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Para Entender a Venezuela: dois testemunhos do outro lado

09/08/2017

Todas as coisas possuem  sempre dois lados. Em direito se diz: “audiator et altera pars”: que se escute também a outra parte. Isso vale em todas as questões que envolvem destinos pessoais e de todo um povo.  A questão da Venezuela é complexa e polêmica. Dificilmente poder-se-á emitir um juizo equilibrado tantos são os fatores a serem considerados. Entre nós, no Brasil, a versão dominante, propagada pela grande mídia, sob forte influência dos USA é muito negativa e tem  suas razões.  Há violência e repressão popular que são inaceitáveis, sob qualquer ponto de vista. Mas não é a única versão. Há outras versões que apresentam lados positivos que importa também considerar, embora ganham pouco espaço na mídia nacional e internacional. No propósito de mostrar a complexidade da questão venezuela e o que significaram as transformações que Hugo Chavez introdiuziu naquele país, importa ouvir os dois testemunhos que publicaremos logo abaixo. Curiosamente um vem de uma religiosa que trabalha no meio do povo e que por isso seu testemunho ganha especial credibilidade. Não emitimos nenhuma opinião. Apenas mostraremos um dos lados, pouco conhecido, para que cada um possa fazer o seu juizo na base desta e de outras informações. LBoff

                                       Para entender a Venezuela

                                                    Marcelo Zero

Antecedentes

Não possível se entender a atual crise da Venezuela e tampouco o regime chavista sem se compreender como era esse país antes da “revolução bolivariana” e qual o seu significado geopolítico para os EUA.

A Venezuela está sentada na maior reserva provada de petróleo do mundo. São 298,3 bilhões de barris, ou 17,5% de todo o petróleo do mundo. Este petróleo está a apenas 4 ou 5 dias de navio das grandes refinarias do Texas. Em comparação, o petróleo do Oriente Médio está entre 35 a 40 dias de navio dos EUA, maior consumidor de óleo do planeta.

Essas imensas reservas começaram a ser exploradas no governo de Juan Vicente Gómez (1908-1935).

A renda gerada pela produção e exportação de hidrocarbonetos possibilitou a construção de uma infraestrutura viária e portuária, assim como permitiu a implantação de aparelho de Estado centralizado, que substituiu uma administração fragmentada e difusa.

Contudo, essa consolidação do Estado Nacional venezuelano embasou-se apenas na exportação de petróleo para o mercado norte-americano, o que levou à Venezuela a desenvolver “relações privilegiadas” com os EUA. Tal vinculação econômica e política marcou profundamente a política externa da Venezuela, bem como sua política interna.

Na década de 50 do século passado, a Venezuela já havia se convertido no segundo produtor e no primeiro exportador mundial de petróleo. No entanto, essa notável afluência econômica, obtida numa relação de estreita dependência com os EUA, não se refletia na diminuição de suas graves desigualdades sociais, na diversificação de sua estrutura produtiva e na implantação de um regime democrático estável. Tampouco numa política externa que combatesse seu alto grau de dependência.

Na realidade, esse processo econômico e político marcado por tal profunda dependência resultou em três grandes consequências que têm de ser levadas em consideração em qualquer análise séria sobre a Venezuela:

-Um sistema político formalmente democrático, porem profundamente oligárquico.

-Uma política externa avessa à integração regional e a uma articulação com outros países periféricos.

Uma estrutura social marcada pela desigualdade e a pobreza.

O sistema político oligárquico

Em 1957, foi celebrado o Pacto de Punto Fijo, articulado pelos EUA, pelo qual os partidos tradicionais e conservadores aceitaram alternar-se no poder, sem permitir a entrada de novos partidos. O objetivo, para os EUA, era garantir alguma estabilidade política na Venezuela, diante de sua importância como fornecedora de petróleo.

A realização de eleições presidenciais periódicas apenas entre os dois partidos conservadores (Ação Democrática-AD, de orientação socialdemocrata, e o Comitê de Organização Política Eleitoral Independente-COPEI, de tendência democrata-cristã), fez com que a Venezuela fosse apresentada como um exemplo raro de “democracia na América do Sul”.

Trata-se, é claro, de uma grosseira falácia. A bem da verdade, o sistema político gerado pelo Pacto de Punto Fijo era muito semelhante à política do “café-com-leite” da República Velha brasileira: por trás de uma fachada de democracia, escondia-se um sistema fortemente oligárquico.

Avalia-se que cerca de 50% da população teria sido excluída do exercício do voto desde os anos 60. Como o registro eleitoral era facultativo e como as zonas de inscrição estavam situadas apenas nas zonas mais prósperas do país, a população mais pobre não participava, na prática, de quaisquer decisões eleitorais. Além disso, o federalismo venezuelano era profundamente autoritário. Cabia ao Presidente da República nomear todos os governadores e prefeitos biônicos, muitos dos quais hoje militam na oposição venezuelana. Apenas em 1989 foram realizadas as primeiras eleições para prefeitos e governadores. Não bastasse, eram comuns as prisões de jornalistas, em razão da publicação de matérias que desgostassem o governo de plantão.

A política externa satélite dos interesses estratégicos do EUA

A “estabilidade” democrática, ainda que conservadora, formal e excludente, a afluência econômica proporcionada pelo petróleo e as relações privilegiadas com os EUA, mesmo que eventualmente contraditórias, fizeram com que Venezuela se isolasse do restante da América do Sul e dos demais países em desenvolvimento.

Na década de 60, esse relativo isolamento foi exacerbado pela aplicação, no plano das relações externas venezuelanas, da chamada Doutrina Betancourt, criada em homenagem ao ex-presidente Rómulo Betancourt. De acordo com essa doutrina, a Venezuela deveria restringir o estabelecimento ou a manutenção de relações diplomáticas apenas a países que tivessem governos eleitos democraticamente conforme regras constitucionais estáveis.

Criada para agradar os EUA, pois justificava o isolamento diplomático de Cuba, a doutrina Betancourt, porém, complicou as relações com vários vizinhos da Venezuela aliados de Washington, inclusive o Brasil. Assim, durante vários anos, a Venezuela recusou-se manter relações diplomáticas com o Brasil, que vivia uma ditadura. Por uma ironia da história, a “cláusula democrática”, que hoje o Brasil do golpe tenta impor à Venezuela no Mercosul, já foi usada contra nós pelos venezuelanos conservadores.

Após levar um “puxão de orelhas” de Washington, a Venezuela flexibilizou sua cláusula democrática e passou a usá-la apenas contra Cuba, contemplando os interesses dos EUA.

Esse isolacionismo da Venezuela, que privilegiava somente suas relações bilaterais com os EUA, fez até que aquele país aderisse tardiamente ao GATT, à Comunidade Andina e a outros organismos regionais e multilaterais, numa demonstração de total falta de iniciativa própria no cenário mundial.

Tal isolacioanismo dependente da Venezuela só começou a ser parcialmente revisto ao final da década de 80, quando a relativa abundância de petróleo no mercado internacional, que fez diminuir o preço dessa commodity, somada à crise da dívida, que viria a atingir aquele país ao final do decênio, produziu uma modesta mudança na estratégia de sua política externa. De fato, a política externa isolacionista, baseada na noção de uma suposta superioridade político-democrática, na afluência econômica do petróleo e nas relações privilegiadas com os EUA, principal comprador dessa commodity, passou a ser substituída progressivamente por uma estratégia de inserção no cenário externo mais realista, na qual o Caribe e a América do Sul passaram a ter lugar de destaque.

Contudo, mesmo com essa mudança modesta e parcial, a Venezuela continuou a orbitar em torno dos interesses estratégicos do EUA na região, constituindo-se, junto com a Colômbia, no seu aliado mais fiel.

A estrutura social marcada pela desigualdade e a pobreza

Antes do “cruel e ditatorial” governo bolivariano, a Venezuela, o país com a maior reserva de óleo do mundo, tinha 70% de sua população abaixo da linha da pobreza e 40% do seu povo na pobreza extrema. Isso diz tudo sobre os governos anteriores.

Antes do governo de Chávez, em 1998, 21% da população estavam subnutridos. É isso mesmo. No país que, como Celso Furtado escreveu em 1974, tinha tudo para se tornar a primeira nação latino-americana realmente desenvolvida, 1 em cada 5 habitantes passava fome. Essa era a Venezuela dos Capriles, dos López e da “oposição democrática”.

Em relação à saúde pública, é preciso ressaltar que a mortalidade infantil era de 25 por mil, em 1990, quase o dobro da brasileira de hoje (13,8 por mil). Em relação à educação, apenas 70% das crianças concluía o ensino primário e o acesso às universidades era restrito às elites e à pequena classe média.

Além disso, o Estado de Bem Estar venezuelano tinha alcance mínimo. Com efeito, na era pré-Chávez, apenas 387.000 idosos venezuelanos tinham aposentadorias ou pensões. A maioria simplesmente vivia à míngua.

Desse modo, a Venezuela chegava ao fim do século XX com uma contradição gritante e insustentável: apesar das grandes riquezas derivadas da exportação de petróleo, o país convivia com problemas sociais muito graves.

Em 1989, no contexto de uma crise econômica, manifestações populares se multiplicaram por todo o país.

Uma delas, o “Caracazo”, foi duramente reprimida pelo Estado, cujas forças mataram indiscriminadamente entre 1000 e 3000 pessoas. Em muitas ocasiões, as manifestações estudantis foram também reprimidas, tendo sido ordenado o fechamento da Universidade Central da Venezuela, que durou três anos, em 1968.

Durante vários meses, as favelas de Caracas foram cercadas por forças militares e submetidas a toque de recolher.

Entretanto, isso não comoveu muito a “comunidade internacional”, que hoje chora as cerca de 100 vítimas dos embates nas ruas da Venezuela. Afinal, eram apenas pobres e excluídos sendo submetidos a um regular massacre na América Latina. Em todo caso, já estava claro, na época, que o modelo econômico, social e político plasmado no Pacto de Punto Fijo tinha atingido seu limite.

Pois bem, a eleição de Hugo Chávez, em 1998, se insere justamente no colapso do Pacto de Punto Fijo: para uma população desprovida de sistemas públicos includentes (saúde, educação, moradia, etc.), a plataforma política de Chávez surgiu como proposta sem precedentes na história do país, o que explica, em grande parte, a sua popularidade nas camadas historicamente excluídas do povo venezuelano.

Embora o chavismo não tenha alterado, de forma significativa, a estrutura produtiva da Venezuela, que permaneceu estreitamente dependente das exportações do petróleo, Chávez implodiu as arcaicas estruturas sociais e políticas da Venezuela, bem como a política externa de alinhamento automático aos EUA.

A desigualdade, medida pelo índice de Gini, foi reduzida em 54%. A pobreza despencou de 70,8%, em 1996, para 21%, em 2010, e a extrema pobreza caiu de 40%, em 1996, para 7,3%, em 2010.

O chavismo implantou as chamadas misiones, projetos sociais diversificados e amplos que beneficiam cerca de 20 milhões de pessoas, e passou a criar um verdadeiro Estado de Bem Estar Social na Venezuela. Hoje, 2,1 milhões de idosos recebem pensão ou aposentadoria, ou seja, 66% da população da chamada terceira idade.

Na Venezuela pós-chavismo, a desnutrição é de apenas 5%, e a desnutrição infantil 2,9%. Após o chavismo, a Venezuela tornou-se o segundo país da América Latina (o primeiro é Cuba) e o quinto no mundo com maior proporção de estudantes universitários.

Em relação à saúde pública, é preciso ressaltar que a mortalidade infantil diminuiu de 25 por mil, em 1990, para apenas 13 por 1000, em 2010. Atualmente, 96% da população já tem acesso à água potável. Em 1998, havia 18 médicos por 10.000 habitantes, atualmente são 58. Os governos anteriores ao de Chávez construíram 5.081 clínicas ao longo de quatro décadas, enquanto que, em apenas 13 anos, o governo bolivariano construiu 13.721, um aumento de 169,6%. Barrio Adentro, o programa de atenção primária à saúde que recebe a ajuda de mais de 8.300 médicos cubanos, salvou cerca de 1,4 milhões de vidas.

Nove anos após as grandes inundações de 1999, que destruíram centenas de e milhares de lares, o governo de Chávez deu início a um ambicioso programa de habitações populares. Já foram construídas e entregues 2 milhões de casas. Trata-se, proporcionalmente, do maior programa de habitação popular da América Latina.

Esses amplos e inegáveis avanços sociais fizeram daquele nosso país irmão um modelo de cumprimento dos Objetivos do Milênio da ONU.

No campo da política externa, Chávez rompeu com o paradigma anterior de país periférico e dependente e investiu na integração regional e no eixo estratégico da geoeconomia e geopolítica Sul-Sul, com destaque para as relações bilaterais com o Brasil, o que acabou conduzindo à adesão da Venezuela como membro pleno do Mercosul, algo que nos beneficia muito.

A Venezuela chavista tornou-se uma grande parceira do Brasil, comprando vorazmente nossos produtos e recompensando-nos com elevados superávits comerciais e com forte apoio político à integração do nosso subcontinente. Chávez era, sobretudo, um grande amigo do Brasil.

Ademais, Chávez estabeleceu relações próximas com Rússia, China e Cuba e passou a apoiar experiências políticas que divergiam da ordem mundial dominada pelos interesses dos EUA. Em contraste com o isolacionismo anterior, Chávez fundou a ALBA e criou a Petrocaribe, objetivando fornecer petróleo a preços convidativos para os países daquela região. Isso explica porque a OEA, apesar dos esforços febris dos EUA e do Brasil, não consegue aprovar uma resolução forte contra o governo de Maduro.

Mas o principal mérito do chavismo foi ter implodido o conservador e excludente modelo político venezuelano, baseado no Pacto de Punto Fijo. Com Chávez, assim como com Lula, Morales, Rafael Correa e outros, aqueles que não tinham voz e vez passaram a se fazer ouvir e a se fazer cidadãos. Passaram a comer, a se educar, a morar. Deixaram de ser invisíveis, miseráveis anônimos, e passaram a ser sujeitos da história.

O chavismo, entretanto, foi além e organizou e mobilizou as massas destituídas da Venezuela, bem como passou a dominar setores importantes do aparelho de Estado, como as Forças Armadas e o poder judiciário. Isso acabou privando as oligarquias venezuelanas de seus principais instrumentos de intervenção política. São esses fatores que ajudam explicar a radicalidade do atual processo político venezuelano.

A Reação

Com todos sabem, a reação das oligarquias ao chavismo não tardou. Além do conhecido golpe de 2002, que quase resultou na execução de Chávez, houve também o processo conhecido como “paro petrolero”, a suspensão das atividades da PDVSA, a estatal do petróleo da Venezuela.

A suspensão das atividades da PDVSA, controlada então pelas oligarquias venezuelanas, resultou numa contração do PIB de 18%, entre 2002 e 2003, inflação, carestia de produtos básicos, desemprego, aumento do risco país, etc.

No país com a maior reserva de petróleo do mundo, houve até falta de gasolina. O governo brasileiro, ao final de 2002, enviou navio tanque com gasolina para suprir parcialmente a carência de combustíveis na Venezuela.

O “paro petrolero” forçou o chavismo a intervir na PDVSA, dominando-a, assim como o golpe de 2002 forçou o chavismo a controlar mais fortemente as forças armadas.

Entretanto, essas ações antidemocráticas e destrutivas, das quais participaram as atuais das oposições venezuelanas, como López, Capriles e Ledezma são eloquentes da falta de compromisso real das oligarquias venezuelanas com a democracia. O “paro petrolero”, em particular, evidencia que tais oligarquias não têm pruridos em arruinar a economia do país, desde que isso signifique uma oportunidade para voltar a controlar o poder perdido.

Desde então, o processo político venezuelano permanece bastante radicalizado.

Ainda assim, há de se constatar que o chavismo manteve seus compromissos democráticos. Desde a ascensão de Chávez e a implosão do Pacto de Punto Fijo, foram realizadas nada menos que 21 eleições, inclusive a de um referendo revogatório. Todas elas limpas e internacionalmente auditadas.

Ademais, na Venezuela há partidos de oposição que funcionam regularmente e imprensa livre, mesmo após a cassação da concessão do canal RCTV, que articulou o golpe de Estado de 2002.

A crítica de que o chavismo controla setores do aparelho de Estado, como o poder judiciário, por exemplo, não deixa de ser curiosa. Na Venezuela, como em quase toda a América Latina, os setores estratégicos do aparelho de Estado sempre foram fortemente controlados pela direita. No entanto, tal controle nunca foi questionado como algo antidemocrático. Ao contrário, o caráter de classe desses segmentos estatais sempre foi considerado como parte intrínseca e natural do modus operandi dos sistemas políticos do subcontinente. O controle só se torna um “problema” quando passa a ser exercido, ainda que parcialmente, pela esquerda.

Assim sendo, não se pode falar em quebra da ordem democrática na Venezuela, apesar da radicalização do processo político e dos graves problemas institucionais que acometem o país vizinho. A última vez em que houve realmente quebra da ordem democrática na Venezuela foi no golpe militar de 2002.

Desdobramentos Recentes

A situação da Venezuela atual é muito próxima da existente no período 2002-2003.

Com a morte de Chávez, em 2013, a oposição radicalizada da Venezuela, considerou que poderia derrotar facilmente o sucessor na revolução bolivariana.

Entretanto, a vitória de Maduro sobre Capriles, ainda que por pequena margem, frustrou as expectativas da oposição. Pouco tempo depois, os setores mais radicalizados da oposição venezuelana, liderados por Leopoldo López, iniciaram o processo denominado de “la salida”, que consiste na utilização de manifestações violentas de rua, com a formação de barricadas, as chamadas “guarimbas”, incêndio de edifícios públicos e até mesmo de atos terroristas com o intuito de derrubar o governo eleito. Trata-se de uma estratégia que teve êxito na chamada “revolução colorida da Ucrânia”, diretamente financiada e estimulada pelos EUA.

Essas manifestações, muito concentradas nos bairros do leste de Caracas e algumas outras poucas municipalidades dominadas pela classe média e pelas classes afluentes da Venezuela são amplificadas por uma mídia nacional e internacional comprometida com os interesses conservadores. De um modo geral, as informações sobre as manifestações são produzidas com o auxílio das agências de inteligência e propaganda norte-americanas, que as repassam às agências internacionais de notícias, como a Reuters. A partir daí, elas se disseminam para o mundo inteiro, gerando uma percepção falaciosa do processo político venezuelano.

Entre 2013 e 2016, esse processo político radicalizado pela oposição de direita acabou provocando a morte de pelos menos 46 pessoas, a maioria chavistas ou de pessoas sem afiliação política, bem como danos milionários a equipamentos públicos. Tais “guarimbas” foram e são financiadas desde o exterior. Com efeito, há uma conexão clara da direita venezuelana, particularmente dos setores ligados a Leopoldo López, com a extrema direita da Colômbia, principalmente com Álvaro Uribe e seus grupos de extermínio.

São essas conexões e os reiterados atos de violência que levaram à prisão de López e Antonio Ledezma na Venezuela. Caracterizá-los como presos políticos que tivessem cometido “crimes de consciência”, como faz a imprensa brasileira, é desconhecer a realidade de uma direita que não tem, de fato, qualquer compromisso com a democracia e os direitos humanos e que aposta sistematicamente na violência como arma política preferencial.

Concomitantemente, foi iniciado um processo econômico que visa produzir carestia, desabastecimento e inflação, tal com o ocorreu, por exemplo, no Chile de Allende ou mesmo na própria Venezuela dos anos 2002 e 2003.

De fato, a este respeito é necessário que a crise econômica da Venezuela tem dois aspectos claros: um natural e outro artificial.

O natural, por assim dizer, tange ao fato óbvio de que a economia venezuelana, apesar dos esforços de chavismo para diversificá-la, ainda é muito dependente das exportações do petróleo e tem agricultura e indústria débeis.

A arrecadação tributária da Venezuela é muito baixa, apenas 13,5% do PIB, bem abaixo da brasileira, por exemplo, que está em cerca de 35% do PIB. Assim, o gasto público depende estreitamente da renda petroleira. Com a grande queda dos preços dessa commodity a partir de 2012, a economia da Venezuela passou enfrentar dificuldades reais graves, particularmente problemas cambiais.

Entretanto, há também aspectos artificialmente induzidos na crise econômica venezuelana. Há uma guerra econômica em curso.

Entre os instrumentos utilizados dessa guerra econômica estão: 1) o desabastecimento programado de bens essenciais; 2) a inflação induzida; 3) o boicote a bens de primeira necessidade; 4) o embargo comercial disfarçado; e 5) o bloqueio financeiro internacional.

O desabastecimento é produzido pela especulação cambial e pelo boicote político. O governo fornece aos importadores e comerciantes dólares cotados, pelo câmbio oficial, a apenas 10 bolívares. Entretanto, no câmbio negro, o dólar chega a ser cotado a milhares de bolívares. Na semana passada, cegou a 16 mil bolívares por dólar.

O que acontece é que muitos importadores simplesmente não importam o que deveriam. Fazem os contratos, mas importam apenas uma fração e depositam dólares no exterior. Além disso, boa parte (cerca de 35%) dos alimentos comprados são contrabandeados para o exterior, principalmente para a Colômbia, onde são vendidos com muito lucro. Outra parte é vendida no mercado interno, mas a preços excessivos, gerando carestia e inflação.

Ressalte-se que as importações de alimentos na Venezuela totalizaram US$ 7,7 bilhões em 2014, sendo que em 2004 elas foram de apenas US$ 2,1 bilhões. Ou seja, nesse período elas cresceram 259%. E, no caso de medicamentos importados, em 2014 as importações foram de US$ 2, 4 bilhões, enquanto que, em 2004, elas somaram apenas 608 milhões. Um aumento de 309%.

Portanto, a falta de alimentos, medicamentos, kits de higiene, peças sobressalentes para transporte e outros produtos, bem como as longas filas, não podem ser explicadas porque o setor privado não conseguiu receber uma quantidade suficiente de dinheiro para as importações. Esse dinheiro foi simplesmente desviado. Dessa forma, os depósitos em dólares de empresas venezuelanas no exterior cresceram 233% em apenas cinco anos.

Outro fator da guerra econômica tange à inflação induzida pela especulação. Em 2016, a economista venezuelana Pasqualina Curcio estimou, com base nas reservas e na liquidez monetária, que taxa real de câmbio deveria ser de 84 bolívares por dólar. No entanto, no câmbio negro o dólar já chegava a 1.212 bolívares por dólar.   Essa discrepância dilatada e sem base real alimenta um índice inflacionário inteiramente especulativo.

Além de tudo isso, Venezuela sofre, desde 2013, com uma espécie de bloqueio financeiro não oficial. Ele consiste em tornar cada vez mais difícil e caro para a República e, especialmente, PDVSA, o acesso ao crédito no mercado internacional e em obstaculizar as transações financeiras. Nesta área, as armas são invisíveis: tratam-se principalmente da publicação de níveis elevados de índice de risco país e do retardamento das transações financeiras costumeiras. Observe-se que, mesmo com a crise, a Venezuela vem cumprindo estritamente as suas obrigações financeiras, de modo que tais obstáculos não têm base racional e real.

No entanto, o fato concreto é que essa guerra econômica vem ajudando a radicalizar ainda mais o processo político venezuelano.

Nos últimos 4 meses, morreram mais de 100 pessoas nos conflito de ruas. Houve linchamentos de chavistas, inclusive de um que foi queimado vivo, atentados terroristas, incêndios de prédios públicos, inclusive de uma maternidade. Houve também, é claro, a morte de manifestantes da oposição pelas forças de segurança. A violência se generalizou.

Ao mesmo tempo, o impasse institucional entre o Poder Executivo e a Asamblea Nacional, dominada pela oposição congregada na MUD, agravou-se, sem quaisquer iniciativas de ambos os lados para um diálogo sério e construtivo.

Assim sendo, a Venezuela de hoje está à beira de uma guerra civil de proporções calamitosas e consequências imprevisíveis.

Ante tal impasse, o governo chavista optou pela convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, prontamente rejeitada pela oposição.

A oposição logo alegou que a convocação era inconstitucional e que visava perpetuar o poder de Maduro.

Bom, em primeiro lugar, tal convocação não é inconstitucional. A convocação da Assembleia Constituinte pelo presidente da república está prevista clara e explicitamente no artigo 348 da Constituição da Venezuela.

Em segundo lugar, a Assembleia Constituinte não substitui a Asamblea Nacional (o parlamento unicameral da Venezuela), como foi afirmado falsamente, a qual continuará a funcionar e a cumprir suas funções legislativas.

Em terceiro lugar, a convocação de assembleias constituintes é um mecanismo frequentemente usado em países democráticos como solução pacífica para impasses políticos e institucionais como o que acomete a Venezuela atual.

Em quarto lugar, a convocação teve apoio expressivo da população. O número de votantes para a assembleia (mais de 8 milhões) foi superior aos votos que teriam sido obtidos pelo plebiscito informal que a oposição convocou uma semana antes contra a assembleia ( cerca de 7,2 milhões de votos). Observe-se que esse plebiscito é que foi, sim, inteiramente ilegal. Não fosse o clima de violência criado pela oposição, as barricadas que impediram o acesso aos centros de votação e o boicote ostensivo das empresas de transporte, que fizeram locaute no dia da votação, a participação eleitoral poderia ter sido bem superior.

Em quinto lugar, os objetivos estratégicos da Assembleia Constituinte são bem mais amplos do que o suposto desejo de perpetuar Maduro no poder. A Assembleia visa essencialmente constitucionalizar as misiones sociais, bem como estabelecer as bases jurídicas e institucionais de uma economia pós-petroleira. A preocupação fundamental é impedir retrocessos sociais, como os que ocorrem atualmente no Brasil, e criar mecanismos econômicos que levem a Venezuela a ampliar a base produtiva de sua economia, de modo a superar definitivamente a sua dependência dos hidrocarbonetos.

Há de se enfatizar, além disso, que o texto que sairá dessa Assembleia só terá valor jurídico se for aprovado pela população em referendo.

Tal constatação minimiza a crítica da oposição de que o sistema de votação estabelecido para a Assembleia Constituinte criava um “jogo de cartas marcadas”. Na realidade, dos 545 membros da Assembleia, dois terços (364) foram eleitos em base territorial, e um terço (181) com base em setores organizados da sociedade civil, como estudantes, agricultores, sindicatos de trabalhadores, organizações empresariais, representantes das comunidades indígenas, etc. Embora se possa argumentar que tal sistema gera uma distorção na proporcionalidade do voto, é necessário se entender que tal distorção é menor do que a distorção na proporcionalidade que se verifica em muitos países democráticos que adotam o voto distrital.

No Reino Unido, por exemplo, o Partido Liberal tem sido frequentemente prejudicado, pois o percentual de cadeiras que recebe é sempre inferior ao seu percentual de votos. O partido foi sub-representado em todas as eleições para a Câmara dos Comuns no pós-1945: com uma média de 12,4% dos votos, obteve uma média de 1,9% das cadeiras. A diferença mais acentuada ocorreu em 1983, quando recebeu 25,4% dos votos e elegeu apenas 3,5% dos representantes.

Entretanto, as distorções também se dar entre os partidos principais. Por exemplo, nessas ultimas eleições britânicas, os conservadores tiveram apenas 2,4% a mais de votos entre os eleitores que o Partido Trabalhista (42,4% x 40,0%). Contudo, conseguiram eleger 55 representantes a mais que os trabalhistas (317×262). Pela proporcionalidade do voto, tal diferença deveria ter resultado em apenas 15 cadeiras a mais.

Na França moderna, nas duas eleições em que um partido obteve mais de 50% de cadeiras, ele o fez por intermédio de maiorias manufaturadas por distorções: em 1968, os gaullistas (atual RPR) receberam 38% dos votos e 60% das cadeiras; em 1981, o Partido Socialista, com 37% dos votos, ficou com 57% das cadeiras.

Assim sendo, caracterizar a convocação da Assembleia Constituinte como um “golpe” ou uma “ruptura da ordem democrática” é algo de evidente má-fé. Pode-se não concordar com tal convocação, mas não se pode denominá-la de “golpe”. Golpe foi que aconteceu no Brasil.

A alternativa à Assembleia Constituinte parece ser uma guerra civil aberta. Ao menos, a Assembleia Constituinte cria uma oportunidade para que se estabeleça um diálogo que supere o atual impasse político e institucional daquele país.

Lamentável, em todo esse processo, é a posição do governo golpista e sem voto do Brasil. Desde que assumiu ilegitimamente o poder, esse governo fez da suspensão da Venezuela do Mercosul e da derrubada do governo chavista a sua diretriz principal em política externa, atuando como braço auxiliar dos EUA no subcontinente. Ao fazê-lo, o governo golpista apequenou o Brasil e retirou qualquer possibilidade do nosso país atuar como mediador de conflitos na região, como vinha fazendo nos governos do PT.

O empenho do Brasil contra a Venezuela foi de tal ordem que a suspendeu duas vezes do Mercosul. Com efeito, antes da última decisão de utilizar a cláusula democrática do Protocolo de Ushuaia, a Venezuela já estava suspensa, na prática, do Mercosul desde dezembro do ano passado, sob a escusa, sem embasamento jurídico, de que o país não havia internalizado todas as normas do bloco, situação que se verifica em todos os Estados Partes. Assim, a decisão de utilizar a cláusula democrática representa mera peça propagandística contra o governo legitimamente eleito da Venezuela.

Além de empenhado nos retrocessos socais e políticos internos, o governo do Brasil está empenhado também em forçar retrocessos na região.

Nosso principal produto de exportação é hoje o golpe.

Este material foi distribuido pelo Centro de Estudos do Movimento dos Sem Terra- São Paulo

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                      Opinião de uma religiosa, educadora popular

Democracia participativa, protagónica y propositiva.

Las otras democracias no entienden, menos las representativas

Jacquelin Jiménez,rscj Educadora popular

Hermana del Sagrado Corazón de Jesús

Y aquí estuvo otra vez el chavismo!  Esas y esos a quienes les volvió el alma al cuerpo, que estaban desnutridos y se fortalecieron, gracias al presidente Chávez.

Se hizo presente la confianza de esas lumpen que no habían estudiado y ahora miran de frente a sus opresores históricos; apareció la fe de esos que fueron empobrecidos y hoy  creen que pueden dirigir un país porque saben el valor del trabajo; se presentó a la fiesta de la corresponsabilidad  esos obreros, campesinos, pescadores, amas de la vida y amos de casa,  que están convencidos que salvan la patria al cruzar cualquier obstáculo para participar, decidir, elegir, implicarse en los asuntos políticos de esta tierra nuestra.

El chavismo se supera a sí mismo, más allá de las cotidianidades contradictorias, más acá de la necesidad  impuesta por la industria al quitar del mercado la harina de maíz o el arroz. El pueblo, esos que los ciudadanos de las zonas ricas de Venezuela no quieren reconocer y llaman hordas chavistas, tuvo que volver a recorrer con valentía las calles de nuestros campos y parroquias para recordar sobre qué hombros se sostiene este país, aún con la amenaza de ser quemados o golpeados por los antichavistas. En franca hostilidad  el chavismo se hizo presente, votó, y legitimó la convocatoria a Constituyente que había hecho el presidente Nicolás Maduro hace tres meses.

A quienes se creen todo lo que los informativos internacionales dicen de este país, como si habitáramos en guerra, como si no estuviéramos celebrando un cierre más de año escolar, como si no fuéramos a nuestros trabajos con esperanza de mundo mejor, como si no comiéramos cada día aún con lo encarecido de los insumos por parte del capital perverso, le decimo una y otra vez:  La disputa de poder diaria que nos ocupa en este gran país con tensiones,  con nuestras convicciones e historia de vivir viviendo con el gobierno chavista, es una disputa sin igual pues la damos sin balas, con todos los sentidos y afectos colectivos que hemos creado. Damos la pelea seguros de que el poderoso dominador, clasista, blanco, rico, no  es más fuerte que quienes deseamos vivir dignamente, en equidad sin menos precio de la piel, y sin fobia de ninguna naturaleza.

Aconteció este 30 de julio – contra todo pronóstico extranjero, con amenazas del gobierno norteamericano, con gobiernos vecinos que se creen nuestros capataces para reconocernos- la fuerza de la ética comprometida con la responsabilidad comunitaria y el desafío para un gobierno que debe honrar  la fidelidad de este pueblo.

El chavismo estuvo otra vez por aquí en 8.089.320 voluntades por la paz, por la búsqueda de justicia, por el sentido de pertenencia a este país que no dejaremos, aún con el moderno bloqueo de alimentos y medicinas al que nos han sometido. Y estamos seguras que algunos se quedaron en casa o no pudieron ir a votar porque el antichavismo les puso barricadas en sus barrios, les amenazó, les intimidó, pero eso no lo dice la prensa internacional. Esos que acusan de dictador al presidente Nicolás, en sus reductos de resistencia como le dicen, no dejan salir a sus vecinos de sus casas a votar, a comprar insumos, o ir al médico. Si nuestro gobierno actúa ante manifestación con bombas lacrimógenas es represión. Si lo hacen otros gobiernos es dispersión…. Eso es un mínimo ejemplo del uso de las palabras para encubrir verdades.

También ha habido muertes en los enfrentamientos de los opositores más radicales con la guardia nacional. Enfrentamientos, no manifestaciones. Ellos disparan, lanzan bombas y explosivos caseros contra la guardia: Violencia genera violencia. Disparo genera disparo…¿ Cómo defender ese tipo de protesta?

Más allá de las cifras de las votaciones de este 30 de julio, celebramos que votamos en paz, que el chavismo de base no pagó con la misma moneda de la violencia fascista opositora en nuestros barrios, que fue el ambiente de convivencia el que nos movilizó, y que nuestras energías se renuevan y nos reagrupamos en más poder popular. Para la recelosa  visión  única del mundo occidentalizado, que nos impuso una sola manera de hacer democracia, votar por sectores organizados, votar por cada municipio de nuestras ciudades, votar  sin mediar partidos si no la iniciativa propia de haberte postulado, como yo lo hice, no es posible. No, no es posible para este  mundo. Sin embargo, nosotras y nosotros estamos pariendo otro mundo, con dolor, con alegría,  con esperanza.

Fonte: <30 de julio, democracia participativa y protagónica.doc>

 

 

 

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19 Comentários leave one →
  1. Claudia permalink
    10/08/2017 7:16

    CUANTA MENTIRA..!!! YO VIVI 33 ANHOS NA VENEZUELA…NO SOY

    BURGUESA , AINDA TENHO FAMILIA LA,…HISTORIA ECONOMICA Y VERSION BASTANTE INFLADA Y FALSA..!!

  2. adenir permalink
    10/08/2017 7:58

    DIREITOS NÃO ALIENADOS
    “NA VIDA TEMOS QUE TOMAR TRÊS POSIÇÕES : DO LADO DA OPOSIÇÃO,
    DO LADO DAS MULHERES E DO LADO DOS JOVENS QUE É O LADO DOS MAIS FRACOS.”
    (Alceu de Amoroso Lima)
    “A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR. A DEUS O QUE É DE DEUS. E A MIM
    O QUE É MEU.” (Evangelho segundo Thomé)
    “AMARÁS O SENHOR TEU DEUS DE TODO TEU CORAÇÃO E AO PRÓXIMO
    COMO A TI MESMO.” ( ESCRITURAS HEBRAICAS)
    “É PRECISO OLHAR O OUTRO LADO DA MOEDA E OS PRECEITOS CONSTITUCIONAIS. INTERVENÇÃO MILITAR É PEDIDO DE MALUCO.”
    (GENERAIS NÃO ALIENADOS)

  3. 10/08/2017 10:48

    espero que el pueblo venezolano, encuentre la solución a la crisis en la que se encuentra y que sepan defender los recursos petroleros que tiene esa bendita nación,, rogare a dios por que así sea….aquí en mexico no la estamos pasando muy bien que digamos, con este gobierno que tenemos, corrupto,entreguista de nuestros recursos petroleros,asesino de luchadores sociales, periodistas, estudiantes,inmigrantes centroamericanos, y muchísimas cosas mas, … pero creo y confió que muy pronto las cosas cambiaran, si el pueblo mexicano se une y apoyamos al único que nos da esas esperanzas de cambio ..ANDRES MANUEL LOPEZ OBRADOR. aunque el gobierno, los partidos políticos los medios de información, se han encargado encarnizadamente de querer deteriorar su imagen, no lo han conseguido………agradezco a leonardo boff, sus reflexiones y su gran compromiso por informarnos que dios lo bendiga a usted, a su equipo de colaboradores, y a esa gran nación brasileña.

  4. 10/08/2017 14:46

    Republicou isso em Zefacilitador.

  5. 10/08/2017 20:07

    Por qualquer ângulo, visão, aspecto ou dimensão nada pode justificar o que está acontecendo na Venezuela. Mais de uma centena de pessoas contrárias ao regime foram assassinadas; mais de 5 mil prisões arbitrárias; muitos presos políticos estão sendo alvos de horrendas torturas, tais como: choques elétricos, ingerir fezes, estupros, abusos sexuais e agressões físicas de todas as ordens. O cinismo disso tudo é ver muitos intelectuais, que condenaram as mortes e torturas nos regimes militares na América Latina, estarem agora defendendo e as atrocidades na Venezuela de Maduro. O que se consegue extrair dessa situação é que a sociedade brasileira está conseguindo identificar a vigarice intelectual de muitos políticos, intelectuais, artistas e “teólogos” que antes alardeavam lutar pela democracia hoje abertamente apoiam uma ditadura socialista sangrenta.

    • 11/08/2017 14:29

      Jose, vc precisa aprender a ler e ver que as coisas têm vários lados. É injusto inferir que estou defendendo as torturas e outras atrocidades. Apenas que houve avanços sociais por lá que nós ainda não atingimos, especialmente a erradicação do analfabetismo.SEja menos preconceituoso com as opiniões diferentes.

      • 11/08/2017 16:40

        Leonardo, li perfeitamente o que escreveste. Entretanto nada, absolutamente nada, justifica que um governo ou um regime se sustente com a morte e a tortura de seus opositores. A lógica e a retórica utilizada para defender a desgraça que se tornou a Venezuela também poderia justificar a violência dos regimes militares na América do Sul. Afinal de contas, “as coisas têm vários lados”. No Brasil, por exemplo, poderíamos inclusive dizer que o “milagre brasileiro” e as políticas desenvolvimentistas ocorridas no regime militar compensaram a morte de muitos inocentes porque trouxeram “avanços sociais”. Isso é tão perverso quanto defender os crimes do Maduro. Esse relativismo moral é desumano e abjeto. Dá para entender porque a ideologia defendida por Maduro e seus sabujos assassinou mais de 200 milhões de pessoas. Espero que não estejas tentando me rotular de preconceituoso pelo fato de, democraticamente, não concordar com a tua opinião.

      • ManuelPrada permalink
        16/08/2017 12:33

        Es sumamente importante, reconocer en los hechos sociales la aparición de un nuevo hombre. La razón fundamental está en no caer en la tentación de la opresión, ni de los de abajo ni de los de arriba está autorizados para aniquilar al otro sobre la base de la igualdad. Lo que ocurrió en Venezuela es la mayor estafa social jamás vista en Latinoamérica. El robar los recursos de todos y además fracasar en la administración del país, en la búsqueda de un bienestar social, solamente lo pueden entender a quienes apoyan al presidente más inepto en la vida Republican de Venezuela, Nicolás Maduro, por medio de su fanatismo y su incapacidad de entender los orígenes y cultura de un país que nace desde el verbo mismo del reconocimiento de los derechos humanos, basados eso sí, en el reconocimiento y respeto del otro. Somos nosotros los venezolanos que sentimos en nuestro interior la fuerza de la libertad , quienes lograremos expulsar a estas plaga de la política y seguir en el camino de una nación libre , fuerte y equitativa , donde le respeto al derecho de ser diferente y a la disidencia política sea una razón de estado. Para terminar con esta pesadilla madurista, existe un factor de lucha, no creer en el régimen dictatorial de quienes ilegalmente están usufructuando el poder en Venezuela, no aceptarlo hasta quebrar su imposición como el supremo .He ahí un camino sin titubeó para derrotarlo, la palabra critica.

  6. 10/08/2017 20:37

    Depois desta explicação não tenho nada a comentar. A não ser desejar ao Maduro força e perseverança para que a população entenda que a Venezuela é deles, e não dos imperialistas desejosos do seu “ouro negro”.

    • 11/08/2017 14:26

      Parabens, vc é um dos poucos que leu e entendeu o texto. A maioria é vítima do preconceito e se recusa ver o outro lado,dos dois que existem. lboff

  7. Cirineu da Silva permalink
    10/08/2017 21:21

    Parabéns pelas boas explicações históricas sobre a Venezuela!

  8. manuel permalink
    11/08/2017 10:21

    De cómo un mal proyecto político termino, pulverizo los derechos humanos del venezolano. Son las bajezas del revanchismo social junto a la ignorancia de gerenciar un país con valores axiológicos adecuados al tiempo y a las necesidades sociales del mundo actual. Acá se implanto la razón de la sinrazón, llevando al poder a lo más denigrantes del factor humano en su contenido político. Acaso maduro no representa sino el atraso de la política en Venezuela y Latinoamérica?
    La dimensión de terror del régimen del maduro – psuv es reflejo de su incapacidad para gobernar con decencia y transparencia al país. Es la suma de todos los desniveles políticos que desde el poder asecha a la oposición. Criminalizando el régimen del maduro y las fuerzas armadas a todo aquel que desde su perspectiva de críticos cuestionemos la falta de iniciativa, del régimen fascista, para desarrollar políticas asertivas en cuanto a la solución de la crisis económica que está matando de hambre al venezolano .
    Ahora, más que nunca prevalece en Venezuela la falta de ética política en los que conducen al estado. Por esta esta incapacidad del Maduro-PSUV –FUERZAS ARMADAS sigue siendo válida la crítica de Gandhi: «el hambre es un insulto; envilece, deshumaniza y destruye el cuerpo y el espíritu… si no la propia alma; es la forma de violencia más asesina que existe»
    Se tiene que destruir al mercenario, una cosa es el dialogo la confrontación y otra el suavizar la diatriba con palabrería. Hoy por hoy, en Venezuela el régimen adopto la descalificación, la criminalización del otro y el régimen es el que dicta las pautas para el dialogo. Se critica con un verbo claramente encendido porque ante semejantes especímenes de la política, no puede haber medias tintas, se es o no se es y los integrantes del madurísmo son todos unos sátrapas. Es odio desmentir al que apoya la violación de los derechos humanos en toda su estructura societaria. Es lógico que las sociedades enfrenten las anomias y más si ellas atentan con la axiología que todos gobierno debe respetar. El respeto al derecho ajeno es la paz .Estimado Leonardo Boff este régimen del maduro –fuerzas armadas, carece de ética política. ¿Cómo calificas el verbo del maduro, del cabellito y de los integrantes del PSUV por los medios de comunicación?. FUERZA CON UNIDAD, PARA TERMINAR CON LA PESADILLA LLENA DE TERROR DEL MADURO –PSUV ¡!! SI HAMBRE ES LEY, REBELDIA ES JUSTICIA ¡!!

  9. manuelprada permalink
    11/08/2017 10:48

    La pobreza en Venezuela, la de hoy ,que comenzó con el filósofo de sabaneta el Chávez y su proyecto personalista basado en el gasto público sin control y la redención sin parámetros legales. Está directamente relacionada con las estructuras políticas de corrupción y opresión. Esto ,porque Venezuela carece de políticas justas , de acceso a servicios de atención en salud , de educación pública , de seguridad , de justicia en las prácticas de contratación laboral, de vivienda al alcance de los recursos no donadas por el estado redentor , de empleo , de protección contra la explotación ,de libertades política. Con acceso justo, no el mamotreto de oficina del PSUV – CNE Misionesy demas inventos para controlar al ciudadano y someterlo como ente publico . Son parte del bienestar que se nos fue de las manos por la ineptitud del Maduro – Fuerzas Armadas – PSUV . ¡!! …La ANC politicamente incorrecta, veneno y remedio ¡Venezuela tu pais , mi pais llama a la union a mirar el furturo sin medias tintas !

  10. 11/08/2017 21:35

    Existe uma forte tentativa da direita em todo o mundo, desde Brasil, Venezuela, Trump(nos EUA) e etc… em distorcer os fatos, para destruir o que já foi feito em prol dos menos favorecidos. O verdadeiro “gigante” que acordou foi o “gigante da brutalidade” e da “ambição” desmedida. O interesse no dinheiro público e poder adoeçe, emburrece, e inverte o cidadão no mais fundo abismo do imoral, do si mesmo e do egoísmo.

  11. 12/08/2017 18:11

    Republicou isso em TERRA DE TODOS – (TERO DE CXIUJ)e comentado:
    Os que não conhecem a Venezuela, especialmente os críticos contumazes do Presidente Nicolás Maduro deviam pelo menos se dar ao trabalho, se é que têm coragem pra isso, de ler na íntegra estes textos relevantes e históricos sobre o que de fato ocorre no país vizinho. E antes de mais nada, “Viva a República Bolivariana da Venezuela!”

  12. 12/08/2017 20:15

    Só quero desejar força e perseverança ao povo venezuelano. Brasileiros/as vizinhos/as desse lindo País, rogamos a Deus que tire de sobre a Venezuela o olhar de mau agouro estadunidense, cuja única intenção é se apossar das riquezas naturais – principalmente o petróleo – daquele País. Para isso, jogam irmãos contra irmãos, num genocídio sem precedentes. Gente(?) sem limites no que tange à maldade imperialista!

  13. 18/08/2017 13:21

    Republicou isso em Paulosisinno's Bloge comentado:
    Cpt. do Leonardo Boff: “Todas as coisas possuem sempre dois lados. Em direito se diz: “audiator et altera pars”: que se escute também a outra parte. Isso vale em todas as questões que envolvem destinos pessoais e de todo um povo. A questão da Venezuela é complexa e polêmica. Dificilmente poder-se-á emitir um juízo equilibrado tantos são os fatores a serem considerados. Entre nós, no Brasil, a versão dominante, propagada pela grande mídia, sob forte influência dos USA é muito negativa e tem suas razões. Há violência e repressão popular que são inaceitáveis, sob qualquer ponto de vista. Mas não é a única versão. Há outras versões que apresentam lados positivos que importa também considerar, embora ganham pouco espaço na mídia nacional e internacional. No propósito de mostrar a complexidade da questão Venezuela e o que significaram as transformações que Hugo Chavez introduziu naquele país, importa ouvir os dois testemunhos que publicaremos logo abaixo. Curiosamente um vem de uma religiosa que trabalha no meio do povo e que por isso seu testemunho ganha especial credibilidade. Não emitimos nenhuma opinião. Apenas mostraremos um dos lados, pouco conhecido, para que cada um possa fazer o seu juízo na base desta e de outras informações.”

    • Manuel Prada Vazquez permalink
      21/08/2017 10:30

      A diminuição que Chávez empurra com sua política de assistência social fala dos perigos dos novos padrões de produção dependentes do governo central, agora liderados pelo maduro, da falta de criatividade no trabalho; Venezuelanos dedicados a ser consumidores em vez de produtores de coisas e criadores de idéias e bens. A distorção do conceito de democracia impulsionou com mais ímpeto pelo deusdado pelo artífice da aplicação do terrorismo de estado. É curioso … Naquela mentira a raiz da pobreza. Devemos recuperar nossa capacidade de criar e produzir. Venezuela abre caminho para o progresso e o comércio livre … !!!
      Não há nada mais tirânico do que a tirania do povo … estes representam a assistência mais clara e pura de como uma nação é destruída e corrompida pelo uso do poder das armas nas mãos do estado e da mídia para fazer A mídia … O revanchismo social que nutre este regime é uma conseqüência de uma sociedade submissa no medo da ação práxis política e ofertas muito claras para fugir … Agora, o importante é organizar-nos com slogans claros Não nos deixamos aniquilar pelo terrorismo de Estado implantado pelo falecido Chávez e seguido pelo decadente Maduro, pai da crise humanitária, que agora é herdada de Chávez. Todos os venezuelanos, que são absolutamente democráticos, têm a obrigação de denunciar ao mundo a politização das instituições venezuelanas para fazê-los parte de um compromisso governamental, a fim de colocar o institucionalismo ao serviço de um viés político. Contra a arbitrariedade e a reflexão de ideologias para os funcionários do Estado é que devemos UNIR. Este regime é um grande monstro e piza forte toda a pobre inocência das pessoas, das pessoas e dos cidadãos. Este maduro e seus seguidores representam a falta de oportunidade que nós, venezuelanos, temos para que o estado nos respeite na convicção da liberdade E o estado da justiça social, igualdade e respeito por todos …

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