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Sempre é possível uma auto-correção e um recomeço

24/05/2015

Nem toda crise, nem todo caos são necessariamente ruins. A crise acrisola, funciona como um crisol que purifica o ouro das gangas e o libera para um novo uso. O caos não é só caótico; ele pode ser generativo. É caótico porque destrói certa ordem que não atende mais as demandas de um povo; é generativo porque a partir de um novo rearranjo dos fatores, instaura uma nova ordem que faz a vida do povo melhor. Dizem cosmólogos que a vida surgiu do caos. Este organizou internamente os elementos de alta complexidade que desta complexidade fez eclodir a vida na Terra e mais tarde a nossa vida consciente (Prigogine,Swimme,Morin e outros).

A atual crise política e o caos social obedecem à lógica descrita acima. Oferecem uma oportunidade de refundação da ordem social a partir do caos social e dos elementos depurados da crise. Como no Brasil fazemos tudo pela metade e não concluimos quase nenhum projeto (independência, abolição da escravatura, a república, a democracia representativa, a nova democracia pós ditadura militar, a anistia) há o risco de que percamos novamente a oportunidade atual de fazermos algo realmente profundo e cabal ou continuaremos com a costumeira ilusão de que colocando esparadrapos curamos a ferida que gangrena a vida social já por tanto tempo.

Antes de qualquer iniciativa nova, o PT que hegemonizou o processo novo na política brasileira, deve fazer o que até agora nunca fez: uma auto-crítica pública e humilde dos erros cometidos, de não ter sabido usar do poder realmente como instrumento de mudanças e não de vantagens corporativas e de ter perdido a conexão orgânica com os movimento sociais. Precisa fazer o seu mea-culpa porque alguns com poder traíram milhões de filiados e por ter maculado e rasgado sua principal bandeira: a moralidade pública e a transparência em tudo o que faria. Aquele pequeno punhado de corruptos e de ladrões do dinheiro público, dentro da Petrobrás, que atraiçoaram os mais de um milhão de filiados do PT e envergonharam a nação deverão ser banidos da memória.

Cito frei Betto que esteve dentro do poder central e que ideou a Fome Zero. Ao perceber os desvios, deixou o governo comentando: ”O PT em 12 anos, não promoveu nenhuma reforma da estrutura, nem agrária, nem tributária, nem política. Havia alternativa para o PT? Sim, se não houvesse jogado a sua garantia de governabilidade nos braços do mercado e do Congresso; se tivesse promovido a reforma agrária, de modo a tornar o Brasil menos dependente da exportação de commodities e favorecido mais o mercado inerno; se ousasse fazer a reforma tributária recomendada por Piketty, priorizando a produção e não a especulação; se houvesse enfim assegurado a governabilidade prioritariamente pelo apoio dos movimento ssociais, como fez Evo Morales na Bolívia…Se o governo não voltar a beber na sua fonte de origem – os movimento sociais e as propostas origináris do PT – as forças conservadoas voltarão a ocupar o Planalto”.

E agora concluo eu: temos posto a perder a revolução pacífica e popular feita a partir de 2003 quando ocorreu não a troca do poder, mas a troca da base social que sustenta o Estado: o povo organizado, antes à margem e agora colocado no centro. O PT pode suportar a rejeição dos poderosos. O que não pode é defraudar o povo e os humildes que tanta confiança e esperança colocaram nele. E muitos, como eu e Frei Betto que nunca nos inscrevemos no PT (preferimos o todo e não a parte que é o partido) mas sempre apoiamos sua causa, por vê-la justa e afim às propostas sociais da Igreja da Libertação, sentimos abatimento e decepção. Não precisava ser assim. E foi pela imoralidade, pela falta de amor ao povo e pela ausência de conexão orgânica com os movimento sociais.

Nem por isso desistiremos. No expectro político atual não vislumbramos nenhum projeto que fuja da submissão ao capitalismo neoliberal, que faça a sociedade menos malvada e que apresente lideranças confiáveis que tornem melhor a vida do povo. A vida nos ensina e as Escrituras cristãs não se cansam de repetir: quem caiu sempre pode se levantar; quem pecou sempre pode se redimir depois de clara conversão para o primeiro amor. Até se diz que quem estava morto, pode ser resusscitado, como Lázaro e o jovem de Naim.

O PT tem que recomeçar lá em baixo, humilde e aberto a aprender dos erros e da sabedoria do povo trabalhador. Valem ainda os ideais primeiros: inclusão social de milhões de marginalizados, desenvolvimento social com distribuição de renda e redistribuição da riqueza nacional, cuidado para com a natureza com seus bens e serviços ameçados e a sempre ansiada justiça social. Mas tudo isso não terá sustentabilidade se não vier acompanhado por uma reforma política, tributária e pesado investimento na agroecologia na impossibilidade atual de fazer a reforma agrária.

Para que isso ocorra, precisamos acreditar na justeza desta causa; fortalecer-se face à batalha que será travada contra o PT por aqueles que vivem batendo panelas cheias porque nunca querem mudanças por medo de perder benefícios; mas jamais usar as armas que eles usam – mentiras e distorções – mas usar aquelas que eles não podem usar: a verdade, a transparência, a humildade de reconhecer os erros e a vontade de melhorar dia a dia, de querer um Brasil soberano e um povo feliz porque justo, não mais destinado a penar nas perifierias existenciais mas a brilhar.Vale o que o Dom Quixote sentenciou: “não devemos aceitar as derrotas sem antes dar as batalhas”.

Leonardo Boff é teólogo, ecólogo e escritor, veja A Grande Transformação, Vozes, Petrópolis 2014.

29 Comentários leave one →
  1. 24/05/2015 19:51

    Frei Boff! Meu Professor no Mestrado, Dr.Tavares, dizia “nem a Made superiora acredita nos políticos, que só defendem o interesses proprios e dos amigos!”. o PT, em quem depositei confiança para acabar com o coronelismo, gostou do poder e passou a nos trair, a nos roubar, e a nos matar! Frei! nao seja ingênuo…eles , em quem depositamos confiança,.nos trairam..,roubaram…e vão nos matar um a um!!

    • ADRIANO BERAO COSTA permalink
      25/05/2015 7:04

      É tudo negócio.
      Em 2003, nos primeiros 100 dias do PT à frente da gerência do Estado brasileiro, Levy era o homem da chave do cofre e José Dirceu, o Primeiro Ministro, il Capo di Tuti Capi. Lula viajava o mundo. AeroLula, lembram?
      O que o Levy disse foi feito.
      A militância acatou nos bastidores e jogou o jogo prá platéia. Já haviam sido sequestrados (os militantes viraram CCs).
      Como exímio negociante, o Levy deve ter pedido muito mais de ajuste na época. Levou o saldo da barganha.
      A margem da roubalheira já havia sido contabilizada por ele, por certo.
      Como sempre, nos negócios, pede-se mais prá fechar no necessário. Necessário numa visão de negócios.
      Seu erro de avaliação foi na subestimação da capacidade de consumir a cota destinada a satisfazer a fome de dinheiro do staff. Que poder o que! Dinheiro.
      Dinheiro.
      Sempre o Dinheiro.
      Imperdoável para um capitalista, compreensível para um homem de fora do staff. Quase ingenuidade. Porém, ingênuos não servem para o mundo dos negócios.
      Me parece um homem honesto, o Levy.
      Agora ele voltou. Espero que calejado.
      Mas onde está o Capo di Tuti Capi? O Primeiro Ministro estará com ele? A madrasta não manda mais nada, Lula não tem viajado, a militância continua sequestrada, Levy pediu 80 e levou 69,9. Terá sido ingênuo novamente?
      Ou a chave do cofre agora está com os patrões, já que os gerentes se mostraram mais gananciosos que eles próprios?
      São apenas negócios.

  2. Luiz Fernando Moyses permalink
    24/05/2015 19:56

    Prezado Sr. Leonardo Boff, admiro muito sua forma de pensar e de colocar estas questões políticas. Fui criado escutando historias de barbáries promovidos por uma ditadura recente em nosso país e sempre acreditei que a democracia fosse a melhor forma de governo que pudesse existir.
    Hoje me questiono muito quanto a este modelo (e também não entendo que a ditadura seja uma boa forma de governar). Muito embora pareça ser justo! uma vez que é escolhido pelo povo e para o povo, questiono este modelo, pois corremos o risco de que qualquer pessoa assuma o poder, sendo que esta pode não estar preparada para o mesmo. E não falo aqui de partidos políticos, pois já temos provas que corremos o risco com todas as bandeiras.
    O que o Sr. pensa disso? Qual é a melhor forma de governo?

    • ADRIANO BERAO COSTA permalink
      25/05/2015 7:22

      Olá.
      Tocaste na ferida. Preciso seu comentário.
      Forma, sistema.
      Temos que inventar, mudar, gerar o novo.
      Palavras.
      O Governo: o do povo. O da população. Participativo. Deliberativo. Uma esfera pública não-estatal.
      O Sistema: o de gabinete. Não parlamentarista. Acabar com a figura DO ou DA Presidente.
      Uma reforma politica de base filosófica. Muito serena, criativa e profunda. Revolucionária. Exemplo para o mundo. Despersonalizada.
      Separar os Negócios do Estado.
      Cuidar do dinheiro diariamente e fazê-lo circular.
      Curar e defender a terra, o ar e a água.
      A vida como sagrado.
      As almas como imperfeitas.
      O espírito como santo.
      A Cézar o que é de Cézar.
      Ao povo tudo.
      Deus é tudo.
      Amém.

  3. Carmen permalink
    24/05/2015 20:46

    Leio suas publicações a mais de 30 anos e minha admiração só aumenta. Grata por suas palavras.

  4. Carmen permalink
    24/05/2015 20:47

    Leio suas publicações há mais de 30 anos e minha admiração só aumenta. Grata por suas palavras.

  5. 24/05/2015 20:58

    João 12 vs.3 – 6 ” Então Maria, tomando uma libra e balsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus (…). Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para traí-lo, disse:por que não se vendeu este perfume por trezentos denários, e não se deu aos pobres ?Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres: mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava.

    • ADRIANO BERAO COSTA permalink
      25/05/2015 7:25

      Olá.
      Tocaste na ferida. Preciso seu comentário.
      Forma, sistema.
      Temos que inventar, mudar, gerar o novo.
      Palavras.
      O Governo: o do povo. O da população. Participativo. Deliberativo. Uma esfera pública não-estatal.
      O Sistema: o de gabinete. Não parlamentarista. Acabar com a figura DO ou DA Presidente.
      Uma reforma politica de base filosófica. Muito serena, criativa e profunda. Revolucionária. Exemplo para o mundo. Despersonalizada.
      Separar os Negócios do Estado.
      Cuidar do dinheiro diariamente e fazê-lo circular.
      Curar e defender a terra, o ar e a água.
      A vida como sagrado.
      As almas como imperfeitas.
      O espírito como santo.
      A Cézar o que é de Cézar.
      Ao povo tudo.
      Deus é tudo.
      Amém.

  6. 24/05/2015 21:14

    Republicou isso em psicologofelipe's Blog.

  7. S. Agostinho Silva permalink
    24/05/2015 21:59

    Jesus escolheu alguns para estar com ele em sua tarefa do dia a dia. A dedo escolheu 12… Mesmo assim um o traiu, outro o negou e os outros dez não eram 100% santinhos. Tinham qualidades, mas também defeitos.
    Imagine um partido político como o PT que tem mais de hum milhão de filiados. Não podemos querer total santidade onde ela não existe. Se a Igreja, que é Igreja, local onde teoricamente deveria ter somente santos, não é assim. Imagine em outras instituições?…
    Que continuemos em busca de nossa santidade. A luta continua, companheiro…

    • ADRIANO BERAO COSTA permalink
      25/05/2015 0:47

      É tudo negócio.
      Em 2003, nos primeiros 100 dias do PT à frente da gerência do Estado brasileiro, Levy era o homem da chave do cofre e José Dirceu, o Primeiro Ministro, il Capo di Tuti Capi. Lula viajava o mundo. AeroLula, lembram?
      O que o Levy disse foi feito.
      A militância acatou nos bastidores e jogou o jogo prá platéia. Já haviam sido sequestrados (os militantes viraram CCs).
      Como exímio negociante, o Levy deve ter pedido muito mais de ajuste na época. Levou o saldo da barganha.
      A margem da roubalheira já havia sido contabilizada por ele, por certo.
      Como sempre, nos negócios, pede-se mais prá fechar no necessário. Necessário numa visão de negócios.
      Seu erro de avaliação foi na subestimação da capacidade de consumir a cota destinada a satisfazer a fome de dinheiro do staff.
      Que poder o que!
      Dinheiro.
      Dinheiro.
      Sempre o Dinheiro.
      Imperdoável para um capitalista, compreensível para um homem de fora do staff. Quase ingenuidade. Porém, ingênuos não servem para o mundo dos negócios.
      Me parece um homem honesto, o Levy.
      Agora ele voltou. Espero que calejado.
      Mas onde está o Capo di Tuti Capi? O Primeiro Ministro estará com ele? A madrasta não manda mais nada, Lula não tem viajado, a militância continua sequestrada, Levy pediu 80 e levou 69,9. Terá sido ingênuo novamente?
      Ou a chave do cofre agora está com os patrões, já que os gerentes se mostraram mais gananciosos que eles próprios?
      São apenas negócios.

    • ADRIANO BERAO COSTA permalink
      25/05/2015 7:25

      Olá.
      Tocaste na ferida. Preciso seu comentário.
      Forma, sistema.
      Temos que inventar, mudar, gerar o novo.
      Palavras.
      O Governo: o do povo. O da população. Participativo. Deliberativo. Uma esfera pública não-estatal.
      O Sistema: o de gabinete. Não parlamentarista. Acabar com a figura DO ou DA Presidente.
      Uma reforma politica de base filosófica. Muito serena, criativa e profunda. Revolucionária. Exemplo para o mundo. Despersonalizada.
      Separar os Negócios do Estado.
      Cuidar do dinheiro diariamente e fazê-lo circular.
      Curar e defender a terra, o ar e a água.
      A vida como sagrado.
      As almas como imperfeitas.
      O espírito como santo.
      A Cézar o que é de Cézar.
      Ao povo tudo.
      Deus é tudo.
      Amém.

  8. Robson permalink
    24/05/2015 23:21

    Frei Leonardo,

    Partilho da visão do Betto…fico feliz em ler este teu artigo…. mas é possível ainda ter alguma esperança? Assistimos ao PT realizar no Brasil oque se repetiu em vários países, e a frase do porco que assume a fazenda na revolução do bichos se repete a cada dia…”todos os bichos são iguais perante a lei, mas alguns bichos são mais iguais que os outros”…não aguentamos mais, não acreditamos mais….

  9. ADRIANO BERAO COSTA permalink
    24/05/2015 23:29

    SÃO APENAS NEGÓCIOS

    É tudo negócio.
    Em 2003, nos primeiros 100 dias do PT à frente da gerência do Estado brasileiro, Levy era o homem da chave do cofre e José Dirceu, o Primeiro Ministro, il Capo di Tuti Capi. Lula viajava o mundo. AeroLula, lembram?
    O que o Levy disse foi feito.
    A militância acatou nos bastidores e jogou o jogo prá platéia. Já haviam sido sequestrados (os militantes viraram CCs).
    Como exímio negociante, o Levy deve ter pedido muito mais de ajuste na época. Levou o saldo da barganha.
    A margem da roubalheira já havia sido contabilizada por ele, por certo.
    Como sempre, nos negócios, pede-se mais prá fechar no necessário. Necessário numa visão de negócios.
    Seu erro de avaliação foi na subestimação da capacidade de consumir a cota destinada a satisfazer a fome de dinheiro do staff. Que poder o que! Dinheiro.
    Dinheiro.
    Sempre o Dinheiro.
    Imperdoável para um capitalista, compreensível para um homem de fora do staff. Quase ingenuidade. Porém, ingênuos não servem para o mundo dos negócios.
    Me parece um homem honesto, o Levy.
    Agora ele voltou. Espero que calejado.
    Mas onde está o Capo di Tuti Capi? O Primeiro Ministro estará com ele? A madrasta não manda mais nada, Lula não tem viajado, a militância continua sequestrada, Levy pediu 80 e levou 69,9. Terá sido ingênuo novamente?
    Ou a chave do cofre agora está com os patrões, já que os gerentes se mostraram mais gananciosos que eles próprios?
    São apenas negócios.

  10. Claiton Lencina permalink
    24/05/2015 23:32

    “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim” (Francisco Cândido Xavier)

    Parabéns Sr. Boff, justo e preciso como de hábito.

    • ADRIANO BERAO COSTA permalink
      25/05/2015 0:49

      É tudo negócio.
      Em 2003, nos primeiros 100 dias do PT à frente da gerência do Estado brasileiro, Levy era o homem da chave do cofre e José Dirceu, o Primeiro Ministro, il Capo di Tuti Capi. Lula viajava o mundo. AeroLula, lembram?
      O que o Levy disse foi feito.
      A militância acatou nos bastidores e jogou o jogo prá platéia. Já haviam sido sequestrados (os militantes viraram CCs).
      Como exímio negociante, o Levy deve ter pedido muito mais de ajuste na época. Levou o saldo da barganha.
      A margem da roubalheira já havia sido contabilizada por ele, por certo.
      Como sempre, nos negócios, pede-se mais prá fechar no necessário. Necessário numa visão de negócios.
      Seu erro de avaliação foi na subestimação da capacidade de consumir a cota destinada a satisfazer a fome de dinheiro do staff. Que poder o que! Dinheiro.
      Dinheiro.
      Sempre o Dinheiro.
      Imperdoável para um capitalista, compreensível para um homem de fora do staff. Quase ingenuidade. Porém, ingênuos não servem para o mundo dos negócios.
      Me parece um homem honesto, o Levy.
      Agora ele voltou. Espero que calejado.
      Mas onde está o Capo di Tuti Capi? O Primeiro Ministro estará com ele? A madrasta não manda mais nada, Lula não tem viajado, a militância continua sequestrada, Levy pediu 80 e levou 69,9. Terá sido ingênuo novamente?
      Ou a chave do cofre agora está com os patrões, já que os gerentes se mostraram mais gananciosos que eles próprios?
      São apenas negócios.

  11. Ir. Divani permalink
    24/05/2015 23:32

    É sempre muito bom ler os escritos de Leonardo Boff é um crítico que nos leva a reflexão e a novas possibilidades. Realmente o PT precisa se vestir de sua essência, da justiça, da verdade, dos direitos empobrecidos. O PT dá a sensação de que perdeu seu foco, rumo de governar está se deixando encabular por essa gente de colarinho branco que não quer ver o bem do povo desfavorecido. É hora de tomar as rédeas, não podemos pagar pela roubalheira dessa gente. Os impostos estão caindo sobre nós que vivemos assalariados. Isso não é justo. O PT foi confiado para defender nossos dirritos e não tirar. Se liberta Dilma PT dessa gente que só pensa no seu bem está. O Brasil clama por uma reforma política justa. Chega de pagar esse preço alto de gasolina, de energia já estamos entrando no caos. Retome o que é próprio na sua proposta de Partido PT não deve ter aliança com corrupção. Sejam corajosos! Precisamos de um norte nessa política que ora está tão suja, que na verdade nunca foi limpa e transparente. Chega de injustiça e corrupção. O povo está clamando está muito difícil viver com essa indefinição quem é quem?

    • ADRIANO BERAO COSTA permalink
      25/05/2015 0:50

      É tudo negócio.
      Em 2003, nos primeiros 100 dias do PT à frente da gerência do Estado brasileiro, Levy era o homem da chave do cofre e José Dirceu, o Primeiro Ministro, il Capo di Tuti Capi. Lula viajava o mundo. AeroLula, lembram?
      O que o Levy disse foi feito.
      A militância acatou nos bastidores e jogou o jogo prá platéia. Já haviam sido sequestrados (os militantes viraram CCs).
      Como exímio negociante, o Levy deve ter pedido muito mais de ajuste na época. Levou o saldo da barganha.
      A margem da roubalheira já havia sido contabilizada por ele, por certo.
      Como sempre, nos negócios, pede-se mais prá fechar no necessário. Necessário numa visão de negócios.
      Seu erro de avaliação foi na subestimação da capacidade de consumir a cota destinada a satisfazer a fome de dinheiro do staff. Que poder o que! Dinheiro.
      Dinheiro.
      Sempre o Dinheiro.
      Imperdoável para um capitalista, compreensível para um homem de fora do staff. Quase ingenuidade. Porém, ingênuos não servem para o mundo dos negócios.
      Me parece um homem honesto, o Levy.
      Agora ele voltou. Espero que calejado.
      Mas onde está o Capo di Tuti Capi? O Primeiro Ministro estará com ele? A madrasta não manda mais nada, Lula não tem viajado, a militância continua sequestrada, Levy pediu 80 e levou 69,9. Terá sido ingênuo novamente?
      Ou a chave do cofre agora está com os patrões, já que os gerentes se mostraram mais gananciosos que eles próprios?
      São apenas negócios.

  12. Amaurih permalink
    25/05/2015 7:27

    O senhor está fazendo o mea culpa por ter apoiado um partido que traiu inclusive e principalmente os ideais que foram usados para a sua formação e consolidação? Eu sinto muito senhor, mas o senhor foi enganado por um grupo que levou o que de pior os populistas demagogos, espertalhões que se infiltraram na política, sempre usaram no nível municipal para a União. Só que formadores de opinião da sua qualidade, além de se enganar, colaboraram em muito na enganação dos leitores. Vem a calhar o seu “mea culpa”, mas creio que seja tarde e funciona como um bandeid no buraco que está sendo aberto com a foice e o martelo, com um objetivo até justo, mas que tem se mostrado inviável em todos os lugares onde se conseguiu implantar.

    • 29/05/2015 7:16

      Amaurith eu não fiz mea culpa nenhuma nem farei, pois o que me interessa,até o juizo final, é que se faça justiça ao pobre e se defenda a vida dos mais vulneráveis. Essas são as causas dos profetas e de Jesus. Vc não soube ler meu texto. Lamento.
      lboff

      • Amaurih permalink
        29/05/2015 9:24

        Infelizmente eu não soube ler o seu texto como o senhor gostaria, mas apesar da resistência autoritária eu acho importante esse partido que vocês criaram como sendo o que na realidade nunca foi, considere a possibilidade de uma auto-correção, por ter sido permissivo à politica provinciana mais baixa infiltrando-a na União.

  13. ADRIANO BERAO COSTA permalink
    25/05/2015 7:29

    Olá.
    Tocaste na ferida. Preciso seu comentário.
    Forma, sistema.
    Temos que inventar, mudar, gerar o novo.
    Palavras.
    O Governo: o do povo. O da população. Participativo. Deliberativo. Uma esfera pública não-estatal.
    O Sistema: o de gabinete. Não parlamentarista. Acabar com a figura DO ou DA Presidente.
    Uma reforma politica de base filosófica. Muito serena, criativa e profunda. Revolucionária. Exemplo para o mundo. Despersonalizada.
    Separar os Negócios do Estado.
    Cuidar do dinheiro diariamente e fazê-lo circular.
    Curar e defender a terra, o ar e a água.
    A vida como sagrado.
    As almas como imperfeitas.
    O espírito como santo.
    A Cézar o que é de Cézar.
    Ao povo tudo.
    Deus é tudo.
    Amém.

  14. 25/05/2015 8:36

    Frei Leonardo, admiro muito sua visao analitica do ponto de vista de justica social, so discordei em ter citado Evo Morales, o ditador da Bolivia porque eu tenho experiencia direta e presenciei a transformacao do homem “campesino-dirigente cocalero” no todo poderoso presidente da nacao “plurinacional”. A lei da selva continua na mente desse governante “palo santo” para os revolucionarios, Fui agente de missao laica catolica em terras do Chapare. Conheco a “fera” pessoalmente. TUPINIS eh um atentado masacrante do povo indigena. Desculpe mas vou parar por aqui…poderia denunciar outras falcatruas desse governante…me calo por amor ao povo boliviano.

  15. 25/05/2015 9:46

    Prezado Frei Leonardo Boff, fui seu aluno, sempre admirei sua profunda reflexão e comprometimento com a causa sociais. Sou seu fã confesso. Mas temos que admitir que o PT de hoje não é o PT dos anos 80, 90…, não se pode fazer acordo com o diabo no intuito de salvar almas. É bem verdade que não existe purismo em setor algum. Mas quando as alianças de cunho político quebram a essência do Projeto Político de um partido, precisamos rever as bases do próprio partido político. E o PT só vai recuperar credibilidade, se é que temos que apostar em sua regeneração, quando deliberadamente quebrar os vínculos que criou com todo o universo de oportunismos econômicos, jurídicos, ideológicos,, etc, e romper alianças desconexas com seus propósitos partidários originais. Até o momento não se verifica isso. Portanto, continuo acreditando na luta pelas causas sociais, e na regeneração da própria camada popular na busca ou fortalecimento de um novo projeto político, através de uma bandeira política, mas principalmente através da organização popular, em função de superação da crise de valores que desvirtuaram o PT. Apesar de os oportunistas estarem se aproveitando da situação, as o povo,, não eles, deve reagir tanto contra estes quanto contra a distorção do projeto petista. Não abro mão do projeto socioeconômico, político e cultural alternativo, mas não vejo grandes chances no PT que aí se apresenta. Esta é minha humilde opinião. Os sonhos e utopias continuam a mover a história. E o tempo dirá…

  16. 25/05/2015 10:11

    Republicou isso em taniadocarmoportella.

  17. André Lacerda permalink
    27/05/2015 17:41

    Começarei este meu texto com a concordância de que “sempre é possível uma autocorreção e um recomeço”, mas com o pressuposto de que a renovação é uma lei inexorável.
    A eleição de Lula foi, sem dúvida, um avanço na paisagem política brasileira. Antes de Lula, “nunca na história deste país” um ex-operário nordestino tivera ocupado a cadeira mais importante da República. Imagino, inclusive, que o impacto da vitória de Lula tenha sido similar a eleição de Obama nos EUA, pois também “nunca na história daquele país”, um negro americano de nome muçulmano tivera sido eleito presidente. Salvo essa breve comparação, e a despeito da importância desses acontecimentos, voltemos à questão doméstica da autocorreção e de um possível recomeço. Pois bem, como disse LBoff, para haver autocorreção precisa haver, necessariamente “uma autocrítica pública e humilde dos erros cometidos”. Isso é um começo. E o que mais? Pedir confiança? Não, confiança não se pede, se conquista. Assustar-nos com um inimigo cruel e implacável para que juntemos esforços em torno de uma bandeira comum, a do PT? Não, isso não. Isso não é autocrítica. Isso é persistir no erro. Mas o que teria que mudar, então? Bem, a meu ver, creio que para o PT conseguir fazer uma autocorreção será necessário, antes de tudo, realizar um retorno às suas origens, buscar soluções consensuais, e abandonar, definitivamente, essa tal de “governabilidade” – eufemismo esse da nossa velha e conhecida politicagem – pois, o Brasil não é uma empresa a ser administrada na lógica do lucro e de interesses particulares.

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