala ( en Brasil, por ejemplo) como mediante pequeños y medianos proyectos (como sucede aquí en Costa Rica) nuestros gobiernos se dejan llevar por la vorágine del “desarrollo”, y arrasan con todas las vidas que se interpongan en su camino. Hablar de desalojados no conmueve, pero si vemos sus rostros llenos de desesperanza, especialmente en los niños, caemos en la cuenta del gran daño que esta gente está sufriendo.

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  8. LUIZ EUGÊNIO permalink
    04/04/2012 11:27

    Como tem estrangeiros “preocupados” com Belo Monte, hein? Aqui, um religioso austríaco desfia lamúrias sentimentais sobre pobrezinhos de “coração despedaçado”, esculhamba com Lula e fornece mais munição pro pseudo-ativismo ambiental patrocinado pelo império e vastamente divulgado pelas Vejas e Rede Globos da vida. Claro que Herr Erwin não vai falar de todas as oportunidades econômicas que estão surgindo para as populações da área de Belo Monte, nem tampouco dos projetos e compensações ambientais em plena implementação. Claro, também, que pouco importa a este senhor se nossa estrutura energética entrar em colapso. Pra que o Brasil precisa de energia elétrica? Pra desafiar a hegemonia econômica do império ianque e seus vassalos europeus? Nein, nein… O “Brazil” é um país de índios que não devem sair de suas malocas iluminadas a querosene, um eterno projeto de nação, cheio pobrezinhos de “coração despedaçado”, boas buchas de canhão para a corja tucana e seus patrões imperiais.

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    • 06/04/2012 12:23

      Pois é, o que vale mesmo são as ”oportunidades econômicas”… dai se percebe o quanto seu pensamento corrobora com os dos yanques, onde o a Vida é mercadoria, e outra esse pesamento é o mesmo dos desenvolvimentistas que querem a qlq custo o “progresso”, aquele que serve apenas para os grupos seletivos de mega-empresários e megacorporações…Portanto, bucha de canhão é quem pensa igual a vc, que quer um mundo para sem limites…

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  9. 04/04/2012 13:46

    Eterno Pastor Paz e Bem e obrigado por ser guardião de Gaya…Satisfação humano funcional de alma com todas as espécies.

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  10. Marcio Nogueira permalink
    04/04/2012 15:50

    Que triste assistirmos passivos a destuição brutal da vida. Devemos nos mobilizar enquanto sociedade civil e questionarmos essa atrocidade que o governo está fazendo com o dinheiro do povo. Podemos sim fazer frente a isso e não ficarmos nos sentindo impotentes diante deste monstruoso atentado que está em curso a todo a população do planeta.
    E além disso, sabemos que a forma de obtenção de energia através de usinas hidrelétricas é a mais cara e das mais destrutivas ambientalmente. Temos muitas outras formas de produção de energia que são limpas e mais eficientes que essa, porque não começarmos a propor essa troca? Só para citar alguns exemplos a obtenção de energia através do vento: Energia Eólica, ou através do movimento das ondas do mar, num país com um litoral com proporcões continentais. Ou mesmo a enegia solar, esse reator natural de abundância infinita, e lembremos estamos num país que sol brilha o ano todo ? Só para citar tres exemplos de obtenção de energia limpa.
    E creiam, já temos tecnologia bastante eficientes de obtenção de energia dessas tres fontes e de váriias outras. Mas ao invés disso estamos optando por destruir uma imensidão de florestas, levando a existinção incontáves espécies de plantas e animais e a destruição de um ecosistema único no mundo?
    E além de tudo isso, o que é mais impressionante é o holocausto de vidas humanas com suas culturas tradicionais como a indígina, a das populações ribeirinhas e amazônica de forma geral. É uma perda irreparável para toda humanidade.
    Façamos algo, Que tal começarmos por divulgar isso. Todos aquele que, de alguma forma se sensibilizar por esse tema, por favor não se cale.
    Vamos discutir esse tema da forma mais ampla possivel.
    É o que proponho!
    Grato a todos

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  11. 04/04/2012 16:22

    Meu Caro Leonardo Boff, sempre fazendo eco aos gritos de nossa gente sofrida na voz e nas palavras de um dos poucos Bispos comprometidos deste nosso Brasil em tempos de PAC. Parabens, meu velho guru à distância. Abraços!

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  12. 04/04/2012 17:40

    Obrigada por compartilhar!
    O Brasil não precisa da Usina Hidrelétrica de Belo Monte! Há outras tecnologias disponíveis e bem mais modernas!
    Os índios perderão suas casas, mas entendam que casa de índio é muito mais do que simplesmente perder um teto, eles perdem o lugar de onde retiram sua alimentação, porque na floresta não tem “supermercado”!! E graças a eles não há poluição naquela região! É muito triste o que estão fazendo com esse povo! Não fosse somente isso o impacto ambiental será tremendo!
    Vamos utilizar estas redes sociais para denunciar isto tudo.. há muitas matérias pela internet, incluindo denúncias dos próprios índios nas aldeias!
    O povo brasileiro precisa aprender a proteger seu futuro neste solo e neste planeta!
    Leiam sobre os impactos ambientais deste projeto e ASSINE A PETIÇÃO do Cacique RAONI no site http://www.raoni.com – veja esse clip >> http://www.youtube.com/watch?v=Rdbk4wdsdbk

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  13. Hébio Camargo Júnior permalink
    04/04/2012 20:35

    Querido Leonardo Boff, que tanto admiro e sou fascinado pela sua história de vida e pela sua obra, sobre texto acima sabemos que o dinheiro é que manda e o progresso se faz jus ao avanço da tecnologia e do bem da sociedade.

    Já que estas lutas contra a “Norte Energia”, e contra o Governo não está dando certo por motivos pelos quais sabemos, a população desta região se encontra sozinha nesta situação, sem apoio da imprensa que é comprada, sem o apoio dos Políticos.

    Me pergunto a Igreja com o seu poderio financeiro e com a sua influência, não poderia ajudar estas pessoas dando casas, prestando um auxilio maior a esta comunidade, não só com palavras do Bispo Dom Erwin Kräutler, o senhor sabe mais do que ninguém o trabalho que o Bispo faz nesta região que é excelente, mas infelizmente as vezes o conforto espiritual no meu entender, não acrescenta em nada a dor que estas famílias estão sentindo neste momento, ou seja, a perda do seu local de origem onde, nasceram, se educaram, e estão vivendo até hoje neste local.
    Não seria a hora da Igreja se manisfestar com apoio financeiro as estas pessoas e não só com a presença do Bispo Erwin Kräutler.
    Bom se a Igreja esta ajudando eu não estou sabendo.
    No mais muito obrigado e te admiro cada vez mais, querido Professor, teólogo, Biólogo,escritor etc…
    Abraços.
    Hébio Camargo Júnior.
    Professor de História

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  14. 04/04/2012 21:11

    Meu caro Leonardo Boff, penso que quem defendeu o governo Lula e agora defende e serve ao governo Dilma, é corresponsável nestas agressões. Pra merecer credibilidade, a coerência e o testemunho são indispensáveis!

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    • 05/04/2012 8:44

      Rosalvo
      VC de que lado está finalmente? Tem sudades das classes dominantes? A Dilma tem a aprovação de 77% dos brasileiros. Isso deveria faze-lo pensar ou julga que o povo é ignorante e nada sabe? Nunca servi a governo e a partido nenhum. O que não me impede de exercer minha cidadania e apoiar um projeto político que significa a ruptura histórica da politica feita pelas elites e para as elites e nunca para o povo. Agora que existem politicas republicanas, cuja centralidade está no social e na inclusão dos 40 milhões que estavam à margem, devemos saudá-las. Desvios e desmandos não podem simplesmente serem tributados à Presidenta. Nunca em governo nenhum a Policia e as investigações foram tão incentivadas a partir do poder oficial.
      Espero que não negue estes avanços. Mas a liberdade pertence a cada cidadão
      Lboff

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      • Angélica de Moraes permalink
        06/04/2012 5:25

        Ah, assim não mesmo sr. Boff. Apesar de todas as atrocidades e cegueiras sociais cometidas no Xingú o sr ainda defende os governos Lula e Dilma? Que contorcionismo ideológico é esse, sr Boff ? Ou é algo na seara da esquisofrenia? Cuidado. Porque se o sr divulga as denúncias de seu amigo bispo também deve a ele e a nós um mínimo de coerência. Como acomodar no mesmo pacote e benzer o genocídio e o ecocidio representado por Belo Monte e todas as hidrelétricas amazônicas dos governos Lula e Dilma sem considerar os projetos econômico, social e ecológico do atual e anterior governos seriamente comprometidos em suas bases de propalada justiça social? E comprometidos exatamente porque atendem a interesses econômicos de uma elite ( aquelas mesmas empreiteiras e bancos) e não o bem estar do povo e, em especial, das populações ribeirinhas e indígenas escorraçadas de suas terras ancestrais? Tudo isso em nome de um falso progresso, exatamente aquele “progresso” garantido pelas propinas que fluem das empreiteiras para os cofres partidários. Como fica a tão famosa ética cristã nisso, sr. Boff? Saiba que eu admirava o sr antes que começasse esses contorcionismos da lógica para justificar o injustificável. Em tempo: não pertenço a nenhum partido político. Todos usam os santos nomes da democracia e do povo para esbulhá-los. Sugiro que ouça mais seu amigo, o bispo Erwin. Ele parece bem mais informado e bem posicionado na questão Belo Monte do que o sr. Quem sabe ele lhe ajuda a curar esta sua atual esquisofrenia ideológica?

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      • 07/04/2012 20:09

        Concordo totalmente com você . A quetao do calentamento global e os dereitos humanos com a defensa dos povos nativos nesste caso os indios xingu , nao interesan a as grandes companhias capitalistas e os governos vem a corto plazo resolver problemas inmediatos como moradia trabalho e politicamente subir no PIB , So que a questao esta amenazando toda Amazonia os povos nativos ,causando a corto prazo uma catastrofe ambiental que vai afeitar a todos os povos e uma forma global.

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      • Rosalvo Salgueiro permalink
        17/04/2012 21:10

        Caro irmão Leonardo Boff,

        Com todo respeito!

        Não cultivo a visão dicotômica, seja da natureza, da realidade como um todo ou simplesmente da política. Sei, e até posso concordar, que o fragor da realidade às vezes impõe-nos escolhas que se não estão absolutamente concordes com o que pensamos, são as possíveis e viáveis no momento. Sei também que o exercício do poder, principalmente na escala da Presidência da República, implica em conviver com as contradições. Até aqui, nada a estranhar!

        Não tenho saudade da classe dominante, pela simples razão de que saudade e tem de algo ausente, o que não é o nosso caso. A classe dominante continua, como dantes, a exercer o poder em toda sua inteireza em nosso País. Os lucros dos bancos, os “eikes batistas” da vida e o coronelismo nordestino, de roupagem nova é bem verdade, bem o demonstram sem deixar lugar para dúvidas.

        Realmente, prezado irmão, vemos e avaliamos o governo de turno de maneiras bem diferentes. Você me pergunta de que lado estou, e eu repondo de modo muito simples:

        1- Hidrelétrica de Belo Monte: Estou do lado dos indígenas, dos ribeirinhos, dos animais da floresta, dos peixes e das águas do Rio Xingu. Estou do lado do Bispo Erwin Kräutler e da participação verdadeiramente democrática dos atingidos nas decisões que lhe dizem respeito.

        2- Transposição das águas do Rio São Francisco: Estou do lado dos que lutam para que o rio seja primeiro revitalizado para só então contribuir com outras regiões, atendendo principalmente a todos quantos vivam às margens dos tais “canais”. Estou do lado do Bispo Dom Frei Flavio Cappio que, neste momento, encarna e representa o povo pobre e espoliado da região.

        3- Necessidade de energia para o desenvolvimento: Estou do lado das tecnologias alternativas, das pequenas hidrelétricas de menor impacto, da energia eólica, da energia de biomassa, a energia solar, etc. Estou do lado que você propôs, de que repensarmos nossa relação com a natureza e a noção de desenvolvimento e consumo.

        4- A Mãe do PAC: Estou do lado da decência e da transparência, defendo auditoria independente, CPIs e outros mecanismos de apuração e responsabilização, se possível com cadeia para os culpados. (Corrupção mata!)

        5- Os 77% de aprovação da Dilma: Estou entre os outros 23% e não me enganam estes números que em si mesmos não dizem nada. Hitler, Mussolini, Herohito e muitos outros ditadores alcançaram índices ainda maiores de aprovação popular!

        Leonardo desculpe-me por meter-me, justo aqui a, a discutir contigo estas coisas é que ainda não sei como, nestes temas, alguém pode sentir-se ao mesmo tempo apoiando os dois lados em conflito. Em Belo Monte , assim como em todas as hidrelétricas em execução ou em projeto na bacia Amazônica, no Rio São Francisco, na defesa do Meio Ambiente e da Ecologia, não há como ser as duas coisas ao mesmo tempo. Prometo não continuar incomodando lhe aqui, mas humildemente devolvo-lhe a pergunta.

        De que lado você está?

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  15. marcitolopes permalink
    06/04/2012 13:42

    Companheiro, eu fiquei esperando a sua intervenção escrita e lúcida, com relação ao caso escabroso de violência contra o Povo do Pinheirinho. Procurei por algum tempo mas enfim desisti, gostaria de ter visto a sua voz somada as vozes de outros em relação a um fato que marca emblemáticamente como as elites pretender reagir com relação a qualquer ação de inclusão que ponha em xeque o mundo que estas mesmas elites construíram.

    Quanto ao caso de Belo Monte, acredito que o Governo, mesmo o PT não tem acúmulo para enfrentar mais ativamente o lobby da industria que se beneficiará com todo este processo.

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  16. Luzimar permalink
    08/04/2012 0:39

    É um projeto vergonhoso! Alterar o ecossistema, matar os animais, as plantas, destruir comunidades indígenas em nome do dinheiro. E o governo fala de desenvolvimento sustentável! Vocês não percebem que isso é uma catástrofe ecológica? IBAMA, pelo amor de Deus, o que aconteceu?

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