Skip to content

O direito contra a direita

16/05/2015

Prolongando reflexões anteriores, vejo que para tentarmos sair da atual crise (se possível) duas pressuposições devem ser consideradas seriamente. Caso contrário há o risco de perdermos tudo o que tivermos projetado: o colapso da ordem capitalista e os limites intransponíveis da Terra. Naturalmente trata-se de hipóteses, mas creio que fundadas.

Primeria pressuposição: o sistema do capital entrou em colapso que significa o seu fim num duplo sentido: fim no sentido de que alcançou seu propósito fundamental: aumentar a acumulação privada até o seu limite extremo. Como constatou Thomas Piketty em seu O capital no século XXI:“os poucos que estão no topo tendem a apropriar-se de uma grande parcela da riqueza nacional”. Hoje essa tendência não é só nacional mas global.

Os dados variam de ano para ano, mas no fundo se resumem nisso: um grupo cada vez menor detém e controla grande parte da riqueza mundial. Hoje são, segundo dados do respeitado Instituto Suiço de Pesquisa Tecnológica(ETH), 737 atores que controlam cerca de 80% dos fluxos financeiros mundiais. Dentro de pouco serão muito menos.

Mas esse fim significa também fim como colapso e desfecho final. A agonia pode se prolongar, pois ele usa de mil estrategemas para se perpetuar, mas a crise é inevitavelmente terminal. O capitalismo alcançou o teto e não consegue ir além; pior ainda, não tem mais nada a nos oferecer, a não ser mais do mesmo que é aquilo que produz a crise: sua ilimitada voracidade.

Ocorre que encostou nos limites físicos da Terra; a exaustão dos bens naturais é de tal ordem que não tem mais condições de se autoreproduzir pois precisa deles. Ao forçar a sua lógica interna, pode tornar-se biocida, ecocida e, no limite, geocida. Como não pode mais se autoreproduzir, volta-se sobre si mesmo, acumulando com mais e mais fúria, via especulação financeira: dinheiro fazendo dinheiro. O lema continua ser o mesmo, o perverso”greed is good”(a cobiça é boa). Danem-se a humanidade, a natureza e o futuro das próximas gerações.

Se no Brasil quisermos sair da crise à base desta lógica, estamos escolhendo o caminho do abismo. Dentro de pouco, todos experimentaremos na carne o sentido da metáfora de Sören Kirkegaard: o palhaço convocou os espectadores a ajudar a apagar o fogo nas cortinas de trás do teatro; todos riam e aplaudiam pois pensavam que era parte do espetáculo. Ninguém atendeu o palhaço até que o fogo queimou o teatro inteiro e todos os que estavam dentro e ainda os arredores.

A segunda pressuposição, quase sempre ausente nos analistas econômicos convencionais, é o estado gravemente doentio do planeta Terra. A aceleração produtivista está destruindo, célere, as bases físico-químicas que sustentam a vida, além de gerar uma espantosa erosão da biodiversidade (cerca de cem mil espécies, segundo E. Wilson, desparecem por ano) e o irrefreável aquecimento global, cujos gases de efeito estufa atingiram atualmente os níveis mais elevados desde 800 mil anos. Com a subida de 2 graus Celsius de aquecimento, poderemos ainda gestionar a biosfera. Contudo, se a partir de agora nada fizermos, como asseverou já em 2002 a sociedade científica norteamericana, ainda neste século, podemos conhecer o “aquecimento abrupto”. Este poderá chegar de 4-6 graus Celsius. Sob esta temperatura, adverte a comunidade científica, as formas de vida conhecidas não irão subsisitir e grande parte da humanidade será atingida gravemente com milhões de vítimas.

Como sair desse impasse? Talvez ninguém tenha condições de oferecer uma alternativa realmente viável, pois ela possui uma dimensão que vai além do Brasil, pois é global. A nós, intelectuais, cabe refletir, alertar e urgir medidas concretas. É o nosso imperativo ético.

Minha bola fosca de cristal me sugere três caminhos:

O primeiro, face à gravidade da crise, criar um consenso mínimo, supra-partidário, envolvendo parlamentares progressitas, sindicatos, empresas, a inteligentzia nacional, ONGs, as igrejas e povo na rua, ao redor de um projeto mínimo de Brasil fundado em alguns princípios e valores assumidos por todos (seguramente se exigirá uma reforma política, tributária e pesado investimento na agroecologia). Estimo que a liderança de Lula seria ainda suficientemente forte para encabeçar esta proposta. O Governo de Itamar Franco, pós-crise Collor, poderia servir de referêndia inspiradora.

O segundo, seria constituir uma frente ampla e vigorosa de partidos progressistas, sindicatos e outros grupos e intelectuais progressitas para fazer frente ao forte avanço da direita com suas políticas neo-liberais, asssocidas ao projeto-mundo, liderado pelos países centrais. A direita não tem uma preocupação social consistente, pois ela está interessada no crescimento via PIB que favorece as classes proprietárias e os bancos, deixando os pobres lá onde sempre estiveram, na periferia.

Novamente, estimo que a figura mais adequada para costurar esta frente progressista seria Lula. Mas sua condução deveria ser pluralista e não personalista. A convergência na diversidade, não anularia as singularidades dos partidos e dos grupos que possuem sua identidade e sua história. Mas face a um risco geral, devem relativizar o particular em função do universal.

O terceiro caminho seria o PT fazer uma rigorosa auto-crítica, (até hoje nunca fez) se recompor internamente, reforçar o nexo do poder com os movimentos sociais, politizar o mais rapidamente possível as bases e apresentar-se com uma agenda nova que completaria a primeira cujos items básicos seriam a infra-estrutura em saúde, educação, transporte, a urbanização das favelas, a reforma política, a tributária e a agrária, entre outros itens.

Mas vejo que o desgaste do PT a partir de um punhado de traidores e ladrões que envergonharam mais de um milhão de filiados e desmoralizaram o país face a si mesmo e ao mundo, torna frágil, talvez até inócuo este caminho.

Por algumas destas saídas se poderá superar a perplexidade, o sentimento de impotência e construir alguma esperança de que ainda temos jeito. Seja como for, o que conta mesmo na superação de qualquer crise é esse tripé, verdadeira Trindade da economia sã que vai além do PIB pequeno ou grande: o emprego, o salário e a promoção social das bases. Isso garantirá a sobrevivência da maioria e criará uma ordem suportável.

Seja como for, à direita política que excogita saídas fora da democracia, devemos opôr o direito. Não podemos aceitar a quebra do rito democrático pois a história mostrou que ela não possui um compromisso sério com a democracia; para salvar seus intereses não teme a quebra das regras.

Quanto a nós não nos é permitido desistir de buscar o melhor para o nosso país, para além das diferenças e desavenças que possam existir. O bem comum deve prevalecer sobre qualquer outro bem particular.

 

Leonardo Boff é filósofo, ecólogo e escritor

 

 

 

 

24 Comentários leave one →
  1. Manoel Mendonça permalink
    16/05/2015 20:07

    Transferir todo esse poder da direita para esquerda não vai resolver nada, pelo menos é o que tem demonstrado o partido de esquerda que se instalou no Brasil há 12 anos. O que antes se conseguia através de leis de mercado, hoje se consegue através da corrupção e impunidade. Temos que encontrar outra saída.

    • Lázaro permalink
      19/05/2015 23:08

      Professor, Boa Noite.

      Li com bastante cuidado seu artigo e percebi alguns erros nas pressuposições.

      Primeiro: “O primeiro, face à gravidade da crise, criar um consenso mínimo, supra-partidário” – Nesse primeiro seria algo que talvez não chocasse os partidos nacionais, já que todos seguem a melhor linha ideológica, porém, contudo, é errôneo e ate surreal acreditar que o partido atual – PT -, o mesmo que causou a desestabilização econômica no país seria suficiente.

      Segundo: “O segundo, seria constituir uma frente ampla e vigorosa de partidos progressistas, sindicatos e outros grupos e intelectuais progressitas para fazer frente ao forte avanço da direita com suas políticas neo-liberais, asssocidas ao projeto-mundo, liderado pelos países centrais.” Mais radicalismo do que existe ? Mais partidos de esquerda ? Mais aumento nas reivindicações dos sindicatos ? Acho que o Sr esqueceu de citar que foi o MST o principal responsável por destruir uma década e meia de estudos biotecnológico sem nenhuma necessidade ou argumento pro o projeto, enfim, acredito que seja o progressismo à causa dos problemas sociais. Lembrando que a politica neoliberal da suposta “Direita” nada mais é que um partido de esquerda PSDB.

      Terceiro: “O terceiro caminho seria o PT fazer uma rigorosa auto-crítica, (até hoje nunca fez) se recompor internamente, reforçar o nexo do poder com os movimentos sociais, politizar o mais rapidamente possível as bases e apresentar-se com uma agenda nova”. No inicio do texto “fazer uma rigorosa auto-crítica”, nisso o Sr tem toda razão, porém, acrescento que alem da auto critica o partido deve fazer uma complexa limpeza, visto que, muitos dos filiados ao partido foram citados em diversos escândalos de corrupção, mas há também um outro ponto nessa pequena pressuposição, o PT é um dos partidos que investe pesado em seus movimentos vide MST, CUT e vários outros e tem mais ate local de discussões o partido tem – FORO de SÃO PAULO.

      Levantando suas pressuposições acredito que minhas justificativas sejam o suficiente para apontar falhas.

      Em outro ponto ao qual fiquei ansioso para saber do Sr a opinião, descrevo.

      “A direita não tem uma preocupação social consistente, pois ela está interessada no crescimento via PIB que favorece as classes proprietárias e os bancos, deixando os pobres lá onde sempre estiveram, na periferia.”

      Ora, vivemos a bastante tempo sobre uma nação onde a politica de esquerda sempre foi vigente, ora PSDB, ora PT, e neste pensar acredito que, não seja problemas de divergências politicas, visto que ambos tendem a mesma linha de pensamento. Quando o senhor afirma que a Direita não se preocupa com a nação socialmente, acredito eu ser errôneo o afirmar, e quando analisamos as estatísticas usando o mesmo tempo em que nosso partido perdura no poder, veremos países como a Inglaterra, Canadá e precisamente Coreia do Sul muito à frente do nosso Brasil, isso de certa maneira doí, doí por saber que no Brasil além de termos uma nação multiculturalista e forte, temos um povo trabalhador, mas falta vontade nos políticos e principalmente nos intelectuais encontrar a solução sem jogar uns contra os outros.

      Infelizmente vejo na esquerda nacional, falhas e bastante controvérsias, e não acho que é difamando uma falsa existência ideológica – Direita – que vossa popularidade irá aumentar ou que os problemas serão resolvidos.

      Não estou desmerecendo seu trabalho, longe de mim, sou apenas um aluno e como tal sei meu lugar, busco o conhecimento para ajudar nossa nação a sair do abismo em que se encontra. Porém, como citei acima, não devemos por culpa em algo que não existe.

      Obrigado pelo espaço dado, é sempre bom quando há divergências, são nelas que podemos encontrar a melhor resposta.

      • ADRIANO BERAO COSTA permalink
        21/05/2015 7:48

        ESTÉTICA MIDIÁTICA E TORPOR IDEOLÓGICO

        …E 13 ANOS SE PASSARAM…

        Tenho debatido com Marco Magioli e com Leonardo Boff sobre a conjuntura política. Para eles minhas palavras soam como uma “cantilena”.
        Porém, o método da “cantilena” parece tê-los contaminado, afinal por várias vezes me respondem com o argumento de que os reajustes do salário mínimo, elevando-o a patamares nunca antes alcançados neste país, são a grande obra da coalizão que vem governando o Brasil há 13 anos. E mais, o referenciam ao dólar, moeda calibrada pela energia, pelo suor e pelo sangue de uma MAIORIA oprimida por necessidades impostas – psíquica e corporalmente – por mercados que não consideram o indivíduo e o planeta.
        Sinceramente não estou preocupado com este salário mínimo de 788 Reais por sabê-lo inconstitucional e muito aquém dos 2.975,55 (valores de dezembro) do DIEESE, Departamento Intersindical de Economia e Estatística.
        Estou preocupado, isto sim, com nossas gerações atuais e futuras.

        É da “natureza” do dinheiro – ingrediente do Capital – circular. Não por engano os economistas referem-se a ele como “corrente”, no sentido de percurso, via, força de movimento. E não considero que ele – o Dinheiro – possua ideologia e tão pouco se submeta a qualquer uma neste seu movimento. É inútil controlar seu fluxo.
        As ideologias têm a ver, isto sim, com a velocidade deste sistema, com sua direção, sentido e objetivos. É ai que minha “cantilena” serve de alerta e crítica.
        Um salário mínimo de 788 Reais subverte o significado de “corrente” e como no português esta palavra tem dois sentidos, acaba por aprisionar toda a Nação num calabouço de migalhas.
        Menos de 5% do dinheiro dos capitais envolvidos em empreendimentos públicos e privados destina-se à remuneração da Força de Trabalho.
        Isto é a contabilização de uma brutal concentração de renda pública e privada e o capital se estatiza e se oligopoliza, via de regra associados, na exploração, na corrupção e na acumulação. Pensadores, legisladores e operadores políticos de esquerda sabem disso.
        Afirmo que é preciso fazer o dinheiro circular entre a população de forma caudalosa e não a conta-gotas, distribuindo migalhas.
        Nós estamos fazendo com o fluxo do dinheiro o mesmo que fizemos com nossos arroios nas nossas cidades: os transformamos em valões assoreados e cheio de ligações clandestinas, quando não, represados para fins privados ou de políticas de drenagem equivocadas.
        Tu podes dar vales, tickets, pensões, benefícios assistenciais ou qualquer outro crédito direto ou indireto e na verdade estarás dando continuidade e alimentando, com precisão cada vez mais cirúrgica, o processo de concentração e acumulação de capitais.
        As pessoas precisam se alimentar, vestir-se, estudar, trabalhar, ter moradia, circular, cuidarem de si próprias e dos seus, se sentirem seguras e saudáveis e se divertir. Viver! Isto é fato.

        Mas afinal, quantos e quais grupos de alimentação existem no país? Quantos e quais fabricantes de tratores, de lápis, de bacias de plástico?

        Este é o nosso inimigo: a concentração que induz à acumulação e à exclusão!

        Quantos e quais fabricantes de automóveis?
        Quantos e quais fabricantes de remédios? De brinquedos?
        Quantos e quais fabricantes de smarthphones? De telhas? De canos? Fios elétricos?
        Quantas franquias nacionais estão entre as 50 maiores do mundo?
        Quantas famílias ou grupo de famílias ou bairros de produção rural ou cooperativas populares ou agro-indústrias populares operam no país?
        Quantos fabricantes de aviões?
        Quantos desenvolvedores e fabricantes de células fotovoltáicas?
        Quantos e quais fabricantes de cimento e aço? De plástico? De fibra de carbono?
        Quantas construtoras e não empreiteiras mancomunadas com os eventualistas do poder?
        Quantos filósofos, cientistas sociais, dentistas e psicanalistas?
        Quantos professores, arquitetos, urbanistas, geólogos, biólogos e engenheiros ambientais?
        Quem olha para a indústria virtual, do turismo e do entretenimento? Atividades limpas que podem ser uma saída ambiental, ao que afinal TUDO está submetido e condicionado, embora eu considere que os caminhos para a inovação estejam despavimentados no Brasil por inoperância dos operadores econômicos do Estado.
        Quais destes setores e segmentos produtivos e genuinamente nacionais recebem apoio dos órgãos de financiamento e fomento públicos e que realmente necessitam e não se prestam ao pagamento de propinas ou não são exigidos burocraticamente por garantias e avais discriminatórios?

        O PAÍS SE ENTOPE DE QUINQUILHARIAS E TECNOLOGIAS IMPORTADAS E ENGASGA-SE COM SUA CRIATIVIDADE, INICIATIVA E INSIGHTS. A INDÚSTRIA SUCUMBE, OS EMPREGOS EVAPORAM-SE, OS SERVIÇOS SE DESQUALIFICAM E A AGRO-INDÚSTRIA SE OLIGOPOLIZA E FICAMOS REFÉNS DE COMMODITIES.
        ATÉ QUANDO VAMOS NOS AUTOFAGIR EM DÉFICITS PÚBLICOS E ALIMENTAR OS PARASITAS INTERNOS E EXTERNOS COM SUPERÁVITS PRIMÁRIOS?

        Agora estamos em meio a um Ajuste Fiscal, leia-se o PAGAMENTO DAS ELEIÇÕES. E esta conta não aparecerá na prestação de contas à Justiça Eleitoral. E vejam, não é uma conta partidária de Caixa2, é uma conta POLÍTICA e perversa.

        Nossas áreas urbanas, no que diz respeito à habitação, circulação, saneamento básico e qualidade de obras de engenharia são o quadro do caos e da falta de qualidade. Pelo mesmo motivo falo da saúde e da segurança, envolvendo a prevenção, o sistema prisional e as ações de segurança pública.
        Quanto à educação me parece haver um esforço com cursos técnicos, acesso às universidades e à pós-graduações e mestrados. Mas o ensino infantil e fundamental são o quadro da dor, o que acaba por não alicerçar as medidas tomadas nesta área.
        É neste sentido que afirmo: nossa “sociedade” está maquiada e sonolenta, apaziguada por um consumo inconsequente e gerador de desperdício. Ao mesmo tempo, um mínimo de carência material faz surgir em cérebros ocos saudades de regimes autoritários que ofereciam pequenas doses de conforto e ascensão social em troca de silêncio, ordem, obediência e conformidade. A repressão fez escola.

        Por tudo isso considero os pensadores e tomadores de decisão do governo não producentes e desfocados de princípios populares e de base.
        Se o sistema político é indutor de “coalizões” frankstenianas e se for isto que nos leva à excrescências programáticas, que se mude o sistema e não nos escondamos atrás de índices e porcentagens que na verdade mascaram a incapacidade ou a falta de coragem de formularmos políticas genuinamente populares e distributivas. Esta, afinal, considero a função primordial da política parlamentar, jurídica e administrativa, cujo caldo cultural deve ser o sistema participativo universal, sincera e honestamente convocado e com poder deliberativo, escopo de uma Esfera Pública Não-Estatal.

        Doei mais de 35 anos da minha vida para levar ao poder uma ideia generosa e revolucionária porque, desde que me reconheço como um ser político, sonho com outro mundo e acredito que outro mundo é possível.
        Mas eu quero ver este outro mundo. Quero que meus filhos vejam este outro mundo. Quero que meus netos, meus amigos de carne e alma e virtuais, vejam este outro mundo e mais, quero estar com eles neste outro mundo.
        Nossa esperança precisa estar grávida!
        Neste sentido considero a militância de esquerda sequestrada e possuída por uma variação da Síndrome de Estocolmo.
        Não é possível que lutamos tanto a custa de vidas e de amores apenas para trocarmos as moscas.

        Mas vejo o sol se por e estou certo de que a noite não será longa e que não será este o último Por-de-Sol dos séculos.
        Reafirmo: O PAÍS ESTÁ MAQUIADO E SONOLENTO. A MILITÂNCIA DE ESQUERDA FOI SEQUESTRADA E ESTABELECEU-SE UMA SÍNDROME DE ESTOCOLMO COLETIVA..

        Cito Lênin:

        – “É preciso sonhar…mas com a condição de crer em nossos sonhos…de confrontar nossos sonhos com a realidade…de realizar ESCRUPULOSAMENTE nossa fantasia.”

        …e contesto, de minha lavra:

        Nem tudo o que é sólido se desmancha no ar. No máximo se dissolve no todo. E somos todos um.

        Por fim, o Mestre Jesus:

        “…EU VIM PARA QUE TIVÉSSEIS VIDA E VIDA EM ABUNDÂNCIA.”

        E 2015 anos se passaram…

        ADRIANO BERAO COSTA – GRAVATAI – RIO GRANDE DO SUL – BRASIL / 13 DE MARÇO DE 2015

      • André Lacerda permalink
        21/05/2015 10:32

        Caros Srs. Boff e Lázaro
        Acompanhando a discussão, gostaria de tecer as seguintes considerações.
        A meu ver, e partindo da observação da realidade, nos últimos anos a sociedade brasileira alcançou um patamar interessante, mais maduro, ainda que perigoso. A crise crônica que sempre separou as classes no Brasil, e que é inegável – basta olhar a expressão do espaço ao redor, com seus bairros e favelas – tornou-se bandeiras de ruas e se disseminou por todo o Brasil. Primeiramente, de forma confusa, mas depois seguiu a polarização que teve início nas últimas eleições e, com o passar do tempo, tem engolido as duas principais siglas partidárias. Em decorrência, uma clivagem mais abrupta instalou-se, com ideologias a flor da pele denunciando a falta de unidade nacional no seio de uma sociedade mestiça. Nesse sentido, a ideia de Boff de criação de uma frente supra-partidária me pareceu interessante, ainda que eu não consiga visualizar um nome capaz de integrar a nação (Lula, sem dúvida, é um líder, mas seu nome encontra-se, sobremaneira, desgastado). Quanto às palavras de Lázaro, não vejo PT e PSDB como partidos de esquerda, pois seus expedientes são próprios da chamada social-democracia. E quando formos falar dos movimentos sociais, é importante contextualizar. Falar do MST sem falar da tragédia no campo, com seus assassinatos, grilagens, latifúndios, devastação de biomas, etc não corresponde, integralmente, a veracidade dos fatos. Abçs

    • Lázaro permalink
      25/05/2015 20:13

      Caro André
      Lendo sua resposta, deparei-me com uma afirmativa sua: “A crise crônica que sempre separou as classes no Brasil” – Nunca houve no Brasil uma politica tão progressista quanto há, e que é feita e apoiada pelo partido vigente, e não houve em país algum, dirigido por um “partido de esquerda” um progressismo tão exagerado, e em ocasião, afirmo que: O caos instaurado no conflito entre as classes nada mais foi que, uma estrategia Gramcista usada pelo PT para continuar e se manter no poder, negar tal fato é desconhecer a base politica do partido, negando também o que outrora fora escrito por Antonio Gramsci.

      “Nesse sentido, a ideia de Boff de criação de uma frente supra-partidária me pareceu interessante, ainda que eu não consiga visualizar um nome capaz de integrar a nação (Lula, sem dúvida, é um líder, mas seu nome encontra-se, sobremaneira, desgastado).” Neste caso, seria algo a se pensar, visto que no Brasil não haja de fato uma “oposição” – ou um partido de “Direita”, hoje, para mim, não existe o pensamento ideológico direitista -, partidos como PT, PSOL, PCdoB, PSDB dentre outros possuem um pensamento quase que único, tornando-se algo viável.

      No mais, uma nação onde não há uma base moral forte – respeito a religião, liberdade individual e à propriedade privada e à família -, onde as diferentes opiniões são taxadas como ódio e/ou preconceito, não é uma nação capaz de ser tida como multicultural, e muito disto deve-se ao partido vigente.

      Abraços, espero ter sido claro não desrespeitando sua opinião.

      • André Lacerda permalink
        29/05/2015 8:41

        Lázaro,
        não houve desrespeito algum. O diálogo será sempre essencial.
        Procurando ser breve.
        O livro Capitães da areia, de Jorge Amado, que gira em torno do problema do menor abandonado foi escrito na década de 1930. Ou seja, o problema persiste, se agrava e é de ordem estrutural. E, independentemente dos governos que se alternam, as populações de rua só fazem aumentar, com famílias inteiras jogadas, literalmente, na sarjeta. Isso não é drama. Isso é a face mais escancarada e cruel de nossa tragédia social. Enquanto isso, no campo, a monocultura de commodities atesta a verossimilhança com o passado de antigos ciclos agrícolas, margeado por um vazio populacional marcado pela expulsão das pessoas na base da violência. Com certeza, tudo isso não é culpa de um único partido político ou momento histórico. Mas, apesar de deitar raízes em um processo civilizatório perverso e preconceituoso, temos que deixar a nossa contribuição na melhoria desse nosso Brasil. O PT não promoveu reformas estruturais, ou seja, não mexeu na estrutura de dinâmica excludente. Por exemplo: cria Minha casa, minha vida, mas não mexe no mercado imobiliário. Mas aí você poderia dizer, com razão: “Mas isso não é fácil”. E eu te responderia: – E quem diria que seria fácil? Daí, então, você diria: “E o Mais médicos, não é bom?” – Claro que é bom, e necessário, mas tem que ser capaz de levar, de boa vontade, o médico brasileiro para o interior. Assim como as cotas universitárias, que tem que ter prazo para terminar, para tornar a melhoria do ensino uma exigência inadiável…e por aí vai.
        Lázaro, o PT não é de esquerda porque, dentre outras razões, tem Kátia Abreu e Levi em ministérios cruciais, com políticas conservadoras (expansão das monoculturas, destruição ambiental, uso intensivo de agrotóxicos, devastação de florestas, ajustes fiscais que penalizam os trabalhadores, aumento de tempo para aposentadoria, etc). Bem, por enquanto é só.
        Abço

  2. 16/05/2015 21:00

    ainda acreditando no Lula !?

  3. 17/05/2015 0:12

    O grande problema é que a minoria que detém o poder não pensa no bem comum…

  4. Antônio Maurício Vieira permalink
    17/05/2015 9:57

    A humanidade está cercada como gado no curral da fazenda. Acredito que já ficou tarde para uma reação sistematizada global. A grande matriz de dominação que opera no mundo, tem os tentáculos enfiados nas mentes e corações da humanidade. Todos olham em uma só direção e querem ser felizes com dinheiro no bolso e ostentação. O planeta e a pobreza, não preocupa. Não vejo outra alternativa que não seja a taxação do capital concentrado e inútil que gira na alta sociedade – Assim como foi criada a função social da terra, lei semelhante deve ser criada e que, incida sobre grandes fortunas e com os recursos, possam ser corrigidas as distorções sociais e ecológicas mundiais.

    • 17/05/2015 14:20

      Antonio, bela sugestão que teria que ser levada à ONU: a função social da riqueza. É a velha doutrina da Igreja:o que nos sobra pertence aos pobres; negá-lo seria roubo. Mas os cristãos não acreditam nestas coisas e sequer as põoem em prática. LBoff

    • Adriano Berao Costa permalink
      18/05/2015 21:25

      ESTÉTICA MIDIÁTICA E TORPOR IDEOLÓGICO

      …E 13 ANOS SE PASSARAM…

      Tenho debatido com Marco Magioli e com Leonardo Boff sobre a conjuntura política. Para eles minhas palavras soam como uma “cantilena”.
      Porém, o método da “cantilena” parece tê-los contaminado, afinal por várias vezes me respondem com o argumento de que os reajustes do salário mínimo, elevando-o a patamares nunca antes alcançados neste país, são a grande obra da coalizão que vem governando o Brasil há 13 anos. E mais, o referenciam ao dólar, moeda calibrada pela energia, pelo suor e pelo sangue de uma MAIORIA oprimida por necessidades impostas – psíquica e corporalmente – por mercados que não consideram o indivíduo e o planeta.
      Sinceramente não estou preocupado com este salário mínimo de 788 Reais por sabê-lo inconstitucional e muito aquém dos 2.975,55 (valores de dezembro) do DIEESE, Departamento Intersindical de Economia e Estatística.
      Estou preocupado, isto sim, com nossas gerações atuais e futuras.

      É da “natureza” do dinheiro – ingrediente do Capital – circular. Não por engano os economistas referem-se a ele como “corrente”, no sentido de percurso, via, força de movimento. E não considero que ele – o Dinheiro – possua ideologia e tão pouco se submeta a qualquer uma neste seu movimento. É inútil controlar seu fluxo.
      As ideologias têm a ver, isto sim, com a velocidade deste sistema, com sua direção, sentido e objetivos. É ai que minha “cantilena” serve de alerta e crítica.
      Um salário mínimo de 788 Reais subverte o significado de “corrente” e como no português esta palavra tem dois sentidos, acaba por aprisionar toda a Nação num calabouço de migalhas.
      Menos de 5% do dinheiro dos capitais envolvidos em empreendimentos públicos e privados destina-se à remuneração da Força de Trabalho.
      Isto é a contabilização de uma brutal concentração de renda pública e privada e o capital se estatiza e se oligopoliza, via de regra associados, na exploração, na corrupção e na acumulação. Pensadores, legisladores e operadores políticos de esquerda sabem disso.
      Afirmo que é preciso fazer o dinheiro circular entre a população de forma caudalosa e não a conta-gotas, distribuindo migalhas.
      Nós estamos fazendo com o fluxo do dinheiro o mesmo que fizemos com nossos arroios nas nossas cidades: os transformamos em valões assoreados e cheio de ligações clandestinas, quando não, represados para fins privados ou de políticas de drenagem equivocadas.
      Tu podes dar vales, tickets, pensões, benefícios assistenciais ou qualquer outro crédito direto ou indireto e na verdade estarás dando continuidade e alimentando, com precisão cada vez mais cirúrgica, o processo de concentração e acumulação de capitais.
      As pessoas precisam se alimentar, vestir-se, estudar, trabalhar, ter moradia, circular, cuidarem de si próprias e dos seus, se sentirem seguras e saudáveis e se divertir. Viver! Isto é fato.

      Mas afinal, quantos e quais grupos de alimentação existem no país? Quantos e quais fabricantes de tratores, de lápis, de bacias de plástico?

      Este é o nosso inimigo: a concentração que induz à acumulação e à exclusão!

      Quantos e quais fabricantes de automóveis?
      Quantos e quais fabricantes de remédios? De brinquedos?
      Quantos e quais fabricantes de smarthphones? De telhas? De canos? Fios elétricos?
      Quantas franquias nacionais estão entre as 50 maiores do mundo?
      Quantas famílias ou grupo de famílias ou bairros de produção rural ou cooperativas populares ou agro-indústrias populares operam no país?
      Quantos fabricantes de aviões?
      Quantos desenvolvedores e fabricantes de células fotovoltáicas?
      Quantos e quais fabricantes de cimento e aço? De plástico? De fibra de carbono?
      Quantas construtoras e não empreiteiras mancomunadas com os eventualistas do poder?
      Quantos filósofos, cientistas sociais, dentistas e psicanalistas?
      Quantos professores, arquitetos, urbanistas, geólogos, biólogos e engenheiros ambientais?
      Quem olha para a indústria virtual, do turismo e do entretenimento? Atividades limpas que podem ser uma saída ambiental, ao que afinal TUDO está submetido e condicionado, embora eu considere que os caminhos para a inovação estejam despavimentados no Brasil por inoperância dos operadores econômicos do Estado.
      Quais destes setores e segmentos produtivos e genuinamente nacionais recebem apoio dos órgãos de financiamento e fomento públicos e que realmente necessitam e não se prestam ao pagamento de propinas ou não são exigidos burocraticamente por garantias e avais discriminatórios?

      O PAÍS SE ENTOPE DE QUINQUILHARIAS E TECNOLOGIAS IMPORTADAS E ENGASGA-SE COM SUA CRIATIVIDADE, INICIATIVA E INSIGHTS. A INDÚSTRIA SUCUMBE, OS EMPREGOS EVAPORAM-SE, OS SERVIÇOS SE DESQUALIFICAM E A AGRO-INDÚSTRIA SE OLIGOPOLIZA E FICAMOS REFÉNS DE COMMODITIES.
      ATÉ QUANDO VAMOS NOS AUTOFAGIR EM DÉFICITS PÚBLICOS E ALIMENTAR OS PARASITAS INTERNOS E EXTERNOS COM SUPERÁVITS PRIMÁRIOS?

      Agora estamos em meio a um Ajuste Fiscal, leia-se o PAGAMENTO DAS ELEIÇÕES. E esta conta não aparecerá na prestação de contas à Justiça Eleitoral. E vejam, não é uma conta partidária de Caixa2, é uma conta POLÍTICA e perversa.

      Nossas áreas urbanas, no que diz respeito à habitação, circulação, saneamento básico e qualidade de obras de engenharia são o quadro do caos e da falta de qualidade. Pelo mesmo motivo falo da saúde e da segurança, envolvendo a prevenção, o sistema prisional e as ações de segurança pública.
      Quanto à educação me parece haver um esforço com cursos técnicos, acesso às universidades e à pós-graduações e mestrados. Mas o ensino infantil e fundamental são o quadro da dor, o que acaba por não alicerçar as medidas tomadas nesta área.
      É neste sentido que afirmo: nossa “sociedade” está maquiada e sonolenta, apaziguada por um consumo inconsequente e gerador de desperdício. Ao mesmo tempo, um mínimo de carência material faz surgir em cérebros ocos saudades de regimes autoritários que ofereciam pequenas doses de conforto e ascensão social em troca de silêncio, ordem, obediência e conformidade. A repressão fez escola.

      Por tudo isso considero os pensadores e tomadores de decisão do governo não producentes e desfocados de princípios populares e de base.
      Se o sistema político é indutor de “coalizões” frankstenianas e se for isto que nos leva à excrescências programáticas, que se mude o sistema e não nos escondamos atrás de índices e porcentagens que na verdade mascaram a incapacidade ou a falta de coragem de formularmos políticas genuinamente populares e distributivas. Esta, afinal, considero a função primordial da política parlamentar, jurídica e administrativa, cujo caldo cultural deve ser o sistema participativo universal, sincera e honestamente convocado e com poder deliberativo, escopo de uma Esfera Pública Não-Estatal.

      Doei mais de 35 anos da minha vida para levar ao poder uma ideia generosa e revolucionária porque, desde que me reconheço como um ser político, sonho com outro mundo e acredito que outro mundo é possível.
      Mas eu quero ver este outro mundo. Quero que meus filhos vejam este outro mundo. Quero que meus netos, meus amigos de carne e alma e virtuais, vejam este outro mundo e mais, quero estar com eles neste outro mundo.
      Nossa esperança precisa estar grávida!
      Neste sentido considero a militância de esquerda sequestrada e possuída por uma variação da Síndrome de Estocolmo.
      Não é possível que lutamos tanto a custa de vidas e de amores apenas para trocarmos as moscas.

      Mas vejo o sol se por e estou certo de que a noite não será longa e que não será este o último Por-de-Sol dos séculos.
      Reafirmo: O PAÍS ESTÁ MAQUIADO E SONOLENTO. A MILITÂNCIA DE ESQUERDA FOI SEQUESTRADA E ESTABELECEU-SE UMA SÍNDROME DE ESTOCOLMO COLETIVA..

      Cito Lênin:

      – “É preciso sonhar…mas com a condição de crer em nossos sonhos…de confrontar nossos sonhos com a realidade…de realizar ESCRUPULOSAMENTE nossa fantasia.”

      …e contesto, de minha lavra:

      Nem tudo o que é sólido se desmancha no ar. No máximo se dissolve no todo. E somos todos um.

      Por fim, o Mestre Jesus:

      “…EU VIM PARA QUE TIVÉSSEIS VIDA E VIDA EM ABUNDÂNCIA.”

      E 2015 anos se passaram…

      ADRIANO BERAO COSTA – GRAVATAI – RIO GRANDE DO SUL – BRASIL / 13 DE MARÇO DE 2015

  5. Márcio permalink
    17/05/2015 10:02

    Eu concordo com o Senhor no seguinte aspécto: a União é a única alternativa para sair- mos dessa crise. Agora pra se ter união penso ser preciso um trabalho enorme de costumes e crença. Uma mudança de paradigma , Que seja um divisor de águas. Um conjunto de valores que precisam mudar. Os exemplos “midiáticos” pregam o tempo todo, o culto ao poder , à vida boa, criando uma crença de ganhar dinheiro sem trabalhar. Isso seduz a maioria das pessoas inconscientes. Alias, faço uma pergunta: O que é ser uma pessoa consciente? – Aos 50 anos, estou terminando um curso de biologia, e penso: Será eu um frustrado na vida, por ver o modo de fazerem as coisas, tudo ou quase tudo errado?. Será que temos líderes dotados de uma força e moral para levantarem a bandeira da salvação da vida planetária? E o povo acreditarão neles? Me parece que a história se repete: Noé construindo a Arca e o povo criticando Ele. E quem é o Noé? – aqueles que estão percebendo, vislumbrando mais à frente os perigos eminentes. Será que estamos vivendo o apocalipse ? O caos ? são perguntas as quais ninguém sabe responder ao certo. Eu de minha parte, procuro fazer o que posso., Mas gostaria muito de fazer mais. De ver caro Leonardo, esse sonho tornar-se Realidade.

    • Adriano Berao Costa permalink
      18/05/2015 21:25

      ESTÉTICA MIDIÁTICA E TORPOR IDEOLÓGICO

      …E 13 ANOS SE PASSARAM…

      Tenho debatido com Marco Magioli e com Leonardo Boff sobre a conjuntura política. Para eles minhas palavras soam como uma “cantilena”.
      Porém, o método da “cantilena” parece tê-los contaminado, afinal por várias vezes me respondem com o argumento de que os reajustes do salário mínimo, elevando-o a patamares nunca antes alcançados neste país, são a grande obra da coalizão que vem governando o Brasil há 13 anos. E mais, o referenciam ao dólar, moeda calibrada pela energia, pelo suor e pelo sangue de uma MAIORIA oprimida por necessidades impostas – psíquica e corporalmente – por mercados que não consideram o indivíduo e o planeta.
      Sinceramente não estou preocupado com este salário mínimo de 788 Reais por sabê-lo inconstitucional e muito aquém dos 2.975,55 (valores de dezembro) do DIEESE, Departamento Intersindical de Economia e Estatística.
      Estou preocupado, isto sim, com nossas gerações atuais e futuras.

      É da “natureza” do dinheiro – ingrediente do Capital – circular. Não por engano os economistas referem-se a ele como “corrente”, no sentido de percurso, via, força de movimento. E não considero que ele – o Dinheiro – possua ideologia e tão pouco se submeta a qualquer uma neste seu movimento. É inútil controlar seu fluxo.
      As ideologias têm a ver, isto sim, com a velocidade deste sistema, com sua direção, sentido e objetivos. É ai que minha “cantilena” serve de alerta e crítica.
      Um salário mínimo de 788 Reais subverte o significado de “corrente” e como no português esta palavra tem dois sentidos, acaba por aprisionar toda a Nação num calabouço de migalhas.
      Menos de 5% do dinheiro dos capitais envolvidos em empreendimentos públicos e privados destina-se à remuneração da Força de Trabalho.
      Isto é a contabilização de uma brutal concentração de renda pública e privada e o capital se estatiza e se oligopoliza, via de regra associados, na exploração, na corrupção e na acumulação. Pensadores, legisladores e operadores políticos de esquerda sabem disso.
      Afirmo que é preciso fazer o dinheiro circular entre a população de forma caudalosa e não a conta-gotas, distribuindo migalhas.
      Nós estamos fazendo com o fluxo do dinheiro o mesmo que fizemos com nossos arroios nas nossas cidades: os transformamos em valões assoreados e cheio de ligações clandestinas, quando não, represados para fins privados ou de políticas de drenagem equivocadas.
      Tu podes dar vales, tickets, pensões, benefícios assistenciais ou qualquer outro crédito direto ou indireto e na verdade estarás dando continuidade e alimentando, com precisão cada vez mais cirúrgica, o processo de concentração e acumulação de capitais.
      As pessoas precisam se alimentar, vestir-se, estudar, trabalhar, ter moradia, circular, cuidarem de si próprias e dos seus, se sentirem seguras e saudáveis e se divertir. Viver! Isto é fato.

      Mas afinal, quantos e quais grupos de alimentação existem no país? Quantos e quais fabricantes de tratores, de lápis, de bacias de plástico?

      Este é o nosso inimigo: a concentração que induz à acumulação e à exclusão!

      Quantos e quais fabricantes de automóveis?
      Quantos e quais fabricantes de remédios? De brinquedos?
      Quantos e quais fabricantes de smarthphones? De telhas? De canos? Fios elétricos?
      Quantas franquias nacionais estão entre as 50 maiores do mundo?
      Quantas famílias ou grupo de famílias ou bairros de produção rural ou cooperativas populares ou agro-indústrias populares operam no país?
      Quantos fabricantes de aviões?
      Quantos desenvolvedores e fabricantes de células fotovoltáicas?
      Quantos e quais fabricantes de cimento e aço? De plástico? De fibra de carbono?
      Quantas construtoras e não empreiteiras mancomunadas com os eventualistas do poder?
      Quantos filósofos, cientistas sociais, dentistas e psicanalistas?
      Quantos professores, arquitetos, urbanistas, geólogos, biólogos e engenheiros ambientais?
      Quem olha para a indústria virtual, do turismo e do entretenimento? Atividades limpas que podem ser uma saída ambiental, ao que afinal TUDO está submetido e condicionado, embora eu considere que os caminhos para a inovação estejam despavimentados no Brasil por inoperância dos operadores econômicos do Estado.
      Quais destes setores e segmentos produtivos e genuinamente nacionais recebem apoio dos órgãos de financiamento e fomento públicos e que realmente necessitam e não se prestam ao pagamento de propinas ou não são exigidos burocraticamente por garantias e avais discriminatórios?

      O PAÍS SE ENTOPE DE QUINQUILHARIAS E TECNOLOGIAS IMPORTADAS E ENGASGA-SE COM SUA CRIATIVIDADE, INICIATIVA E INSIGHTS. A INDÚSTRIA SUCUMBE, OS EMPREGOS EVAPORAM-SE, OS SERVIÇOS SE DESQUALIFICAM E A AGRO-INDÚSTRIA SE OLIGOPOLIZA E FICAMOS REFÉNS DE COMMODITIES.
      ATÉ QUANDO VAMOS NOS AUTOFAGIR EM DÉFICITS PÚBLICOS E ALIMENTAR OS PARASITAS INTERNOS E EXTERNOS COM SUPERÁVITS PRIMÁRIOS?

      Agora estamos em meio a um Ajuste Fiscal, leia-se o PAGAMENTO DAS ELEIÇÕES. E esta conta não aparecerá na prestação de contas à Justiça Eleitoral. E vejam, não é uma conta partidária de Caixa2, é uma conta POLÍTICA e perversa.

      Nossas áreas urbanas, no que diz respeito à habitação, circulação, saneamento básico e qualidade de obras de engenharia são o quadro do caos e da falta de qualidade. Pelo mesmo motivo falo da saúde e da segurança, envolvendo a prevenção, o sistema prisional e as ações de segurança pública.
      Quanto à educação me parece haver um esforço com cursos técnicos, acesso às universidades e à pós-graduações e mestrados. Mas o ensino infantil e fundamental são o quadro da dor, o que acaba por não alicerçar as medidas tomadas nesta área.
      É neste sentido que afirmo: nossa “sociedade” está maquiada e sonolenta, apaziguada por um consumo inconsequente e gerador de desperdício. Ao mesmo tempo, um mínimo de carência material faz surgir em cérebros ocos saudades de regimes autoritários que ofereciam pequenas doses de conforto e ascensão social em troca de silêncio, ordem, obediência e conformidade. A repressão fez escola.

      Por tudo isso considero os pensadores e tomadores de decisão do governo não producentes e desfocados de princípios populares e de base.
      Se o sistema político é indutor de “coalizões” frankstenianas e se for isto que nos leva à excrescências programáticas, que se mude o sistema e não nos escondamos atrás de índices e porcentagens que na verdade mascaram a incapacidade ou a falta de coragem de formularmos políticas genuinamente populares e distributivas. Esta, afinal, considero a função primordial da política parlamentar, jurídica e administrativa, cujo caldo cultural deve ser o sistema participativo universal, sincera e honestamente convocado e com poder deliberativo, escopo de uma Esfera Pública Não-Estatal.

      Doei mais de 35 anos da minha vida para levar ao poder uma ideia generosa e revolucionária porque, desde que me reconheço como um ser político, sonho com outro mundo e acredito que outro mundo é possível.
      Mas eu quero ver este outro mundo. Quero que meus filhos vejam este outro mundo. Quero que meus netos, meus amigos de carne e alma e virtuais, vejam este outro mundo e mais, quero estar com eles neste outro mundo.
      Nossa esperança precisa estar grávida!
      Neste sentido considero a militância de esquerda sequestrada e possuída por uma variação da Síndrome de Estocolmo.
      Não é possível que lutamos tanto a custa de vidas e de amores apenas para trocarmos as moscas.

      Mas vejo o sol se por e estou certo de que a noite não será longa e que não será este o último Por-de-Sol dos séculos.
      Reafirmo: O PAÍS ESTÁ MAQUIADO E SONOLENTO. A MILITÂNCIA DE ESQUERDA FOI SEQUESTRADA E ESTABELECEU-SE UMA SÍNDROME DE ESTOCOLMO COLETIVA..

      Cito Lênin:

      – “É preciso sonhar…mas com a condição de crer em nossos sonhos…de confrontar nossos sonhos com a realidade…de realizar ESCRUPULOSAMENTE nossa fantasia.”

      …e contesto, de minha lavra:

      Nem tudo o que é sólido se desmancha no ar. No máximo se dissolve no todo. E somos todos um.

      Por fim, o Mestre Jesus:

      “…EU VIM PARA QUE TIVÉSSEIS VIDA E VIDA EM ABUNDÂNCIA.”

      E 2015 anos se passaram…

      ADRIANO BERAO COSTA – GRAVATAI – RIO GRANDE DO SUL – BRASIL / 13 DE MARÇO DE 2015

  6. 17/05/2015 15:37

    Frei Leonardo
    O senhor acerta no alvo e, ao meu ver, erra no tipo de flecha. O Lula, quando for desnudado e ficar nu, em pêlo, fará até o Sr ficar mais vermelho. Lula da Silva é um cafajeste…. a história o dirá…. eles (pt no exercício do governo federal) podem até esconder, mas a história é maior… a verdade sobre o lula aparecerá. Assim, concordo com o irmão que diz, temos que discutir menos e agir mais. Taxar as grandes fortunas especulativas é um caminho excelente… Educar as pessoas é básico… e não está acontecendo… o meio ambiente pede ajuda… Eu julgo que a solução não é apenas distribuir, pois sempre existirão pobre e ricos, parte fundamental da solução é EDUCAR pois tanto ricos como pobres jogam os recicláveis no ambiente…. eu vivo, entre outras atividades de juntar seus restos… Paz e Bem

  7. 18/05/2015 9:48

    Infelizmente sua maneira de pensar o futuro não deu um “up” – como se diz agora – necessário para criar o novo, querido mestre.
    Para não ser tragado para o buraco à frente o PRIMEIRO passo é imaginar o Brasil se comunicando por trens modernos em ferrovias muito bem planejadas, vistas como portais para outras realidades: Ao sair do trem você estaria no interior ou na capital, que se adaptariam ao uso de bicicletas em massa. Assim, a prioridade desse transporte seria pessoas e bicicletas. Utópico demais para nosso momento? Bastaria a burguesia também mudar, e em vez de insistir em ganhar dinheiro com transporte individual se preocupasse com o bem estar do povo, tratado como massa, que é, e nessa visão macro ganhariam muito mais, começando com a produção e venda de trens modernos e sofisticados a um mercado virgem e sedento.
    Só isso já faria com que o povo do campo e arredores tivesse acesso a de um hospital ou escola em 10 minutos, invertendo a tendência irracional de aglomerados num tempo em que – Aleluia! – as dificuldades que o espaço impunha foram vencidas, ao menos no nosso limitado planeta. Temos que pensar num futuro moderno, competente, sem as limitações antigas de cartórios (pra que, se existe GPS, informática e o escambau?) e burocracias absurdas.
    A mudança há de ser muito grande, não tem como remendar mais…
    mas temos MUITOS brasileiros competentes em todas as áreas do conhecimento e artes.
    Então, a mudança pode não ser traumática.
    Abraço esperançoso,
    Kim

  8. antonio Muniz permalink
    18/05/2015 17:13

    Caro Leonardo Boff: Desde a muito tempo me afeiçoei a você como pessoa e como escritoe, principalmente quando o assunto é Teologia…Acho você um gênio nessa matéria, mas como pensador , te acho engajado demais…O teu Livro Igreja Carisma e Poder , é como se fosse uma Bíblia para mim, mas, quando o assunto é opinião a cerca dos acontecimentos , quer nacionais (Brasil)vejo que esse teu engajamento promove o teu distanciamento das realidades Palpáveis. A defesa transigente que tu faz aos partido de esquerda e de presidente Lula beiram ao suicídio de tua intelectualidade. Lula , foi meu ídolo, desde o momento em que se lançou candidato à presidência do nosso País…Votei nele em todas as eleições em que ele concorreu…A esperança vence o Medo, e nesse propósito vi neste partido e no seu líder a tábua de salvação em que o povo podia se agarrar…Ledo engano…em nenhum governo se roubou e se deixou roubar mais do que no governo deste que tu com toda vocação para o ridículo faz questão de elogiar. O teu ladismo é mesquinho , porque esquece que na política quanto na vida real , pessoas podem cometer erros e Lula como ser humano que é tem essas qualidades e esses defeitos, que no entanto tu faz questão de colocar uma venda nos teus olhos. Os elogios rasgados que fazes para Maduro, Stedle , Fidel Castro e outro torturadores me deixam de olhos lacrimejado em ver teu posicionamento…Escrevi um artigo e postei sobre teu posicionamento quanto a liberdade de imprensa, porque , quando do atentado de Paris contra aquele Pasquin por Radicais Islâmicos, tu deste razão a eles…Agora o rombo da Petrobras, tu faz questão de fugir do óbvio e diz que tudo isso é coisa da Direita…Não me surpreendo se você em sua insanidade venha pedir ao Papa Francisco que canonize Lula, Zé Dirceu e mais os maracutaeros deste governo de corruptos e corruptores.

  9. Adriano Berao Costa permalink
    18/05/2015 18:43

    Concordo com sua quase súplica.

    Proponho o seguinte:

    Institucionalização de Conselhos Participativos em todos os Municípios, Estados e na União, de caráter Consultivo e Deliberativo sobre Políticas Públicas a serem implantadas pelas três instâncias do executivo;

    Convocação imediata de um concurso público através do Ministério Público e substituição de todos os CCs, Ministros, Secretários Estaduais e Municipais em todos os escalões do executivo nas instâncias Municipal, Estadual e Federal e posterior auditoria nas secretarias, autarquias e fundações;Início de uma discussão dentro do Congresso Nacional com co-participação da Sociedade e dos Conselhos Participativos sobre uma reforma política ao longo dos próximos três anos com prorrogação dos mandatos de Prefeitos e Vereadores até 2018 e convocação de eleições gerais em 2018;

    Cancelamento imediato de qualquer debate sobre novas leis dentro do Congresso Nacional, restringindo o debate das casas à Reforma Política;

    Continuidade das investigações dos casos de corrupção, julgamento e ritos processuais cabíveis;

    Restrições consensuais ao Ajuste Fiscal com diminuição ou zeramento do superávit primário;

    Repactuação das dívidas dos Estados e Municípios adequando os fluxos ao novo orçamento aliviado da eliminação ou diminuição do superávit primário;

    Estabelecimento de uma margem flutuante de 20% sobre o câmbio de forma a eliminar o que alguns economistas chamam de Doença Holandesa (Ver Bresser Pereira) nas nossas contas de Importação e Exportação;

    E dentro da reforma política considerar a possibilidade da eliminação da figura do Presidente, buscando um outro Sistema Político – que não o Parlamentarismo.

  10. Adriano Berao Costa permalink
    18/05/2015 21:11

    Tenho uma proposta conjuntural.
    Me permita expô-la.

    Nela não tem espaço prá Dilma.
    Se nao sabia de nada e tonta e negligente. Se sabia, e cumplice, criminosa portanto.
    Por renúncia ou impedimento, assumiria o Michel Temer.
    Calma. Não há nada contra ele. Mas o PMDB tá atolado até as guela. Não nos serve.
    Ele assume (sem o PMDB) e o Ministério Público passaria a administrar o executivo. Exoneraria-se os atuais ministros e cargos de todos os escaloes. Na falta de quadros um concurso público de emergência supriria esta carência de forma a não paralisar o país administrativamente.
    Ao longo dos próximos 3 anos faria-se uma discussão nacional sobre uma reforma política, em parceria com o atual Congresso. Sei, é uma bosta. Mas cessariam as prerrogativas legislativas. Todo o debate seria sobre a reforma política. Penso que deveriam agregar-se ao debate outros setores sociais com poder idêntico aos parlamentares de forma a oxigenar e diluir vícios e atuais comprometimentos.
    Ao final a reforma seria submetida à sociedade por meio de um plebiscito ou referendo.
    Segue-se as investigações sobre desvios de dinheiro e o julgamento dos envolvidos pelo STF.
    Aprovada a reforma, convocaria-se eleições gerais. Para isso os mandatos dos Prefeitos e Vereadores seriam prorrogados por mais dois anos para que as eleições coincidissem.

    Daí começa tudo do 0 e com a institucionalizacao de Conselhos Participativos formando uma esfera publica nao estatal formuladora e fiscalizadora de politicas publicas.

    Mudar, mudar e criar o novo.

    Acabar com a Instituicao Presidencial e criar um novo sistema polico com participacao popular, plebiscitos e um gabinete executivo.

  11. Adriano Berao Costa permalink
    18/05/2015 21:26

    ESTÉTICA MIDIÁTICA E TORPOR IDEOLÓGICO

    …E 13 ANOS SE PASSARAM…

    Tenho debatido com Marco Magioli e com Leonardo Boff sobre a conjuntura política. Para eles minhas palavras soam como uma “cantilena”.
    Porém, o método da “cantilena” parece tê-los contaminado, afinal por várias vezes me respondem com o argumento de que os reajustes do salário mínimo, elevando-o a patamares nunca antes alcançados neste país, são a grande obra da coalizão que vem governando o Brasil há 13 anos. E mais, o referenciam ao dólar, moeda calibrada pela energia, pelo suor e pelo sangue de uma MAIORIA oprimida por necessidades impostas – psíquica e corporalmente – por mercados que não consideram o indivíduo e o planeta.
    Sinceramente não estou preocupado com este salário mínimo de 788 Reais por sabê-lo inconstitucional e muito aquém dos 2.975,55 (valores de dezembro) do DIEESE, Departamento Intersindical de Economia e Estatística.
    Estou preocupado, isto sim, com nossas gerações atuais e futuras.

    É da “natureza” do dinheiro – ingrediente do Capital – circular. Não por engano os economistas referem-se a ele como “corrente”, no sentido de percurso, via, força de movimento. E não considero que ele – o Dinheiro – possua ideologia e tão pouco se submeta a qualquer uma neste seu movimento. É inútil controlar seu fluxo.
    As ideologias têm a ver, isto sim, com a velocidade deste sistema, com sua direção, sentido e objetivos. É ai que minha “cantilena” serve de alerta e crítica.
    Um salário mínimo de 788 Reais subverte o significado de “corrente” e como no português esta palavra tem dois sentidos, acaba por aprisionar toda a Nação num calabouço de migalhas.
    Menos de 5% do dinheiro dos capitais envolvidos em empreendimentos públicos e privados destina-se à remuneração da Força de Trabalho.
    Isto é a contabilização de uma brutal concentração de renda pública e privada e o capital se estatiza e se oligopoliza, via de regra associados, na exploração, na corrupção e na acumulação. Pensadores, legisladores e operadores políticos de esquerda sabem disso.
    Afirmo que é preciso fazer o dinheiro circular entre a população de forma caudalosa e não a conta-gotas, distribuindo migalhas.
    Nós estamos fazendo com o fluxo do dinheiro o mesmo que fizemos com nossos arroios nas nossas cidades: os transformamos em valões assoreados e cheio de ligações clandestinas, quando não, represados para fins privados ou de políticas de drenagem equivocadas.
    Tu podes dar vales, tickets, pensões, benefícios assistenciais ou qualquer outro crédito direto ou indireto e na verdade estarás dando continuidade e alimentando, com precisão cada vez mais cirúrgica, o processo de concentração e acumulação de capitais.
    As pessoas precisam se alimentar, vestir-se, estudar, trabalhar, ter moradia, circular, cuidarem de si próprias e dos seus, se sentirem seguras e saudáveis e se divertir. Viver! Isto é fato.

    Mas afinal, quantos e quais grupos de alimentação existem no país? Quantos e quais fabricantes de tratores, de lápis, de bacias de plástico?

    Este é o nosso inimigo: a concentração que induz à acumulação e à exclusão!

    Quantos e quais fabricantes de automóveis?
    Quantos e quais fabricantes de remédios? De brinquedos?
    Quantos e quais fabricantes de smarthphones? De telhas? De canos? Fios elétricos?
    Quantas franquias nacionais estão entre as 50 maiores do mundo?
    Quantas famílias ou grupo de famílias ou bairros de produção rural ou cooperativas populares ou agro-indústrias populares operam no país?
    Quantos fabricantes de aviões?
    Quantos desenvolvedores e fabricantes de células fotovoltáicas?
    Quantos e quais fabricantes de cimento e aço? De plástico? De fibra de carbono?
    Quantas construtoras e não empreiteiras mancomunadas com os eventualistas do poder?
    Quantos filósofos, cientistas sociais, dentistas e psicanalistas?
    Quantos professores, arquitetos, urbanistas, geólogos, biólogos e engenheiros ambientais?
    Quem olha para a indústria virtual, do turismo e do entretenimento? Atividades limpas que podem ser uma saída ambiental, ao que afinal TUDO está submetido e condicionado, embora eu considere que os caminhos para a inovação estejam despavimentados no Brasil por inoperância dos operadores econômicos do Estado.
    Quais destes setores e segmentos produtivos e genuinamente nacionais recebem apoio dos órgãos de financiamento e fomento públicos e que realmente necessitam e não se prestam ao pagamento de propinas ou não são exigidos burocraticamente por garantias e avais discriminatórios?

    O PAÍS SE ENTOPE DE QUINQUILHARIAS E TECNOLOGIAS IMPORTADAS E ENGASGA-SE COM SUA CRIATIVIDADE, INICIATIVA E INSIGHTS. A INDÚSTRIA SUCUMBE, OS EMPREGOS EVAPORAM-SE, OS SERVIÇOS SE DESQUALIFICAM E A AGRO-INDÚSTRIA SE OLIGOPOLIZA E FICAMOS REFÉNS DE COMMODITIES.
    ATÉ QUANDO VAMOS NOS AUTOFAGIR EM DÉFICITS PÚBLICOS E ALIMENTAR OS PARASITAS INTERNOS E EXTERNOS COM SUPERÁVITS PRIMÁRIOS?

    Agora estamos em meio a um Ajuste Fiscal, leia-se o PAGAMENTO DAS ELEIÇÕES. E esta conta não aparecerá na prestação de contas à Justiça Eleitoral. E vejam, não é uma conta partidária de Caixa2, é uma conta POLÍTICA e perversa.

    Nossas áreas urbanas, no que diz respeito à habitação, circulação, saneamento básico e qualidade de obras de engenharia são o quadro do caos e da falta de qualidade. Pelo mesmo motivo falo da saúde e da segurança, envolvendo a prevenção, o sistema prisional e as ações de segurança pública.
    Quanto à educação me parece haver um esforço com cursos técnicos, acesso às universidades e à pós-graduações e mestrados. Mas o ensino infantil e fundamental são o quadro da dor, o que acaba por não alicerçar as medidas tomadas nesta área.
    É neste sentido que afirmo: nossa “sociedade” está maquiada e sonolenta, apaziguada por um consumo inconsequente e gerador de desperdício. Ao mesmo tempo, um mínimo de carência material faz surgir em cérebros ocos saudades de regimes autoritários que ofereciam pequenas doses de conforto e ascensão social em troca de silêncio, ordem, obediência e conformidade. A repressão fez escola.

    Por tudo isso considero os pensadores e tomadores de decisão do governo não producentes e desfocados de princípios populares e de base.
    Se o sistema político é indutor de “coalizões” frankstenianas e se for isto que nos leva à excrescências programáticas, que se mude o sistema e não nos escondamos atrás de índices e porcentagens que na verdade mascaram a incapacidade ou a falta de coragem de formularmos políticas genuinamente populares e distributivas. Esta, afinal, considero a função primordial da política parlamentar, jurídica e administrativa, cujo caldo cultural deve ser o sistema participativo universal, sincera e honestamente convocado e com poder deliberativo, escopo de uma Esfera Pública Não-Estatal.

    Doei mais de 35 anos da minha vida para levar ao poder uma ideia generosa e revolucionária porque, desde que me reconheço como um ser político, sonho com outro mundo e acredito que outro mundo é possível.
    Mas eu quero ver este outro mundo. Quero que meus filhos vejam este outro mundo. Quero que meus netos, meus amigos de carne e alma e virtuais, vejam este outro mundo e mais, quero estar com eles neste outro mundo.
    Nossa esperança precisa estar grávida!
    Neste sentido considero a militância de esquerda sequestrada e possuída por uma variação da Síndrome de Estocolmo.
    Não é possível que lutamos tanto a custa de vidas e de amores apenas para trocarmos as moscas.

    Mas vejo o sol se por e estou certo de que a noite não será longa e que não será este o último Por-de-Sol dos séculos.
    Reafirmo: O PAÍS ESTÁ MAQUIADO E SONOLENTO. A MILITÂNCIA DE ESQUERDA FOI SEQUESTRADA E ESTABELECEU-SE UMA SÍNDROME DE ESTOCOLMO COLETIVA..

    Cito Lênin:

    – “É preciso sonhar…mas com a condição de crer em nossos sonhos…de confrontar nossos sonhos com a realidade…de realizar ESCRUPULOSAMENTE nossa fantasia.”

    …e contesto, de minha lavra:

    Nem tudo o que é sólido se desmancha no ar. No máximo se dissolve no todo. E somos todos um.

    Por fim, o Mestre Jesus:

    “…EU VIM PARA QUE TIVÉSSEIS VIDA E VIDA EM ABUNDÂNCIA.”

    E 2015 anos se passaram…

    ADRIANO BERAO COSTA – GRAVATAI – RIO GRANDE DO SUL – BRASIL / 13 DE MARÇO DE 2015

  12. Paulo Roberto Dos Santos permalink
    20/05/2015 11:12

    Bom dia Sr. Leonardo !
    Pode passar-me seu e-mail ? Muitas vezes desejei fazer alguns comentários
    e sugestões e até mesmo pedir orientações à você,mas não me sinto totalmente a
    vontade de faze-los em “rede aberta “. Tendo seu endereço poderei ficar mais à vontade para faze-los. Envie-me por gentileza neste meu e-mail.
    Seu seguidor Paulo.
    Grato !

  13. 20/05/2015 18:28

    Professor Leonardo Boff: precisamos estar prontos para responder presente aos compromissos que faremos realidade, a partir de 2018, com Lula na presidência. O povo espera que tudo se realize!

    • 21/05/2015 9:03

      Dizem que “a esperança é a única que morre.” O único problema é que a esperança sobrevive até mesmo à morte! Não façamos do Lulismo uma nova religião!

Trackbacks

  1. O direito contra a direita « Associação Rumos

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: