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O pequenino afogado Ayslan Kurdi nos faz chorar e pensar

06/09/2015

O pequenino sírio de 3 a 4 anos jaz afogado na praia, pálido e ainda con suas roupinhas de criança. De bruços e com o rosto voltado ao lado, como quem quisesse ainda respirar. As ondas tiveram piedade dele e o levaram à praia. Os peixes, sempre famintos, o pouparam porque também eles se compadeceram de sua inocência. Ayslan Kurdi é seu nome. Sua mãe e seu irmãozinho também morreram. O pai não pôde segurá-los e lhes escaparam das maõs, tragados pelas águas.

Querido Ayslan: você fugia dos horrores da guerra na Síria, onde tropas do presidente Assad, apoiado pelos ricos Emirados árabes, lutam contra soldados do cruel Estado Islâmico, esse que degola a quem não se converte à sua religião, tristemente apoiado pelas forças ocidentais da Europa e dos Estados Unidos. Imagino que você tremia ao som dos aviões supersônicos que lançam bombas assassinas. Não dormia de medo de que sua casa voasse pelos ares em chamas.

Quantas vezes você não deve ter escutado de seus pais e vizinhos quão temíveis são os aviões não pilotados (drones). Eles caçam as pessoas pelas colinas desérticas e as matam. Festas de casamento, celebradas com alegria, apesar de todo o horror, também são bombardeadas, pois se supõe que no meio dos convidados deverá haver algum terrorista.

Talvez você nem imagina que quem pratica essa barbaridade e está por trás disso tudo, é um soldado jovem, vivendo no Texas num quartel militar. Ele está sentado tranquilo em sua sala diante de imensa tela como de televisão. Através de um satélite mostra os campos de batalha da sua terra, a Síria, ou do Iraque. Conforme a sua suspeita, com um pequeno toque num botão dispara uma arma presa no drone. Nada sente, nada escuta, nem chega a ter pena. Lá no outro lado, a milhares de kms, são mortas subitamente 30-40 pessoas, crianças como você, pais e mães como os seus e pessoas que nada têm a ver com a guerra. São friamente assassinadas. Lá do outro lado, ele sorri por ter acertado o alvo.

Por causa do terror que vem pelo céu e pela terra, pelo pavor de serem mortos ou degolados, teus pais resolveram fugir. Levaram toda a família. Nem pensam em arranjar trabalho. Apenas não querem morrer ou serem mortos. Sonham em viver num país onde não precisam ter medo, onde possam dormir sem pesadelos.

E você, querido Ayslan, podia brincar alegremente na rua com coleguinhas cuja lingua você não entende mas nem precisa, porque vocês, crianças, têm uma linguagem que todos, os meninos e meninas, entendem.

Você não pôde chegar a um lugar de paz. Mas agora, apesar de toda a tristeza que sentimos, sabemos que você, tão inocente, chegou a um paraíso onde pode enfim brincar, pular e correr por todos os lados na companhia de um Deus que um dia foi também menino, de nome Jesus, e que, para não deixá-lo só, voltou a ser de novo menino. E vai jogar futebol com você; você vai poder pegar no colo um gatinho e correr atrás de um cachorrinho; vocês vão se entender tão bem como se fossem amigos desde de sempre; juntos vão fazer desenhos coloridos, vão rir dos bonecos que fizerem e vão contar histórias bonitas, um ao outro. E se sentirão muito felizes. E veja que surpresa: lá estará também seu irmãozinho que morreu. E sua mãe vai poder abraçá-lo e beijá-lo como fazia tantas vezes.

Você não morreu, meu querido Ayslan. Foi viver e brincar num outro lugar, muito melhor. O mundo não era digno de sua inocência.

E agora deixe que eu pense com meus botões. Que mundo é esse que assusta e mata as crianças? Por que a maioria dos países não querem receber os refugiados do terror e da guerra? Não são eles, nossos irmãos e irmãs, habitando a mesma Casa Comum, a Terra? Esses refugiados não cobram nada. Apenas querem viver. Poder ter um pouco de paz e não ver os filhos chorando de medo e saltando da cama pelos estrondos das bombas. Gente que quer ser recebida como gente, sem ameaçar ninguém. Apenas quer viver o seu jeito de venerar Deus e de se vestir como sempre se vestiu.

Não foram suficientes dois mil anos de cristianismo para fazer os europeus minimamente humanos, solidários e hospitaleiros? Ayslan, o pequeno sírio, morto na praia é uma metáfora do que é a Europa de hoje: prostrada, sem vida, incapaz de chorar e de acolher vidas ameaçadas. Não ouviram eles tantas vezes que quem acolhe o forasteiro e o perseguido está anonimamente hospedando Deus?

Querido Ayslan, que a sua imagem estirada na praia nos suscite o pouco de humanidade que sempre resta em nós, uma réstea de solidariedade, uma lágrima de compaixão que não conseguimos reter em nossos olhos cansados de ver tanto sofrimento inútil, especialmente, de crianças como você. Ajude-nos, por favor, senão a chama divina que tremula dentro de nós, pode se apagar. E se ela se apagar, então afundaremos todos, pois sem amor e compaixão nada mais terá sentido neste mundo.

De Leonardo Boff, um vovô de um país distante que já acolheu muitos de seu país, a Síria, e que se compadeceu com sua imagem na praia e lhe fizeram escapar doloridas lágrimas de compaixão.

54 Comentários leave one →
  1. 06/09/2015 23:51

    Querido padre: este texto está sensacional e serve como conforto, apesar da tristeza, da morte do garoto sírio, Chorei muito e ainda fico comovido quando vejo as imagens.

    • 07/09/2015 15:17

      Também ainda estou muito comovida com aquela cena de ver a criança morta na praia, quantos sonhos jogados ao vento, por outro lado entende-se olhando pelo lado da fé ele está vivo junto de Deus, certamente este fato nos emociona por conta da nossa condição de migrante, como nordestina, vejo meu povo sempre viajando buscando dias melhores, é claro migrando dentro do próprio País, sofre preconceitos e dificuldades, imagine quem vem de outros continentes?

  2. 07/09/2015 0:12

    Eu também derramei lágrimas doloridas… Como não chorar diante de uma criança inocente morta que espelha o drama de seu povo?… “Não foram suficientes dois mil anos de cristianismo para fazer os europeus minimamente humanos, solidários e hospitaleiros? “

  3. 07/09/2015 0:23

    No Brasil, quantas crianças são abandonadas ao próprio infortúnio… Cenas trágicas de crianças no chão de ruas de São Paulo tentando se aquecer juntando seus corpos. Como não chorar diante de cenas como essas também?

  4. 07/09/2015 1:53

    Querido padre, muito obrigado por expressar o que eu queria ter podido dizer, mas que não tinha palavras. O menino morto ou sonhando na praia me recorda a pergunta do Senhor Deus a um irmão que acabara de matar o outro: Onde está teu irmão?

  5. 07/09/2015 2:53

    Republicou isso em coração filosofante.

  6. 07/09/2015 7:32

    Republicou isso em Eduardo Santana.

  7. Jeanne Nascimento permalink
    07/09/2015 7:37

    Frei Leonardo Boff(para mim, você é sempre o irmão, por isso o tratamento) o seu comentário me fez chorar um pouco mais, além da imagem do Ayslan Kurdi. Você interpretou o rostinho de lado como se quisesse ainda respirar e eu acrescento: para respirar e poder gritar para o mundo inteiro ouvir: vejam as consequencias das guerras… Abraços com muita admiração por suas reflexões.

  8. Simone Sarmento Lima permalink
    07/09/2015 7:57

    Que realidade é essa nossa de cada dia?
    Texto comovente que nos leva à reflexão sempre diante dos sofrimentos e dores irrecuperáveis.
    O que acontece no mundo de lá, não é diferente do mundo de .cá, A dor é a mesma. Uma criança, tantas crianças cortadas, privadas do dom da vida por causa da insanidade humana. Sair do seu aconchego, não importa qual seja, é o seu chão, Enfrentar o mundo do lado de fora tornou-se um perigo! O desconhecido,que antes era um desafio de conquista, hoje é desafio de sobrevivência, quando possível… quando deixarem, na força bruta.
    Os países dito ” civilizados” parecem que já esqueceram o passado de guerra. É evidente, entendemos que não é fácil para lugar nenhum as grandes dificuldades econômicas e habitacionais e outras, que serão enfrentadas, principalmente, num momento de crise. Mas é na crise que sabemos quem somos. Por humanidade, é preciso abrir as fronteiras. Ser chamado de estranho, estrangeiro na terra dos outros é a ordem do nosso tempo em evolução, porque as terras não pertencem a ninguém.
    Todos nós somos estrangeiros, imigrantes no Planeta Terra. Estamos de passagem.
    Que a morte de Ayslan não tenha sido em vão.

  9. 07/09/2015 8:08

    Tão verdadeiro… tão emocionante… impossível não ficar estático diante de um texto que nos remete a várias interrogações e afirmações dessa roda vida. Parabéns Leonardo Boff

  10. 07/09/2015 8:40

    Que mundo é esse que assusta e mata pessoas inocentes?

  11. 07/09/2015 8:48

    Veja aonde o capitalismo selvagem e brutal conduziu e está conduzindo a humanidade. E tudo isso em nome do dinheiro, tudo isso para proteger a fortuna dos grandes bancos privados. A humanidade perdeu a sua humanidade.

  12. Carlos Miranda permalink
    07/09/2015 8:50

    😢

  13. sadi permalink
    07/09/2015 9:45

    Onde estava deus?

    • 07/09/2015 12:42

      Sadi, Deus estava naquela criança morta,sofrendo com os sofredores do mundo inteiro e morrendo sempre de novo, mas tambem ressuscitando para nunca deixá-los sós e ficando ao lado deles. lboff

      • 08/09/2015 11:34

        Irmao Boff:obrigado por ser Voz de tantos de nos que ficamos sem palavras,mas com lagrimas..e culpas..Obrigado por falar com Ayslam..com nos..com Jesus. Tomara que estas mortes facam resucitar alguma parte de todos nos que podemos estar mortos vivendo sem vida espiritual. Tomara voltemos nossos rostos a Deus e aceitemos um compromiso jubnto con o Deus da Historia. De jorge Washington Fajardo,bispo Igreja Crista Pentecostal Nascente do Uruguai.

      • Maria Matilde Corrêa Hosannah da Silva permalink
        14/09/2015 15:53

        Muito bonito! Mas como você prova que os EUA ou a Europa ou as Forças Ocidentais apoiam o EI? Creio que é maldade da sua parte dizer isso. Tenha prudência.

      • 18/09/2015 2:02

        São eles qu estão ofereendo-lhes as armas e visam derrubar Assad como queriam antes e não conseguiram. Aí há uma grande contradição observada já por bons analistas como Frisk
        lboff

  14. 07/09/2015 9:47

    A imigração de africanos e latino-americanos para Europa já é anterior ao que está acontecendo agora. Vemos neste momento uma explosão de imigrantes controlados por organizações criminosas invadindo a Europa. A maioria deles são sírios/as que fogem da guerra civil. Mas também da Líbia e Eritreia. Todos querem viver. Fogem da guerra e da fome. Quem está financiando a guerra civil na Síria? Quem financia e coordena criminosamente a imigração, cobrando cerca de 10 mil euros de cada um? O que se pretende com esta invasão da União Europeia? Alguma super potência quer destrui-la?

  15. Donizeti permalink
    07/09/2015 11:09

    Olá bom amigo. Obrigado por chamar-nos mais um vez à reflexão. Deus continue te iluminando. Abraços.

  16. 07/09/2015 11:16

    Querido Leonardo Boff, sou ateu, mas acompanho com muita atenção o que escreve, pois, apesar de não compartilhar da mesma fé no espírito, compartilho contigo a mesma fé nos homens. Seu texto me arrancou lágrimas por toda potência humana e princípio de esperança nele contido. Obrigado por resistir e compartilhar conosco essa fé que transcende qualquer senso de religiosidade que divide os homens e alcança aquilo que nos torna, a despeito de todas as diferenças, iguais: a compaixão e o amor. Obrigado mesmo.

  17. Elizabeth da Cos ta Carneiro permalink
    07/09/2015 11:22

    Emocionante, frei. Como sempre o senhor diz tudo o que sinto mas não sei me espressar.

  18. 07/09/2015 11:37

    realmente o texto está sensacional, pena que tenhamos ainda que conviver com todo esse desperdicio de vida, tenhamos que aguardar o amor por todos vingar….obrigada

  19. 07/09/2015 12:02

    Quando leio textos como esse, volto a acreditar que ainda há esperança, um remanescente dos chamados filhos da luz, parecidos com o pai das luzes, parecidos com Cristo.

  20. Alexandra Mattos permalink
    07/09/2015 12:09

    O texto mais humano que eu li sobre o triste episódio. Que mundo é esse ? Apesar de eu ser uma otimista e achar que caminhamos para o melhor e não contrário, é tempo de repensarmos o que vale mais para nós, humanos. Vale mais guerras e situações de miséria onde vidas são contadas como números em pról da ânsia de lucro incessante de um modelo econômico mundial onde o dinheiro é o senhor máximo? Ou vale mais abrirmos mãos desse materialismo cego e nos focarmos na vida e no bem estar de nossos irmãos em humanidade? Eu não tenho dúvidas dessa segunda opção.
    Que possamos nos compadecer com essa triste história do menino sírio para AGIR e não só para servir de sensacionalismo barato de uma mídia que busca olhares apenas curiosos sem que NADA seja efetivamente modificado para melhor.

  21. 07/09/2015 13:24

    muito sensacional o texto

  22. sara permalink
    07/09/2015 13:28

    Obrigada por me fazer entender porque não consigo parar de chorar diante da dor alheia. Porque ainda quando criança a dor e sofrimento de todos me comovia e fazia chorar sozinha em meu quarto após apagar a luz.

  23. 07/09/2015 13:45

    Eu só queria lembrar a todos de que – aqui em NOSSO Brasil – temos centenas dessas crianças também morrendo na praia, literal e simbolicamente, por falta de oportunidade para viver. Não vejo nenhuma manifestação de peso quanto a eles; já faz parte da rotina. E agora?

  24. Andrea Basile permalink
    07/09/2015 15:17

    Querido Leonard Boff. Por favor, poderia me dizer de onde voce tirou a informação de que um jovem soldado do Texas está por traz disso?

  25. shamuel permalink
    07/09/2015 15:46

    Professor querido, junto às suas lágrimas e desejo urgente de conversão à mesa fraterna.

  26. 07/09/2015 15:57

    Não tem como não chorar de compaixão…

  27. 07/09/2015 18:06

    Infelizmente este é o mundo em que somos obrigados a viver. Você colocou muito bem, Leonardo Boff, o garotinho foi pra um lugar bem melhor onde vai poder brincar e de lá poderá interceder por nós, que ainda temos que suportar tantas injustiças e barbáries. Este não é nem sombra do projeto que Deus sonhou para a humanidade. Só muitas orações e ações justas, intervenção divina pra nos consolar.

  28. Edgar Rocha permalink
    07/09/2015 18:10

    Bem Aventurado Ayslan, que com seu sacrifício evocou a presença de Deus novamente na Terra. Quando, no presente momento, veríamos uma grandiosa autoridade agir como instrumento de Deus, conclamando seu séquito a receber em cada paróquia ao menos uma única família refugiada? Este grande milagre, o de comungar com o espírito solidário de Francisco – espírito este em comunhão com a Verdadeira Fé, e não com o poder que o mundo lhe ofereceu – para dar o exemplo do bem, o coloca em pé de igualdade com seu irmão argentino, em grandeza, fraternidade e como instrumento do Deus eterno.
    Será o momento de voltarmos a confiar na Justiça Universal: amaldiçoado todo aquele que se une aos assassinos da inocência, dando as costas ao seu irmão necessitado. Deus não está na ignorância nem na manipulação! Esta inexiste, quando o coração fala mais alto e por amor nos deixamos permear pelos sentimentos motivados pelo Espírito Santo. Não acolher ao desesperado, também é pecar contra o Ele e isto, como bem disse o Cristo, não tem perdão!
    Roma caiu, assim como Jerusalém, os impérios indígenas, o Império napoleônico, o português, o Império espanhol… Ninguém recebe de Deus o que não oferece ao irmão. Aguardem, América, Europa, ISIS. Aguardem…

  29. Deuzimar Menezes Negreiros permalink
    07/09/2015 21:31

    SEMPRE AS CRIANÇAS…

    “Se, no lugar de seguir os EUA, em sua política imperial em países agora devastados, como a Líbia e a Síria, ou sob disfarçadas ditaduras, como o Egito, a Europa tivesse aplicado o que gastou em armas no Norte da África e em lugares como o Afeganistão, investindo em fábricas nesses mesmos países ou em linhas de crédito que pudessem gerar empregos para os africanos antes que eles precisassem se lançar, desesperadamente, à travessia do Mediterrâneo, apostando na paz e não na guerra, o velho continente não estaria enfrentando os problemas que enfrenta agora, o mar que o banha ao sul não estaria coalhado de cadáveres, e não existiria o Estado Islâmico.” – Frei Leonardo Boff https://leonardoboff.wordpress.com/
    https://leonardoboff.wordpress.com/2015/09/04/o-pato-e-a-galinha-refugiados-vitimas-das-politicas-imperialistas-do-ocidente/#comment-38927

    Quanta gente tão imbecil, tão idiota há que nem com o trágico acontecendo a sua frente, aprende‼

    SERÁ A BANALIZAÇÃO DAS BARBÁRIES, O ÚLTIMO ESTÁGIO?

    Quando perdemos a capacidade de nos indignarmos com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados – Vladimir Herzog

    [In]feliz[mente] O ser humano não consegue SER HUMANO em nada!! E, mesmo assim, ainda se diz ser cristão, mas, também não consegue SER CRISTÃO porque nada faz de Cristo para SER JESUS CRISTO‼ Mesmo nesses momentos…‼ E, ficar triste! Dignar-se! Indignar-se e’ tão só uma indignação!! Um dignar-se!! Uma tristeza! Passou o impacto do choque, esquece… e a vidinha [des]HUMANA continua‼ E o [in]feliz[mente]!

    Quanto à criança, quantas crianças já e quantas crianças… quantas famílias ainda… E a origem de tudo isso, a Causa inicial de todos os problemas no Oriente Médio e Europa estar nos EUA. Cadê o jornalismo internacional e, no nosso caso, o brasileiro para demonstrar isso?!! Para esclarecer o que e’ a política internacional dos USA?! As consequências da política dos americanos do norte para o mundo?! Não mostram porque são censurados!!

    E, por que que tudo que é ruim tem-se como responsável os EUA? Eles são o mal e o mau que as pessoas veem como o bem e o paraíso terreno. E olhe que eles inventaram a bomba atômica, as guerras globais por dinheiro por meio da produção do armamento bélico; a manipulação mundial; o inferno dos frigoríficos e MC Donald para os animais e “humanos”; a escravidão dos países mais pobres em seu proveito.., e por aí vai; por que tudo isso? Porque se trata da matriz/mãe do capitalismo [sistema liberal de produção] que tem como objetivo/foco ser único sistema… no mundo‼ Não ter nenhum tipo de sociedade alternativa ao sistema capitalismo‼ Não importa os meios a serem usado para atingir o seu objetivo. Por isso serem o âmago do mal e do mau‼

    Os EUA querem toda a região despovoada para tomar posse do que ainda tem de riqueza que lhes interessa.

  30. 08/09/2015 1:16

    Republicou isso em Aqueles doise comentado:
    Uma válida reflexão:

  31. 08/09/2015 11:10

    Prezado Boff: emocionante seu texto e põe toda a compaixão e sensibilidade neste episódio do Garoto morto à Beira da Praia, com que comungo profundamente. Mortos estamos todos nós, com tantas atrocidades, insebsibilidades e certos de que o mundo está por um fio. Todos em crises diversas. A Humanidade está em crise profunda. Depois de 2000 anos e duas décadas, ainda vivemos como monstros vorazes, capitais, gananciosos e sobretudo egoistas e insensíveis. A diferença hoje, é que matamos por meios eletrônicos refinados, que distancia do remorso imediato. Espelho dos jogos eletrônicos que as crianças do mundo inteiro se deliciam em suas casas, como se tudo fosse inocente, com apoio dos pais, pensando apenas que estão eliminando fantasias. Na pratica do mundo atual, eliminam-se vidas como a desse garoto, que os Deuses dos Mares o colocou a beira da praia para mostrar ao mundo que temos que despertar para e urgente se ainda acreditamos em um futuro digno para a humanidade.

  32. 08/09/2015 11:45

    O que me preocupa é que com toda essa barbaridade acabe acontecendo a história daquele que se acostumou a tomar veneno todo dia (mitriacismo, senão me engano) e acabemos todos numa insensibilidade galopante tal que achemos que a vida é assim mesmo

  33. 08/09/2015 13:12

    Leonardo, vejo pessoas comentarem que é desmedida a atenção dada aos refugiados, visto que, não temos olhado com a mesma atenção a situação dos haitianos. Gostaria que o senhor comentasse. Abraço fraterno, das margens do velho chico. Dorisvan Lira

  34. adenir permalink
    08/09/2015 18:05

    Malditos os que semeiam
    conflitos e guerras.
    Bem-aventurados os pacificadores
    porque serão chamados filhos de
    Deus.
    Discursos sobre o que não se viu
    são discursos.
    Discursos sobre o que se viu são
    profecias.
    As realidades brasileira e mundial
    são violentas e desesperadoras.
    É preciso estar atento e forte…
    abraços. adenir

  35. vania carvalho permalink
    08/09/2015 20:20

    Essas guerras matam menos crianças do que as guerras das favelas brasileiras. Alguém aí chorando pelas nossas crianças mortas por balas perdidas ou depois de serem estupradas? Ah, não, isso já virou rotina no Brasil, ninguém nem liga mais e nem chora pelas nossas crianças, nem escrevem textos que todo mundo acha emocionante, menos eu, por não concordar com o que está escrito. Essa guerra é tão dolorida e desumana como as guerras qud temos no Brasil. Por favor, olhem para as nossas crianças, chorem por nossas crianças…quem sabe se tornem mais humanos e menos hipócritas!

    • 12/09/2015 0:41

      Vânia. o sofrimento em qualquer lugar que aconteca merece compaixão. Não dá para colocar uma vitima contra a outra e julgar farises a quem não consegue falar de todos. Comece com vc mesma a perceber que a dor humana não tem pátria, Está para além dos ressentimentos. lboff

  36. 08/09/2015 20:44

    Os poderes perderam o sentido. A vida não tem mais valor nas mãos dos poderes. O garoto Ayslam é “apenas” uma gota neste oceano de atrocidades cometidas por aqueles que detêm o poder e justificam qualquer das suas ações a busca da paz e da justiça. Enquanto cada um de nós não considerar o próximo superior à nós mesmos, será impossível alcançarmos a harmonia dos sentimentos e o respeito às diferenças. Vive la diference!

  37. Vera Silva permalink
    09/09/2015 12:54

    O pequeno Cristian me fez chorar e pensar…
    08/09/2015
    “O pequeno brasileiro de 12 anos jaz, pálido e ainda com suas roupinhas de criança. De bruços e com o rosto voltado ao lado, como quem quisesse ainda respirar. Não, não havia ondas do mar que tivessem piedade dele e o levassem à praia. Não, os peixes, sempre famintos, não o puderam poupar, mesmo que de sua inocência pudessem se compadecer. Cristian Soares é seu nome. .A mãe e o pai não puderam protegê-lo, ninguém pode segurar suas mãos para evitar que fosse baleado enquanto jogava bola com outras crianças na favela de Manguinhos…
    Querido Cristian: você nunca tentou fugir dos horrores e de toda a violência no Rio de Janeiro, onde tropas da polícia militar entram em comunidades pobres e atiram sem o menor cuidado nessa maldita guerra contra o tráfico de drogas. Imagino que você já não mais tremia ao som dos tiros das armas assassinas de bandidos e policiais. Não mais deixava de dormir com medo, já se acostumara com o som das pesadas armas, essa era a sua realidade.
    Quantas vezes você não deve ter escutado de seus pais e vizinhos quão temíveis são os policiais, os bandidos, os soldados e os caveirões. Eles caçam as pessoas pelas favelas e as matam. Festas, casamentos, batizados celebrados com alegria, apesar de todo o horror, também são atacados, pois se supõe que no meio dos convidados possa haver algum inimigo de um ou outro lado.
    Talvez você nem imagine que quem pratica essa barbaridade e está por trás disso tudo possa estar sentado tranquilo em sua sala. Nada sente, nada escuta, nem chega a ter pena das pessoas mortas, das crianças como você, pais e mães como os seus, pessoas que nada têm a ver com a guerra e que são friamente assassinadas.
    Por causa do terror, pelo pavor de serem mortos, seus pais provavelmente sempre tenham pensado em sair dali, fugir. Levariam toda a família. Nem pensariam mais em seus trabalhos ou como arranjariam outros empregos, outra escola pra você. Só não queriam vê-lo morrer, não queriam ser mortos. Sonhavam em viver num país onde não precisassem ter medo, onde pudessem dormir sem pesadelos.
    E você, querido Cristian, poderia brincar alegremente na rua com seus coleguinhas, mesmo que falassem outra língua, porque vocês, crianças, têm uma linguagem que todos, os meninos e meninas, entendem.
    Você não pôde chegar a um lugar de paz. Mas agora, apesar de toda a tristeza que sentimos, sabemos que você, tão inocente, chegou a um paraíso onde pode enfim brincar, pular e correr por todos os lados na companhia de um Deus que um dia foi também menino, o Cristo que inspirou seu nome Cristian, e que para não deixá-lo só, voltou a ser de novo menino e vai jogar futebol com você; você vai poder pegar no colo um gatinho e correr atrás de um cachorrinho; vocês vão se entender tão bem como se fossem amigos desde sempre; juntos vão fazer desenhos coloridos, vão rir dos bonecos que fizerem e vão contar histórias bonitas, um ao outro e serão muito felizes.
    Você não morreu, meu querido Cristian. Foi viver e brincar num outro lugar, muito melhor. O mundo não era digno de sua inocência.
    Querido Cristian, que a sua imagem estirada na favela nos suscite o pouco de humanidade que sempre resta em nós, uma réstia de solidariedade, uma lágrima de compaixão que não conseguimos reter em nossos olhos cansados de ver tanto sofrimento inútil, especialmente, de crianças como você. Ajude-nos, por favor, senão a chama divina que tremula dentro de nós, pode se apagar. E se ela se apagar, então afundaremos todos, pois sem amor e compaixão nada mais terá sentido neste mundo.”
    De Vera Silva, inspirada em Leonardo Boff, que escreveu quase essas mesmas palavras sobre outro menino que também morreu, só que de um país distante, a Síria, e que se compadeceu com sua imagem na praia e lhe fizeram escapar doloridas lágrimas de compaixão, como as que escorrem dos meus olhos ao saber que vc foi morto com um tiro em Manguinhos enquanto jogava bola.

    • 12/09/2015 0:36

      Vera- Bela paráfrase, atalizando a tragédia para a nossa realidadde, Parabens,
      lboff

    • Vera Silva permalink
      13/09/2015 11:45

      Obrigada, Leonardo. Que essa “chama divina que tremula dentro de nós” não se apague nunca, mas ao contrário, que possamos sempre propagá-la onde quer que estejamos, para que num futuro não muito distante, o amor penetre em todos os corações humanos, que todos os habitantes do planeta compreendam, de uma vez por todas, que a fraternidade universal é a única possibilidade de seguirmos. Vamos em frente… Um grande abraço fraternal.

  38. 09/09/2015 14:56

    AZUL:

    Navegar é preciso
    Liberdade é preciso
    Sonho é precioso
    Liberdade, navegar

    Mamãe, tenho sede
    Vejo tudo azul
    Em breve estaremos juntos
    Livres, em um mundo justo

    Mamãe, tenho medo
    Tenho fome, azul, azul
    Mamãe, me dói o peito
    Tenho sede, tudo é sal

    Será que me abandonaram?
    Tenho medo
    Água, azul, o sal
    Tudo fica escuro

    Mamãe, veja, um anjo no céu!

    http://brunofelixarts.com/2015/09/04/azul/

  39. Rezilda Gouveia permalink
    09/09/2015 22:41

    >

  40. 10/09/2015 12:04

    Azul (o poema que eu não queria ter escrito):

    Navegar é preciso
    Liberdade é preciso
    Sonho é precioso
    Liberdade, navegar

    Mamãe, tenho sede
    Vejo tudo azul
    Em breve estaremos juntos
    Livres, em um mundo justo

    Mamãe, tenho medo
    Tenho fome, azul, azul
    Mamãe, me dói o peito
    Tenho sede, tudo é sal

    Será que me abandonaram?
    Tenho medo
    Água, azul, o sal
    Tudo fica escuro

    Mamãe, veja, um anjo no céu!

  41. Yani permalink
    10/09/2015 17:14

    Mais um texto muito bem escrito e muito emocionante!!! Que as pessoas possam capturar essa sua preocupação e solidariedade, parabéns pelas palavras! É com elas que podemos passar e dispersar os bons sentimentos que ainda existem! Um abraço!

  42. Marcionei Miguel da Silva permalink
    10/09/2015 19:50

    Caríssimo Leonardo Boff,
    A sua reflexão me fez pensar sobre a fragilidade e o amor humano envolto pela compaixão que transcende toda racionalidade. Uma família inteira foi ceifada pelos horrores da guerra de uma forma trágica. O menino parecia estar dormindo, mas na verdade estava esperando seu último colo para mostrar ao mundo o perfume da dignidade. No coração de Deus está agora o pequeno Ayslan. Parabéns pelo lindo texto.

  43. 14/09/2015 14:27

    Republicou isso em Paulosisinno's Bloge comentado:
    Mais um belo artigo do Leonardo Boff: “O pequenino afogado Ayslan Kurdi nos faz chorar e pensar”

  44. Geraldo ZIMBRA permalink
    23/09/2015 18:01

    Não tem um ser HUMANO que não tenha se chocado com esta imagem. Infelizmentee, ficarei com ela na memória para ter como exemplo da imbecilidade humana

  45. Emerson permalink
    16/10/2015 9:37

    Falta dentro de muitos de nós a certeza de q Deus como um ser q ama sente a necessidade também de ser amado. Quem ama tem como essência em si o acolhimento, já dizia Irmã Dulce: “temos q ser a ultima porta para um necessitado”. Por ter compaixão, fico triste demais em saber desses acontecidos. Imagina como fica Deus q tem compaixão maior q a minha e q a sua?

  46. Helder permalink
    24/11/2015 19:05

    Muito triste mesmo. A imagem de Aylan Kurdi de apenas 3 aninhos, mortinho na praia é de enternecer os corações mais duros. Toda vez que vejo, ou a imagem vem na minha mente, tenho vontade de chorar. Não tenho filhos, mas é como se tivesse. Sinto por ele e todas as outras crianças que se foram, inclusive sua mãe e irmãozinho. Agora, é tarde demais para pensar em fazer alguma coisa. Espero que eles estejam na graça de Deus. Precisou da morte para o mundo aprender a lição de que amor é vida!!!!!! Vai com Deus queridinhos.

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